Arquivo da categoria: cicloturismo

1,70 e abaixo

A indústria parece pensar que todos temos acima de 1,75m de altura. Uma parcela considerável de homens e a grande maioria das mulheres tem menos altura e esse é um dos fatores que desestimula pedalar.

Trek Superfly 26, para pessoas entre 1,35m e 1,67m. Disponível no site americano, mas não no Brasil.

Selim com a ponta pra baixo!“, “Montar a mesa invertida pra trás!”  são às vezes a explicação que ouço ou leio de pessoas que possuem a minha altura ou menos pra conseguir pedalar suas bicicletas.

O fato é que quem tem 1,70m de altura  comumente consegue pedalar bicicletas com quadros de 54 cm de comprimento no máximo, e com mesas curtas. Poucos possuem elasticidade pra se curvarem todos pra frente sem girar a bacia pra frente, esmagando genitais e áreas correlatas nos selins.  Por isso muitos usam a ponta do selim pra baixo, o que dificultará sobremaneira o equilíbrio na bicicleta e ainda por cima a médio prazo tará lesões em punhos e mãos, além obviamente do pescoço. Continuar lendo

Galeria

Procurando Kika

Esta galeria contém 30 fotos.

Em 2014 percorri essa rota, seguindo as dicas da amiga Kika. Refiz essa rota entre 15 e 18 de janeiro, mudaram minhas percepções. É uma rota cicloturística a se percorrer, várias vezes. Mens sana in corpore sano. Eu atribui outro … Continuar lendo

Ferramentas pra levar em viagem.

Você já passou perrengue na estrada e percebeu que suas ferramentas não são as adequadas?

Jogo completo da Park Tool para bicicletarias. Sonho de consumo para os curiosos, nenhuma das ferramentas dá pra levar em viagem: muito grandes.

A cena foi a seguinte: eu viajava com uma bicicleta com guidão drop e STIs. Aliás, STIs antigos, de 3×9 velocidades. Minha mão esquerda adormecia, afinal estávamos há várias horas pedalando, eu e o Rafael Buratto, amigo lá de Curitiba, sendo que fazíamos o trajeto Curitiba-Florianópolis duma tacada só. (Ao final, o trajeto que fizemos em aproximadamente 28 hora e com alforjes pesados foi de c. de 330 km).

Pra melhorar o conforto, precisei colocar o STI esquerdo um pouquinho mais virado pra dentro, como já usava do lado direito, com a mão direita zoada que tenho.

Era só afastar a borracha do STI, encaixar a chave allen e soltar um pouco. E aí, meu canivetinho de chaves alcançou? Não. Rafael emprestou o dele, um pouco maior, e pegou um pouco de lado.  E claro, estávamos cansados, com as mãos fracas. E pra fazer força, tinha alavanca? Muito pouco.

Depois, outro dia, o suporte de caramanhola deu pau, precisei trocar. Meu canivetinho alcançava o parafuso? sim, mas era um saco girar aquela coisa molenga.

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Garfo de Alumínio….

Assim: a bicicleta é delícia, mas o garfo é de alumínio. Pra curta distância e duração curta de pedal, vai. E longa distância e longa duração?

Férias, fim de ano, recesso, sempre  é tempo pruma escapada, não? Fui pra Curitiba já pensando em como dar uma escapadinha da família de poucos dias só pra poder pedalar a bicicletinha de roda grande.

Ao começar a pedalada.

Roda grande, 29! 700c gordinho! Claro que é conforto, roda bem, né? Mas se você tem menos de 1,75 m de altura, e não pode pedalar todo esticado pra frente como fica o Superman voando, achar bike de roda grande é problema. Assim, quando apareceu uma bikezinha de 2013, a mais basicona daquela linha, tamanho XS, quadro 49cm, eu dei um jeito de comprar ano passado. É uma Specialized Tricross X3, Tricross  Triple. Simplesmente o modelo mais básico, simples, das Tricross que deixaram de ser fabricadas em… 2013! É, a mais básica da última leva. Sem encaixe pra freios a disco. Cantilevers mesmo. Pra migrar pra disco, só tem que trocar garfo e quadro…. E rodas…

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FUIMOS A LA PLAYA!

é, ZN de SP desceu a serra no Pedal Anchieta, botou o pé na água, encheu o tênis de areia e enfrentou a muvuca da volta.tudo por que o Governo do Estado está 20 anos atrasado no respeito ao direito de ir e vir dos ciclistas!

Na praia: Fat Smurf, Boneco de Posto, Esquerdinha, The Flash e Manutenção. Foto de Patrício.Cauê não tira o tênis nem na praia.

Vamos ao relato do passeio feito pela minha turma aqui da ZN de São Paulo, mas antes é preciso entender como se organizou o passeio como um todo.

Acompanhei não muito de perto a organização do Pedal Anchieta, descida da Serra do Mar desta vez não organizada pelo CicloBR mas pela Comissão de Estudos da Mobilidade  Ciclística da OAB/SP, que conseguiu pressionar o Governo do Estado neste sentido. Abriram um caminho de diálogo com o Governador em Exercício Márcio França, que não apenas soltou lá seus despachos pra que se liberasse um caminho de descida para esse dezembro como ainda por cima finalmente regulamentou a Lei Estadual 10/065 de 26 de novembro de 1998, que trata do Plano Cicloviário de São Paulo.

É, você entendeu bem: 20 anos pra regulamentar uma lei que trata da circulação de bicicletas e outros não motorizados em estradas estaduais. Repito: 20 ANOS! Vinte anos. VIN-TE A-NOS.

Durante vinte anos ciclistas ficaram esperando o Governo do Estado de São Paulo mexer um dedinho pela sua segurança no ir e vir.

Nesse tempo,exercer o constitucional direito fundamental de ir e vir em cima duma bicicleta entre o Planalto e a Baixada Santista constituía-se numa aventura a ser reprimida pelo poder público. Eu mesmo, já fui parado pela Polícia Militar em 10/12/2000 pois desci a Imigrantes escorado no artigo 58 do CTB. Em 30 de dezembro de 2000 desci a Estrada Velha de Santos, também conhecida como Rodovia Caminho do Mar, e dada as más condições do trajeto, bati numa mureta lateral e quase tive minha mão direita amputada. Não tenho todos os movimentos da mão por isso e todo santo dia lembro na inoperância do Governo do Estado de São Paulo.

Perdi a conta de quantas vezes desci pela Estrada de Manutenção da Imigrantes, ou nas descidas promovidas pelo Instituto CicloBR (que aliás enfrentou um monte de ações judiciais por isso, por promover o exercício de um direito constitucional, iso na época em que esse instituto se caracterizava como cicloativista), ou em grupinhos driblando fiscalização e depois não podendo sair pela porta do Parque da Serra do Mar e tendo que voltar à Imigrantes logo depois dos túneis e antes daquelas bifurcações perigosas em alta velocidade que os carros usam pra ir para o Guarujá ou para a Praia Grande, atravessando trechos onde carros passam a quase 100 km/h.

Numa das descidas pelo Instituto CicloBR, em 9 de dezembro de 2012, o acúmulo de gente em bicicleta nas balsas da Zona Sul pra acessar a península do Bororé era tão grande que chegou um destacamento da PM com escudos em punho pra “dispersar o protesto”. Só não começou tiro e bomba ali pois o coleguinha Guilherme, dotado de uma paciência fenomenal convenceu o oficial de que aquilo era só uma fila, que o destacamento da PM fora avisado e ele ue não tinha conhecimento do fato. Enquanto isso eu ficava tentando segurar bêbados que queriam discutir com os PM. Naquela vez desceram cerca de 18 mil ciclistas.

Eu e o Sussa, antigo membro do CicloBR que esteve presente em pelo menos metade das descidas da serra que eu já fiz.

Quantas “Bicicletadas Interplanetárias” não foram paradas a tiro e bomba? “Interplanetárias” pois podemos sair numa bicicleta e dar a volta ao mundo pedalando mas não podemos ir de São Paulo a Santos pedalando….

Desta vez a descida foi pela pista ascendente. Sim, descemos pela subida, a pista que foi liberada para o uso de bicicletas. Como é sabido, no sistema Anchieta-Imigrantes, caminhões e ônibus devem descer pela pista descendente da Rodovia Anchieta, mas podem subir pela pista ascendente da Imigrantes. Assim a pista descendente da Anchieta permaneceu durante todo o domingo 02/12 liberada para caminhões e ônibus.

Coletivo CicloZN ainda no planalto.

Foi criado um ciclocomitê para a realização do evento, com participação de ciclistas. O detalhe: mais de 50 membros no ciclocomitê, dos quais apenas 4 ciclistas…. Menos de 10% do ciclocomitê que organizou a descida é de ciclistas.  Menos de um décimo.

Entendeu por qual motivo foi liberada uma via da Anchieta e não a Imigrantes, que seria muito mais segura? Afinal, quem não pedala e pensa com cabeça de motorista, acredita que uma sucessão de curvas diminui a velocidade e dá mais segurança, sem entender que é justamente numa sucessão de curvas que os ciclistas sofrem seus tombos. Se duvida disso, basta pegar uma coletânea de tombos nas provas de estrada, onde acontecem um sem número de tombos em curvas de descidas.

Trajeto do Pedal Achieta. Imagem: Anderson Sutherland. Observe o nó de curvas na descida da Serra.

Por isso, a se pensar: houve 19 acidentes. Será que teriam acontecido se a descida fosse pela Imigrantes, que ainda por cima tem três faixas e não apenas duas, e não possui curvas acentuadas? Mas ao questionar isso, lembre que ciclistas não puderam escolher pistas, caminhos, nada. Afinal, a pista descendente é para o sacrossanto carro de passeio. Pois por mais que haja boa vontade por parte do atual Governador do Estado de São  Paulo, Márcio França, a toda estrutura estadual que gere tráfego nas estradas pensa com a cabeça motorizada e ainda não entendeu a ascensão do transporte não motorizado que está ocorrendo em todo o planeta no século XXI.

Mas coloquemos as situações em perspectiva: 19 pessoas se acidentaram, de cerca de 40 mil que desceram. Isso equivale a 0,047%. Do total estimado que desceu a Serra do Mar em bicicleta, no Pedal Anchieta de 2018, 0,047% acidentou-se. Zero vírgula zero quarenta e sete.

Ou seja, por seus próprios meios e não alheios (atropelamento por caminhão, por exemplo) bicicleta é dos meios mais seguros de transporte.

Inobstante isso e diante da tradicional política de repressão ao uso de bicicletas nas estradas do Sistema Anchieta-Imigrantes e também agora no Sistema Mogi-Bertioga, a demanda por descer tem sido represada. A cada ano somam-se mais pessoas ao pedalar nosso de cada dia, entre os que usam para transporte, os que pedalam nos grupos de pedal noturno, nos clubes de pedal, e etc.

O mercado para bicicletas só cresce. Bicicletarias abrem em vários locais, o que mostra haver demanda. Aos domingos as ciclofaixas de lazer lotam. Basta lembrar que a Shimano abriu representação oficial no Brasil! Dorel-Cannondale comprou a Caloi!  Até a ladroagem de bicicletas se desenvolveu!

Então, como o Governo do Estado pôde demorar 20 anos (repito, VINTE ANOS!) pra regulamentar a Lei do Plano Cicloviário Estadual e manter uma postura de pura repressão ao direito de ir e vir de quem estava em bicicleta?


Então, aqui da ZN nos organizamos. O coleguinha Anderson Sutherland desceu sem fazer inscrição mesmo. o Cauê nem imprimiu o número da inscrição, fez na canetinha. Eu imprimi e enrolei no guidão. Teve gente que fez umas placas imensas tamanho A4  coloridas e plastificadas e colocou na frente da bicicleta. Teve gente que colou no capacete. Afinal, carro pode sair de casa e descer sem avisar ninguém. Pras bicicletas o Governo exigiu inscrição? Pois é, né?

Lu Pimenta, Luiz (10 anos!) e Anderson, ainda no metrô. Foto de Anderson Sutherland

A organização havia divulgado que bicicletas entrariam na Anchieta entre 6h e 8h. Ora, madrugamos. Juro que quando saí de casa lá pelas 5:00h da manhã achei que iria sozinho até o metrô, mas chegando a Estação Tucuruvi já foi se montando uma filinha de ciclistas na avenida….

Metrô lotadaço de bicicletas, Cauê dando joinha. Foto de Roberson Miguel.

5:15 da manhã, entrei no vagão e eram 19 bicicletas. Na estação Santana já não cabia bicicleta no vagão. Na Sé já tinha bicicletas em vários vagões do metrô e não apenas no último, como manda a regra.

Cauê Rangel e sua plaquinha desenhada, em foto de Robertson Michael Saints.

Meus colegas marcaram o ponto de encontro na Estação Ana Rosa, pois alguns embarcaram na Barra Funda, outros pegaram antes o trem… Todos os 5 do CicloZN reunidos na Ana Rosa, seguimos pela Linha Verde do metrô até a Estação Sacomã e já havia congestionamento de bicicletas dentro da estação…

Estação Sacomã, cerca de 6h da manhã, à direita, de costas e em vermelho e todo anarquista, Roberson. foto de Patrício Manutenção Elias

Chegamos pouco depois das 6h no ponto inicial da Anchieta e já tava tudo lotado, já era um mar gigantesco de ciclistas em suas bicicletas.

Já dava pra perceber a amplitude do Pedal Anchieta.  Antes mesmo de chegar à descida, no meio do pedal, conversei com gente que tinha vindo de Ribeirão Preto e até de Garapuava, no Paraná!

não deu tempo de chegar no banheiro…

O trecho anterior à descida é um trecho típico de planalto: suaves planos ascendentes e descendentes. tinha gente já reclamando de pernas ardendo nesse trecho. Tinha gente pedalando bicicletas de marcha única. Gente com bicicletas com o selim muito baixo. Gente de capacete, gente de chapéu, gente de boné.

Tinha Yellow!

Descemos. Eu fiz questão de descer lentamente curtindo cada trecho da descida. Como vou frequentemente à baixada em veículos motorizados, nunca vejo nada da paisagem, e queria curtir a paisagem. Tinha uns maluquinhos descendo rápido, tirando finas. Como sempre tem. Por isso fui descendo pela direita.

Congestionamento antes de túnel, interrompido para socorro de ciclista acidentado. Foto de Patrício Manutenção Elias.

Claro que passei pelos acidentes. Perdi-me do meu pessoal, encontrei muita gente. Desencontrei-me de muita gente. Vi gente que não fazia tempo, deixei de tirar fotos com gente muito legal, como o Arturo Alcorta e a Teresa D’Aprile, gritei pra muita gente, gritaram muito pra mim, e de fato, foi uma muvucona doida.

No vídeo abaixo, feito por um ciclista chamado Jonas, você pode observar as velocidades atingidas por ele e perceber ciclistas descendo ainda mais rápido. Sei de ciclistas que passaram dos 80 km/h na descida. Note em certos pontos uns cones pra atrapalhar.

Claro, chegamos a Santos. Todos. a Cidade foi invadida por bicicletas! Onde se olhasse, havia bicicletas e ciclistas.

Nós comemos numa espécie de restaurante junto com supermercado. Armaram umas mesas entre as gôndolas. Mandamos ver na comilança, afinal, estávamos com fome.

Nós no supermercado almoçando. Foto de Patrício Manutenção. Note quem era o único tenso pois estava na frente dos toddynhos….

Depois do almoço, pulo na praia, aluguel de bike pro Patrício que estava há quilômetros pedalando com o pneu traseiro rasgado, e nos dirigimos à Rodoviária, sem imaginar o caos que estava lá.

Patrício levando sua bicicleta…. Foto minha mesmo.

E realmente, o acúmulo de gente e bicicletas era gigantesco!

Bicicletas pelos corredores, entre os ônibus, do outro lado, nas calçadas, em todo canto.

E claro, seus donos, retirando rodas dianteiras, prendendo com zip ties, elásticos, câmaras de ar cortadas, borrachas, ou o que for.

Duro depois foi embarcar as bicicletas nos ônibus e subir a Serra. Embora muita gente culpe as empresas de ônibus pelos atrasos, vamos entender umas coisas:

1. Era uma parcela substancial de ciclistas. Segundo jornais da baixada, a Rodoviária de Santos que já tem no dia de domingo seu maior movimento, mais do que dobrou seus números. Não havia espaço físico pra tanto.

2. Esse número absurdo de gente se dá pelo fato de o Governo do Estado só permitir excepcionalmente a descida de ciclistas. Como foi na descida de 2012, como foi agora.

3. Não foi permitido que se subisse pedalando. O trecho de serra em si é curto, e um ciclista médio subiria pedalando o trecho de serra em menos de duas horas. Pois são apenas 12 km. Se subisse empurrando a bicicleta, andando a 4 km/h, subiria em 3 horas. No planalto há acostamento, por onde poderiam pedalar os ciclistas que quisessem subir pedalando.

4. Se houvesse uma via permanente e livre para ciclistas usarem, sem prévio aviso, inscrições, espera pelos dezembros e pela boa vontade do Governo do Estado, a demanda simplesmente se diluiria no decorrer do ano.

5. No Paraná, ciclistas podem descer e subir tanto pela Estrada da Graciosa quanto pela BR-277, apesar desta última ter o acostamento no trecho de serra convertido em terceira faixa. É tão comum ciclistas descerem durante o ano a BR-277 que em postos da Polícia Rodoviária há placas orientando onde estacionar as bicicletas. E assim, nenhuma rodoviária do Litoral Paranaense fica lotada de ciclistas, pois eles descem o ano inteiro e não numa data especifica a cada X anos.

Claro que muita gente ficou irritada, e não sem motivo, mas como disse o grande Samir aí em cima, era muito ciclista!. Mas lembremos quem de fato é responsável pelos problemas: o omisso Governo do Estado de São Paulo, que poderia ter resolvido essas questões há 20 anos, quando o então deputado estadual do PSDB Walter Feldman fez aprovar seu projeto do Plano Cicloviário Estadual. Poderiam ter regulamentado essa lei os seguintes governadores: Mário Covas, Geraldo Alckmin, Claudio Lembo, Alberto Goldman, José Serra… Mas só agora no curto governo de Márcio França a lei foi regulamentada, e ainda temos que esperar que o governador eleito, João Dória, dê seguinte às obras necessárias, que não são apenas ciclovias em novas rodovias, mas adaptação de todas as demais.  Mas podemos ficar esperançosos? Bom, na curta passagem de João Dória pela prefeitura de São Paulo, o número de mortes de ciclistas praticamente dobrou….

Afinal, subimos, conseguimos embarcar no ônibus. A Viação Cometa desistiu de embarcar por horário da passagem, simplesmente encostava os ônibus para os ciclistas embarcarem bicicletas nos bagageiros (cabia cerca de 25, e liberava a entrada destes no ônibus, depois liberava mais uns 4 ou 5 ciclistas entrarem no ônibus com suas bicicletas).

Tinha bicicleta no corredor, nos bagageiros superiores, em bancos, em tudo quanto é lugar.

Bicicletas no corredor do ônibus

Foi a forma como conseguiram escoar aquele monte de gente. Gente cansada, exausta. Alguns vieram de longe, não dormiram nada na noite de sábado para domingo, e depois de chegar à Rodoviária do Jabaquara ainda iriam até a Rodoviária do Tietê embarcar para longe. Cansaço batia.

A felicidade por embarcar.

O cansaço bateu.

Chegamos finalmente na rodoviária do Jabaquara para pegar o metrô até perto de nossas casas. Estávamos cientes de que participamos dum evento histórico.E de que talvez precisemos fazer outro evento ano que vem, e no outro ano, e no outro ano, até o Governo do Estado de São Paulo finalmente adaptar as estruturas existentes para que possamos descer e subir livremente, a qualquer dia e horário, cidadãos que somos, e no cumprimento do já previsto no Código de Trânsito Brasileiro.

Pois eu estou doidinho por esse dia, há décadas. Afinal, a serra é linda, e nós não a poluímos. E descendo aos pouquinhos, dispersos, a natureza agradece.

Ano passado foi porrada e bomba, esse ano, uma muvuca, quem sabe, no futuro, apenas um direito prosaico? Afinal, a esperança nunca morre, e quem pedala, nesse país, é antes de tudo um otimista!

Em tempo, surgiram algumas ideias para ações do nosso coletivo durante esse pedal. Aguardem, mas logo teremos novas informações sobre algumas oficinas que estamos montando:

Oficina de Manutenção Preventiva de Bicicletas, a cargo de Patrício.

Oficina Ensinando a Prender Coisas na Bicicleta Rapidamente, a cargo de Rodolfo.

Oficina Sobre Como Tirar Rodas com Freio a Disco, a cargo de Roberson Miguel.

Oficina de Escrita de Textos Curtos, a cargo de Odir.

Oficina Faça Você Mesmo sua Roupa de Smurf, com Cauê.

Combinando com as cores da Viação Cometa!

POR QUE A SHIMANO MANTÉM GRUPOS DE 7 E 8 MARCHAS?

Existem o marketing. Existe a demanda. Marketing quer induzir uma certa demanda, mas a demanda por sua vez nem sempre se submete ao marketing.

As inovações possuem um limite: o corpo do ciclista. E em matéria de tecnologia ciclística, lembremos que as novas tecnologias não substituem as antigas, mas apenas se soma à elas.

Fator Q. Quanto maior a distância entre um pé e outro, pior o desempenho.

Não podemos pedalar de pernas muito abertas: há uma distância que os pés podem ficar um do outro, ao pedalar. Quanto maior essa distância, menor o aproveitamento da força aplicada aos pedais, ou melhor, do esforço do ciclista.

Grame Obree, recordista em velódromo, inovador em tecnologia, dizia que a distância ótima entre um pé e outro é de apenas a largura duma banana. Na prática pedalamos com distâncias maiores.

Essa distância é o fator Q. Esse fator vai limitar a expansão do número de pinhões nos cassetes.

As bicicletas de estrada bem mais antigas usavam gancheiras traseiras com distância de 126mm. Posteriormente, com as catracas de 7 velocidades, pularam para 130mm. Nas MTTBs, pra permitir uma raiação mais forte, passaram a usar a largura de 135mm, pois as pedivelas também respeitavam uma distância maior entre os pedais, por conta da largura da roda traseira. Continuar lendo

MARASMO DOS FABRICANTES OU JAULA DA UCI?

colega ciclista pergunta se “mesmice” das bicicletas do pelotão pro tour se deve a conservadorismo dos ciclistas ou da UCI. a resposta em imagens.

UCI: Union Cycliste Internacionale. Fundada em 1900. Responsável pelas regras para competições de bicicletas mais aceitas pelo mundo, profissionais e amadoras, olímpicas ou não. Sua atuação é controversa, pra uns mantendo a competitividade das modalidades, pra outros, impedindo a inovação. Algumas imagens para você pensar sobre isso, e por qual motivo sua bicicleta pode ser mais desconfortável ou mais lenda do que você gostaria.

Lotus 108. Quadro monocoque, brevemente considerado legal pela UCI. Chris Boardmann bateu um recorde com essa bicicleta na Olimpíada de 1992, na perseguição de 4000m. projeto já dos anos 80, depois licenciado pela Lotus, que fabricou 15 exemplares. Nunca correram fora dos velódromos. Maravilha da fibra de carbono banida das corridas, então você não tem algo parecido pra comprar. Clique na imagem.

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