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1,70 e abaixo

A indústria parece pensar que todos temos acima de 1,75m de altura. Uma parcela considerável de homens e a grande maioria das mulheres tem menos altura e esse é um dos fatores que desestimula pedalar.

Trek Superfly 26, para pessoas entre 1,35m e 1,67m. Disponível no site americano, mas não no Brasil.

Selim com a ponta pra baixo!“, “Montar a mesa invertida pra trás!”  são às vezes a explicação que ouço ou leio de pessoas que possuem a minha altura ou menos pra conseguir pedalar suas bicicletas.

O fato é que quem tem 1,70m de altura  comumente consegue pedalar bicicletas com quadros de 54 cm de comprimento no máximo, e com mesas curtas. Poucos possuem elasticidade pra se curvarem todos pra frente sem girar a bacia pra frente, esmagando genitais e áreas correlatas nos selins.  Por isso muitos usam a ponta do selim pra baixo, o que dificultará sobremaneira o equilíbrio na bicicleta e ainda por cima a médio prazo tará lesões em punhos e mãos, além obviamente do pescoço. Continuar lendo

Ferramentas pra levar em viagem.

Você já passou perrengue na estrada e percebeu que suas ferramentas não são as adequadas?

Jogo completo da Park Tool para bicicletarias. Sonho de consumo para os curiosos, nenhuma das ferramentas dá pra levar em viagem: muito grandes.

A cena foi a seguinte: eu viajava com uma bicicleta com guidão drop e STIs. Aliás, STIs antigos, de 3×9 velocidades. Minha mão esquerda adormecia, afinal estávamos há várias horas pedalando, eu e o Rafael Buratto, amigo lá de Curitiba, sendo que fazíamos o trajeto Curitiba-Florianópolis duma tacada só. (Ao final, o trajeto que fizemos em aproximadamente 28 hora e com alforjes pesados foi de c. de 330 km).

Pra melhorar o conforto, precisei colocar o STI esquerdo um pouquinho mais virado pra dentro, como já usava do lado direito, com a mão direita zoada que tenho.

Era só afastar a borracha do STI, encaixar a chave allen e soltar um pouco. E aí, meu canivetinho de chaves alcançou? Não. Rafael emprestou o dele, um pouco maior, e pegou um pouco de lado.  E claro, estávamos cansados, com as mãos fracas. E pra fazer força, tinha alavanca? Muito pouco.

Depois, outro dia, o suporte de caramanhola deu pau, precisei trocar. Meu canivetinho alcançava o parafuso? sim, mas era um saco girar aquela coisa molenga.

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Garfo de Alumínio….

Assim: a bicicleta é delícia, mas o garfo é de alumínio. Pra curta distância e duração curta de pedal, vai. E longa distância e longa duração?

Férias, fim de ano, recesso, sempre  é tempo pruma escapada, não? Fui pra Curitiba já pensando em como dar uma escapadinha da família de poucos dias só pra poder pedalar a bicicletinha de roda grande.

Ao começar a pedalada.

Roda grande, 29! 700c gordinho! Claro que é conforto, roda bem, né? Mas se você tem menos de 1,75 m de altura, e não pode pedalar todo esticado pra frente como fica o Superman voando, achar bike de roda grande é problema. Assim, quando apareceu uma bikezinha de 2013, a mais basicona daquela linha, tamanho XS, quadro 49cm, eu dei um jeito de comprar ano passado. É uma Specialized Tricross X3, Tricross  Triple. Simplesmente o modelo mais básico, simples, das Tricross que deixaram de ser fabricadas em… 2013! É, a mais básica da última leva. Sem encaixe pra freios a disco. Cantilevers mesmo. Pra migrar pra disco, só tem que trocar garfo e quadro…. E rodas…

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POR QUE A SHIMANO MANTÉM GRUPOS DE 7 E 8 MARCHAS?

Existem o marketing. Existe a demanda. Marketing quer induzir uma certa demanda, mas a demanda por sua vez nem sempre se submete ao marketing.

As inovações possuem um limite: o corpo do ciclista. E em matéria de tecnologia ciclística, lembremos que as novas tecnologias não substituem as antigas, mas apenas se soma à elas.

Fator Q. Quanto maior a distância entre um pé e outro, pior o desempenho.

Não podemos pedalar de pernas muito abertas: há uma distância que os pés podem ficar um do outro, ao pedalar. Quanto maior essa distância, menor o aproveitamento da força aplicada aos pedais, ou melhor, do esforço do ciclista.

Grame Obree, recordista em velódromo, inovador em tecnologia, dizia que a distância ótima entre um pé e outro é de apenas a largura duma banana. Na prática pedalamos com distâncias maiores.

Essa distância é o fator Q. Esse fator vai limitar a expansão do número de pinhões nos cassetes.

As bicicletas de estrada bem mais antigas usavam gancheiras traseiras com distância de 126mm. Posteriormente, com as catracas de 7 velocidades, pularam para 130mm. Nas MTTBs, pra permitir uma raiação mais forte, passaram a usar a largura de 135mm, pois as pedivelas também respeitavam uma distância maior entre os pedais, por conta da largura da roda traseira. Continuar lendo

Paris-Roubaix! Maternidade das “gravel bikes”?

Hoje a gente tem essas bicicletas deliciosas pra pilotar em terreno ruim, as gravel bikes.  Mas houve uma época em que esse conceito foi usado em algumas provas de estrada muito doidas – e muito antigas.

Bianchi 1996 em titânio, com suspensão à frente e atrás. Bicicleta pra Paris-Roubaix.

No início, asfalto liso não existia. E toda corrida de estrada era portanto em estrada de terra batida. E as bicicletas eram pra isso. Só que depois o asfalto se disseminou. Mas…. Algumas corridas mantiveram seus trajetos ou características desde o final do século XIX. São as clássicas monumentais. E uma delas parece a corrida maluca, com tantas pedras, lama e etc, é a Paris-Roubaix. Lembrando que há poucos anos teve uma edição do Tour de France que usou trechos assim.

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GRAVEL? DE ONDE VIERAM ESSAS BICICLETAS?

“Gravel bike”. De repente numa conversa surge esse termo. Alguém mais velho olha e pergunta: “é uma bicicleta de ciclo-cross?”, outro palpita: “não, é uma touring com pneu pra terra”… Tá todo mundo errado e todo mundo certo. Vamos entender?

Jacques Anquetil nos anos 1960, num Tour de France. A estrada é de terra e cascalho…

Assim, a geração que nasceu lá pelos anos 80 e diante não tem memória duma época em que ou pedalávamos numa Barra Forte ou Barra Circular, ou então iampos pras Caloi 10, Monark 10, Peugeot 10…. Bicicleta “de verdade” pra quem foi adolescente no final dos 70 e começo de anos 80, era uma dessas. Pois as primeiras MTBs vieram depois.

As famosas “qualquer coisa 10” eram pesadas e meio grandes demais, mas tinham uma característica: copiavam geometria de antigas tourings europeias. Tinham imensas rodas aro 27 (ISO 630mm, maior que as rodas 700c/29 – ISO 622mm – e muito maior que os ditos 27,5 – ISO 584mm), a traseira dessas bicicletas era de longos 46 cm (3cm mais longas do que os 43cm habituais de uma MTB de aro 26), e o garfo fazia uma longa curva pra frente. Continuar lendo

15″, 17″, 19″… Por que essas medidas não dizem nada.

Ao comprar uma bicicleta, o vendedor avisa: a bicicleta é tamanho 15 polegadas! E vc compra e depois descobre que ela tem  o comprimento duma jamanta….

Geometria de uma estradeira da Burls. Quadro slooping, tem 500mm de tubo superior efetivo e 484,1mm de tubo superior real.

Ao comprar uma bicicleta, deve-se ter uma medida em mente: o comprimento EFETIVO do quadro. Por qual motivo? Se ele for muito comprido para seu corpo, não importa o que você tente trocar, ele será desconfortável para você.

Não adianta simplesmente levantar o guidão: o quadro continua comprido.

Ora, isso pode não parecer problema para quem tem acima de 1,80m de altura, mas abaixo disso e principalmente abaixo de 1,60m de altura, essa medida é crucial pois boa parte das bicicletas vendidas no Brasil não são para a média da altura do brasileiro.

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