UMA SÓ COROA!

Sistemas de coroa única estão por aí em muitas bicicletas. São ótimos mas não são perfeitos. Vamos entender?

cassete ZTTO 11-52 de 12 velocidades.

A coisa se deu assim. No início era uma só coroa e só um pinhão na relação da bicicleta. Com o tempo foram acrescentando pinhões. Um, dois, três, quatro, cinco… E alguém inventou como colocar uma segunda coroa. Bingo! de 5 pulou pra 10! 5 X 2….

De lá pra cá chegou-se a 3 coroas e 10 pinhões no cassete. 30 marchas! Das quais umas 16 ou 17 são utilizáveis – o resto é sobreposição ou então cruzamentos de corrente que inviabilizam o uso, como usar na coroa menor e no pinhão menor, com a corrente pegando no câmbio dianteiro e até na coroa do lado, de tão cruzada….

Com os cassetes 11-36 a turma do MTB passou a não precisar mais de 3 coroas. competidores tiraram uma coroa. Alguns em algumas provas precisavam de pedivelas de uma única coroa, pois a amplitude do cassete já satisfazia sua necessidade de marchas.

chegaram cassetes 11-40, 11-42, 11-46… e daí pra quê 3 ou ou 2 coroas?

SRAM lança o primeiro sistema de uma única coroa. Seguem-lhe outros fabricantes. Sem câmbio dianteiro, sem trocador dianteiro, sem cabo pro câmbio dianteiro. Pra aquelas MTBs com suspensão traseira isso resolvia o problema de muitos projetos: onde acomodar um câmbio dianteiro?

Mas nem tudo são flores.

Usuários amadores, sem poder modificar a relação da bicicleta pra cada percurso diferente, começaram a perceber problemas de amplitude: se tem marcha pra subida não tem marcha pesada pra plano ou descida. Se tem marcha pra ir rápido uma descida, falta na subida.

Segundo problema: trabalhando a corrente de forma cruzada, uma tendência acentuada pra corrente pular fora da coroa.

Terceiro problema: maior fragilidade da corrente pra 10, 11 ou 12 velocidades.

A indústria tem procurado solucionar esses problemas.

Hoje temos no mercado cassetes 11-52 dentes. Permite montar uma bicicleta com marcha mais curta de 1,5 m de deslocamento por pedalada completa e 7,1 m na marcha mais pesada. Ainda não tem a amplitude de um sistema de coroas triplas mas chega bem perto.

Para a corrente não pular fora da coroa, surgiram coroas com dentes mais longos. São conhecidas como coroas narrow-wide. Dispensam instalar guias de corrente.

E pra correntes quebrando… nada como levar links extra, e chaves de corrente. Aliás, nunca o mercado teve chaves de corrente tão legais. Mas uma corrente pra 12 velocidades continua a ser muito menos durável que uma corrente pra 7/8 velocidades.  Pergunte ao mecânico da bicicletaria – não ao dono.

É fato: se não precisa de mais de uma coroa na sua combinação de marchas, não use câmbio dianteiro.

Mas se você vai sair pra dar uma volta ao mundo, lembre que a criação das pedivelas triplas não veio das MTBs, mas dos cicloturistas, no início dos anos 1970, antes da invenção das MTBs, responsáveis por popularizar essa configuração.

O fato é que pedivelas duplos e triplos – e consequentemente câmbios dianteiros – existirão por muito tempo., pois os cicloturistas precisam de muita amplitude e de durabilidade nas relações de suas bicicletas. E logo novas soluções pra quem usa sistemas de uma única coroa também, por exemplo, correntes mais duráveis. É esperar pra ver.

Uma resposta para “UMA SÓ COROA!

  1. Olha aqui uma gravel com duas coroas sendo apresentada como se isso fosse uma grande novidade:
    https://www.bicycling.com/bikes-gear/a28104674/cannondale-topstone-crb-review/

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s