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TALVEZ SEU QUADRO SEJA MUITO LONGO PRA VOCÊ.

Fit de bicicleta: tá aí um campo em que o brasileiro em geral encontra dificuldades, pois a indústria nacional parece produzir bicicletas e importar peças como se a estatura média da população fosse 1,80m e fôssemos todos japoneses.

timbiras, em foto de Curt Nimuendajú,c. 1910/1920. Observe as pernas não apenas musculosas, mas pernas longas e braços longos.

A cena é visível em todo domingo nas ciclofaixas de lazer em São Paulo: pessoas se esticando todas para conseguir segurar o guidão. Parecem todas terem comprado bicicletas muito grandes. Ninguém as assessorou na compra? É o que se pergunta num primeiro momento, para depois lembrar que na verdade não achamos bicicletas para grande parte de nós.

Nós, brasileiros em geral, não prestamos muita  atenção nas proporções do corpo. Fazemos medidas de circunferência, mas não olhamos a proporção das nossas pernas em relação ao nosso tronco. Continuar lendo

Menos pistas expressas nas Marginais, mais ciclovias.

Desabamento de viaduto na Marginal Pinheiros nos permite entender o que ocorreu na ocupação (predação) de $ão Paulo.

desenho do antigo leito do Rio Pinheiros no mapa atual.

Uma das melhores coisas que aprendemos ao pedalar pelas cidades é ler o relevo. E lendo o relevo, descobrimos os vales, onde comumente os trajetos são mais planos.

Sempre que viajo por Santa Catarina, procuro seguir os vales. Por lá, sempre acho caminhos mais planos pras minhas pedaladas. Da mesma forma, na Europa, muitos caminhos usados pelos ciclistas em suas viagens ladeiam rios.

Ciclistas não fazem diferente aqui no Brasil Procuramos os caminhos mais planos. E em São Paulo, boa parte desses vales hoje são ocupados por avenidas imensas. Continuar lendo

650c: muito cuidado.

rodas 650c fizeram muito sucesso entre triatletas nos anos 1990. hoje parecem ser um mico, a não ser que o ciclista tenha pouca estatura.

Softride Powerwing . Sem o tubo vertical, rodas 650c de 4 raios em carbono, modelo roda banido em razão das lâminas que forma quando a roda quebra num tombo.

Se você tem menos de 1,70 de altura talvez não consiga fit adequado numa bicicleta de triatlo ou contrarrelógio. Pois para acomodar uma roda grande – 700c – na frente, o quadro não apenas precisa ser mais alto, mas mais longo.

E se você vai pedalar apoiado nos cotovelos, todo dobrado pra frente, o quadro não pode ser tão longo.

Mas  a não ser que você caia nesses casos, uma bicicleta com rodas 650c pode não ser uma boa escolha para você. Explico.

Aros 650c foram também chamados de aro 26 de triatlo. A terminologia 700c, 700b, 700a, 650c, 650b, 650a é de origem europeia e refere-se a medidas externas das rodas. Mas o que nos interessa muitas vezes são as medidas internas de encaixe dos pneus.

A roda chamada de 29 polegadas tem encaixe de pneu de 622mm de diâmetro, igual à 28 das bicicletas urbanas dos europeus, e aos 700c das bicicletas de estrada mais comuns.

A roda 26 das MTBs tem encaixe de pneu de 559mm de diâmetro. As rodas chamadas de 27,5 (ou 26 1 e 1/2, ou 650b) possuem 584mm de encaixe. As rodas chamadas de 650c, tem 571mm de encaixe. Notou que elas estão no meio do caminho entre rodas 26 e 27,5? Continuar lendo

Freios Cantilever, por que ainda são fabricados?

Se você pedala há algum tempo já os viu instalados em antigas MTBs. Mas, de repente, os vê numa bicicleta com rodas com pneus largos e guidão drop. E aparecem modelos por aí bem avançados… eles não desaparecerão tão cedo.

Avid Shorty 4.

Quando apareceram os V-Brakes (que são cantilevers de puxada direta) parecia que os antigos cantilevers de cabo suspensório iriam desaparecer.

De fato, em pouco tempo eles só equipavam bicicletas baratas de supermercado, em versões de aço coberto por plástico.

Mas quando se popularizaram os freios a disco, foram os V-Brakes que foram sumindo. No entanto, os cantilevers estão por aí até hoje. Por quê? Continuar lendo

GRAVEL? DE ONDE VIERAM ESSAS BICICLETAS?

“Gravel bike”. De repente numa conversa surge esse termo. Alguém mais velho olha e pergunta: “é uma bicicleta de ciclo-cross?”, outro palpita: “não, é uma touring com pneu pra terra”… Tá todo mundo errado e todo mundo certo. Vamos entender?

Jacques Anquetil nos anos 1960, num Tour de France. A estrada é de terra e cascalho…

Assim, a geração que nasceu lá pelos anos 80 e diante não tem memória duma época em que ou pedalávamos numa Barra Forte ou Barra Circular, ou então iampos pras Caloi 10, Monark 10, Peugeot 10…. Bicicleta “de verdade” pra quem foi adolescente no final dos 70 e começo de anos 80, era uma dessas. Pois as primeiras MTBs vieram depois.

As famosas “qualquer coisa 10” eram pesadas e meio grandes demais, mas tinham uma característica: copiavam geometria de antigas tourings europeias. Tinham imensas rodas aro 27 (ISO 630mm, maior que as rodas 700c/29 – ISO 622mm – e muito maior que os ditos 27,5 – ISO 584mm), a traseira dessas bicicletas era de longos 46 cm (3cm mais longas do que os 43cm habituais de uma MTB de aro 26), e o garfo fazia uma longa curva pra frente. Continuar lendo

15″, 17″, 19″… Por que essas medidas não dizem nada.

Ao comprar uma bicicleta, o vendedor avisa: a bicicleta é tamanho 15 polegadas! E vc compra e depois descobre que ela tem  o comprimento duma jamanta….

Geometria de uma estradeira da Burls. Quadro slooping, tem 500mm de tubo superior efetivo e 484,1mm de tubo superior real.

Ao comprar uma bicicleta, deve-se ter uma medida em mente: o comprimento EFETIVO do quadro. Por qual motivo? Se ele for muito comprido para seu corpo, não importa o que você tente trocar, ele será desconfortável para você.

Não adianta simplesmente levantar o guidão: o quadro continua comprido.

Ora, isso pode não parecer problema para quem tem acima de 1,80m de altura, mas abaixo disso e principalmente abaixo de 1,60m de altura, essa medida é crucial pois boa parte das bicicletas vendidas no Brasil não são para a média da altura do brasileiro.

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SHIMERGO NEWS!

Novidades no “mix ‘n match!” ŕa cicloturistas e graveleiros, pra misturar peças e se virar com o que se tem!

agora dá pra usar com câmbios
Shimano

Assim. Nas últimas décadas as bicicletas de estrada se tornaram cada vez mais bicicletas de competição ultra especializada.  E na outra ponta, as MTBs se tornaram verdadeiros jipinhos a pedal, ultra-especializadas.

Nessa brincadeira da evolução das bicicletas, perdeu-se a versatilidade. Salvo algumas tourings, ou vc usava pneus finos e quadros e garfos rígidos, ou pneuzões e suspensões pra todo lado. Só olhar a geometria duma Trek 850 da metade dos anos 1980, com sua caixa de movimento central baixa, seu garfo rígido, e olhar uma atual 29er pra XC, ou pior, olhar uma bicicleta de Downhill, pra ver a diferença.

Mas mesmo as tourings foram ficando bicicletas mais especializadas: pneus 26 pra aguentar peso e ter peça de reposição em qual.quer lugar do mundo, o guidão borboleta substituiu o velho guidão drop e quem viaja com uma bicicleta carregada quer mais é usar pedivela 42-32-22 e no mínimo 11-34 atrás com rodinhas 26.

De outro lado, desde os anos 70 cresceu anoção de “grupos” de peças. Se antes câmbio traseiro era Campagnolo ou mesmo Suntour, dianteiro era de qualquer marca, freiso eram Weimann, alavancas de quadro eram Huret, ou Sachs… Hoje vigora a regra do grupo fechado: tudo Dura-Ace, tudo Tiagra, tudo Super-Record…. Continuar lendo