qual é a da reclinada?

uma descrição não tão sumária do que é passar a usar uma reclinada, para os meus amigos curiosos.

em Florianópolis, reclinada com alforjes de 50 litros mais um pacote atrás do banco.

em Florianópolis, reclinada com alforjes de 50 litros mais um pacote atrás do banco.

eu sempre pedalei bicicletas com quadro diamante, aquele quadro que olhando do lado tem dois triângulos. não difere de outras bicicletas que variem a geometria: você sempre está com um selim no meio das pernas.

tenho flertado com reclinadas há anos. mas eu sabia que haveria um tempo de adaptação, e sempre isso me fez adiar a mudança.

mas  os meus ombros… alguns atropelamentos, uma agressão de um ocupante de um carro num audax há anos atrás, a buraqueira do asfalto brasileiro….  nos últimos tempos os gudiões foram subindo, subindo, depois vieram pneus mais largos, por fim suspensões, pneus largos, guidões altos…. e também evitar pedalar em pé… e nada disso mais evitava minhas dores. Continuar lendo

TANDEM!

duas ou mais pessoas na mesma bicicleta! mais velocidade, mais peso, é tudo diferente!

nessa foto, meu avô, dois tio-s-avôs e um primo deles.  entre 1930 e 1940. meu tio avô Hempi à direita, foi quem fez essa longa tandem!

nessa foto, meu avô, dois tio-s-avôs e um primo deles. entre 1930 e 1940. meu tio avô Hempi à direita, foi quem fez essa longa tandem!

tandem é outro bicho. pense só nos problemas: montar um quadro longo que não parta no meio com o peso:  ligar uma pedivela à outra; montar rodas que aguentem o peso; ter freios pra lá de eficientes.

isso sem falar na pedalada cadenciada, com todos pedalando no mesmo ritmo. Continuar lendo

o braço de Dorgival e o bico do tucano

Dorgival Francisco Souza, um vigia, um trabalhador, rumando ao trabalho teve o braço decepado por um motorista irresponsável que dirigia numa rodovia de um governo irresponsável que descumpre a lei estadual 10.095/98.

dorgival francisco souza e sua bicicleta.

dorgival francisco souza e sua bicicleta.

o ano era 1998. o então deputado tucano walter feldman conseguiu aprovar a lei 10.095, que instituiu o plano cicloviário estadual. conforme pode-se ler no texto acessível nesse link aqui, desde aquele ano, em razão do contido nos artigos 5º, 6º e 7º da lei, os projetos de novas estradas,os projetos em andamento e as estradas já construídas do estado de são paulo deveriam ter estrutura cicloviária em toda a sua extensão, principalmente nos trechos urbanos. Continuar lendo

sobre vida e morte

um domingo. um domingo de vida. embora a morte se fizesse presente na sexta.

menino "dando grau" em sua bicicleta....

menino “dando grau” em sua bicicleta…. foto de r.m. santos

assim, uma porta aberta por um motorista imbecil, repentinamente, derrubou a ciclista. parece engraçado para você? pis ela teve um severo traumatismo craniano, seguido de morte cerebral. morte declarada na sexta.

e assim encerrou-se a vida de detinha son, mãe de duas filhas, esposa, anjo nas bicicletas de vila velha. uma mulher sorridente.

carros são instrumentos de morte até quando parados.

mas chegou o domingo. domingo, em são paulo, em certas regiões, é um dia com outro sentido agora. seja na central avenida paulista, seja na longínqua avenida kshun takara, é dia sem carros, sem motos, sem motores. e a bola corre solta. Continuar lendo

Ciclovia da Paulista, ano 1. teve até noiva pedindo o noivo em casamento!

pra nós, ciclistas, o tempo hoje deve-se contar de outra forma.

avenida koshun takara aberta nesse domingo, as crianças brincando. fato de patrício elias.

avenida koshun takara aberta nesse domingo, as crianças brincando. foto de patrício elias.

o mundo mudou. a avenida paulista hoje, tão linda, cheia de gente andando. skateando, cantando, tocando música, pedalando…. e se amando. Continuar lendo

o just in time de gente e a superficialidade, ou como pedalar para o trabalho pode ser um desentorpecer da razão

é fato. a vida moderna das grandes cidades coloca as pessoas num cotidiano entorpecedor. da classe B à classe E, todos entorpecidos e assim, maleáveis, se prestam aos mais abjetos interesses. e sair da matrix pedalando, causa escândalo.

crianças brincando numa rua aberta às pessoas, na Av. Koshun Takara, nesse domingo. foto de Roberson Miguel Santos.

crianças brincando numa rua aberta às pessoas, na Av. Koshun Takara, nesse domingo. foto de Roberson Miguel Santos.

da classe B à class E, todos escravos da aparência. vestir apenas o que se tem de mais simples causa problemas.  ser negro, estar de camiseta, bermudas e boné, e chinelos, vestimenta óbvia num país tropical, e andar pelas ruas nas periferias de São Paulo é pedir uma geral da PM. fazer o mesmo nos bairros mais centrais, é pedir várias gerais. Continuar lendo

a bicicleta e a subversão do just in time de gente

just intime de gente: expressão que uso em aulas, pra explicar a rotina do cidadão nas grandes cidades. sistema neurotizante, que pode ser subvertido. mas por poucos ainda.

terno e bicicleta. combinação ainda rara, em razão do anacronismo dessa vestimenta num país tropical.

terno e bicicleta. combinação ainda rara, em razão do anacronismo dessa vestimenta num país tropical.

tempo é vida. lembre disso. e pense no tempo que se leva de um ponto ao outro, numa cidade grande. o caio césar, nesse ótimo post, explica bem as dificuldades do periférico, seja o periférico de classe E, D ou mesmo C.

pois é. a se pensar claramente: não é essa forma de ocupação do espaço uma forma de evitar que a mão de obra se ocupe de algo mais do que apenas trabalhar?

meus alunos acordam 5 da manhã e saem de casa atabalhoados, chegando n trabalho minutos antes das 8 da manhã. trabalham ate o meio dia, e então tem uma corrida hora de almoço, voltam ao trabalho às 13 e trabalham até quase 18 horas (afinal, é preciso compensar as 4 horas faltantes pra completar a jornada de 44 horas mensais e não ter que trabalhar aos sábados). saem do trabalho e chegam na faculdade justo no tempo de entrarem em aula, às 19 ou 19:30, e sabem da faculdade, havendo aula ou não, puco depois das 22 horas. sim, se a aula se estende, eles abandonam. mesmo tomando faltas. mesmo tendo problemas. pois querem chegar em torno de meia-noite em suas casas e cochilar mais u menos da uma da manhã até às 5 h, e então recomeçar a labuta. Continuar lendo