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Procurando Kika

Esta galeria contém 30 fotos.

Em 2014 percorri essa rota, seguindo as dicas da amiga Kika. Refiz essa rota entre 15 e 18 de janeiro, mudaram minhas percepções. É uma rota cicloturística a se percorrer, várias vezes. Mens sana in corpore sano. Eu atribui outro … Continuar lendo

FUIMOS A LA PLAYA!

é, ZN de SP desceu a serra no Pedal Anchieta, botou o pé na água, encheu o tênis de areia e enfrentou a muvuca da volta.tudo por que o Governo do Estado está 20 anos atrasado no respeito ao direito de ir e vir dos ciclistas!

Na praia: Fat Smurf, Boneco de Posto, Esquerdinha, The Flash e Manutenção. Foto de Patrício.Cauê não tira o tênis nem na praia.

Vamos ao relato do passeio feito pela minha turma aqui da ZN de São Paulo, mas antes é preciso entender como se organizou o passeio como um todo.

Acompanhei não muito de perto a organização do Pedal Anchieta, descida da Serra do Mar desta vez não organizada pelo CicloBR mas pela Comissão de Estudos da Mobilidade  Ciclística da OAB/SP, que conseguiu pressionar o Governo do Estado neste sentido. Abriram um caminho de diálogo com o Governador em Exercício Márcio França, que não apenas soltou lá seus despachos pra que se liberasse um caminho de descida para esse dezembro como ainda por cima finalmente regulamentou a Lei Estadual 10/065 de 26 de novembro de 1998, que trata do Plano Cicloviário de São Paulo.

É, você entendeu bem: 20 anos pra regulamentar uma lei que trata da circulação de bicicletas e outros não motorizados em estradas estaduais. Repito: 20 ANOS! Vinte anos. VIN-TE A-NOS.

Durante vinte anos ciclistas ficaram esperando o Governo do Estado de São Paulo mexer um dedinho pela sua segurança no ir e vir.

Nesse tempo,exercer o constitucional direito fundamental de ir e vir em cima duma bicicleta entre o Planalto e a Baixada Santista constituía-se numa aventura a ser reprimida pelo poder público. Eu mesmo, já fui parado pela Polícia Militar em 10/12/2000 pois desci a Imigrantes escorado no artigo 58 do CTB. Em 30 de dezembro de 2000 desci a Estrada Velha de Santos, também conhecida como Rodovia Caminho do Mar, e dada as más condições do trajeto, bati numa mureta lateral e quase tive minha mão direita amputada. Não tenho todos os movimentos da mão por isso e todo santo dia lembro na inoperância do Governo do Estado de São Paulo.

Perdi a conta de quantas vezes desci pela Estrada de Manutenção da Imigrantes, ou nas descidas promovidas pelo Instituto CicloBR (que aliás enfrentou um monte de ações judiciais por isso, por promover o exercício de um direito constitucional, iso na época em que esse instituto se caracterizava como cicloativista), ou em grupinhos driblando fiscalização e depois não podendo sair pela porta do Parque da Serra do Mar e tendo que voltar à Imigrantes logo depois dos túneis e antes daquelas bifurcações perigosas em alta velocidade que os carros usam pra ir para o Guarujá ou para a Praia Grande, atravessando trechos onde carros passam a quase 100 km/h.

Numa das descidas pelo Instituto CicloBR, em 9 de dezembro de 2012, o acúmulo de gente em bicicleta nas balsas da Zona Sul pra acessar a península do Bororé era tão grande que chegou um destacamento da PM com escudos em punho pra “dispersar o protesto”. Só não começou tiro e bomba ali pois o coleguinha Guilherme, dotado de uma paciência fenomenal convenceu o oficial de que aquilo era só uma fila, que o destacamento da PM fora avisado e ele ue não tinha conhecimento do fato. Enquanto isso eu ficava tentando segurar bêbados que queriam discutir com os PM. Naquela vez desceram cerca de 18 mil ciclistas.

Eu e o Sussa, antigo membro do CicloBR que esteve presente em pelo menos metade das descidas da serra que eu já fiz.

Quantas “Bicicletadas Interplanetárias” não foram paradas a tiro e bomba? “Interplanetárias” pois podemos sair numa bicicleta e dar a volta ao mundo pedalando mas não podemos ir de São Paulo a Santos pedalando….

Desta vez a descida foi pela pista ascendente. Sim, descemos pela subida, a pista que foi liberada para o uso de bicicletas. Como é sabido, no sistema Anchieta-Imigrantes, caminhões e ônibus devem descer pela pista descendente da Rodovia Anchieta, mas podem subir pela pista ascendente da Imigrantes. Assim a pista descendente da Anchieta permaneceu durante todo o domingo 02/12 liberada para caminhões e ônibus.

Coletivo CicloZN ainda no planalto.

Foi criado um ciclocomitê para a realização do evento, com participação de ciclistas. O detalhe: mais de 50 membros no ciclocomitê, dos quais apenas 4 ciclistas…. Menos de 10% do ciclocomitê que organizou a descida é de ciclistas.  Menos de um décimo.

Entendeu por qual motivo foi liberada uma via da Anchieta e não a Imigrantes, que seria muito mais segura? Afinal, quem não pedala e pensa com cabeça de motorista, acredita que uma sucessão de curvas diminui a velocidade e dá mais segurança, sem entender que é justamente numa sucessão de curvas que os ciclistas sofrem seus tombos. Se duvida disso, basta pegar uma coletânea de tombos nas provas de estrada, onde acontecem um sem número de tombos em curvas de descidas.

Trajeto do Pedal Achieta. Imagem: Anderson Sutherland. Observe o nó de curvas na descida da Serra.

Por isso, a se pensar: houve 19 acidentes. Será que teriam acontecido se a descida fosse pela Imigrantes, que ainda por cima tem três faixas e não apenas duas, e não possui curvas acentuadas? Mas ao questionar isso, lembre que ciclistas não puderam escolher pistas, caminhos, nada. Afinal, a pista descendente é para o sacrossanto carro de passeio. Pois por mais que haja boa vontade por parte do atual Governador do Estado de São  Paulo, Márcio França, a toda estrutura estadual que gere tráfego nas estradas pensa com a cabeça motorizada e ainda não entendeu a ascensão do transporte não motorizado que está ocorrendo em todo o planeta no século XXI.

Mas coloquemos as situações em perspectiva: 19 pessoas se acidentaram, de cerca de 40 mil que desceram. Isso equivale a 0,047%. Do total estimado que desceu a Serra do Mar em bicicleta, no Pedal Anchieta de 2018, 0,047% acidentou-se. Zero vírgula zero quarenta e sete.

Ou seja, por seus próprios meios e não alheios (atropelamento por caminhão, por exemplo) bicicleta é dos meios mais seguros de transporte.

Inobstante isso e diante da tradicional política de repressão ao uso de bicicletas nas estradas do Sistema Anchieta-Imigrantes e também agora no Sistema Mogi-Bertioga, a demanda por descer tem sido represada. A cada ano somam-se mais pessoas ao pedalar nosso de cada dia, entre os que usam para transporte, os que pedalam nos grupos de pedal noturno, nos clubes de pedal, e etc.

O mercado para bicicletas só cresce. Bicicletarias abrem em vários locais, o que mostra haver demanda. Aos domingos as ciclofaixas de lazer lotam. Basta lembrar que a Shimano abriu representação oficial no Brasil! Dorel-Cannondale comprou a Caloi!  Até a ladroagem de bicicletas se desenvolveu!

Então, como o Governo do Estado pôde demorar 20 anos (repito, VINTE ANOS!) pra regulamentar a Lei do Plano Cicloviário Estadual e manter uma postura de pura repressão ao direito de ir e vir de quem estava em bicicleta?


Então, aqui da ZN nos organizamos. O coleguinha Anderson Sutherland desceu sem fazer inscrição mesmo. o Cauê nem imprimiu o número da inscrição, fez na canetinha. Eu imprimi e enrolei no guidão. Teve gente que fez umas placas imensas tamanho A4  coloridas e plastificadas e colocou na frente da bicicleta. Teve gente que colou no capacete. Afinal, carro pode sair de casa e descer sem avisar ninguém. Pras bicicletas o Governo exigiu inscrição? Pois é, né?

Lu Pimenta, Luiz (10 anos!) e Anderson, ainda no metrô. Foto de Anderson Sutherland

A organização havia divulgado que bicicletas entrariam na Anchieta entre 6h e 8h. Ora, madrugamos. Juro que quando saí de casa lá pelas 5:00h da manhã achei que iria sozinho até o metrô, mas chegando a Estação Tucuruvi já foi se montando uma filinha de ciclistas na avenida….

Metrô lotadaço de bicicletas, Cauê dando joinha. Foto de Roberson Miguel.

5:15 da manhã, entrei no vagão e eram 19 bicicletas. Na estação Santana já não cabia bicicleta no vagão. Na Sé já tinha bicicletas em vários vagões do metrô e não apenas no último, como manda a regra.

Cauê Rangel e sua plaquinha desenhada, em foto de Robertson Michael Saints.

Meus colegas marcaram o ponto de encontro na Estação Ana Rosa, pois alguns embarcaram na Barra Funda, outros pegaram antes o trem… Todos os 5 do CicloZN reunidos na Ana Rosa, seguimos pela Linha Verde do metrô até a Estação Sacomã e já havia congestionamento de bicicletas dentro da estação…

Estação Sacomã, cerca de 6h da manhã, à direita, de costas e em vermelho e todo anarquista, Roberson. foto de Patrício Manutenção Elias

Chegamos pouco depois das 6h no ponto inicial da Anchieta e já tava tudo lotado, já era um mar gigantesco de ciclistas em suas bicicletas.

Já dava pra perceber a amplitude do Pedal Anchieta.  Antes mesmo de chegar à descida, no meio do pedal, conversei com gente que tinha vindo de Ribeirão Preto e até de Garapuava, no Paraná!

não deu tempo de chegar no banheiro…

O trecho anterior à descida é um trecho típico de planalto: suaves planos ascendentes e descendentes. tinha gente já reclamando de pernas ardendo nesse trecho. Tinha gente pedalando bicicletas de marcha única. Gente com bicicletas com o selim muito baixo. Gente de capacete, gente de chapéu, gente de boné.

Tinha Yellow!

Descemos. Eu fiz questão de descer lentamente curtindo cada trecho da descida. Como vou frequentemente à baixada em veículos motorizados, nunca vejo nada da paisagem, e queria curtir a paisagem. Tinha uns maluquinhos descendo rápido, tirando finas. Como sempre tem. Por isso fui descendo pela direita.

Congestionamento antes de túnel, interrompido para socorro de ciclista acidentado. Foto de Patrício Manutenção Elias.

Claro que passei pelos acidentes. Perdi-me do meu pessoal, encontrei muita gente. Desencontrei-me de muita gente. Vi gente que não fazia tempo, deixei de tirar fotos com gente muito legal, como o Arturo Alcorta e a Teresa D’Aprile, gritei pra muita gente, gritaram muito pra mim, e de fato, foi uma muvucona doida.

No vídeo abaixo, feito por um ciclista chamado Jonas, você pode observar as velocidades atingidas por ele e perceber ciclistas descendo ainda mais rápido. Sei de ciclistas que passaram dos 80 km/h na descida. Note em certos pontos uns cones pra atrapalhar.

Claro, chegamos a Santos. Todos. a Cidade foi invadida por bicicletas! Onde se olhasse, havia bicicletas e ciclistas.

Nós comemos numa espécie de restaurante junto com supermercado. Armaram umas mesas entre as gôndolas. Mandamos ver na comilança, afinal, estávamos com fome.

Nós no supermercado almoçando. Foto de Patrício Manutenção. Note quem era o único tenso pois estava na frente dos toddynhos….

Depois do almoço, pulo na praia, aluguel de bike pro Patrício que estava há quilômetros pedalando com o pneu traseiro rasgado, e nos dirigimos à Rodoviária, sem imaginar o caos que estava lá.

Patrício levando sua bicicleta…. Foto minha mesmo.

E realmente, o acúmulo de gente e bicicletas era gigantesco!

Bicicletas pelos corredores, entre os ônibus, do outro lado, nas calçadas, em todo canto.

E claro, seus donos, retirando rodas dianteiras, prendendo com zip ties, elásticos, câmaras de ar cortadas, borrachas, ou o que for.

Duro depois foi embarcar as bicicletas nos ônibus e subir a Serra. Embora muita gente culpe as empresas de ônibus pelos atrasos, vamos entender umas coisas:

1. Era uma parcela substancial de ciclistas. Segundo jornais da baixada, a Rodoviária de Santos que já tem no dia de domingo seu maior movimento, mais do que dobrou seus números. Não havia espaço físico pra tanto.

2. Esse número absurdo de gente se dá pelo fato de o Governo do Estado só permitir excepcionalmente a descida de ciclistas. Como foi na descida de 2012, como foi agora.

3. Não foi permitido que se subisse pedalando. O trecho de serra em si é curto, e um ciclista médio subiria pedalando o trecho de serra em menos de duas horas. Pois são apenas 12 km. Se subisse empurrando a bicicleta, andando a 4 km/h, subiria em 3 horas. No planalto há acostamento, por onde poderiam pedalar os ciclistas que quisessem subir pedalando.

4. Se houvesse uma via permanente e livre para ciclistas usarem, sem prévio aviso, inscrições, espera pelos dezembros e pela boa vontade do Governo do Estado, a demanda simplesmente se diluiria no decorrer do ano.

5. No Paraná, ciclistas podem descer e subir tanto pela Estrada da Graciosa quanto pela BR-277, apesar desta última ter o acostamento no trecho de serra convertido em terceira faixa. É tão comum ciclistas descerem durante o ano a BR-277 que em postos da Polícia Rodoviária há placas orientando onde estacionar as bicicletas. E assim, nenhuma rodoviária do Litoral Paranaense fica lotada de ciclistas, pois eles descem o ano inteiro e não numa data especifica a cada X anos.

Claro que muita gente ficou irritada, e não sem motivo, mas como disse o grande Samir aí em cima, era muito ciclista!. Mas lembremos quem de fato é responsável pelos problemas: o omisso Governo do Estado de São Paulo, que poderia ter resolvido essas questões há 20 anos, quando o então deputado estadual do PSDB Walter Feldman fez aprovar seu projeto do Plano Cicloviário Estadual. Poderiam ter regulamentado essa lei os seguintes governadores: Mário Covas, Geraldo Alckmin, Claudio Lembo, Alberto Goldman, José Serra… Mas só agora no curto governo de Márcio França a lei foi regulamentada, e ainda temos que esperar que o governador eleito, João Dória, dê seguinte às obras necessárias, que não são apenas ciclovias em novas rodovias, mas adaptação de todas as demais.  Mas podemos ficar esperançosos? Bom, na curta passagem de João Dória pela prefeitura de São Paulo, o número de mortes de ciclistas praticamente dobrou….

Afinal, subimos, conseguimos embarcar no ônibus. A Viação Cometa desistiu de embarcar por horário da passagem, simplesmente encostava os ônibus para os ciclistas embarcarem bicicletas nos bagageiros (cabia cerca de 25, e liberava a entrada destes no ônibus, depois liberava mais uns 4 ou 5 ciclistas entrarem no ônibus com suas bicicletas).

Tinha bicicleta no corredor, nos bagageiros superiores, em bancos, em tudo quanto é lugar.

Bicicletas no corredor do ônibus

Foi a forma como conseguiram escoar aquele monte de gente. Gente cansada, exausta. Alguns vieram de longe, não dormiram nada na noite de sábado para domingo, e depois de chegar à Rodoviária do Jabaquara ainda iriam até a Rodoviária do Tietê embarcar para longe. Cansaço batia.

A felicidade por embarcar.

O cansaço bateu.

Chegamos finalmente na rodoviária do Jabaquara para pegar o metrô até perto de nossas casas. Estávamos cientes de que participamos dum evento histórico.E de que talvez precisemos fazer outro evento ano que vem, e no outro ano, e no outro ano, até o Governo do Estado de São Paulo finalmente adaptar as estruturas existentes para que possamos descer e subir livremente, a qualquer dia e horário, cidadãos que somos, e no cumprimento do já previsto no Código de Trânsito Brasileiro.

Pois eu estou doidinho por esse dia, há décadas. Afinal, a serra é linda, e nós não a poluímos. E descendo aos pouquinhos, dispersos, a natureza agradece.

Ano passado foi porrada e bomba, esse ano, uma muvuca, quem sabe, no futuro, apenas um direito prosaico? Afinal, a esperança nunca morre, e quem pedala, nesse país, é antes de tudo um otimista!

Em tempo, surgiram algumas ideias para ações do nosso coletivo durante esse pedal. Aguardem, mas logo teremos novas informações sobre algumas oficinas que estamos montando:

Oficina de Manutenção Preventiva de Bicicletas, a cargo de Patrício.

Oficina Ensinando a Prender Coisas na Bicicleta Rapidamente, a cargo de Rodolfo.

Oficina Sobre Como Tirar Rodas com Freio a Disco, a cargo de Roberson Miguel.

Oficina de Escrita de Textos Curtos, a cargo de Odir.

Oficina Faça Você Mesmo sua Roupa de Smurf, com Cauê.

Combinando com as cores da Viação Cometa!

GRAVEL? DE ONDE VIERAM ESSAS BICICLETAS?

“Gravel bike”. De repente numa conversa surge esse termo. Alguém mais velho olha e pergunta: “é uma bicicleta de ciclo-cross?”, outro palpita: “não, é uma touring com pneu pra terra”… Tá todo mundo errado e todo mundo certo. Vamos entender?

Jacques Anquetil nos anos 1960, num Tour de France. A estrada é de terra e cascalho…

Assim, a geração que nasceu lá pelos anos 80 e diante não tem memória duma época em que ou pedalávamos numa Barra Forte ou Barra Circular, ou então iampos pras Caloi 10, Monark 10, Peugeot 10…. Bicicleta “de verdade” pra quem foi adolescente no final dos 70 e começo de anos 80, era uma dessas. Pois as primeiras MTBs vieram depois.

As famosas “qualquer coisa 10” eram pesadas e meio grandes demais, mas tinham uma característica: copiavam geometria de antigas tourings europeias. Tinham imensas rodas aro 27 (ISO 630mm, maior que as rodas 700c/29 – ISO 622mm – e muito maior que os ditos 27,5 – ISO 584mm), a traseira dessas bicicletas era de longos 46 cm (3cm mais longas do que os 43cm habituais de uma MTB de aro 26), e o garfo fazia uma longa curva pra frente. Continuar lendo

DIA MUNDIAL DO ROCK: PEDALE!

13 de julho, no Brasil, Dia Mundial do Rock. Pedale!

Nada mais Rock’n’Roll do que pedalar no trânsito de uma grande cidade brasileira, né? Em São Paulo, grandes avenidas são heavy metal e a Praça Campo de Bagatelle é trash metal.

No mundo protestante é fácil achar fotos de gente famosa do rock ou do pop pedalando. Afinal, no muno da ética luterana, Deus ajuda quem cedo madruga.

Mas no Brasil católico-evangélico, mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga, né? E como tudo é graça, melhor orar e esperar que caia do céu. Aí é feio fazer esforço físico, a não ser passeando. Por isso, no máximo passeio de bicicleta… Por isso não achei fotos de Raulzito e seus Panteras pedalando, muito menos da Anita. E olha que procurei, viu?

Então vão as fotinhos aí pra inspirar a pedalar.

The King foi parado durante um trajeto pra dar autógrafos.

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QUER DESCER A SERRA DO MAR? DESÇA!

conseguimos a reconsideração do despacho liminar na Ação Judicial movida pela EcoRodovias que vetava o evento da descida em massa!

nós, do direito, pensando a situação. afinal, o direito de ir e vir não pode ser ferido pelos intere$$e$ da EcoRodovias!

CONSEGUIMOS! A EcoRodovias impetrou ação judicial visando evitar a descida da Serra organizada em evento no Facebook. Conseguiu liminar, com efeitos extendidos até o final do verão. Todavia, conseguimos que o douto MM Juiz esclarecesse que a proibição estendia-se apenas àquele evento, e não vedava que ciclistas descessem a Serra do Mar, usando o sistema Anchieta-Imigrantes, o que feriria o inciso XV do artigo 5º da Constituição Federal!

Então, quer descer? Junte seus amigos pelo WhatsApp, e vá!

Íntegra da decisão:

Vistos.

Considerando que as pessoas mencionadas na peça de fls. 112/118, agora comparecem aos autos e se identificam como membros da coletividade específica alocada no polo passivo, entendo por bem, desde já, admiti-los como partes e não como “amicus curiae”, mesmo porque nesta qualidade de interveniente sequer poderiam interpor o recurso de agravo de instrumento, conforme dicção do artigo 138, parágrafo 1.º, do Código de Processo Civil.

Assim, providencie a serventia à inclusão dos peticionários de fls. 132/151 no polo passivo da demanda.

Quanto à temática de fundo, a despeito do respeitável entendimento manifestado pelos corréus, entendo por bem, para a garantia da segurança jurídica, aguardar manifestação da Instância Superior acerca do recurso interposto, ficando, por ora, mantida a decisão.

Seja como for, é importante esclarecer que a decisão liminar por mim proferida nestes autos (fls. 89/90) não pode, de forma leviana, ser interpretada isoladamente.

Como é cediço, é vedado ao juiz proferir decisão que ultrapasse os limites da postulação e, no caso em apreço, a pretensão da Ecovias não se dirige a todos os ciclistas indiscriminadamente, mas sim àqueles que eventualmente participariam do “evento/passeio” promovido pela internet, conforme retratado na exordial e nas demais petições.

O mesmo se diz no tocante à decisão de fls. 119.Desta forma, a expressão lançada no polo passivo “Todos os ciclistas”, deve ser interpretada dentro do contexto da postulação.

Neste sentido é a conjunção dos artigos 322, parágrafo 2.º e 489, parágrafo 3.º, todos do Código de Processo Civil. A par disso, o trânsito isolado de bicicletas, que não tenha relação com os aludidos “eventos de massa” (que, como restringiu a demandante às fls. 17/18, seriam aqueles que colocariam em risco a perda do controle da operação, a integridade física, a segurança e o direito de locomoção dos usuários do Sistema Anchieta-Imigrantes pelo elevado número de participantes) NÃO ESTÁ PROIBIDO PELA DECISÃO por uma razão muito simples: não foi o isso o que foi postulado

.As demais questões preliminares levantadas pelos corréus serão objeto de análise somente após o aperfeiçoamento da formação da relação jurídica processual. Intime-se.

(os grifos são meus).

No link abaixo, PDF da decisão.

CONCESSIONÁRIA ECOVIAS

 

CONTRARRELÓGIO: é a aerodinâmica, p.!!!!!

nenhuma forma de pedalar consegue explicitar a grande questão relacionada às bicicletas que as provas diversas de contrarrelógio. e nelas a indśutria testa as tecnologias, APESAR das restrições da UCI.

Colnago Master Krono, 1988.

Vácuo. Quem pedala sabe desse efeito. Quem nunca pegou vácuo dum caminhão ou dum ônibus? Quem nunca pedalou no acostamento de uma rodovia, e percebeu que quando se pedala no acostamento, na contramão, temos um efeito de vento contra, mas quando pedalamos na mão,os caminhões passando na pista do lado, mesmo passando a 2 ou 3 metros de distância, criam um ventinho a favor que nos empurra pra frente….

Agora, quem nunca, numa descida, não se abaixou bastante na bicicleta pra ir mais rápido?

Pois é. Aerodinâmica não é tudo mas é quase….

Ao pedalar, muitas coisas criam resistência ao movimentar-se da bicicleta. Sabemos bem de interferências mecânicas: freio pegando no aro ou no disco, por exemplo. Pedal ou Pedivela que não tá girando direito. Pneu murcho, ou muito largo.

Miguel Induráin numa Pinarello em 1995, no TDF. Por essa foto dá pra imagianr a direção dos desenhos de quadros em fibra de carbono se a UCI não tivesse restringido tanto as geometrias.

Sabemos também interferir nesses efeitos: colocamos um pneu mais fino e com mais alta pressão, pra haver menos atrito com o piso, por exemplo. Lubrificamos todos os locais onde peças giram, colocamos rolamentos de cerâmica nos cubos….

E daí descemos rápido naquela descida, mas mesmo assim quando abaixamos o corpo, vamos mais rápido ainda….

É a aerodinâmica.

Nas diversas formas de provas de contrarrelógio, ciclistas pedalam separados uns dos outros. Não há o vácuo de concorrentes. no máximo, nos contrarrelógios por equipes, há o vácuo dos colegas de equipe.

Nos grandes triatlos, a prova de bicicleta é um grande contrarrelógio. No Ironman, o trecho em bicicleta é de 122 milhas, ou 180,25 km.

180 km num trajeto relativamente plano, sem vácuo…. Enfrentando vento a favor, vento contra, vento lateral….

Logo fará 100 anos do grande embate entre as formas de pedalar e a aerodinâmica. Em 1933, um ciclista de segundo escalão apareceu com uma bicicleta na qual pedalava deitado. Bateu o recorde da hora, em 7 de julho de 1933, pedalando 44,247 km, batendo em mais de 800 metros o recorde de Oscar Egg, que vigorava desde 1914. A UCI meses depois anulou o recorde, banindo as bicicletas reclinadas. Em 1938, com uma versão melhorada de sua bicicleta, bateu o recorde percorrendo 50 km em uma hora, mas o recorde não foi chancelado pela UCI.

Essa distância só foi superada pro Francesco Moser em 1984.

Esse episódio marca a importância da aerodinâmica, para além do preparo físico.

Com as regras restritivas da UCI, e dentro dos limites da tecnologia, as bicicletas de contrarrelógio continuaram evoluindo.

A partir dum certo momento, a preocupação com a posição do ciclista toma  novamente importância, mas se não é possível pedalar deitado com a barriga pra cima pra diminuir a área frontal, vamos diminuir a área frontal de outra forma: fazendo abaixar cada vez mais a cabeça.

O problema: o motor humano precisa fazer força. Quem já pegou sua MTB morro abaixo e abaixou bastante sua cabeça sabe que é meio difícil pedalar agachado, todo dobrado pra frente.

A partir dum certo momento, a preocupação dos projetistas das bicicletas é, dentro dos limites das regras restritvas da UCI, girar o copro do ciclista mais pra frente. Avançar a posição do selim em relação ao eixo da pedivela  (pra entender, MTBs tem o tubo vertical efetivo normalmente entre 72 e 73 graus, estradeiras/speeds possuem normalmente 74 graus e bicicletas de triatlo dos naos 90 chegavam a ter 80 graus).

E se colocava uma roda menor na frente  pra facilitar abaixá-la….

Tudo no limite do conforto: se é um contrarrelógio de 150 km, a bicicleta precisa ser mais confortável e ter mais marchas que uma bicicleta para um contrarrelógio de apenas 7 km, não é?

Zipp 1996, para Triatlo.

Até os anos 90, até o domínio completo das técnicas de produção em carbono e antes de maiores restrições da UCI, os projetistas fizeram o máximo que podiam pra diminuir a área frontal do conjunto bicicleta + ciclista.

Nos anos 60, Dr. Alex Moulton projeta uma bicicleta com rodas pequenas, quadro em treliça ou não, que logo permitiu em 1962 que John Woodburn batesse o recorde da distância Cardiff-London. Claro que a UC?I logo estabeleceu tamanhos mínimos para as rodas, para que não fossem tão pequenas.

John Woodburn e sua Moulton usada no recorde.

Outras restrições vieram. Em anos 90 impede-se que as rodas tenham tamanhos diferentes, impedindo o uso de uma roda dianteira menor. Depois impede-se o uso de rodas fechadas, que se são um pesadelo com vento lateral, por outro lado conseguem diminuir drasticamente a turbulência causada pelos raios.

Mas nos anos 70 surgem os triatlos, cuja organização era desligada da UCI e permitiam liberdade maior na geometria das bicicletas. Houve quem, na Europa, usasse Moultons e suas rodinhas pequenas no trecho em bicicleta.

Nos EUA, popularizou-se um tamanho de roda conhecido como 650c, ou 26 x 1 3/4, depois conhecido como “26 de triatlo”, com aros de 571mm de diâmetro no encaixe do pneu, portanto 12mm maiores que o aro 26 utilizado em MTBs e 13 mm menores que o chamado 650B, ou 27,5, ou 26 1 1/2.

Old Faithfull, de Graeme Obree, bicicleta que usava rolamentos de máquinas de lavar no lugar do movimento central, pra diminuir a distância entre os pés ao girar, e permitiu uma posição muito aerodinâmica do ciclista. Seu recorde da hora foi posteriormente anulado.

Durante os anos 90, triatletas usavam basicamente só esse tamanho de roda. E suas bicicletas tinham quadros com geometrias inovadoras, como a geometria em V, sem tubo vertical, utilizada pelas Softride e Zipp. E ângulos efetivos de tubo vertical efetivo de 80 graus ou mais, posicionando o ciclista bem à frente, o que não apenas permite abaixar-se mais, mas privilegia a utilização da musculatura frontal da perna, salvando a musculatura da parte posterior da perna, a ser utilizada na maratona que segue-se aos 180 km pedalados num Ironman.

Lotus Look, TT. Alem de não ter o tubo inferior do triângulo principal do quadro, também a roda traseira está presa apenas por tubos embaixo.

O fato é que houve muita experimentação nesses anos. Em 1989, por exemplo, Greg Lemond, ao fim da penúltima fase do Tour de France, estava em segundo lugar, a 50 segundos do líder. A última etapa seria um contrarrelógio de cerca de 25km, e os jornais já tinham capas montadas com a vitória de Laurent Fignon. Todavia Greg Lemond usou guidão aero, com posição inovadora, usou um capacete aero… E Fignon usou bicicleta com os guidões tradicionais de contrarrelógio, os chifrudinhos, e nenhum capacete (na época não era obrigatório seu uso). O vídeo da etapa está abaixo, se quiser, veja-o.

O fato  é que progressivamente a UCI criou regras mais restritivas, inclusive regras que criam ângulos máximos para o tubo vertical efetivo do quadro. Da mesma forma, padronizou tamanhos de rodas, proibiu roda dianteira fechada, estabeleceu parâmetros de largura de tubos, da mesma forma proibiu geometrias que não fossem variações do formato diamante, com triângulo traseiro e triângulo principal.

Num outro sentido, o domínio da tecnologia da fibra de carbono permitiu formas cada vez mais plásticas. Hoje, dentro das restrições impostas, a indústria tenta fazer o máximo para tornar a bicicleta em si mais aerodinâmica, uma vez que a posição do ciclista está mais ou menos restrita no que tange à mudança. Assim, tornar a área frontal o mais aerodinâmica possível tem sido a tônica. Para isso vale embutir cabeamentos, tornar os tubos o mais aerodinâmicos possível, integrar frentes para não haver turbulências, embutir freios….

Felt IA 2018. poderia ser ainda mais aerodinâmica sem as regras restritivas da UCI.

Mas a tônica continua sendo a mesma: perseguir a menor resistência do ar possível, para que a força do ciclista seja o máximo possível utilizada para vencer o atrito com o solo, não com o ar.

O fato é que de vez em quando achamos alguma velha bicicleta de Triatlo ou de contrarrelógio por aí. O legal é montá-las do jeito que quiser e botar pra rodar. Afinal, pedalar pela cidade não é competir pelas regras da UCI, então podemos usá-las do jeito que quisermos. E pra brincar dum semáforo a outro, não? Afinal, bicicletas também são diversão.

 

 

26!

vinte e seis polegadas. aro 26. roda de MTB. o tamanho de roda que revolucionou o uso das bicicletas ao redor do mundo.

Breeze #!, a primeira MTB de todos os tempos!

eram os anos 70 do século XX.

imagine só. um bando de ciclistas doidos – coisa pra lá de comum, né? – resolve fazer aquilo que muita gente gosta de fazer em bicicleta: se divertir longe de casa. e claro, o que resolveram fazer? foram pro mato, pros morros. foram se divertir fazendo um troço que todo mundo que gosta de bicicleta adora fazer: pegar uma descidona!

e aí, quem já pegou buraco, toco, pedra e o escambau já aprendeu como é importante que as rodas sejam resistentes. e o que havia de resistente naquela época, disponível a esse bando de doidos? Continuar lendo