650c: muito cuidado.

rodas 650c fizeram muito sucesso entre triatletas nos anos 1990. hoje parecem ser um mico, a não ser que o ciclista tenha pouca estatura.

Softride Powerwing . Sem o tubo vertical, rodas 650c de 4 raios em carbono, modelo roda banido em razão das lâminas que forma quando a roda quebra num tombo.

Se você tem menos de 1,70 de altura talvez não consiga fit adequado numa bicicleta de triatlo ou contrarrelógio. Pois para acomodar uma roda grande – 700c – na frente, o quadro não apenas precisa ser mais alto, mas mais longo.

E se você vai pedalar apoiado nos cotovelos, todo dobrado pra frente, o quadro não pode ser tão longo.

Mas  a não ser que você caia nesses casos, uma bicicleta com rodas 650c pode não ser uma boa escolha para você. Explico.

Aros 650c foram também chamados de aro 26 de triatlo. A terminologia 700c, 700b, 700a, 650c, 650b, 650a é de origem europeia e refere-se a medidas externas das rodas. Mas o que nos interessa muitas vezes são as medidas internas de encaixe dos pneus.

A roda chamada de 29 polegadas tem encaixe de pneu de 622mm de diâmetro, igual à 28 das bicicletas urbanas dos europeus, e aos 700c das bicicletas de estrada mais comuns.

A roda 26 das MTBs tem encaixe de pneu de 559mm de diâmetro. As rodas chamadas de 27,5 (ou 26 1 e 1/2, ou 650b) possuem 584mm de encaixe. As rodas chamadas de 650c, tem 571mm de encaixe. Notou que elas estão no meio do caminho entre rodas 26 e 27,5?São rodas menores que as rodas 700c. Por isso foram consideradas nos anos 1990, como rodas mais aerodinâmicas. Como no triatlo não é permitido o uso do vácuo entre ciclistas, seus trajetos se assemelham aos contrarrelógios individuais.

Nos anos 1990, fora das regras restritivas da UCI, o triatlo foi o grande campo de experimentação da aerodinâmica das bicicletas de montar (nunca foram permitidas reclinadas nos triatlos).

Triatletas testaram bicicletas sem determinados tubos, como o tubo vertical, havendo pelo menos três fabricantes de bicicletas assim: Softride, Zipp e Titan-Flex, com quadros parecendo um V deitado. Também experimentaram ângulos extremamente altos do tubo vertical do quadro, para permitir o ciclista pedalar mais inclinado pra frente. Enquanto uma MTB costuma ter 72 ou 73 graus de inclinação no tubo vertical, estradeiras possuem em média 74 graus, muitas bicicletas de triatlo da época possuíam de 78 até 84 graus.

E claro, as quase onipresentes rodas menores: 650c. Nessa época, não era difícil achar pneus, raios e aros nessa medida.

Só que há 20 anos a indústria decretou a morte dessas rodas. Não morreram completamente, mas sobreviveram apenas nas estradeiras bem pequenas, por exemplo, com quadros de 43 cm de tubo vertical por 43cm de tubo superior horizontal. Basicamente bicicletas para mulheres baixas e juvenis.

Só se acham componentes pra roda 650c importando, e lembrando que não é de qualquer loja no exterior que consigamos importar peças assim. Fiz uma busca em sites de grandes lojas brasileiras e nenhuma delas tem esses componentes. No mercado livre, quando aparece alguma coisa nessa medida é: bicicleta antiga, roda muito antiga, ou então as câmaras pra pneu 26 com 1 polegada de largura, que dá pra usar nos aros 650c.

Quadros? Apenas antigos quadros de triatlo. Muitos moscam durante muito tempo no Mercado Livre e no OLX, por não possuírem seus garfos.

Aliás, garfos para 650c só importando, e raramente, mas muito raramente, na medida standard (espigas de 1 polegada) dos antigos quadros de triatlo. Pois se há garfos nessa medida lá fora, é pra suprir as atuais estradeiras juvenis nas medidas atuais (espiga over), e com isso também suas espigas não são muito compridas.

Uma solução, que usei no começo de 2010 pra salvar um antigo conjunto quadro + garfo pra 650c foi adaptar rodas 26, aquelas de MTB. Só é possível usando pneus 26 de 1 polegada, hoje também raros de se achar (não cabem pneus 26 x 1,25, roda com esse pneu não entra no quadro, tentei…). E usando freios tipo  ferradura de alcance um pouco mais longo. Na minha bicicleta instalei uns Alhonga bem baratinhos funcionam bem, no limite do alcance. Uso apenas para trajetos curtos, pois com rodas tão pequenas e pneus finos, ela repassa bastante os impactos da buraqueira do asfalto de São Paulo.

Claro, uma pessoa de menor beneficia-se com uma bicicleta mais adequada ao seu fit. Ou seja, se você tem menos de 1,60, e pratica triatlo, procure uma bicicleta adequada ao seu tamanho comesse tamanho de roda. E mesmo sendo essas rodas mais duras, sendo a pessoa mais leve, sofrerá menos. Mas gente mais pesada como eu, sofre….

Mas prepare-se para a pouca disponibilidade no mercado brasileiro. Entenda que o comerciante brasileiro, com raras e notáveis exceções, só vende o que vende bastante. Note que mesmo a representação oficial de grandes marcas como Cannondale, Specialized e etc nem trazem para o Brasil bicicletas de grande venda no tamanho S, trazendo só as M e L. Duvida? tente achar numa loja uma Cannondale Badboy S. E a única Specialized Tricross tamanho S que vi no Brasil uma pessoa trouxe no avião.

Muitos comerciantes nem tem mais rodas aro 26 para MTBs!

O que dirá lojistas trabalharem com tamanhos de roda menos comuns hoje em dia?

O mercado brasileiro é tão cego em relação a ciclistas de menor estatura que nem pedivelas mais curtos achamos. Duvida? Leia nesse texto aqui da grande diva do MTB brasileiro, Renata Falzoni, falando sobre pedivelas.

Em resumo: se tem uma bicicleta 650c, “case” com ela, como fiz com a minha Bassinho que uso só de vez em quando. Ou, se não tem 1,58 de altura e não precisa de uma bicicleta com rodas menores, evite. A não ser que seja colecionador.

 

 

 

3 Respostas para “650c: muito cuidado.

  1. Ogum, a muito tempo que notei que por aqui certos padrões e medidas são raros, até mesmo pneus pra aro 26, muito antes das 29 dominarem o mercado, estavam dentro de certos “padrões” de medidas:
    Tinham vários entre 1″ e 1.5″, depois era um salto direto ao 1.9/1.95″ e maiores, nada de medidas intermediárias entre o 1.5″ e 1.95″, mesmo sendo pneus slick.
    Hoje que penso em montar pneus 26×1.75/” na minha urbaninha só tenho a opção de importar os pneus, pois os mesmos são muito raros no mercado (geralmente é sobra de alguma bike nova);
    Se for levar essa ideia adiante, terei que apelar ao Ali para comprar estes pneus.

    • Talvez tenha na bicicletaria do Sr. Eduardo Puertollano, na ZN de SP. Mas de fato, 175 é uma medida cada vez mais difícil de achar pra 26, pq o próprio 26 se torna menos comum, e as bicicletarias daí focam no feijão com arroz.

  2. Nas minhas andanças pelas lojas de bicis de São Paulo em busca de uma “gravel” não muito cara já ouvi mais de uma vez de vendedores que deveria evitar modelos com inovações que implicam em peças fora do padrão – a Cannondale Slate, por causa das rodas 650b, e as versões da spz Diverge com amortecedor future shock na mesa, por exemplo. Não é ilógico, dado o nosso grau de isolamento e protecionismo, mas é chato.

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