Caso MARINA HARKOT: as afinidades eletivas

As afinidades eletivas entre os personagens que atuam no caso Marina Harkot.

Todo cidadão acusado tem direito à defesa e ninguém pode ser obrigado a incriminar a si mesmo. Estes são princípios jurídicos basilares em uma república democrática de direito.

José Maria da Costa Júnior é acusado de atropelar e matar Marina Harkot na madrugada do dia 08 de novembro de 2020. Ato presenciado por testemunhas, que também presenciaram sua fuga do local negando socorro.

A polícia pesquisa o caso, a mídia também. Por exemplo, a Rede Globo, no jornal que passa pela manhã expôs o vídeo abaixo, onde num elevador, momentos depois do atropelamento, o acusado, junto a uma companheira, sorri, aparenta calma e alegria: Continuar lendo

MARINA HARKOT

Marina Harkot foi assassinada na madrugada de 08 de novembro de 2020. Pedalava e foi atropelada por trás, numa via iluminada, vazia, com 4 faixas.  Marina estava sinalizada e tinha mais de 1,80m de alura. O que explica essa morte? Ou melhor, como justificar essa perda?

Marina e seu sempre presente sorriso.

Aqui em São Paulo, no meio dos cicloativistas, a sensação é de dor, revolta, medo. Estou escrevendo em 10/11. Durante a madrugada o carro usado como arma foi encontrado. A polícia procura o homicida. Já pediu sua prisão. Continuar lendo

Gravel: marchas!

As gravel bikes estão aí! Bicicletas versáteis, muitos gostam delas. Mas alguns reclamam das marchas muito pesadas. O que dá pra fazer?

Minha Tricross com pouca bagagem, pra subir de Paraty até Cunha, e seguir até SJC pelo sul de MG.

Eu tenho uma das primeiras gravel bikes do mercado, a hoje fora de linha Specialized Tricross. Adoro essa bicicleta, por sua versatilidade. Ela é do modelo mais básico, e veio com um conjunto Shimano Claris 3×8, modelo 2300. Pedivela tripla 52-39-30 e cassete 11-28. Rodei com ela nessa configuração durante um tempo, e senti falta de marchas mais leves.

Senti falta de marchas mais leves pois essa bicicleta não é uma estradeira, e com ela faço viagens, não raro com bastante bagagem. Continuar lendo

Shimergo: Campagnolo com Shimano

Quem usa sistemas de 11 velocidades já percebeu que dá pra usar uma bicicleta com trocadores e câmbios Campagnolo com rodas e cassetes Shimano. E outras velocidades, dá pra misturar?

Cannondale Caad8 8, com pedivela tripla original, câmbio traseiro LX, cassete 11-32 de 8v, trocadores Campagnolo Ergopower Veloce de 10v. Configuração para cicloturismo leve.

Usar Campagnolo, Shimano ou Sram nas suas bicicletas com guidão drop é uma questão de escolha pessoal e claro, de poder de compra.

Sram e Shimano partilham as mesmas medidas de corrente e cassete, são intercambiáveis. Trocadores não, a não ser umas misturas que dá pra fazer com trocadores e câmbios de mountain-bikes, que não vou abordar aqui.

Quando todo mundo passou a construir sistemas de 11 velocidades, descobriu-se que as diferenças de correntes e distanciamento nos pinhões dos cassetes eram tão mínimas que caíam na margem de tolerância.

Mas e nas outras quantidades de velocidades? 10 marchas, 9 marchas, 8 marchas? Continuar lendo

Colnago ganha seu primeiro Tour de France

Uma “maldição” rondava Colnago: ganhava de tudo, menos o TDF. Pogačar quebrou essa maldição.

As italianas! Itália não faz só Ferrari, só Maseratti. Itália Faz Colnago, Bianchi, Pinarello e outras tantas marcas de bicicleta, e faz também Campagnolo.

Ernesto Colnago, 88, segurando o quadro amarelo que Tadej Pogačar usará nesse domingo 20/09/2020 para chegar triunfante a Paris.

É verdade que o atleta usará o que a equipe fornece. Poucos têm poder o suficiente dentro da equipe para impor suas escolhas de equipamento. Sean Kelly, por exemplo, adorava os quadros de alumínio da Vitus, e chegou a usá-los repintados com outras marcas quando equipes nas quais pedalava tinham outros patrocinadores. Lance Armstrong usou bicicletas de ponta repintadas como Caloi, que era a patrocinadora da equipe. Continuar lendo

Bicicleta elétrica e cicloelétrico: diferenças e implicações legais

A legislação brasileira difere o cicloelétrico da bicicleta elétrica. Essa distinção tem muitas implicações.

Trek Domane + HP. Não tem acelerador mas o limite de velocidade é de 45 km/h. Então não é bicicleta, é ciclomotor. E a empresa não informa isso no site.

Você talvez desconheça a diferença, ache que é tudo bicicleta, até que se envolve num acidente e descobre que usava um ciclomotor e não uma bicicleta, e no lugar errado, e por isso vai pagar a conta. Continuar lendo

Bikepacking e Cicloturismo ultraleve: diferenças.

Dois conceitos próximos, mas diferentes.

Se você viaja em bicicleta, já se deparou com alguma dessas situações: 1) a estrada é boa, mas íngreme, e você sofre com a bicicleta pesando quase 30 kg. 2) a trilha é legal, mas seus alforjes estão pegando em tudo quanto é galhinho na beira da trilha.

Minha Tricross com pouca bagagem, pra subir de Paraty até Cunha, e seguir até SJC pelo sul de MG.

Pois bem, há duas formas básicas de fazer cicloturismo. Uma destas formas privilegia estradas asfaltadas, distâncias maiores, locais com mais estrutura. Outra forma privilegia estradões de terra e sobretudo trilhas.

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ENTREGADOR!

Aro 26, em média 40 km/dia, 7 dias por semana, 30 por mês. 1200 km/mês. E aí?

Entregador da Uber Eats, Chile.

Pediu comida? Ifood, Uber Eats, Rappi? Comprou remedinho? Livro? Chegou rapidinho? Pagou baratinho? Prestou atenção em quem lhe entregou a comida? Deu-lhe um copo de água?

Então. A comodidade de seu serviço, a custo baixo, tem um outro lado. E a tal uberização da economia. Nunca ouviu falar? Então vamos explicar, principalmente o que isso agora tem muito a ver com bicicletas.

A coisa funciona assim: um aplicativo surge com um belo discurso (não importa o discurso, mas ele existe, sempre), e se propõe  unir o cliente, que tem uma necessidade, a alguém que tem um recurso disponível a ser utilizado, um carro, por exemplo. Começou com o Uber, que todo mundo conhece: um motorista qualquer tem um carro, cadastrou-se, e pega corridas para pessoas que usam o serviço, mais barato que os serviços de táxi. Uber está no mundo inteiro, nas grandes cidades. Outras empresas surgiram: 99, Cabify e etc. O sistema é conhecido.

Alguém um belo dia resolveu fazer o mesmo com entregas.  E então naturalmente bicicletas entraram no jogo.

Na prática  isso proporciona inúmeras formas de desregulamentar o trabalho. E diante do discurso hegemônico, isso é lindo.

É mesmo?

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A Pedivela Tripla não morrerá!

Pedivela tripla: a forma de multiplicar a amplitude das marchas, foi uma criação para cicloturistas.

Pedivela tripla Shimano Deore XT FC-T8000 Hollowtech com guarda-calças.

Pedivelas triplas são anteriores às mountain bikes. Surgem na década de 1950, entre ciclistas de estrada, a partir de adaptações em pedivelas Campagnolo. Tulio Campagnolo produziu pedivelas a partir de 1958 e com espaçadores, alguns ciclistas colocavam uma terceira coroa, menor.

A se lembrar que nessa época, as catracas de rosca ainda não tinham 5 velocidades, e aumentar a amplitude era necessário.

Pedivela Campagnolo Nuovo Record Strada c. 1973. Clique na imagem pra mais dados sobre a peça no site VeloBase

Já a essa época cicloturistas, sempre carregando mais peso e deparando-se com estradas nem sempre planas – lembrando que as melhores vistas sempre vêm depois das maiores subidas – passam a usar essas pedivelas. Continuar lendo

SP-Santos-SP – a novela!

Ciclistas paulistanos e da baixada santista vivem situação kafkiana. E o Governo do Estado de São Paulo continua cerceando o direito de ir e vir do ciclista e do pedestre!

Você talvez já tenha ouvido falar das lendárias descidas de serra, de São Paulo a Santos. E, em alguns casos, ouvido falar que alguém subiu no pedal.
Procura informações, sabe que tem uma descida no final do ano, nunca sabe quem organiza. Tenta ir em outra época e é detido/a. E aí, pode ou não pode?

Pois bem, é fato que você pode começar uma volta ao mundo em bicicleta saindo de São Paulo, mas não pode ir a Santos, que dista menos de 100 km. Você pode começar uma volta ao mundo em bicicleta saindo de Santos, mas não pode pedalar até São Paulo. Continuar lendo