1X – vantagens e desvantagens

Começou pelo pessoal de MTB: uma só coroa. Vamos entender as vantagens e desvantagens? Leveza e simplicidade, mas pouca amplitude…

No início as pedivelas tinham apenas uma coroa. Até que inventaram o câmbio dianteiro. E então surgiram pedivelas duplas. Depois cicloturistas inventaram pedivelas triplas. Décadas depois, surgiu o MTB que adotou e disseminou o uso de pedivelas triplas.

O ciclismo de estrada nunca adotou pedivelas triplas. Embora há alguns anos fosse possível encontrar grupos de estrada com pedivelas triplas, nunca foram hegemônicos nos pelotões profissionais.

No MTB, especificamente Downhill e XC, muitos ciclistas, depois que os cassetes passaram a ter uma amplitude grande (devemos lembrar que há 30 anos os cassetes de MTB iam apenas de 11 a 28 dentes, e só muito depois surgiram cassetes “megarange”), tiraram alguma coroa da pedivela tripla. No DH puro, é só descida, e daí valem as marchas longas. No XC se a prova não exigia a coroinha, ela não ia na pedivela. Se a coroa maior não seria  usada, a pedivela ia sem ela.

Surgiram cassetes com amplitude maior e logo grupos de MTB com pedivelas duplas. Por fim, a SRAM lança um grupo que contemplava o que muita gente já fazia na prática: um cassete de grande amplitude e coroa única. Sem câmbio dianteiro e sem trocador na mão esquerda. E como peça que não existe não pesa… Continuar lendo

bicicletas e obsolescência

o mercado não gosta de bens duráveis. é preciso vender mais, e mais e mais.

Canyon Ultimate CF-SLX Movistar, usada por Nairo Quintana. Note os freios ferradura, de aro, Campagnolo. Clique na foto.

Assim, conhece o teorema do chifre? Seu enunciado diz: “O desconhecimento não implica na inexistência.”.

Então, aviso, já foi escrito há bem mais de 50 anos por um velhinho de olhos negros faiscantes: a técnica não é neutra. Não há neutralidade técnica. Quem disse isso? Martin Heidegger. Um dos dois mais brilhantes filósofos do século XX. O outro, que provou que a lógica formal é só jogo de linguagem, é Ludwig Wittgenstein, suplantando de longe seu mestre, Bertrand Russel, deixando-o ultrapassado na lógica.

Algo novo não é vendido por ser necessariamente melhor. Outros fatores podem ter influenciado. No caso da indústria da bicicleta, os ventos externos são preponderantes. Continuar lendo

ROTA 3 ESTADOS

Percorri Paraty – São José dos Campos  via sul de MG. Vai o roteiro, que pode ser percorrido nos dois sentidos.

Paraty vista do alto da serra

Pra quem gosta de subir, subir, subir, subir, há um roteirinho por asfalto – nem sempre de boa qualidade – e um tantinho de bloquetes, que permite passar por 3 estados: RJ, SP e MG. Vamos aos dados:

TRAJETO

E percorrendo da forma suave, vai-se de São José dos Campos (SP) até Sapucaí-Mirim (MG) passando por Monteiro Lobato. De Sapucaí-Mirim se vai até Aparecida ou Guaratinguetá (SP) , e então até Cunha (SP) e no último trecho, até Paraty (RJ). Continuar lendo

Victorinox Bike Tool: vale à pena?

Tente descobrir se essa ferramenta vale os mais de 200 reais que pedem. No site quase não há informações.

Sem informações na net sobre as ferramentas que traz.

Ciclista é um consumidor “chato”. Na prática, quando nós que pedalamos compramos ferramentas, queremos que elas funcionem nas nossas bicicletas.

Mas justo por isso, quando vamos comprá-las, não apenas fazemos um monte de perguntas como também pesquisamos em sites.

E aí, entrou no site da Victorinox? Entre, veja o produto e saia sem saber quase nada. A não ser o que vê pelas fotos, de que se trata de uma ferramenta que consiste numa chave allen – de qual medida? –  e de bits para encaixe – e em qual medida? Continuar lendo

UMA SÓ COROA!

Sistemas de coroa única estão por aí em muitas bicicletas. São ótimos mas não são perfeitos. Vamos entender?

cassete ZTTO 11-52 de 12 velocidades.

A coisa se deu assim. No início era uma só coroa e só um pinhão na relação da bicicleta. Com o tempo foram acrescentando pinhões. Um, dois, três, quatro, cinco… E alguém inventou como colocar uma segunda coroa. Bingo! de 5 pulou pra 10! 5 X 2….

De lá pra cá chegou-se a 3 coroas e 10 pinhões no cassete. 30 marchas! Das quais umas 16 ou 17 são utilizáveis – o resto é sobreposição ou então cruzamentos de corrente que inviabilizam o uso, como usar na coroa menor e no pinhão menor, com a corrente pegando no câmbio dianteiro e até na coroa do lado, de tão cruzada….

Com os cassetes 11-36 a turma do MTB passou a não precisar mais de 3 coroas. competidores tiraram uma coroa. Alguns em algumas provas precisavam de pedivelas de uma única coroa, pois a amplitude do cassete já satisfazia sua necessidade de marchas.

chegaram cassetes 11-40, 11-42, 11-46… e daí pra quê 3 ou ou 2 coroas? Continuar lendo

Livre-mercado, espaço público, ciclovias…

Cadê aquela ciclovia que tava aqui? Está aí, debaixo desse monte de patinetes elétricos.

Patinetes elétricos estacionados à espera do cliente pagante. Ocupando espaço público sem pagar nada. Imagem de Antonio Miotto, herói da resistência.

Tem gente que não gosta de pobre. Tem pobre que não gosta de pobre. Mas nem sempre há coragem pra falar algo, então aproveitam-se os espaços possíveis para atacar os pobres.

Por mais que haja gente da classe média alta que aprendeu a usar bicicleta como meio de transporte, é preciso lembrar que em todo mundo bicicleta é sim o transporte das classes E, D e C. Pesquisas feitas pela Ciclocidade há poucos anos indicaram que em São Paulo 20% dos deslocamentos em bicicletas são da classe E, 20% da classe D, 17% da classe C. E com a crise que estamos vivendo – hoje anunciou-se PIB negativo de 0,2% no primeiro trimestre do governo de Jair Bolsonaro – acrescentando-se as tentativas sucessivas da gestão Dória/Covas de zerar subsídios nos transportes e limitar a utilização demais de um ônibus com uma única passagem (recentemente suspendeu-se legislação municipal que baixava de 3 viagens para 2 viagens caso o usuário usasse de vale-transporte, por cada tarifa de 4,30 reais), é expressivo o aumento de uso de bicicletas pelos mais afetados pelo aperto de cinto geral. Continuar lendo

bicicletas compartilhadas, patinetes elétricos, micromobilidade? não, só negócios.

Pode ser novidade no Brasil, mas em outros lugares já perceberam bem. Essas empresas de compartilhamento de bicicletas e patinetes visam apenas lucros.

2010, Londres. Pequena intervenção de cidadão inglês em bicicleta de compartilhamento público, serviço operado por uma instituição financeira. Clique na foto e saiba mais.

Caro leitor, cara leitora. Pra quê serve uma empresa? Apenas para dar lucro. É o resto da sociedade que força o empresário a seguir outros valores também. Mas se a empresa não der lucro, ele quebra. Em alguns negócios, uma ou outra operação deficitária existe pois o empresário precisa da imagem que ela produz.  Isso acontece com instituições financeiras, por exemplo.

Certa vez, aqui em São Paulo, um dos implantadores das ciclovias nova-iorquinas numa fala na Ciclocidade, numa apresentação, comentou que no mundo inteiro bancos gostam de operar sistemas de bike-sharing pois possuem uma impressão negativa na sociedade. Rimos, pois tinha um banco brasileiro gastando uns trocos pra espalhar um refrão: “isso muda o mundo”. E claro, bicicletinhas aparecendo nas peças publicitárias.

Continuar lendo