Arquivo da categoria: urbanismo

CATRACA NEM NA BICICLETA!

enviado especial do CicloZN faz relato gonzo de ato do Movimento Passe Livre contra mais um aumento de tarifa de ônibus e metrô, perpetrado pela dupla Dória-Covas.

viva o cassete, e sem cacete! catraca, nem na bike, vá de cubo com cassete!

A desculpa era comprar um canivete com chave Philips. Mas não havia como pedalar no centro sem nem passar na frente do Teatro Municipal onde haveria a concentração da manifestação puxada pelo Movimento Passe Livre, contra o aumento para 4,30 (quatro reais e trinta!) para as passagens de metrô e ônibus.

Trânsito fechado já ali na Xavier de Toledo, a bicicleta descia gostosa com seus pneus fininhos naquele concreto liso, na contramão do fluxo normal, mas não era um dia normal. Delícia descer suavemente naquela via interditada aos automotores. Continuar lendo

Menos pistas expressas nas Marginais, mais ciclovias.

Desabamento de viaduto na Marginal Pinheiros nos permite entender o que ocorreu na ocupação (predação) de $ão Paulo.

desenho do antigo leito do Rio Pinheiros no mapa atual.

Uma das melhores coisas que aprendemos ao pedalar pelas cidades é ler o relevo. E lendo o relevo, descobrimos os vales, onde comumente os trajetos são mais planos.

Sempre que viajo por Santa Catarina, procuro seguir os vales. Por lá, sempre acho caminhos mais planos pras minhas pedaladas. Da mesma forma, na Europa, muitos caminhos usados pelos ciclistas em suas viagens ladeiam rios.

Ciclistas não fazem diferente aqui no Brasil Procuramos os caminhos mais planos. E em São Paulo, boa parte desses vales hoje são ocupados por avenidas imensas. Continuar lendo

Marginal Pinheiros virará praia de paulistano!

Um viaduto desbando. Imensos trechos interditados, quilômetros antes, quilômetros depois. Fui pedalar lá.

Pista central da Marginal Pinheiros vazia…. Só assim pra eu tirar uma foto dessas.

Pois é, um trecho de viaduto da Marginal Pinheiros em São Paulo desabou.

Pra quem não sabe, as Marginais compõem um dos anéis imaginados por Prestes Maia. O Rodoanel de São Paulo, passando basicamente por fora da cidade é o anel externo. Antes da sua construção, grande parte do trânsito de caminhões das estradas que aportavam na capital fazia-se pelas Marginais. Aliás, Marginais que compõem a SP-015, e não são meras avenidas.

Por isso, ficaram durante muito tempo sob gestão direta do DER, que idealizou suas pontes com acessos rápidos, que com o tempo acabaram impedindo pedestres e e ciclistas atravessarem por cima dos rios Pinheiros e Tietê. Só há poucos anos a gestão das pontes passou à municipalidade, como das Marginais.

Um degrauzinho e tanto….

A Marginal Pinheiros começa lá na Zona Sul, acompanha o rio Pinheiros e encontra-se com a ponta oeste da Marginal Tietê. Próximo a esse encontro, na pista que vai da Zona Sul em direção ao norte da cidade, há um viaduto longo, sobre linhas da empresa de trens, CPTM, e por baixo de onde também passa uma ciclovia. Continuar lendo

OAB/SP: Comissão de Mobilidade Ciclística. Começam os trabalhos.

Começou a funcionar aquela que pode vir a ser a mais republicana e democrática das Comissões da OAB/SP, inclusive podendo reverter a péssima imagem que a instituição deixou perante os ciclistas. Mas os desafios da Comissão são imensos, a começar pela descolonização das mentes.

Debret, retratando como vestimentas servem como mecanismo de exclusão no Brasil Colonial. Como se vê, muda a moda mas não a exclusão.

A OAB/SP ficou com  péssima imagem diante dos ciclistas de São Paulo, ao mover, há poucos anos, uma ação judicial tentando reverter a redução das velocidades máximas nas Marginais em São Paulo. Tempos depois voltou atrás, mas só depois que as medidas se provaram exitosas na redução de mortes nas Marginais.

Agora, por iniciativa de Aparecido Ignácio Ferrari e Kistofer Willy Oliveira, entre outros, criou-se a Comissão de Mobilidade Ciclística. Seus Grupos de Trabalho já estão instalados, e incluem GTs que tratam das ciclovias do município de São Paulo, ou da mobilidade por bicicletas no Estado inteiro, um Gt de Terceiro Setor, outro que tratará de legislação e  outros mais.

Os desafios dessa comissão são imensos, pois no Brasil o cidadão em bicicleta se torna o Homo Sacer do trânsito. Continuar lendo

SÃO PAULO: BICICLETAS COMPARTILHADAS PRA QUEM?

São Paulo inaugura novo sistema de compartilhamento de bicicletas, mas de novo sem incluir esse sistema no efetivo sistema de transporte da cidade.

Ah, bicicletas novas, aro 24, 12 horas perto de terminais… tudo isso é irrelevante. A lógica continua a mesma, e piorada.

O antigo sistema de bicicletas compartilhadas sofria de depredações… Mas porquê né? Ora, ele já nasceu elitizado, e aí o periférico social (pois periferia urbana é cada vez mais um conceito social, e não apenas geográfico, se duvida disso, tente morar na “Cracolândia” que geograficamente é bem central…) não se reconhecia no sistema. Quando não há senso de pertença não há cuidado, mas pode haver predação.

E assim uma bicicletinha laranja do Itaú aparecia lá no fundão da Zona Norte despida de suas partes plásticas por módicos 80 reais. Semana passada eu fotografei uma repintada e com outra relação de marchas, numa cidade do interior de São Paulo, parada num poste…

Geograficamente continuam as estações muito mal distribuídas, ou melhor, distribuídas apenas pela lógica do negócio. Só estão presentes onde há poder de compra. Pois perde-se a gratuidade da primeira hora (que passa a custar o equivalente a duas passagens de ônibus). A novidade é um empréstimo de até 12 horas perto de alguns terminais de ônibus escolhidos a dedo. Quais? alguns que começaram a adensar ao redor de si uma classe média. Continuar lendo

A BICICLETA CONTRA A BARBÁRIE, pra além da direita e da esquerda.

Nas democracias, há um limite a ser respeitado: o limite da barbárie, da brutalidade. Não há democracia se esse limite é cruzado.

Ignaz Schoupal (1921-2014) , na Tchecoslováquia, em data incerta. Uma das vitimas da II Guerra, veio ao Brasil. Tornou-se pai da ciclista Sofia. Bicicleta, o sonho da liberdade.

Imagine a cena: a mulher vê pela TV alguém que elogia o seu estuprador e torturador. E a pessoa que o elogia, o faz para atingi-la.

É algo suportável? Se você é mulher, ou não sendo mulher, você suporta isso como “liberdade de expressão”? Continuar lendo

O ATENTADO DA RUA AUGUSTA E A CARROLATRIA

25 de junho de 2017. Rua Augusta, fechada para o trânsito. Milhares de skatistas descendo, quando um carro sobe em alta velocidade em zigue-zague atopelando-os. Um atentado contra os não-motorizados.

Ecosport, EJE-4700. Um skatista se agarrando ao capô, outro sendo atropelado. Testemunhas dizem que ele ziegue-zaveava em direção aos skatistas.

Domingo, 26 de junho de 2017. Avenida Paulista e ruas laterais fechadas para um evento, o Skate Day.

Milhares de skatistas desciam a Rua Augusta, fechada para o trânsito de veículos automotores. Veja na reportagem abaixo o vídeo com o agente de trânsito acompanhando o evento quando o motorista passa atropelando todos. Qual o porquê dessa ação, desse crime? Continuar lendo