Arquivo da categoria: bicicletada

a heróica luta pela desmotorização das cidades entre o divino e o diabólico

O Brasil é um país encantado. Nunca desencantou-se. O sobrenatural reina acima da realidade, e o carro tem centralidade quase divina nas mentes que povoam as cidades brasileiras.

carro

É fato. O brasileiro, se não é religioso, é místico. Roberto DaMatta escreveu há algum tempo um livro interessante: “Fé em Deus e pé na tábua – como e por que o trânsito enlouquece no Brasil”.

De fato, melhor benzer o carro do que aprender a dirigir corretamente. E mais, sendo a posse do carro um presente divino, o radar só pode ser coisa diabólica a impedir o uso da graça recebida de 4 rodas.

Quem, com um olhar externo observa determinados fenômenos no Brasil, percebe também a imensa religiosidade do povo. E historicamente entende como as ideias se perpetuam. Continuar lendo

bicicultura 2016

quem foi tem uma vaga ideia do que foi o bicicultura 2016 em são paulo de tanta coisa que aconteceu. quem não foi só pode imaginar. 

a foto oficial onde estão quem chegou ao final. mas deveria ter mais umas 8 mil pessoas nessa foto, feit apelo josé renato bergo.

a foto oficial onde estão quem chegou ao final. mas deveria ter mais umas 8 mil pessoas nessa foto, feit apelo josé renato bergo.

e eu subi a augusta puxando um bonde pra bicicletada. quando chegamos ali na paulista, perto da praça do ciclsita, o casal de blumenau fez a cara de espanto. guilherme não falou nada, mas  a mariana arregalou os olhos e eu esperei ela soltar: “puta que pariu! quanto ciclista!“, mas não foi isso que ela falou. apenas comentou, entusiasmada, que nunca tinha visto tanto ciclistas juntos.

era a bicicletada internacional, do dia 27 de maio, inchada pela presença dos participantes do bicicultura de 2016. tava grandona…. como gosto, fechando a avenida paulista inteira! Continuar lendo

bicicultura 2016 SP: por que ir

paixão é vertigem, amor é construção. bicicultura é o encontro nacional da cultura da bicicleta, paixão de alguns, amor de outros. e sempre, sempre, vida plena de todos.

que elo te move, o que te liga à bicicleta, qual tua ligação com o mundo? venha descobrir!

que elo te move, o que te liga à bicicleta, qual tua ligação com o mundo? venha descobrir!

quem nunca? a primeira bicicleta? a segunda? sabemos que o número ideal de bicicletas a se ter é representado por duas fórmulas: para solteiros, N +1. para casados, S – 1. onde N representa o número atual, e S representa  número que resulta em separação.

quem nunca? aquela descida íngreme, soltar os freios? e a subida maldita, ardendo a pernas, com o ônibus atrás buzinando?

quem nunca? a primeira centena de quilômetros pedalados num dia?  olhar no espelho antes de dormir, sabe-se lá onde, e pensar: “caraca 100 km!“. Continuar lendo

obra da Prefeitura de SP induz ciclistas a erro, colocando-os em perigo!

calçada em bloquetes vermelhos, no centro da av Otto Baumgart, confunde ciclistas, que de longe não percebem que são bloquetes, mas ao tentar trafegar por eles, logo a abandonam, e têm dificuldades para atravessar de volta.

de longe parece ciclovia. mas de perto se vêem os bloquetes.

de longe parece ciclovia. mas de perto se vêem os bloquetes.

Na Zona Norte de São Paulo há muitas calçadas com bloquetes.  É comum, por exemplo, na av Tucuruvi, o arremate de parte da calçada com bloquetes vermelhos. e todo mundo sabe que aquela faixa vermelha  não é ciclovia, pois é onde estão os postes, e etc. Continuar lendo

WNRB/16 – longa vida aos pelados!

em SP, nesse sábado 5 de março, aconteceu a 9ª edição da World Naked Bike Ride. mas não só em são paulo, em salvador, blumenau, rio de janeiro, vitória, florianópolis…

ZN de SP marcando presença

ZN de SP marcando presença – foto de federica fochesato

“que monte de gente feia!” gritou  uma mulher numa esquina, enquanto outra, rindo, com o celular fotografava ou filmava a passagem de monte de cilistas nus ou seminus, com os corpos pintados, com frases alusivas à segurança no trânsito.

nu você me vê!” gritava um rapaz trajando apenas tênis e boné, sentado em sua bicicleta num cruzamento,discutindo com um motorista, ali na vila madalena. Continuar lendo

Curitiba: onde estão os 300 km de ciclovias de Gustavo Fruet?

curitiba é uma cidade pela qual tenho apreço: onde moram meus pais. visito-a desde a infância. em 2010 eu achava melhor pedalar em curitiba do que em são paulo, e hoje, cada vez que venho, menos seguro sinto-me ao pedalar por curitiba. e sempre lembro que gustavo fruet, seu prefeito,prometeu em campanha 300 km de ciclovias e foi tomar posse pedalando. mas onde estão pelos menos 100 km de ciclovias novos?

adesivos e tornozeleiras refletivas distribuidos pela prefeitura de curitiba. bons mimos, mas onde estão as novas ciclovias?

adesivos e tornozeleiras refletivas distribuídos pela prefeitura de curitiba. bons mimos, mas onde estão as novas ciclovias?

Não sejamos injustos:  áreas calmas foram instaladas em Curitiba, áreas com limite máximo de 40 km/h para os motorizados. Também antigas ciclovias e calçadas compartilhadas forma requalificadas, reformadas.

Mas onde estão os 300 km novos, 300 km de ciclovias prometidos em campanha? Continuar lendo

ELEIÇÕES CICLOBR – CARTA PROGRAMA DA CHAPA NOVA ERA

INSTITUTO CICLOBR DE FOMENTO À MOBILIDADE SUSTENTÁVEL

CARTA PROGRAMA – CHAPA NOVA ERA

O cicloativismo paulistano se apresenta num ponto de evolução interessante. Assim como aconteceu em diversos outros locais do mundo, a bicicleta começa a infiltrar-se nas sociedades como uma política contra-hegemônica, como uma resistência, uma rebeldia, até que se impõe, e os ciclistas dobram o poder público. Esse é o momento de inflexão, e cada sociedade então usa das suas próprias estruturas sociais para incluir “esse troço de bicicleta”, essa “epidemia urbana”. Nos EUA, a resposta foi uma forte institucionalização onde as instituições são simultaneamente ONGs e empresas, uma vez que esse é o perfil que o próprio direito americano proporciona. Todavia, nesse aspecto, Brasil e Europa se assemelham, no ambiente legal, e empresas não se confundem com ONGs. Na França, entre 1965 e 2010, notou-se a transição dos grupos utópicos de ciclistas, pequenos e muito arrojados, até que se tenha a bicicleta como política pública e então requerendo um conhecimento técnico muito mais profundo, pois há uma diferença entre gritar por mais ciclovias e projetá-las e implantá-las.

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