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Victorinox Bike Tool: vale à pena?

Tente descobrir se essa ferramenta vale os mais de 200 reais que pedem. No site quase não há informações.

Sem informações na net sobre as ferramentas que traz.

Ciclista é um consumidor “chato”. Na prática, quando nós que pedalamos compramos ferramentas, queremos que elas funcionem nas nossas bicicletas.

Mas justo por isso, quando vamos comprá-las, não apenas fazemos um monte de perguntas como também pesquisamos em sites.

E aí, entrou no site da Victorinox? Entre, veja o produto e saia sem saber quase nada. A não ser o que vê pelas fotos, de que se trata de uma ferramenta que consiste numa chave allen – de qual medida? –  e de bits para encaixe – e em qual medida? Continuar lendo

UMA SÓ COROA!

Sistemas de coroa única estão por aí em muitas bicicletas. São ótimos mas não são perfeitos. Vamos entender?

cassete ZTTO 11-52 de 12 velocidades.

A coisa se deu assim. No início era uma só coroa e só um pinhão na relação da bicicleta. Com o tempo foram acrescentando pinhões. Um, dois, três, quatro, cinco… E alguém inventou como colocar uma segunda coroa. Bingo! de 5 pulou pra 10! 5 X 2….

De lá pra cá chegou-se a 3 coroas e 10 pinhões no cassete. 30 marchas! Das quais umas 16 ou 17 são utilizáveis – o resto é sobreposição ou então cruzamentos de corrente que inviabilizam o uso, como usar na coroa menor e no pinhão menor, com a corrente pegando no câmbio dianteiro e até na coroa do lado, de tão cruzada….

Com os cassetes 11-36 a turma do MTB passou a não precisar mais de 3 coroas. competidores tiraram uma coroa. Alguns em algumas provas precisavam de pedivelas de uma única coroa, pois a amplitude do cassete já satisfazia sua necessidade de marchas.

chegaram cassetes 11-40, 11-42, 11-46… e daí pra quê 3 ou ou 2 coroas? Continuar lendo

Ferramentas pra levar em viagem.

Você já passou perrengue na estrada e percebeu que suas ferramentas não são as adequadas?

Jogo completo da Park Tool para bicicletarias. Sonho de consumo para os curiosos, nenhuma das ferramentas dá pra levar em viagem: muito grandes.

A cena foi a seguinte: eu viajava com uma bicicleta com guidão drop e STIs. Aliás, STIs antigos, de 3×9 velocidades. Minha mão esquerda adormecia, afinal estávamos há várias horas pedalando, eu e o Rafael Buratto, amigo lá de Curitiba, sendo que fazíamos o trajeto Curitiba-Florianópolis duma tacada só. (Ao final, o trajeto que fizemos em aproximadamente 28 hora e com alforjes pesados foi de c. de 330 km).

Pra melhorar o conforto, precisei colocar o STI esquerdo um pouquinho mais virado pra dentro, como já usava do lado direito, com a mão direita zoada que tenho.

Era só afastar a borracha do STI, encaixar a chave allen e soltar um pouco. E aí, meu canivetinho de chaves alcançou? Não. Rafael emprestou o dele, um pouco maior, e pegou um pouco de lado.  E claro, estávamos cansados, com as mãos fracas. E pra fazer força, tinha alavanca? Muito pouco.

Depois, outro dia, o suporte de caramanhola deu pau, precisei trocar. Meu canivetinho alcançava o parafuso? sim, mas era um saco girar aquela coisa molenga.

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TALVEZ SEU QUADRO SEJA MUITO LONGO PRA VOCÊ.

Fit de bicicleta: tá aí um campo em que o brasileiro em geral encontra dificuldades, pois a indústria nacional parece produzir bicicletas e importar peças como se a estatura média da população fosse 1,80m e fôssemos todos japoneses.

timbiras, em foto de Curt Nimuendajú,c. 1910/1920. Observe as pernas não apenas musculosas, mas pernas longas e braços longos.

A cena é visível em todo domingo nas ciclofaixas de lazer em São Paulo: pessoas se esticando todas para conseguir segurar o guidão. Parecem todas terem comprado bicicletas muito grandes. Ninguém as assessorou na compra? É o que se pergunta num primeiro momento, para depois lembrar que na verdade não achamos bicicletas para grande parte de nós.

Nós, brasileiros em geral, não prestamos muita  atenção nas proporções do corpo. Fazemos medidas de circunferência, mas não olhamos a proporção das nossas pernas em relação ao nosso tronco. Continuar lendo

650c: muito cuidado.

rodas 650c fizeram muito sucesso entre triatletas nos anos 1990. hoje parecem ser um mico, a não ser que o ciclista tenha pouca estatura.

Softride Powerwing . Sem o tubo vertical, rodas 650c de 4 raios em carbono, modelo roda banido em razão das lâminas que forma quando a roda quebra num tombo.

Se você tem menos de 1,70 de altura talvez não consiga fit adequado numa bicicleta de triatlo ou contrarrelógio. Pois para acomodar uma roda grande – 700c – na frente, o quadro não apenas precisa ser mais alto, mas mais longo.

E se você vai pedalar apoiado nos cotovelos, todo dobrado pra frente, o quadro não pode ser tão longo.

Mas  a não ser que você caia nesses casos, uma bicicleta com rodas 650c pode não ser uma boa escolha para você. Explico.

Aros 650c foram também chamados de aro 26 de triatlo. A terminologia 700c, 700b, 700a, 650c, 650b, 650a é de origem europeia e refere-se a medidas externas das rodas. Mas o que nos interessa muitas vezes são as medidas internas de encaixe dos pneus.

A roda chamada de 29 polegadas tem encaixe de pneu de 622mm de diâmetro, igual à 28 das bicicletas urbanas dos europeus, e aos 700c das bicicletas de estrada mais comuns.

A roda 26 das MTBs tem encaixe de pneu de 559mm de diâmetro. As rodas chamadas de 27,5 (ou 26 1 e 1/2, ou 650b) possuem 584mm de encaixe. As rodas chamadas de 650c, tem 571mm de encaixe. Notou que elas estão no meio do caminho entre rodas 26 e 27,5? Continuar lendo

MARASMO DOS FABRICANTES OU JAULA DA UCI?

colega ciclista pergunta se “mesmice” das bicicletas do pelotão pro tour se deve a conservadorismo dos ciclistas ou da UCI. a resposta em imagens.

UCI: Union Cycliste Internacionale. Fundada em 1900. Responsável pelas regras para competições de bicicletas mais aceitas pelo mundo, profissionais e amadoras, olímpicas ou não. Sua atuação é controversa, pra uns mantendo a competitividade das modalidades, pra outros, impedindo a inovação. Algumas imagens para você pensar sobre isso, e por qual motivo sua bicicleta pode ser mais desconfortável ou mais lenda do que você gostaria.

Lotus 108. Quadro monocoque, brevemente considerado legal pela UCI. Chris Boardmann bateu um recorde com essa bicicleta na Olimpíada de 1992, na perseguição de 4000m. projeto já dos anos 80, depois licenciado pela Lotus, que fabricou 15 exemplares. Nunca correram fora dos velódromos. Maravilha da fibra de carbono banida das corridas, então você não tem algo parecido pra comprar. Clique na imagem.

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Freios Cantilever, por que ainda são fabricados?

Se você pedala há algum tempo já os viu instalados em antigas MTBs. Mas, de repente, os vê numa bicicleta com rodas com pneus largos e guidão drop. E aparecem modelos por aí bem avançados… eles não desaparecerão tão cedo.

Avid Shorty 4.

Quando apareceram os V-Brakes (que são cantilevers de puxada direta) parecia que os antigos cantilevers de cabo suspensório iriam desaparecer.

De fato, em pouco tempo eles só equipavam bicicletas baratas de supermercado, em versões de aço coberto por plástico.

Mas quando se popularizaram os freios a disco, foram os V-Brakes que foram sumindo. No entanto, os cantilevers estão por aí até hoje. Por quê? Continuar lendo