Arquivo da categoria: mercado

TALVEZ SEU QUADRO SEJA MUITO LONGO PRA VOCÊ.

Fit de bicicleta: tá aí um campo em que o brasileiro em geral encontra dificuldades, pois a indústria nacional parece produzir bicicletas e importar peças como se a estatura média da população fosse 1,80m e fôssemos todos japoneses.

timbiras, em foto de Curt Nimuendajú,c. 1910/1920. Observe as pernas não apenas musculosas, mas pernas longas e braços longos.

A cena é visível em todo domingo nas ciclofaixas de lazer em São Paulo: pessoas se esticando todas para conseguir segurar o guidão. Parecem todas terem comprado bicicletas muito grandes. Ninguém as assessorou na compra? É o que se pergunta num primeiro momento, para depois lembrar que na verdade não achamos bicicletas para grande parte de nós.

Nós, brasileiros em geral, não prestamos muita  atenção nas proporções do corpo. Fazemos medidas de circunferência, mas não olhamos a proporção das nossas pernas em relação ao nosso tronco. Continuar lendo

MARASMO DOS FABRICANTES OU JAULA DA UCI?

colega ciclista pergunta se “mesmice” das bicicletas do pelotão pro tour se deve a conservadorismo dos ciclistas ou da UCI. a resposta em imagens.

UCI: Union Cycliste Internacionale. Fundada em 1900. Responsável pelas regras para competições de bicicletas mais aceitas pelo mundo, profissionais e amadoras, olímpicas ou não. Sua atuação é controversa, pra uns mantendo a competitividade das modalidades, pra outros, impedindo a inovação. Algumas imagens para você pensar sobre isso, e por qual motivo sua bicicleta pode ser mais desconfortável ou mais lenda do que você gostaria.

Lotus 108. Quadro monocoque, brevemente considerado legal pela UCI. Chris Boardmann bateu um recorde com essa bicicleta na Olimpíada de 1992, na perseguição de 4000m. projeto já dos anos 80, depois licenciado pela Lotus, que fabricou 15 exemplares. Nunca correram fora dos velódromos. Maravilha da fibra de carbono banida das corridas, então você não tem algo parecido pra comprar. Clique na imagem.

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Até onde teria chegado a tecnologia das bicicletas de rua, se a UCI não atrapalhasse tanto?

é inegável que a tecnologia das pistas chega às ruas. não só a tecnologia,mas a estética também. e nesse aspecto, a UCI tem agido como um freio de mão puxado, barrando grandes inovações. vejamos algumas.

"Old Faithful", bicicleta que Graeme Obree usou em seu recorde da hora, leiloada em 214 noe-bay, atingindo10 mil libras.

“Old Faithful”, bicicleta que Graeme Obree usou em seu recorde da hora, leiloada em 214 noe-bay, atingindo10 mil libras.

Você talvez já tenha lido ou ouvido falar de Graeme Obree, o “escocês voador”, cuja história de recordes, anulados pela Union Cycliste Internationale, que considerou sua inovadora bicicleta, “Old Faithful” ilegal. Veja o filme, “O Escocês Voador”.  Assista e tenha uma vaga ideia do que a UCI tem feito pra impedir grandes inovações.

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bicicultura 2016 SP: por que ir

paixão é vertigem, amor é construção. bicicultura é o encontro nacional da cultura da bicicleta, paixão de alguns, amor de outros. e sempre, sempre, vida plena de todos.

que elo te move, o que te liga à bicicleta, qual tua ligação com o mundo? venha descobrir!

que elo te move, o que te liga à bicicleta, qual tua ligação com o mundo? venha descobrir!

quem nunca? a primeira bicicleta? a segunda? sabemos que o número ideal de bicicletas a se ter é representado por duas fórmulas: para solteiros, N +1. para casados, S – 1. onde N representa o número atual, e S representa  número que resulta em separação.

quem nunca? aquela descida íngreme, soltar os freios? e a subida maldita, ardendo a pernas, com o ônibus atrás buzinando?

quem nunca? a primeira centena de quilômetros pedalados num dia?  olhar no espelho antes de dormir, sabe-se lá onde, e pensar: “caraca 100 km!“. Continuar lendo

true temper deixará o mercado de tubos de aço para quadros de bicicleta.

o grande fabricante americano de tubos de aço para bicicletas deixará de produzir essa linha. anúncio feito em 09 de maio.

marcas que usam tubos true temper durante a north america nad-made bicycle show - NAHBS - de 2014

marcas que usam tubos true temper durante a north america nad-made bicycle show – NAHBS – de 2014

o ano era 1988, e para aquele giro d’italia, andrew hampsten queria um quadro que lhe permitisse  disputar a vitória. encomendou a john slawta, da land sahrk bicycles, um quadro que fosse leve e resistente.

naquele ano, andrew hampsten tornou-se o 71º vencedor do giro d’italia, o único americano a vencer a prova que se realiza desde 1909. Continuar lendo

trocadores de gatilho: a onipresença no país dos ciclistas de final de semana.

os trocadores rapid fire (shimano) e attack trigger (sram) têm presença hegemônica no MTB mundial e, no brasil, são praticamente a única alternativa nas bicicletas que não usam guidão drop, e não apenas nas MTBs, o que é um péssimo sinal. sinal que a indústria está cega.

soma buena vista: aros 65b (27,5, 26 1 e 1/2). tumbshifters. 5 tamanhos  disponíveis. clique na foto

soma buena vista: aros 65b (27,5, 26 1 e 1/2). tumb-shifters. 5 tamanhos disponíveis. infelizmente não disponível no brasil. clique na foto para mais informações.

anteontem, em 1º de abril de 2016, num post sério (e não num post brincalhão como o meu, na mesma data) a amiga renata falzoni bate na burrice da indústria brasileira. leia aqui nesse link, o texto é muito bom e vai ao ponto.

e eu venho reforçar o  que ela escreve: a indústria só vende MTBs e pra gente de 1,75 pra cima.

ora, entre as mountain-bikes, nas  competições mundiais, os trocadores de gatilho são hegemônicos. ainda se vê alguém aqui ou ali usando os excelentes gripshifters da sram, e praticamente não se vê mais a apesta da própria shimano e alguns anos atrás: a adaptação da tecnologia STI aos trocadores para guidões retos, chamada de dual control, que quando o trocador direito está conjugado com um câmbio de mola de ação invertida, geram uma forma deliciosa de se trocar marchas.

o fato é que a tecnologia desenvolvida para as MTBs há décadas têm sempre migrado pras ruas, por inúmeros fatores, mas com adaptações. lá fora a gama de ofertas contempla a todos, mas no brasil a indústria é cega, e só vê mercado nos competidores e nos ciclistas de final de semana, que pegam uma estradinha de barro aqui ou ali, e durante a semana participam de algum passeio noturno.

mas peraí, esse é mercado real? o mercado em ascensão? não. Continuar lendo