Arquivo da categoria: urbanismo

OAB/SP: Comissão de Mobilidade Ciclística. Começam os trabalhos.

Começou a funcionar aquela que pode vir a ser a mais republicana e democrática das Comissões da OAB/SP, inclusive podendo reverter a péssima imagem que a instituição deixou perante os ciclistas. Mas os desafios da Comissão são imensos, a começar pela descolonização das mentes.

Debret, retratando como vestimentas servem como mecanismo de exclusão no Brasil Colonial. Como se vê, muda a moda mas não a exclusão.

A OAB/SP ficou com  péssima imagem diante dos ciclistas de São Paulo, ao mover, há poucos anos, uma ação judicial tentando reverter a redução das velocidades máximas nas Marginais em São Paulo. Tempos depois voltou atrás, mas só depois que as medidas se provaram exitosas na redução de mortes nas Marginais.

Agora, por iniciativa de Aparecido Ignácio Ferrari e Kistofer Willy Oliveira, entre outros, criou-se a Comissão de Mobilidade Ciclística. Seus Grupos de Trabalho já estão instalados, e incluem GTs que tratam das ciclovias do município de São Paulo, ou da mobilidade por bicicletas no Estado inteiro, um Gt de Terceiro Setor, outro que tratará de legislação e  outros mais.

Os desafios dessa comissão são imensos, pois no Brasil o cidadão em bicicleta se torna o Homo Sacer do trânsito. Continuar lendo

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SÃO PAULO: BICICLETAS COMPARTILHADAS PRA QUEM?

São Paulo inaugura novo sistema de compartilhamento de bicicletas, mas de novo sem incluir esse sistema no efetivo sistema de transporte da cidade.

Ah, bicicletas novas, aro 24, 12 horas perto de terminais… tudo isso é irrelevante. A lógica continua a mesma, e piorada.

O antigo sistema de bicicletas compartilhadas sofria de depredações… Mas porquê né? Ora, ele já nasceu elitizado, e aí o periférico social (pois periferia urbana é cada vez mais um conceito social, e não apenas geográfico, se duvida disso, tente morar na “Cracolândia” que geograficamente é bem central…) não se reconhecia no sistema. Quando não há senso de pertença não há cuidado, mas pode haver predação.

E assim uma bicicletinha laranja do Itaú aparecia lá no fundão da Zona Norte despida de suas partes plásticas por módicos 80 reais. Semana passada eu fotografei uma repintada e com outra relação de marchas, numa cidade do interior de São Paulo, parada num poste…

Geograficamente continuam as estações muito mal distribuídas, ou melhor, distribuídas apenas pela lógica do negócio. Só estão presentes onde há poder de compra. Pois perde-se a gratuidade da primeira hora (que passa a custar o equivalente a duas passagens de ônibus). A novidade é um empréstimo de até 12 horas perto de alguns terminais de ônibus escolhidos a dedo. Quais? alguns que começaram a adensar ao redor de si uma classe média. Continuar lendo

A BICICLETA CONTRA A BARBÁRIE, pra além da direita e da esquerda.

Nas democracias, há um limite a ser respeitado: o limite da barbárie, da brutalidade. Não há democracia se esse limite é cruzado.

Ignaz Schoupal (1921-2014) , na Tchecoslováquia, em data incerta. Uma das vitimas da II Guerra, veio ao Brasil. Tornou-se pai da ciclista Sofia. Bicicleta, o sonho da liberdade.

Imagine a cena: a mulher vê pela TV alguém que elogia o seu estuprador e torturador. E a pessoa que o elogia, o faz para atingi-la.

É algo suportável? Se você é mulher, ou não sendo mulher, você suporta isso como “liberdade de expressão”? Continuar lendo

O ATENTADO DA RUA AUGUSTA E A CARROLATRIA

25 de junho de 2017. Rua Augusta, fechada para o trânsito. Milhares de skatistas descendo, quando um carro sobe em alta velocidade em zigue-zague atopelando-os. Um atentado contra os não-motorizados.

Ecosport, EJE-4700. Um skatista se agarrando ao capô, outro sendo atropelado. Testemunhas dizem que ele ziegue-zaveava em direção aos skatistas.

Domingo, 26 de junho de 2017. Avenida Paulista e ruas laterais fechadas para um evento, o Skate Day.

Milhares de skatistas desciam a Rua Augusta, fechada para o trânsito de veículos automotores. Veja na reportagem abaixo o vídeo com o agente de trânsito acompanhando o evento quando o motorista passa atropelando todos. Qual o porquê dessa ação, desse crime? Continuar lendo

Dória, o intransigente, força a judicialização da segurança no trânsito de São Paulo

ante a intransigência do Prefeito Dória, que nega fatos científicos, Associação Ciclocidade obtém liminar suspendendo a elevação dos limites de velocidade nas avenidas marginais Tietê e Pinheiros.

Desacelera-SP

Desacelera-SP

João Dória nega dados científicos. É fato. E também ignora, passa por cima, das instâncias de participação da sociedade civil, negando-se ao diálogo efetivo.

Entidades da sociedade civil estão desde 1º de janeiro tentando demonstrar e convencer o Prefeito Dória da temeridade que é elevar os limites de velocidade máxima nas avenidas marginais. Lembrando que os limites atuais são de 70km/h nas vidas da esquerda, 60 km/h nas vias centrais, e 50km/h nas vias laterais, que possuem entradas e saídas e acesso a lotes lindeiros. Continuar lendo

APPs de rotas e a nova campanha contra o “JAYWALKING” ciclístico.

no começo do século XX, uma campanha de “segurança” “limpou” as ruas de pedestres e ciclistas para carros acelerarem. hoje, os aplicativos de rotas tiram os ciclistas de estradas com acostamento e os jogam para estradas secundárias, sem opção.

“Jaywalking”. A campanha que retirou pedestres, ciclistas e não-motorizados das ruas dos EUA.. Já ouviu falar? Pois sim, antes as ruas eram das pessoas, depois se tornaram dos carros apenas. Hoje no mundo inteiro é um parto explicar pra motoristas que a via é para todos. Como se vê no filme acima, de San Francisco, em 1906. Continuar lendo

políticas de mobilidade urbana: um não-país.

Prefeitos do Brasil não se preocupam efetivamente com políticas de mobilidade. o País é uma República de Bananas. Dória será mais um desses aí.

experiência do usuário vs design. design feito por quem não conhece o usuário para quem projeta.

experiência do usuário vs design. design feito por quem não conhece o usuário para quem projeta.

Joaquim Barbosa diz que somos uma república de bananas (clique no link e leia entrevista). E somos mesmo uma republiqueta.

Isso transforma também cada rincão do país. Pois não há espaço para construções sólidas nas republiquetas de bananas. Nada funciona. Não há planejamento de longo prazo. E aí todos só administram os perrengues do cotidiano. Como foio governo Kassab em São Paulo: empurrando com a barriga…

Para entender: aumenta o número de atropelamentos na esquina, o que faz o poder público? Enche o ponto onde os atropelamentos ocorrem de gradis para impedir a movimentação de pedestres. Não estuda o local dentro de um contexto maior de mobilidade a pé. Continuar lendo