Menos pistas expressas nas Marginais, mais ciclovias.

Desabamento de viaduto na Marginal Pinheiros nos permite entender o que ocorreu na ocupação (predação) de $ão Paulo.

desenho do antigo leito do Rio Pinheiros no mapa atual.

Uma das melhores coisas que aprendemos ao pedalar pelas cidades é ler o relevo. E lendo o relevo, descobrimos os vales, onde comumente os trajetos são mais planos.

Sempre que viajo por Santa Catarina, procuro seguir os vales. Por lá, sempre acho caminhos mais planos pras minhas pedaladas. Da mesma forma, na Europa, muitos caminhos usados pelos ciclistas em suas viagens ladeiam rios.

Ciclistas não fazem diferente aqui no Brasil Procuramos os caminhos mais planos. E em São Paulo, boa parte desses vales hoje são ocupados por avenidas imensas.

É o caso das Marginais Pinheiros e Tietê, é o caso da Avenida Aricanduva ou Jacu Pêssego na Zona leste, é o caso do corredor a meia altura na bacia do Tremembé na Zona Norte de São Paulo (que liga o Horto Florestal a Guarulhos), é o caso da Avenida Eliseu de Almeida, na Zona Oeste, é o caso da av Inajar de Souza ou da Avenida Engenheiro Caetano Álvares na Zona Norte…

Todas elas áreas de ocupação posterior às colinas e elevações no seu entorno, pois sempre foram áreas alagáveis. Afinal, rios sobem e descem.

Por isso, é de uma burrice imensa, do ponto de vista urbanístico, terem construído grandes avenidas os vales destes rios todos que singram a capital de São Paulo.

E não apenas por serem locais onde de vez em quando a água sobe, mas também por serem seu entorno solo de várzea… Portanto solo  constituído não por áreas devidamente solidificadas, mas sempre úmidas, não raro constituída por areia e lodo. Aŕea instável.

Nestas áreas construíram avenidas por onde passam pesados caminhões, e ainda por cima, viadutos.

Ora, todas essas estruturas vibram com o peso destes veículos quando passam.

Então imagine: projeto antigo, muita vibração, fadiga, construção em terreno não muito estável, o que piora as vibrações… E temos um viaduto desabando.

Na prática, São Paulo inteira está cheia de arapucas. Muitas construções antigas não projetadas para o trânsito pesado atual. Não bastando isso, conforme informa a Revista Veja, do orçamento para manutenção destes locais, foram gastos até agora apenas 5%. Como sempre, jogam a culpa pra gestão anterior, mas peraí, teve uma vistoria há 3 meses e não viram o problema?

circundada em vermelho, a falha na junta de dilatação remendada com asfalto.

Pois é… problema visível no Google Maps, mas não pelos técnicos. Estranho, não é?

Uma cidade com 185 pontes e viadutos, na sua maior parte muito antigos, na sua maior parte construídas essas obras em terrenos não muito estáveis, não pode se dar ao luxo de não fazer manutenção. E quem está no governo da cidade há 2 anos não pode botar a culpa em gestões anteriores, como se tudo fosse novidade…

São Paulo deveria rever seu modelo de transporte. É fato, há carros demais e muito incentivo ao uso do carro. Poucas faixas de ônibus, poucos corredores exclusivos para ônibus. Muitos lugares pra estacionar na rua. construção de metrô em ritmo de tartaruga…  E uma gestão que nem consegue fazer a manutenção de uma ciclofaixa, oque dirá de um viaduto.

Aguardemos, qualquer hora alguma desgraça acontecerá.

A cidade que surgiu e cresceu entre rios, matando-os, repito, tem 185 pontes e viadutos, e hoje um clima mais quente que no passado, com mudanças de tempo cada vez mais repentinas acelerando o processo de dilatação-contração pela temperatura, acentuando a fadiga dos materiais, e com trânsito mais pesado. Tragédias estão a caminho, se nada for feito. Mas repito: se não consegue nem mater uma ciclofaixa pintada, pode a cidade safar-se de uma tragédia? Não sei.

Em todo caso, que se pedale mais. Bicicletas não fazem pontes e viadutos vibrarem.  É o transporte menos danoso. Mas não é nem de longe a prioridade desta gestão.

Aguardemos pois.

2 Respostas para “Menos pistas expressas nas Marginais, mais ciclovias.

  1. Olá, meu amigo, como vai?

    Vim deixar um comentário e uma dúvida, ao fim, se puder me ajudar!

    Em primeiro lugar, quero dizer que estou há uns 4 dias devorando todos os textos do seu blog. Coloquei num leitor de feeds pra facilitar a minha vida. Depois jogo pro kindle, pego um cafezinho ou um copo d’água e viajo… Estava pesquisando sobre bicicletas e qual não foi a minha surpresa ao encontrar seu texto técnico, preciso, ácido e emocionado, com uma leveza singular, como um passeio sobre duas rodas… É um refrigério esbarrar no seu texto aqui e ali marcado pelo Direito, mas suave, mas humano, coisa tão rara nesses tempos de autoritarismo e terraplanismos. Um alento descobrir seu blog! Parabéns pelo trabalho e pela emoção com que fala do que ama.

    Bem, vou abusar e pedir uma dica: sempre tive bikes pobrezinhas, mesmo, não entendo nada, mas sempre pedalei. To indo trabalhar com uma emprestada da esposa, mas é tão ruim que é pesada desregula toda e não dá nenhum prazer (tem aquelas molas no quadro parecendo motoca).

    Aí vi um vídeo da Renata Falzoni falando da “caloi city tour comp 2018” e fiquei bem curioso com a bike e com a ideia de pedalar um pouco mais a sério, pra me exercitar, mesmo, com prazer. Assustei-me com o valor e tal mas depois pensei no custo benefício, li muitos reviews. Aí me deparei com algumas críticas à solda e um dos seus posts falando sobre acidentes com calois e pronto… A decisão que tava praticamente tomada foi adiada e voltei pra reflexão de alternativas. (Minha bebê ainda tá pequena mas pretendo passear com ela em cadeirinhas assim que ela tiver firmezinha).

    Pedindo desculpas pelo textão, vamos lá: você acha que ela caloi pode ser uma boa pra eu começar a pedalar por aí? (ir trabalhar infelizmente não rola porque o furto de bikes aqui no interior de MG é muito frequente, pra isso eu compraria uma barra forte usada e bonita 🙂 )

    Esteja à vontade pra me sugerir outros modelos ou outras possibilidades quaisquer. É um privilégio poder tentar aprender um pouco com a sua sabedoria (da qual a bike é uma pequena e valorosa parcela).

    Abraços!!

    Thiago Cunha Rodrigues

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