Arquivo da categoria: buen vivir

CATRACA NEM NA BICICLETA!

enviado especial do CicloZN faz relato gonzo de ato do Movimento Passe Livre contra mais um aumento de tarifa de ônibus e metrô, perpetrado pela dupla Dória-Covas.

viva o cassete, e sem cacete! catraca, nem na bike, vá de cubo com cassete!

A desculpa era comprar um canivete com chave Philips. Mas não havia como pedalar no centro sem nem passar na frente do Teatro Municipal onde haveria a concentração da manifestação puxada pelo Movimento Passe Livre, contra o aumento para 4,30 (quatro reais e trinta!) para as passagens de metrô e ônibus.

Trânsito fechado já ali na Xavier de Toledo, a bicicleta descia gostosa com seus pneus fininhos naquele concreto liso, na contramão do fluxo normal, mas não era um dia normal. Delícia descer suavemente naquela via interditada aos automotores. Continuar lendo

FUIMOS A LA PLAYA!

é, ZN de SP desceu a serra no Pedal Anchieta, botou o pé na água, encheu o tênis de areia e enfrentou a muvuca da volta.tudo por que o Governo do Estado está 20 anos atrasado no respeito ao direito de ir e vir dos ciclistas!

Na praia: Fat Smurf, Boneco de Posto, Esquerdinha, The Flash e Manutenção. Foto de Patrício.Cauê não tira o tênis nem na praia.

Vamos ao relato do passeio feito pela minha turma aqui da ZN de São Paulo, mas antes é preciso entender como se organizou o passeio como um todo.

Acompanhei não muito de perto a organização do Pedal Anchieta, descida da Serra do Mar desta vez não organizada pelo CicloBR mas pela Comissão de Estudos da Mobilidade  Ciclística da OAB/SP, que conseguiu pressionar o Governo do Estado neste sentido. Abriram um caminho de diálogo com o Governador em Exercício Márcio França, que não apenas soltou lá seus despachos pra que se liberasse um caminho de descida para esse dezembro como ainda por cima finalmente regulamentou a Lei Estadual 10/065 de 26 de novembro de 1998, que trata do Plano Cicloviário de São Paulo.

É, você entendeu bem: 20 anos pra regulamentar uma lei que trata da circulação de bicicletas e outros não motorizados em estradas estaduais. Repito: 20 ANOS! Vinte anos. VIN-TE A-NOS.

Durante vinte anos ciclistas ficaram esperando o Governo do Estado de São Paulo mexer um dedinho pela sua segurança no ir e vir.

Nesse tempo,exercer o constitucional direito fundamental de ir e vir em cima duma bicicleta entre o Planalto e a Baixada Santista constituía-se numa aventura a ser reprimida pelo poder público. Eu mesmo, já fui parado pela Polícia Militar em 10/12/2000 pois desci a Imigrantes escorado no artigo 58 do CTB. Em 30 de dezembro de 2000 desci a Estrada Velha de Santos, também conhecida como Rodovia Caminho do Mar, e dada as más condições do trajeto, bati numa mureta lateral e quase tive minha mão direita amputada. Não tenho todos os movimentos da mão por isso e todo santo dia lembro na inoperância do Governo do Estado de São Paulo.

Perdi a conta de quantas vezes desci pela Estrada de Manutenção da Imigrantes, ou nas descidas promovidas pelo Instituto CicloBR (que aliás enfrentou um monte de ações judiciais por isso, por promover o exercício de um direito constitucional, iso na época em que esse instituto se caracterizava como cicloativista), ou em grupinhos driblando fiscalização e depois não podendo sair pela porta do Parque da Serra do Mar e tendo que voltar à Imigrantes logo depois dos túneis e antes daquelas bifurcações perigosas em alta velocidade que os carros usam pra ir para o Guarujá ou para a Praia Grande, atravessando trechos onde carros passam a quase 100 km/h.

Numa das descidas pelo Instituto CicloBR, em 9 de dezembro de 2012, o acúmulo de gente em bicicleta nas balsas da Zona Sul pra acessar a península do Bororé era tão grande que chegou um destacamento da PM com escudos em punho pra “dispersar o protesto”. Só não começou tiro e bomba ali pois o coleguinha Guilherme, dotado de uma paciência fenomenal convenceu o oficial de que aquilo era só uma fila, que o destacamento da PM fora avisado e ele ue não tinha conhecimento do fato. Enquanto isso eu ficava tentando segurar bêbados que queriam discutir com os PM. Naquela vez desceram cerca de 18 mil ciclistas.

Eu e o Sussa, antigo membro do CicloBR que esteve presente em pelo menos metade das descidas da serra que eu já fiz.

Quantas “Bicicletadas Interplanetárias” não foram paradas a tiro e bomba? “Interplanetárias” pois podemos sair numa bicicleta e dar a volta ao mundo pedalando mas não podemos ir de São Paulo a Santos pedalando….

Desta vez a descida foi pela pista ascendente. Sim, descemos pela subida, a pista que foi liberada para o uso de bicicletas. Como é sabido, no sistema Anchieta-Imigrantes, caminhões e ônibus devem descer pela pista descendente da Rodovia Anchieta, mas podem subir pela pista ascendente da Imigrantes. Assim a pista descendente da Anchieta permaneceu durante todo o domingo 02/12 liberada para caminhões e ônibus.

Coletivo CicloZN ainda no planalto.

Foi criado um ciclocomitê para a realização do evento, com participação de ciclistas. O detalhe: mais de 50 membros no ciclocomitê, dos quais apenas 4 ciclistas…. Menos de 10% do ciclocomitê que organizou a descida é de ciclistas.  Menos de um décimo.

Entendeu por qual motivo foi liberada uma via da Anchieta e não a Imigrantes, que seria muito mais segura? Afinal, quem não pedala e pensa com cabeça de motorista, acredita que uma sucessão de curvas diminui a velocidade e dá mais segurança, sem entender que é justamente numa sucessão de curvas que os ciclistas sofrem seus tombos. Se duvida disso, basta pegar uma coletânea de tombos nas provas de estrada, onde acontecem um sem número de tombos em curvas de descidas.

Trajeto do Pedal Achieta. Imagem: Anderson Sutherland. Observe o nó de curvas na descida da Serra.

Por isso, a se pensar: houve 19 acidentes. Será que teriam acontecido se a descida fosse pela Imigrantes, que ainda por cima tem três faixas e não apenas duas, e não possui curvas acentuadas? Mas ao questionar isso, lembre que ciclistas não puderam escolher pistas, caminhos, nada. Afinal, a pista descendente é para o sacrossanto carro de passeio. Pois por mais que haja boa vontade por parte do atual Governador do Estado de São  Paulo, Márcio França, a toda estrutura estadual que gere tráfego nas estradas pensa com a cabeça motorizada e ainda não entendeu a ascensão do transporte não motorizado que está ocorrendo em todo o planeta no século XXI.

Mas coloquemos as situações em perspectiva: 19 pessoas se acidentaram, de cerca de 40 mil que desceram. Isso equivale a 0,047%. Do total estimado que desceu a Serra do Mar em bicicleta, no Pedal Anchieta de 2018, 0,047% acidentou-se. Zero vírgula zero quarenta e sete.

Ou seja, por seus próprios meios e não alheios (atropelamento por caminhão, por exemplo) bicicleta é dos meios mais seguros de transporte.

Inobstante isso e diante da tradicional política de repressão ao uso de bicicletas nas estradas do Sistema Anchieta-Imigrantes e também agora no Sistema Mogi-Bertioga, a demanda por descer tem sido represada. A cada ano somam-se mais pessoas ao pedalar nosso de cada dia, entre os que usam para transporte, os que pedalam nos grupos de pedal noturno, nos clubes de pedal, e etc.

O mercado para bicicletas só cresce. Bicicletarias abrem em vários locais, o que mostra haver demanda. Aos domingos as ciclofaixas de lazer lotam. Basta lembrar que a Shimano abriu representação oficial no Brasil! Dorel-Cannondale comprou a Caloi!  Até a ladroagem de bicicletas se desenvolveu!

Então, como o Governo do Estado pôde demorar 20 anos (repito, VINTE ANOS!) pra regulamentar a Lei do Plano Cicloviário Estadual e manter uma postura de pura repressão ao direito de ir e vir de quem estava em bicicleta?


Então, aqui da ZN nos organizamos. O coleguinha Anderson Sutherland desceu sem fazer inscrição mesmo. o Cauê nem imprimiu o número da inscrição, fez na canetinha. Eu imprimi e enrolei no guidão. Teve gente que fez umas placas imensas tamanho A4  coloridas e plastificadas e colocou na frente da bicicleta. Teve gente que colou no capacete. Afinal, carro pode sair de casa e descer sem avisar ninguém. Pras bicicletas o Governo exigiu inscrição? Pois é, né?

Lu Pimenta, Luiz (10 anos!) e Anderson, ainda no metrô. Foto de Anderson Sutherland

A organização havia divulgado que bicicletas entrariam na Anchieta entre 6h e 8h. Ora, madrugamos. Juro que quando saí de casa lá pelas 5:00h da manhã achei que iria sozinho até o metrô, mas chegando a Estação Tucuruvi já foi se montando uma filinha de ciclistas na avenida….

Metrô lotadaço de bicicletas, Cauê dando joinha. Foto de Roberson Miguel.

5:15 da manhã, entrei no vagão e eram 19 bicicletas. Na estação Santana já não cabia bicicleta no vagão. Na Sé já tinha bicicletas em vários vagões do metrô e não apenas no último, como manda a regra.

Cauê Rangel e sua plaquinha desenhada, em foto de Robertson Michael Saints.

Meus colegas marcaram o ponto de encontro na Estação Ana Rosa, pois alguns embarcaram na Barra Funda, outros pegaram antes o trem… Todos os 5 do CicloZN reunidos na Ana Rosa, seguimos pela Linha Verde do metrô até a Estação Sacomã e já havia congestionamento de bicicletas dentro da estação…

Estação Sacomã, cerca de 6h da manhã, à direita, de costas e em vermelho e todo anarquista, Roberson. foto de Patrício Manutenção Elias

Chegamos pouco depois das 6h no ponto inicial da Anchieta e já tava tudo lotado, já era um mar gigantesco de ciclistas em suas bicicletas.

Já dava pra perceber a amplitude do Pedal Anchieta.  Antes mesmo de chegar à descida, no meio do pedal, conversei com gente que tinha vindo de Ribeirão Preto e até de Garapuava, no Paraná!

não deu tempo de chegar no banheiro…

O trecho anterior à descida é um trecho típico de planalto: suaves planos ascendentes e descendentes. tinha gente já reclamando de pernas ardendo nesse trecho. Tinha gente pedalando bicicletas de marcha única. Gente com bicicletas com o selim muito baixo. Gente de capacete, gente de chapéu, gente de boné.

Tinha Yellow!

Descemos. Eu fiz questão de descer lentamente curtindo cada trecho da descida. Como vou frequentemente à baixada em veículos motorizados, nunca vejo nada da paisagem, e queria curtir a paisagem. Tinha uns maluquinhos descendo rápido, tirando finas. Como sempre tem. Por isso fui descendo pela direita.

Congestionamento antes de túnel, interrompido para socorro de ciclista acidentado. Foto de Patrício Manutenção Elias.

Claro que passei pelos acidentes. Perdi-me do meu pessoal, encontrei muita gente. Desencontrei-me de muita gente. Vi gente que não fazia tempo, deixei de tirar fotos com gente muito legal, como o Arturo Alcorta e a Teresa D’Aprile, gritei pra muita gente, gritaram muito pra mim, e de fato, foi uma muvucona doida.

No vídeo abaixo, feito por um ciclista chamado Jonas, você pode observar as velocidades atingidas por ele e perceber ciclistas descendo ainda mais rápido. Sei de ciclistas que passaram dos 80 km/h na descida. Note em certos pontos uns cones pra atrapalhar.

Claro, chegamos a Santos. Todos. a Cidade foi invadida por bicicletas! Onde se olhasse, havia bicicletas e ciclistas.

Nós comemos numa espécie de restaurante junto com supermercado. Armaram umas mesas entre as gôndolas. Mandamos ver na comilança, afinal, estávamos com fome.

Nós no supermercado almoçando. Foto de Patrício Manutenção. Note quem era o único tenso pois estava na frente dos toddynhos….

Depois do almoço, pulo na praia, aluguel de bike pro Patrício que estava há quilômetros pedalando com o pneu traseiro rasgado, e nos dirigimos à Rodoviária, sem imaginar o caos que estava lá.

Patrício levando sua bicicleta…. Foto minha mesmo.

E realmente, o acúmulo de gente e bicicletas era gigantesco!

Bicicletas pelos corredores, entre os ônibus, do outro lado, nas calçadas, em todo canto.

E claro, seus donos, retirando rodas dianteiras, prendendo com zip ties, elásticos, câmaras de ar cortadas, borrachas, ou o que for.

Duro depois foi embarcar as bicicletas nos ônibus e subir a Serra. Embora muita gente culpe as empresas de ônibus pelos atrasos, vamos entender umas coisas:

1. Era uma parcela substancial de ciclistas. Segundo jornais da baixada, a Rodoviária de Santos que já tem no dia de domingo seu maior movimento, mais do que dobrou seus números. Não havia espaço físico pra tanto.

2. Esse número absurdo de gente se dá pelo fato de o Governo do Estado só permitir excepcionalmente a descida de ciclistas. Como foi na descida de 2012, como foi agora.

3. Não foi permitido que se subisse pedalando. O trecho de serra em si é curto, e um ciclista médio subiria pedalando o trecho de serra em menos de duas horas. Pois são apenas 12 km. Se subisse empurrando a bicicleta, andando a 4 km/h, subiria em 3 horas. No planalto há acostamento, por onde poderiam pedalar os ciclistas que quisessem subir pedalando.

4. Se houvesse uma via permanente e livre para ciclistas usarem, sem prévio aviso, inscrições, espera pelos dezembros e pela boa vontade do Governo do Estado, a demanda simplesmente se diluiria no decorrer do ano.

5. No Paraná, ciclistas podem descer e subir tanto pela Estrada da Graciosa quanto pela BR-277, apesar desta última ter o acostamento no trecho de serra convertido em terceira faixa. É tão comum ciclistas descerem durante o ano a BR-277 que em postos da Polícia Rodoviária há placas orientando onde estacionar as bicicletas. E assim, nenhuma rodoviária do Litoral Paranaense fica lotada de ciclistas, pois eles descem o ano inteiro e não numa data especifica a cada X anos.

Claro que muita gente ficou irritada, e não sem motivo, mas como disse o grande Samir aí em cima, era muito ciclista!. Mas lembremos quem de fato é responsável pelos problemas: o omisso Governo do Estado de São Paulo, que poderia ter resolvido essas questões há 20 anos, quando o então deputado estadual do PSDB Walter Feldman fez aprovar seu projeto do Plano Cicloviário Estadual. Poderiam ter regulamentado essa lei os seguintes governadores: Mário Covas, Geraldo Alckmin, Claudio Lembo, Alberto Goldman, José Serra… Mas só agora no curto governo de Márcio França a lei foi regulamentada, e ainda temos que esperar que o governador eleito, João Dória, dê seguinte às obras necessárias, que não são apenas ciclovias em novas rodovias, mas adaptação de todas as demais.  Mas podemos ficar esperançosos? Bom, na curta passagem de João Dória pela prefeitura de São Paulo, o número de mortes de ciclistas praticamente dobrou….

Afinal, subimos, conseguimos embarcar no ônibus. A Viação Cometa desistiu de embarcar por horário da passagem, simplesmente encostava os ônibus para os ciclistas embarcarem bicicletas nos bagageiros (cabia cerca de 25, e liberava a entrada destes no ônibus, depois liberava mais uns 4 ou 5 ciclistas entrarem no ônibus com suas bicicletas).

Tinha bicicleta no corredor, nos bagageiros superiores, em bancos, em tudo quanto é lugar.

Bicicletas no corredor do ônibus

Foi a forma como conseguiram escoar aquele monte de gente. Gente cansada, exausta. Alguns vieram de longe, não dormiram nada na noite de sábado para domingo, e depois de chegar à Rodoviária do Jabaquara ainda iriam até a Rodoviária do Tietê embarcar para longe. Cansaço batia.

A felicidade por embarcar.

O cansaço bateu.

Chegamos finalmente na rodoviária do Jabaquara para pegar o metrô até perto de nossas casas. Estávamos cientes de que participamos dum evento histórico.E de que talvez precisemos fazer outro evento ano que vem, e no outro ano, e no outro ano, até o Governo do Estado de São Paulo finalmente adaptar as estruturas existentes para que possamos descer e subir livremente, a qualquer dia e horário, cidadãos que somos, e no cumprimento do já previsto no Código de Trânsito Brasileiro.

Pois eu estou doidinho por esse dia, há décadas. Afinal, a serra é linda, e nós não a poluímos. E descendo aos pouquinhos, dispersos, a natureza agradece.

Ano passado foi porrada e bomba, esse ano, uma muvuca, quem sabe, no futuro, apenas um direito prosaico? Afinal, a esperança nunca morre, e quem pedala, nesse país, é antes de tudo um otimista!

Em tempo, surgiram algumas ideias para ações do nosso coletivo durante esse pedal. Aguardem, mas logo teremos novas informações sobre algumas oficinas que estamos montando:

Oficina de Manutenção Preventiva de Bicicletas, a cargo de Patrício.

Oficina Ensinando a Prender Coisas na Bicicleta Rapidamente, a cargo de Rodolfo.

Oficina Sobre Como Tirar Rodas com Freio a Disco, a cargo de Roberson Miguel.

Oficina de Escrita de Textos Curtos, a cargo de Odir.

Oficina Faça Você Mesmo sua Roupa de Smurf, com Cauê.

Combinando com as cores da Viação Cometa!

TALVEZ SEU QUADRO SEJA MUITO LONGO PRA VOCÊ.

Fit de bicicleta: tá aí um campo em que o brasileiro em geral encontra dificuldades, pois a indústria nacional parece produzir bicicletas e importar peças como se a estatura média da população fosse 1,80m e fôssemos todos japoneses.

timbiras, em foto de Curt Nimuendajú,c. 1910/1920. Observe as pernas não apenas musculosas, mas pernas longas e braços longos.

A cena é visível em todo domingo nas ciclofaixas de lazer em São Paulo: pessoas se esticando todas para conseguir segurar o guidão. Parecem todas terem comprado bicicletas muito grandes. Ninguém as assessorou na compra? É o que se pergunta num primeiro momento, para depois lembrar que na verdade não achamos bicicletas para grande parte de nós.

Nós, brasileiros em geral, não prestamos muita  atenção nas proporções do corpo. Fazemos medidas de circunferência, mas não olhamos a proporção das nossas pernas em relação ao nosso tronco. Continuar lendo

A BICICLETA CONTRA A BARBÁRIE, pra além da direita e da esquerda.

Nas democracias, há um limite a ser respeitado: o limite da barbárie, da brutalidade. Não há democracia se esse limite é cruzado.

Ignaz Schoupal (1921-2014) , na Tchecoslováquia, em data incerta. Uma das vitimas da II Guerra, veio ao Brasil. Tornou-se pai da ciclista Sofia. Bicicleta, o sonho da liberdade.

Imagine a cena: a mulher vê pela TV alguém que elogia o seu estuprador e torturador. E a pessoa que o elogia, o faz para atingi-la.

É algo suportável? Se você é mulher, ou não sendo mulher, você suporta isso como “liberdade de expressão”? Continuar lendo

Cansei.

o cicloativismo de sp foi um movimento muito vibrante. mas perdeu-se depois da influência das migalhas dos bancos. e eu cansei.

Já foi assim. Pedalar na paulista era tomar geral da PM. estando de bermuda e chinelo ou todo fantasiado de corredor do Tour de France, tomava geral, era mandado embora. pois não estaria andando à metade da velocidade máxima, que era de 70 km/h.

Era a interpretação errada do artigo 219 do CTB, obviamente ignorando a parte final, que permite velocidade menor que a metade na pista da direita. em resumo, era pra tirar bicicleta das avenidas. Continuar lendo

Trump, Temer, Dória…. e a bicicleta esmagada.

Quando os grandes se mexem, os pequenos sofrem. Um pequeno movimento do elefante e milhões de formigas são esmagadas.

Mapa da antiga Rota da Seda. Os caminhos por mar ainda são percorridos pra levar produção chinesa para Europa, e assim Shimano chega na Alemanha.

Mapa da antiga Rota da Seda. Os caminhos por mar ainda são percorridos pra levar produção chinesa para Europa, e assim Shimano chega na Alemanha.

A eleição de Donald Trump para presidente dos EUA (com apenas 25% dos votos dado o alto índice de abstenção), o golpe que levou Michel Temer à presidência deste país aqui (eleito apenas par aser vice, assumiu sem ser eleito pra tanto), a eleição em primeiro turno de João Dória à prefeitura de São Paulo (com votos em número inferior às abstenções…) vão impactar o uso das bicicletas não apenas em São Paulo, no Brasil ou no mundo.

No mundo antigo o Império Romano não era apenas uma estrutura de poder. Era policêntrico, com várias capitais. Latim e grego eram línguas oficiais, dependendo de que lado do Império se estava, mas conviviam com línguas locais. Os pobres, a massa, só falava a língua local, as altas classes dominavam 2 ou 3 línguas. Continuar lendo

a bicicleta e o resto do mundo

promover políticas de transporte por bicicleta ou a pé são formas de causar menos incômodo e degradar menos o mundo.

vivemos o antropoceno. a era em que a força que mais muda o ambiente, forçando a extinção de outras espécies, modificando o relevo, e mudando a atmosfera, e a espécie humana. todos nós temos responsabilidade por essas mudanças, para o bem e para o mal.

Arne Næss, um filósofo norueguês infelizmente já morto, juntamente com Félix Guattari, cunharam o termo ecosofia, um complemento à noção de ecologia profunda. na verdade, propõem que se viva em harmonia com o ambiente e não em confronto com ele.

não se trata de simplesmente voltarmos à caverna. mas de percebemos que não há hierarquia entre seres vivos. mas há uma espécie de equilíbrio dinâmico. vide que assim que humanos se sedentarizaram e montaram grupos grandes, as doenças também se multiplicaram. é o equilíbrio dinâmico da natureza agindo. Continuar lendo