MARASMO DOS FABRICANTES OU JAULA DA UCI?

colega ciclista pergunta se “mesmice” das bicicletas do pelotão pro tour se deve a conservadorismo dos ciclistas ou da UCI. a resposta em imagens.

UCI: Union Cycliste Internacionale. Fundada em 1900. Responsável pelas regras para competições de bicicletas mais aceitas pelo mundo, profissionais e amadoras, olímpicas ou não. Sua atuação é controversa, pra uns mantendo a competitividade das modalidades, pra outros, impedindo a inovação. Algumas imagens para você pensar sobre isso, e por qual motivo sua bicicleta pode ser mais desconfortável ou mais lenda do que você gostaria.

Lotus 108. Quadro monocoque, brevemente considerado legal pela UCI. Chris Boardmann bateu um recorde com essa bicicleta na Olimpíada de 1992, na perseguição de 4000m. projeto já dos anos 80, depois licenciado pela Lotus, que fabricou 15 exemplares. Nunca correram fora dos velódromos. Maravilha da fibra de carbono banida das corridas, então você não tem algo parecido pra comprar. Clique na imagem.

Specialized Shiv 2010. A UCI criou a regra “3×1” que diz que um tubo não pode ser de um lado 3 vezes mais largo do que no sentido transversal. ou seja, o formato gota tem limite. se de lado a lado o tubo tem 1 cm, na “altura” não pode ter mais que 3 cm. veja que perto da caixa de direção o tubo se estende bastante para trás… E melhora a aerodinâmica. Clique na imagem pra ler mais.

Meias compridas. Pra evitar o uso de meias de compressão, as meias deve no máximo ir até a metade da distância entre os tornozelos e joelhos. E por isso tem gente que acha “brega” você usar uma meia comprida e a prova de água naquele dia frio e chuvoso.

Talvez você não saiba, mas o guidão drop clássico das estradeiras existe apenas em razão de uma antiga regra da UCI impedindo que o guidão tenha pontas que possa machucar outros ciclistas numa prova. Afinal, tombos no pelotão são desastrosos. nos Anos 90 a Cinelli inventou esses suportes que permitem uma posição mais aerodinâmica. mas logo a UCI os baniu. Nada impede que você tenha algo parecido pra usar num Audax, viu?

Posição agachada. Está vendo essa foto? }O Genial Graeme Obree fez essa bicicleta usando peças de uma máquina de lavar(só o último momento a Specialized emprestou essas rodas) e nessa posição agachada, em 17/7/1993 bateu o Recorde Mundial de Ciclismo da Hora, estabelecendo 51.596 km.
Photo: Offside / L’Equipe. Esse recorde só voi batido por Chirs Boardmann, com a Lotus 108 que começa esse post. Esses recordes foram anulados posteriormente quando essas bicicletas foram banidas.

Posição Superman. Obree, após a anulação do seu recorde, criou outra posição superaerodinâmica. Mas depois a UCI baniu de novo seu recorde. Hoje ninguém pode usar essa posição numa prova de Time Trial ou de pista, com os braços completamente esticados.

Roda menor na frente. Nesta foto, uma velha Schwinn Prologue de contra-relógio. Uma forma de melhora a aerodinâmica é baixa a frente da bicicleta e com isso baixa a posição do ciclista. Isso foi comum há poucas décadas. hoje não é mais permitido.

Rodas fechadas na frente. Essa F. Moser de contra relógio é duplamente ilegal. Roda menor na frente, e fechada, mais aerodinâmica. Se pegar vento de lado.. aí complica. Mas que anda rápido na reta, anda.

Quadro em V não é permitido. Aliás, nenhum quadro onde não se veja claramente dois triângulos quando olhamos de lado não é mais permitido. Hohe nem o quadro monotubo de da Old Faithfull de Graeme Obree é permitido. Ou seja, há pouco espaço pra grandes inovações na geometria das bicicletas, a não ser por pequenos detalhes. Nesta foto, uma Softride Rocket Wing. Modelo que reinou nos triatlos na década de 1990.

Reclinadas. Em 1933 Francis Fauré ganhou virtualmente todas as competições que participopu, incluindo bater o recorde da hora. em 1934 a UCI baniu as reclinadas. Hoje reclinadas carenadas passam de 130 km/h de velocidade em sprint,. E se a UCI não as tivesse banido, a história das bicicletas seria outra e ninguém teria assaduras por causa do selim.

Isso é só uma amostra das interferências das regras da UCI nas bicicletas de competição e, por tabela, o que as indústrias vão oferecer a você. Se você não conhece outras possibilidades, não as deseja nem as usa. Isso é fato. Mas que o mundo das bicicletas vai muito além das competições, isso vai. Então, informe-se. Procure, pesquise.

 

 

6 Respostas para “MARASMO DOS FABRICANTES OU JAULA DA UCI?

  1. 👏👏👏👏

  2. Muito bom. Algumas observações:

    1 – A UCI diz que restringe as inovações para manter o foco das competições nos atletas, e não no equipamento. Acho razoável. Não gostaria que o World Tour virasse uma espécie de F1 com pedais.

    2 – Posição aerodinâmica: quanto tempo até a UCI proibir essa gracinha de sentar no tubo nas descidas?

    3 – A relação entre inovação em competição e no mercado de massa nem sempre é simples; tem muita coisa que só faz sentido nas pistas, e vice-versa. Mas não sou ludita não. Ainda vou ter uma Moulton.

    • João, se puder assista um filme chamado “O Escocês voador” que é a história do Graeme Obree. A UCI só proíbe novidade que não é acessível imediatamente a todas grandes indústrias. Por isso normalmente a proibição é à posteriori. O pelotão apita muito pouco, pois pelo pelotão não haveria bicicleta com freio a disco no pro tour, pois são eles que se cortam nos tombos do pelote. Mas a indústria impôs e o disco tá chegando. Em tese é pra manter competitividade, mas não é assim. vide como acobertaram, se cegaram, por anos, ao caso do Lance Armstrong, que tá fora das corridas por uma decisão da Justiça Americana, não da UCI ou da Wada… Pelo menos não inicialmente. Pois era muito bom pros negócios vitórias americanas pra vender bicicletas…. Até uma trekzinha que eu tenho tem o selinho de campeã do TDF… Vende, né?

  3. No MotoVelocidade ate um tempo erao 2 tempos,por imposiçao das fabricas,todos mudarao pra 4 tempos,no Formula 1,houve um tempo onde 2 fabricantes dominavam,pois erao os mais ricos,no Stock Car br os carros sao identicos ao ponto dos motores serem sorteados antes do inicio da temporada.Ou seja,nao é facil pra uma organizaçao juntar segurança,regras(antidopings,veja o caso dos motores eletricos),comercial(nao afastar patrocinadores),e nao,nao to falando so de um tipo de competiçao.
    Algumas coisas sao acertadas,outros sao erros,outros parece algo ditatorial.Eu q nao queria ser um juiz da UCI…
    Ruin com ela(regulando,dizendo como sera o circuito,por ex)pior sem uma organizaçao com regras.
    Falar q “vivo sem a UCI,veja as comp de Enduro”, eu digo,o Enduro tem entidade regulatoria propria,nao ha competiçao sem entidade pra gerir regras,e ela sempre tera erros e acertos.

    • Eu aprovo a filosofia da UCI, em termos gerais — restringir um tanto o desenvolvimento das bicis para manter o foco da competição nos atletas. Até aí tudo bem. O problema maior é que parece que o ciclismo nunca vai se livrar da sombra do doping.

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