Arquivo da categoria: as bicicletas

ENTREGADOR!

Aro 26, em média 40 km/dia, 7 dias por semana, 30 por mês. 1200 km/mês. E aí?

Entregador da Uber Eats, Chile.

Pediu comida? Ifood, Uber Eats, Rappi? Comprou remedinho? Livro? Chegou rapidinho? Pagou baratinho? Prestou atenção em quem lhe entregou a comida? Deu-lhe um copo de água?

Então. A comodidade de seu serviço, a custo baixo, tem um outro lado. E a tal uberização da economia. Nunca ouviu falar? Então vamos explicar, principalmente o que isso agora tem muito a ver com bicicletas.

A coisa funciona assim: um aplicativo surge com um belo discurso (não importa o discurso, mas ele existe, sempre), e se propõe  unir o cliente, que tem uma necessidade, a alguém que tem um recurso disponível a ser utilizado, um carro, por exemplo. Começou com o Uber, que todo mundo conhece: um motorista qualquer tem um carro, cadastrou-se, e pega corridas para pessoas que usam o serviço, mais barato que os serviços de táxi. Uber está no mundo inteiro, nas grandes cidades. Outras empresas surgiram: 99, Cabify e etc. O sistema é conhecido.

Alguém um belo dia resolveu fazer o mesmo com entregas.  E então naturalmente bicicletas entraram no jogo.

Na prática  isso proporciona inúmeras formas de desregulamentar o trabalho. E diante do discurso hegemônico, isso é lindo.

É mesmo?

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A Pedivela Tripla não morrerá!

Pedivela tripla: a forma de multiplicar a amplitude das marchas, foi uma criação para cicloturistas.

Pedivela tripla Shimano Deore XT FC-T8000 Hollowtech com guarda-calças.

Pedivelas triplas são anteriores às mountain bikes. Surgem na década de 1950, entre ciclistas de estrada, a partir de adaptações em pedivelas Campagnolo. Tulio Campagnolo produziu pedivelas a partir de 1958 e com espaçadores, alguns ciclistas colocavam uma terceira coroa, menor.

A se lembrar que nessa época, as catracas de rosca ainda não tinham 5 velocidades, e aumentar a amplitude era necessário.

Pedivela Campagnolo Nuovo Record Strada c. 1973. Clique na imagem pra mais dados sobre a peça no site VeloBase

Já a essa época cicloturistas, sempre carregando mais peso e deparando-se com estradas nem sempre planas – lembrando que as melhores vistas sempre vêm depois das maiores subidas – passam a usar essas pedivelas. Continuar lendo

SP-Santos-SP – a novela!

Ciclistas paulistanos e da baixada santista vivem situação kafkiana. E o Governo do Estado de São Paulo continua cerceando o direito de ir e vir do ciclista e do pedestre!

Você talvez já tenha ouvido falar das lendárias descidas de serra, de São Paulo a Santos. E, em alguns casos, ouvido falar que alguém subiu no pedal.
Procura informações, sabe que tem uma descida no final do ano, nunca sabe quem organiza. Tenta ir em outra época e é detido/a. E aí, pode ou não pode?

Pois bem, é fato que você pode começar uma volta ao mundo em bicicleta saindo de São Paulo, mas não pode ir a Santos, que dista menos de 100 km. Você pode começar uma volta ao mundo em bicicleta saindo de Santos, mas não pode pedalar até São Paulo. Continuar lendo

bicicletas e obsolescência

o mercado não gosta de bens duráveis. é preciso vender mais, e mais e mais.

Canyon Ultimate CF-SLX Movistar, usada por Nairo Quintana. Note os freios ferradura, de aro, Campagnolo. Clique na foto.

Assim, conhece o teorema do chifre? Seu enunciado diz: “O desconhecimento não implica na inexistência.”.

Então, aviso, já foi escrito há bem mais de 50 anos por um velhinho de olhos negros faiscantes: a técnica não é neutra. Não há neutralidade técnica. Quem disse isso? Martin Heidegger. Um dos dois mais brilhantes filósofos do século XX. O outro, que provou que a lógica formal é só jogo de linguagem, é Ludwig Wittgenstein, suplantando de longe seu mestre, Bertrand Russel, deixando-o ultrapassado na lógica.

Algo novo não é vendido por ser necessariamente melhor. Outros fatores podem ter influenciado. No caso da indústria da bicicleta, os ventos externos são preponderantes. Continuar lendo

ROTA 3 ESTADOS

Percorri Paraty – São José dos Campos  via sul de MG. Vai o roteiro, que pode ser percorrido nos dois sentidos.

Paraty vista do alto da serra

Pra quem gosta de subir, subir, subir, subir, há um roteirinho por asfalto – nem sempre de boa qualidade – e um tantinho de bloquetes, que permite passar por 3 estados: RJ, SP e MG. Vamos aos dados:

TRAJETO

E percorrendo da forma suave, vai-se de São José dos Campos (SP) até Sapucaí-Mirim (MG) passando por Monteiro Lobato. De Sapucaí-Mirim se vai até Aparecida ou Guaratinguetá (SP) , e então até Cunha (SP) e no último trecho, até Paraty (RJ). Continuar lendo

UMA SÓ COROA!

Sistemas de coroa única estão por aí em muitas bicicletas. São ótimos mas não são perfeitos. Vamos entender?

cassete ZTTO 11-52 de 12 velocidades.

A coisa se deu assim. No início era uma só coroa e só um pinhão na relação da bicicleta. Com o tempo foram acrescentando pinhões. Um, dois, três, quatro, cinco… E alguém inventou como colocar uma segunda coroa. Bingo! de 5 pulou pra 10! 5 X 2….

De lá pra cá chegou-se a 3 coroas e 10 pinhões no cassete. 30 marchas! Das quais umas 16 ou 17 são utilizáveis – o resto é sobreposição ou então cruzamentos de corrente que inviabilizam o uso, como usar na coroa menor e no pinhão menor, com a corrente pegando no câmbio dianteiro e até na coroa do lado, de tão cruzada….

Com os cassetes 11-36 a turma do MTB passou a não precisar mais de 3 coroas. competidores tiraram uma coroa. Alguns em algumas provas precisavam de pedivelas de uma única coroa, pois a amplitude do cassete já satisfazia sua necessidade de marchas.

chegaram cassetes 11-40, 11-42, 11-46… e daí pra quê 3 ou ou 2 coroas? Continuar lendo

bicicletas compartilhadas, patinetes elétricos, micromobilidade? não, só negócios.

Pode ser novidade no Brasil, mas em outros lugares já perceberam bem. Essas empresas de compartilhamento de bicicletas e patinetes visam apenas lucros.

2010, Londres. Pequena intervenção de cidadão inglês em bicicleta de compartilhamento público, serviço operado por uma instituição financeira. Clique na foto e saiba mais.

Caro leitor, cara leitora. Pra quê serve uma empresa? Apenas para dar lucro. É o resto da sociedade que força o empresário a seguir outros valores também. Mas se a empresa não der lucro, ele quebra. Em alguns negócios, uma ou outra operação deficitária existe pois o empresário precisa da imagem que ela produz.  Isso acontece com instituições financeiras, por exemplo.

Certa vez, aqui em São Paulo, um dos implantadores das ciclovias nova-iorquinas numa fala na Ciclocidade, numa apresentação, comentou que no mundo inteiro bancos gostam de operar sistemas de bike-sharing pois possuem uma impressão negativa na sociedade. Rimos, pois tinha um banco brasileiro gastando uns trocos pra espalhar um refrão: “isso muda o mundo”. E claro, bicicletinhas aparecendo nas peças publicitárias.

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