Arquivo da categoria: buen vivir

A BICICLETA CONTRA A BARBÁRIE, pra além da direita e da esquerda.

Nas democracias, há um limite a ser respeitado: o limite da barbárie, da brutalidade. Não há democracia se esse limite é cruzado.

Ignaz Schoupal (1921-2014) , na Tchecoslováquia, em data incerta. Uma das vitimas da II Guerra, veio ao Brasil. Tornou-se pai da ciclista Sofia. Bicicleta, o sonho da liberdade.

Imagine a cena: a mulher vê pela TV alguém que elogia o seu estuprador e torturador. E a pessoa que o elogia, o faz para atingi-la.

É algo suportável? Se você é mulher, ou não sendo mulher, você suporta isso como “liberdade de expressão”? Continuar lendo

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Cansei.

o cicloativismo de sp foi um movimento muito vibrante. mas perdeu-se depois da influência das migalhas dos bancos. e eu cansei.

Já foi assim. Pedalar na paulista era tomar geral da PM. estando de bermuda e chinelo ou todo fantasiado de corredor do Tour de France, tomava geral, era mandado embora. pois não estaria andando à metade da velocidade máxima, que era de 70 km/h.

Era a interpretação errada do artigo 219 do CTB, obviamente ignorando a parte final, que permite velocidade menor que a metade na pista da direita. em resumo, era pra tirar bicicleta das avenidas. Continuar lendo

Trump, Temer, Dória…. e a bicicleta esmagada.

Quando os grandes se mexem, os pequenos sofrem. Um pequeno movimento do elefante e milhões de formigas são esmagadas.

Mapa da antiga Rota da Seda. Os caminhos por mar ainda são percorridos pra levar produção chinesa para Europa, e assim Shimano chega na Alemanha.

Mapa da antiga Rota da Seda. Os caminhos por mar ainda são percorridos pra levar produção chinesa para Europa, e assim Shimano chega na Alemanha.

A eleição de Donald Trump para presidente dos EUA (com apenas 25% dos votos dado o alto índice de abstenção), o golpe que levou Michel Temer à presidência deste país aqui (eleito apenas par aser vice, assumiu sem ser eleito pra tanto), a eleição em primeiro turno de João Dória à prefeitura de São Paulo (com votos em número inferior às abstenções…) vão impactar o uso das bicicletas não apenas em São Paulo, no Brasil ou no mundo.

No mundo antigo o Império Romano não era apenas uma estrutura de poder. Era policêntrico, com várias capitais. Latim e grego eram línguas oficiais, dependendo de que lado do Império se estava, mas conviviam com línguas locais. Os pobres, a massa, só falava a língua local, as altas classes dominavam 2 ou 3 línguas. Continuar lendo

a bicicleta e o resto do mundo

promover políticas de transporte por bicicleta ou a pé são formas de causar menos incômodo e degradar menos o mundo.

vivemos o antropoceno. a era em que a força que mais muda o ambiente, forçando a extinção de outras espécies, modificando o relevo, e mudando a atmosfera, e a espécie humana. todos nós temos responsabilidade por essas mudanças, para o bem e para o mal.

Arne Næss, um filósofo norueguês infelizmente já morto, juntamente com Félix Guattari, cunharam o termo ecosofia, um complemento à noção de ecologia profunda. na verdade, propõem que se viva em harmonia com o ambiente e não em confronto com ele.

não se trata de simplesmente voltarmos à caverna. mas de percebemos que não há hierarquia entre seres vivos. mas há uma espécie de equilíbrio dinâmico. vide que assim que humanos se sedentarizaram e montaram grupos grandes, as doenças também se multiplicaram. é o equilíbrio dinâmico da natureza agindo. Continuar lendo

a heróica luta pela desmotorização das cidades entre o divino e o diabólico

O Brasil é um país encantado. Nunca desencantou-se. O sobrenatural reina acima da realidade, e o carro tem centralidade quase divina nas mentes que povoam as cidades brasileiras.

carro

É fato. O brasileiro, se não é religioso, é místico. Roberto DaMatta escreveu há algum tempo um livro interessante: “Fé em Deus e pé na tábua – como e por que o trânsito enlouquece no Brasil”.

De fato, melhor benzer o carro do que aprender a dirigir corretamente. E mais, sendo a posse do carro um presente divino, o radar só pode ser coisa diabólica a impedir o uso da graça recebida de 4 rodas.

Quem, com um olhar externo observa determinados fenômenos no Brasil, percebe também a imensa religiosidade do povo. E historicamente entende como as ideias se perpetuam. Continuar lendo

Ciclovia da Paulista, ano 1. teve até noiva pedindo o noivo em casamento!

pra nós, ciclistas, o tempo hoje deve-se contar de outra forma.

avenida koshun takara aberta nesse domingo, as crianças brincando. fato de patrício elias.

avenida koshun takara aberta nesse domingo, as crianças brincando. foto de patrício elias.

o mundo mudou. a avenida paulista hoje, tão linda, cheia de gente andando. skateando, cantando, tocando música, pedalando…. e se amando. Continuar lendo

a bicicleta e a subversão do just in time de gente

just intime de gente: expressão que uso em aulas, pra explicar a rotina do cidadão nas grandes cidades. sistema neurotizante, que pode ser subvertido. mas por poucos ainda.

terno e bicicleta. combinação ainda rara, em razão do anacronismo dessa vestimenta num país tropical.

terno e bicicleta. combinação ainda rara, em razão do anacronismo dessa vestimenta num país tropical.

tempo é vida. lembre disso. e pense no tempo que se leva de um ponto ao outro, numa cidade grande. o caio césar, nesse ótimo post, explica bem as dificuldades do periférico, seja o periférico de classe E, D ou mesmo C.

pois é. a se pensar claramente: não é essa forma de ocupação do espaço uma forma de evitar que a mão de obra se ocupe de algo mais do que apenas trabalhar?

meus alunos acordam 5 da manhã e saem de casa atabalhoados, chegando no trabalho minutos antes das 8 da manhã. trabalham até o meio dia, e então tem uma corrida hora de almoço, voltam ao trabalho às 13 e trabalham até quase 18 horas (afinal, é preciso compensar as 4 horas faltantes pra completar a jornada de 44 horas mensais e não ter que trabalhar aos sábados). saem do trabalho e chegam na faculdade justo no tempo de entrarem em aula, às 19 ou 19:30, e sabem da faculdade, havendo aula ou não, pouco depois das 22 horas. sim, se a aula se estende, eles abandonam. mesmo tomando faltas. mesmo tendo problemas. pois querem chegar em torno de meia-noite em suas casas e cochilar mais ou menos da uma da manhã até às 5 h, e então recomeçar a labuta. Continuar lendo