DIA MUNDIAL DO ROCK: PEDALE!

13 de julho, no Brasil, Dia Mundial do Rock. Pedale!

Nada mais Rock’n’Roll do que pedalar no trânsito de uma grande cidade brasileira, né? Em São Paulo, grandes avenidas são heavy metal e a Praça Campo de Bagatelle é trash metal.

No mundo protestante é fácil achar fotos de gente famosa do rock ou do pop pedalando. Afinal, no muno da ética luterana, Deus ajuda quem cedo madruga.

Mas no Brasil católico-evangélico, mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga, né? E como tudo é graça, melhor orar e esperar que caia do céu. Aí é feio fazer esforço físico, a não ser passeando. Por isso, no máximo passeio de bicicleta… Por isso não achei fotos de Raulzito e seus Panteras pedalando, muito menos da Anita. E olha que procurei, viu?

Então vão as fotinhos aí pra inspirar a pedalar.

The King foi parado durante um trajeto pra dar autógrafos.

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OAB/SP: Comissão de Mobilidade Ciclística. Começam os trabalhos.

Começou a funcionar aquela que pode vir a ser a mais republicana e democrática das Comissões da OAB/SP, inclusive podendo reverter a péssima imagem que a instituição deixou perante os ciclistas. Mas os desafios da Comissão são imensos, a começar pela descolonização das mentes.

Debret, retratando como vestimentas servem como mecanismo de exclusão no Brasil Colonial. Como se vê, muda a moda mas não a exclusão.

A OAB/SP ficou com  péssima imagem diante dos ciclistas de São Paulo, ao mover, há poucos anos, uma ação judicial tentando reverter a redução das velocidades máximas nas Marginais em São Paulo. Tempos depois voltou atrás, mas só depois que as medidas se provaram exitosas na redução de mortes nas Marginais.

Agora, por iniciativa de Aparecido Ignácio Ferrari e Kistofer Willy Oliveira, entre outros, criou-se a Comissão de Mobilidade Ciclística. Seus Grupos de Trabalho já estão instalados, e incluem GTs que tratam das ciclovias do município de São Paulo, ou da mobilidade por bicicletas no Estado inteiro, um Gt de Terceiro Setor, outro que tratará de legislação e  outros mais.

Os desafios dessa comissão são imensos, pois no Brasil o cidadão em bicicleta se torna o Homo Sacer do trânsito. Continuar lendo

UCI: VAZAM PARTE DAS NOVAS REGRAS

vazaram parte das novas regras. mudanças que serão implementadas já na Olimpíada de Tóquio.

Deu hoje em alguns sites gringos, varam estudos e esboços pra mudanças de regras nas provas gerenciadas pela UCI, justamente as que terão maior impacto no mercado. Parece que a UCI acordou pro seu peso na definição das tendências de mercado e que grande mal pode causar a praticantes amadores do esporte, que são afinal os que sustentam o mercado de bicicletas esportivas. Vamos a algumas delas, que agrupei por grupo de provas, modalidades e etc, e claro, isso é só o que vazou, não tudo o que mudará. Pelo jeito vem mais coisa.

GERAIS:

– maior fiscalização sobre confederações nacionais e federações abaixo. ao que parece, pra evitar escândalos de corrupção a UCI deve fiscalizar de perto as finanças de todo mundo. as penas pra corrupção e envolvimento com caso de doping serão de banimento do esporte, pra sempre. Continuar lendo

POR QUE CICLISTAS NÃO PARAM NOS SEMÁFOROS? POR QUE PEDESTRES ATRAVESSAM FORA DA FAIXA OU POR DEBAIXO DA PASSARELA?

Ah, com certeza você já se perguntou ou tentou responder uma dessas questões. E claro, talvez pensando como motorista, limitou-se a recriminar os comportamentos sem sequer parar um pouco para pensar sobre eles.

Viaduto do Chá, em São Paulo. Só depois de décadas a CET reconheceu que os pedestres iam fazer o caminho mais curto e pintou aquelas faixas em X do centro da imagem.

Lá no grupinho da Bicicletada-SP de vez em quando alguém tomou alguma fina involuntária de ciclista e tá lá cornentando. Na TV de vez em quando algum jornalista da classe média branca está lá criticando horrores os pobres de algum lugar que atravessam por debaixo da passarela. Você tá num táxi, e o taxista reclama de alguém que atravessou a rua fora da faixa de pedestres… E ninguém para pra efetivamente pensar por qual motivo pessoas tomam decisões que levam a essas atitudes, em frações de segundo, exigindo um grau de racionalidade que não exercemos nos atos comezinhos do dia a dia.

Por outro lado, se você é o pedestre e a faixa está lá a 100 metros de você e a via não tem aquele trânsito infernal, você olha prum lado,olha pro outro e atravessa.  Você faz o mesmo se acredita que dá pra atravessar a via sem precisar dar uma volta imensa, subir rampas ou escadas, e passa por debaixo da passarela.

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SÃO PAULO: BICICLETAS COMPARTILHADAS PRA QUEM?

São Paulo inaugura novo sistema de compartilhamento de bicicletas, mas de novo sem incluir esse sistema no efetivo sistema de transporte da cidade.

Ah, bicicletas novas, aro 24, 12 horas perto de terminais… tudo isso é irrelevante. A lógica continua a mesma, e piorada.

O antigo sistema de bicicletas compartilhadas sofria de depredações… Mas porquê né? Ora, ele já nasceu elitizado, e aí o periférico social (pois periferia urbana é cada vez mais um conceito social, e não apenas geográfico, se duvida disso, tente morar na “Cracolândia” que geograficamente é bem central…) não se reconhecia no sistema. Quando não há senso de pertença não há cuidado, mas pode haver predação.

E assim uma bicicletinha laranja do Itaú aparecia lá no fundão da Zona Norte despida de suas partes plásticas por módicos 80 reais. Semana passada eu fotografei uma repintada e com outra relação de marchas, numa cidade do interior de São Paulo, parada num poste…

Geograficamente continuam as estações muito mal distribuídas, ou melhor, distribuídas apenas pela lógica do negócio. Só estão presentes onde há poder de compra. Pois perde-se a gratuidade da primeira hora (que passa a custar o equivalente a duas passagens de ônibus). A novidade é um empréstimo de até 12 horas perto de alguns terminais de ônibus escolhidos a dedo. Quais? alguns que começaram a adensar ao redor de si uma classe média. Continuar lendo

VIAJANDO COM A BICICLETA

Levar a bicicleta na viagem! Delícia! Seja por que vamos fazer uma cicloviagem em outro lugar, seja por que queremos levar nosso veículo para circular naquela cidade. Mas vamos aos perrengues.

Alguém não lembrou que havia bicicletas em cima do carro.

Minha primeira bicicleta era uma Berlinettinha dobrável. Aro 18 ou14, não sei. Ganhei do Papai Noel num natal, e logo viajamos, e convenci meus pais a levar a bicicleta. Ela foi: dobrado o quadro, dobrados os guidões (sim, essa bicicleta temo guidão em duas partes).. Paramos no meio da estrada não sei o porquê, eu queria andar de bicicleta, ela tava desmontada, não consegui andar. Lembro bem, dada a minha frustração. Mas chegando à casa dos meus avós, tava lá minha bicicleta! Meu pai montou. (posso chamar isso de minha primeira cicloviagem?)

Depois de grande resolvi levar bicicletas em viagens. Se vão em carros de amigos, sempre há modos de levar. Se vão em ônibus, outros modos. E se vão em aviões, pior ainda. Vamos ver como fazemos?

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QUER DESCER A SERRA DO MAR? DESÇA!

conseguimos a reconsideração do despacho liminar na Ação Judicial movida pela EcoRodovias que vetava o evento da descida em massa!

nós, do direito, pensando a situação. afinal, o direito de ir e vir não pode ser ferido pelos intere$$e$ da EcoRodovias!

CONSEGUIMOS! A EcoRodovias impetrou ação judicial visando evitar a descida da Serra organizada em evento no Facebook. Conseguiu liminar, com efeitos extendidos até o final do verão. Todavia, conseguimos que o douto MM Juiz esclarecesse que a proibição estendia-se apenas àquele evento, e não vedava que ciclistas descessem a Serra do Mar, usando o sistema Anchieta-Imigrantes, o que feriria o inciso XV do artigo 5º da Constituição Federal!

Então, quer descer? Junte seus amigos pelo WhatsApp, e vá!

Íntegra da decisão:

Vistos.

Considerando que as pessoas mencionadas na peça de fls. 112/118, agora comparecem aos autos e se identificam como membros da coletividade específica alocada no polo passivo, entendo por bem, desde já, admiti-los como partes e não como “amicus curiae”, mesmo porque nesta qualidade de interveniente sequer poderiam interpor o recurso de agravo de instrumento, conforme dicção do artigo 138, parágrafo 1.º, do Código de Processo Civil.

Assim, providencie a serventia à inclusão dos peticionários de fls. 132/151 no polo passivo da demanda.

Quanto à temática de fundo, a despeito do respeitável entendimento manifestado pelos corréus, entendo por bem, para a garantia da segurança jurídica, aguardar manifestação da Instância Superior acerca do recurso interposto, ficando, por ora, mantida a decisão.

Seja como for, é importante esclarecer que a decisão liminar por mim proferida nestes autos (fls. 89/90) não pode, de forma leviana, ser interpretada isoladamente.

Como é cediço, é vedado ao juiz proferir decisão que ultrapasse os limites da postulação e, no caso em apreço, a pretensão da Ecovias não se dirige a todos os ciclistas indiscriminadamente, mas sim àqueles que eventualmente participariam do “evento/passeio” promovido pela internet, conforme retratado na exordial e nas demais petições.

O mesmo se diz no tocante à decisão de fls. 119.Desta forma, a expressão lançada no polo passivo “Todos os ciclistas”, deve ser interpretada dentro do contexto da postulação.

Neste sentido é a conjunção dos artigos 322, parágrafo 2.º e 489, parágrafo 3.º, todos do Código de Processo Civil. A par disso, o trânsito isolado de bicicletas, que não tenha relação com os aludidos “eventos de massa” (que, como restringiu a demandante às fls. 17/18, seriam aqueles que colocariam em risco a perda do controle da operação, a integridade física, a segurança e o direito de locomoção dos usuários do Sistema Anchieta-Imigrantes pelo elevado número de participantes) NÃO ESTÁ PROIBIDO PELA DECISÃO por uma razão muito simples: não foi o isso o que foi postulado

.As demais questões preliminares levantadas pelos corréus serão objeto de análise somente após o aperfeiçoamento da formação da relação jurídica processual. Intime-se.

(os grifos são meus).

No link abaixo, PDF da decisão.

CONCESSIONÁRIA ECOVIAS