POR QUE CICLISTAS NÃO PARAM NOS SEMÁFOROS? POR QUE PEDESTRES ATRAVESSAM FORA DA FAIXA OU POR DEBAIXO DA PASSARELA?

Ah, com certeza você já se perguntou ou tentou responder uma dessas questões. E claro, talvez pensando como motorista, limitou-se a recriminar os comportamentos sem sequer parar um pouco para pensar sobre eles.

Viaduto do Chá, em São Paulo. Só depois de décadas a CET reconheceu que os pedestres iam fazer o caminho mais curto e pintou aquelas faixas em X do centro da imagem.

Lá no grupinho da Bicicletada-SP de vez em quando alguém tomou alguma fina involuntária de ciclista e tá lá cornentando. Na TV de vez em quando algum jornalista da classe média branca está lá criticando horrores os pobres de algum lugar que atravessam por debaixo da passarela. Você tá num táxi, e o taxista reclama de alguém que atravessou a rua fora da faixa de pedestres… E ninguém para pra efetivamente pensar por qual motivo pessoas tomam decisões que levam a essas atitudes, em frações de segundo, exigindo um grau de racionalidade que não exercemos nos atos comezinhos do dia a dia.

Por outro lado, se você é o pedestre e a faixa está lá a 100 metros de você e a via não tem aquele trânsito infernal, você olha prum lado,olha pro outro e atravessa.  Você faz o mesmo se acredita que dá pra atravessar a via sem precisar dar uma volta imensa, subir rampas ou escadas, e passa por debaixo da passarela.

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SÃO PAULO: BICICLETAS COMPARTILHADAS PRA QUEM?

São Paulo inaugura novo sistema de compartilhamento de bicicletas, mas de novo sem incluir esse sistema no efetivo sistema de transporte da cidade.

Ah, bicicletas novas, aro 24, 12 horas perto de terminais… tudo isso é irrelevante. A lógica continua a mesma, e piorada.

O antigo sistema de bicicletas compartilhadas sofria de depredações… Mas porquê né? Ora, ele já nasceu elitizado, e aí o periférico social (pois periferia urbana é cada vez mais um conceito social, e não apenas geográfico, se duvida disso, tente morar na “Cracolândia” que geograficamente é bem central…) não se reconhecia no sistema. Quando não há senso de pertença não há cuidado, mas pode haver predação.

E assim uma bicicletinha laranja do Itaú aparecia lá no fundão da Zona Norte despida de suas partes plásticas por módicos 80 reais. Semana passada eu fotografei uma repintada e com outra relação de marchas, numa cidade do interior de São Paulo, parada num poste…

Geograficamente continuam as estações muito mal distribuídas, ou melhor, distribuídas apenas pela lógica do negócio. Só estão presentes onde há poder de compra. Pois perde-se a gratuidade da primeira hora (que passa a custar o equivalente a duas passagens de ônibus). A novidade é um empréstimo de até 12 horas perto de alguns terminais de ônibus escolhidos a dedo. Quais? alguns que começaram a adensar ao redor de si uma classe média. Continuar lendo

VIAJANDO COM A BICICLETA

Levar a bicicleta na viagem! Delícia! Seja por que vamos fazer uma cicloviagem em outro lugar, seja por que queremos levar nosso veículo para circular naquela cidade. Mas vamos aos perrengues.

Alguém não lembrou que havia bicicletas em cima do carro.

Minha primeira bicicleta era uma Berlinettinha dobrável. Aro 18 ou14, não sei. Ganhei do Papai Noel num natal, e logo viajamos, e convenci meus pais a levar a bicicleta. Ela foi: dobrado o quadro, dobrados os guidões (sim, essa bicicleta temo guidão em duas partes).. Paramos no meio da estrada não sei o porquê, eu queria andar de bicicleta, ela tava desmontada, não consegui andar. Lembro bem, dada a minha frustração. Mas chegando à casa dos meus avós, tava lá minha bicicleta! Meu pai montou. (posso chamar isso de minha primeira cicloviagem?)

Depois de grande resolvi levar bicicletas em viagens. Se vão em carros de amigos, sempre há modos de levar. Se vão em ônibus, outros modos. E se vão em aviões, pior ainda. Vamos ver como fazemos?

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QUER DESCER A SERRA DO MAR? DESÇA!

conseguimos a reconsideração do despacho liminar na Ação Judicial movida pela EcoRodovias que vetava o evento da descida em massa!

nós, do direito, pensando a situação. afinal, o direito de ir e vir não pode ser ferido pelos intere$$e$ da EcoRodovias!

CONSEGUIMOS! A EcoRodovias impetrou ação judicial visando evitar a descida da Serra organizada em evento no Facebook. Conseguiu liminar, com efeitos extendidos até o final do verão. Todavia, conseguimos que o douto MM Juiz esclarecesse que a proibição estendia-se apenas àquele evento, e não vedava que ciclistas descessem a Serra do Mar, usando o sistema Anchieta-Imigrantes, o que feriria o inciso XV do artigo 5º da Constituição Federal!

Então, quer descer? Junte seus amigos pelo WhatsApp, e vá!

Íntegra da decisão:

Vistos.

Considerando que as pessoas mencionadas na peça de fls. 112/118, agora comparecem aos autos e se identificam como membros da coletividade específica alocada no polo passivo, entendo por bem, desde já, admiti-los como partes e não como “amicus curiae”, mesmo porque nesta qualidade de interveniente sequer poderiam interpor o recurso de agravo de instrumento, conforme dicção do artigo 138, parágrafo 1.º, do Código de Processo Civil.

Assim, providencie a serventia à inclusão dos peticionários de fls. 132/151 no polo passivo da demanda.

Quanto à temática de fundo, a despeito do respeitável entendimento manifestado pelos corréus, entendo por bem, para a garantia da segurança jurídica, aguardar manifestação da Instância Superior acerca do recurso interposto, ficando, por ora, mantida a decisão.

Seja como for, é importante esclarecer que a decisão liminar por mim proferida nestes autos (fls. 89/90) não pode, de forma leviana, ser interpretada isoladamente.

Como é cediço, é vedado ao juiz proferir decisão que ultrapasse os limites da postulação e, no caso em apreço, a pretensão da Ecovias não se dirige a todos os ciclistas indiscriminadamente, mas sim àqueles que eventualmente participariam do “evento/passeio” promovido pela internet, conforme retratado na exordial e nas demais petições.

O mesmo se diz no tocante à decisão de fls. 119.Desta forma, a expressão lançada no polo passivo “Todos os ciclistas”, deve ser interpretada dentro do contexto da postulação.

Neste sentido é a conjunção dos artigos 322, parágrafo 2.º e 489, parágrafo 3.º, todos do Código de Processo Civil. A par disso, o trânsito isolado de bicicletas, que não tenha relação com os aludidos “eventos de massa” (que, como restringiu a demandante às fls. 17/18, seriam aqueles que colocariam em risco a perda do controle da operação, a integridade física, a segurança e o direito de locomoção dos usuários do Sistema Anchieta-Imigrantes pelo elevado número de participantes) NÃO ESTÁ PROIBIDO PELA DECISÃO por uma razão muito simples: não foi o isso o que foi postulado

.As demais questões preliminares levantadas pelos corréus serão objeto de análise somente após o aperfeiçoamento da formação da relação jurídica processual. Intime-se.

(os grifos são meus).

No link abaixo, PDF da decisão.

CONCESSIONÁRIA ECOVIAS

 

A PERIGOSA INTERPRETAÇÃO ERRÔNEA DO ARTIGO 59 DO CTB

Juízes desinformados estão caindo na armadilha criada pela Ecovias, só pra impedir ciclistas no sistema Anchieta-Imigrantes, mas estão criando um perigoso precedente que fere as liberdades fundamentais do cidadão.

Serei bem didático, uma vez que sou professor de direito, com bacharelado, mestrado e doutorado pela FADUSP, tendo minha tese abordado cicloativismo.

Primeiro vamos entender a palavra “passeio”. no Código de Trânsito Brasileiro, no seu Anexo I, que define o sentido das palavras utilizado pelo Código de Trânsito Brasileiro.

PASSEIO – parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último caso, separada por pintura ou elemento físico separador, livre de interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas.

Note que “passeio é a parte da calçada ou pista de rolamento que o poer público separa para pedestres e eventualmente ciclistas. Continuar lendo

CONTRARRELÓGIO: é a aerodinâmica, p.!!!!!

nenhuma forma de pedalar consegue explicitar a grande questão relacionada às bicicletas que as provas diversas de contrarrelógio. e nelas a indśutria testa as tecnologias, APESAR das restrições da UCI.

Colnago Master Krono, 1988.

Vácuo. Quem pedala sabe desse efeito. Quem nunca pegou vácuo dum caminhão ou dum ônibus? Quem nunca pedalou no acostamento de uma rodovia, e percebeu que quando se pedala no acostamento, na contramão, temos um efeito de vento contra, mas quando pedalamos na mão,os caminhões passando na pista do lado, mesmo passando a 2 ou 3 metros de distância, criam um ventinho a favor que nos empurra pra frente….

Agora, quem nunca, numa descida, não se abaixou bastante na bicicleta pra ir mais rápido?

Pois é. Aerodinâmica não é tudo mas é quase….

Ao pedalar, muitas coisas criam resistência ao movimentar-se da bicicleta. Sabemos bem de interferências mecânicas: freio pegando no aro ou no disco, por exemplo. Pedal ou Pedivela que não tá girando direito. Pneu murcho, ou muito largo.

Miguel Induráin numa Pinarello em 1995, no TDF. Por essa foto dá pra imagianr a direção dos desenhos de quadros em fibra de carbono se a UCI não tivesse restringido tanto as geometrias.

Sabemos também interferir nesses efeitos: colocamos um pneu mais fino e com mais alta pressão, pra haver menos atrito com o piso, por exemplo. Lubrificamos todos os locais onde peças giram, colocamos rolamentos de cerâmica nos cubos….

E daí descemos rápido naquela descida, mas mesmo assim quando abaixamos o corpo, vamos mais rápido ainda….

É a aerodinâmica.

Nas diversas formas de provas de contrarrelógio, ciclistas pedalam separados uns dos outros. Não há o vácuo de concorrentes. no máximo, nos contrarrelógios por equipes, há o vácuo dos colegas de equipe.

Nos grandes triatlos, a prova de bicicleta é um grande contrarrelógio. No Ironman, o trecho em bicicleta é de 122 milhas, ou 180,25 km.

180 km num trajeto relativamente plano, sem vácuo…. Enfrentando vento a favor, vento contra, vento lateral….

Logo fará 100 anos do grande embate entre as formas de pedalar e a aerodinâmica. Em 1933, um ciclista de segundo escalão apareceu com uma bicicleta na qual pedalava deitado. Bateu o recorde da hora, em 7 de julho de 1933, pedalando 44,247 km, batendo em mais de 800 metros o recorde de Oscar Egg, que vigorava desde 1914. A UCI meses depois anulou o recorde, banindo as bicicletas reclinadas. Em 1938, com uma versão melhorada de sua bicicleta, bateu o recorde percorrendo 50 km em uma hora, mas o recorde não foi chancelado pela UCI.

Essa distância só foi superada pro Francesco Moser em 1984.

Esse episódio marca a importância da aerodinâmica, para além do preparo físico.

Com as regras restritivas da UCI, e dentro dos limites da tecnologia, as bicicletas de contrarrelógio continuaram evoluindo.

A partir dum certo momento, a preocupação com a posição do ciclista toma  novamente importância, mas se não é possível pedalar deitado com a barriga pra cima pra diminuir a área frontal, vamos diminuir a área frontal de outra forma: fazendo abaixar cada vez mais a cabeça.

O problema: o motor humano precisa fazer força. Quem já pegou sua MTB morro abaixo e abaixou bastante sua cabeça sabe que é meio difícil pedalar agachado, todo dobrado pra frente.

A partir dum certo momento, a preocupação dos projetistas das bicicletas é, dentro dos limites das regras restritvas da UCI, girar o copro do ciclista mais pra frente. Avançar a posição do selim em relação ao eixo da pedivela  (pra entender, MTBs tem o tubo vertical efetivo normalmente entre 72 e 73 graus, estradeiras/speeds possuem normalmente 74 graus e bicicletas de triatlo dos naos 90 chegavam a ter 80 graus).

E se colocava uma roda menor na frente  pra facilitar abaixá-la….

Tudo no limite do conforto: se é um contrarrelógio de 150 km, a bicicleta precisa ser mais confortável e ter mais marchas que uma bicicleta para um contrarrelógio de apenas 7 km, não é?

Zipp 1996, para Triatlo.

Até os anos 90, até o domínio completo das técnicas de produção em carbono e antes de maiores restrições da UCI, os projetistas fizeram o máximo que podiam pra diminuir a área frontal do conjunto bicicleta + ciclista.

Nos anos 60, Dr. Alex Moulton projeta uma bicicleta com rodas pequenas, quadro em treliça ou não, que logo permitiu em 1962 que John Woodburn batesse o recorde da distância Cardiff-London. Claro que a UC?I logo estabeleceu tamanhos mínimos para as rodas, para que não fossem tão pequenas.

John Woodburn e sua Moulton usada no recorde.

Outras restrições vieram. Em anos 90 impede-se que as rodas tenham tamanhos diferentes, impedindo o uso de uma roda dianteira menor. Depois impede-se o uso de rodas fechadas, que se são um pesadelo com vento lateral, por outro lado conseguem diminuir drasticamente a turbulência causada pelos raios.

Mas nos anos 70 surgem os triatlos, cuja organização era desligada da UCI e permitiam liberdade maior na geometria das bicicletas. Houve quem, na Europa, usasse Moultons e suas rodinhas pequenas no trecho em bicicleta.

Nos EUA, popularizou-se um tamanho de roda conhecido como 650c, ou 26 x 1 3/4, depois conhecido como “26 de triatlo”, com aros de 571mm de diâmetro no encaixe do pneu, portanto 12mm maiores que o aro 26 utilizado em MTBs e 13 mm menores que o chamado 650B, ou 27,5, ou 26 1 1/2.

Old Faithfull, de Graeme Obree, bicicleta que usava rolamentos de máquinas de lavar no lugar do movimento central, pra diminuir a distância entre os pés ao girar, e permitiu uma posição muito aerodinâmica do ciclista. Seu recorde da hora foi posteriormente anulado.

Durante os anos 90, triatletas usavam basicamente só esse tamanho de roda. E suas bicicletas tinham quadros com geometrias inovadoras, como a geometria em V, sem tubo vertical, utilizada pelas Softride e Zipp. E ângulos efetivos de tubo vertical efetivo de 80 graus ou mais, posicionando o ciclista bem à frente, o que não apenas permite abaixar-se mais, mas privilegia a utilização da musculatura frontal da perna, salvando a musculatura da parte posterior da perna, a ser utilizada na maratona que segue-se aos 180 km pedalados num Ironman.

Lotus Look, TT. Alem de não ter o tubo inferior do triângulo principal do quadro, também a roda traseira está presa apenas por tubos embaixo.

O fato é que houve muita experimentação nesses anos. Em 1989, por exemplo, Greg Lemond, ao fim da penúltima fase do Tour de France, estava em segundo lugar, a 50 segundos do líder. A última etapa seria um contrarrelógio de cerca de 25km, e os jornais já tinham capas montadas com a vitória de Laurent Fignon. Todavia Greg Lemond usou guidão aero, com posição inovadora, usou um capacete aero… E Fignon usou bicicleta com os guidões tradicionais de contrarrelógio, os chifrudinhos, e nenhum capacete (na época não era obrigatório seu uso). O vídeo da etapa está abaixo, se quiser, veja-o.

O fato  é que progressivamente a UCI criou regras mais restritivas, inclusive regras que criam ângulos máximos para o tubo vertical efetivo do quadro. Da mesma forma, padronizou tamanhos de rodas, proibiu roda dianteira fechada, estabeleceu parâmetros de largura de tubos, da mesma forma proibiu geometrias que não fossem variações do formato diamante, com triângulo traseiro e triângulo principal.

Num outro sentido, o domínio da tecnologia da fibra de carbono permitiu formas cada vez mais plásticas. Hoje, dentro das restrições impostas, a indústria tenta fazer o máximo para tornar a bicicleta em si mais aerodinâmica, uma vez que a posição do ciclista está mais ou menos restrita no que tange à mudança. Assim, tornar a área frontal o mais aerodinâmica possível tem sido a tônica. Para isso vale embutir cabeamentos, tornar os tubos o mais aerodinâmicos possível, integrar frentes para não haver turbulências, embutir freios….

Felt IA 2018. poderia ser ainda mais aerodinâmica sem as regras restritivas da UCI.

Mas a tônica continua sendo a mesma: perseguir a menor resistência do ar possível, para que a força do ciclista seja o máximo possível utilizada para vencer o atrito com o solo, não com o ar.

O fato é que de vez em quando achamos alguma velha bicicleta de Triatlo ou de contrarrelógio por aí. O legal é montá-las do jeito que quiser e botar pra rodar. Afinal, pedalar pela cidade não é competir pelas regras da UCI, então podemos usá-las do jeito que quisermos. E pra brincar dum semáforo a outro, não? Afinal, bicicletas também são diversão.

 

 

CICLOTURISMO! dicas pra iniciantes.

viajar em bicicleta é uma delícia no verão, e mesmo nas férias de inverno. e uma opção muito barata de turismo. e mesmo que chova, é diversão na certa!

Rogério cozinhando no meio de sua viagem pra Niterói. Fogareiro a gás, de cartucho.

Assim, eu e Natasha desistimos de encarar um trecho da BR 101 sem acostamentos, perigosíssimo, e resolvemos descer uma ruazinha lateral à estrada em direção ao mar. Acabamos por dar numa enseada linda, habitada por maricultores, a Enseada do Brito. Nunca teríamos parado lá se estivéssemos em carros.

Rogério saiu de Diadema e foi pedalando até Niterói, viveu aventuras incríveis no caminho. migas estão em grupo rodando o Nordeste nesse verão. Um casal querido, Cauê e Dani, estão há meses numa lua de mel que rodará toda a América do Sul.

Mas toda grande viagem começa com algumas viagens pequenas, e é destas que quero falar. As viagens de verão, de 3 ou 4 dias, levando ou não barraca ou rede, dormindo ou não em hoteizinhos baratos…. Continuar lendo