Paris-Roubaix! Maternidade das “gravel bikes”?

Hoje a gente tem essas bicicletas deliciosas pra pilotar em terreno ruim, as gravel bikes.  Mas houve uma época em que esse conceito foi usado em algumas provas de estrada muito doidas – e muito antigas.

Bianchi 1996 em titânio, com suspensão à frente e atrás. Bicicleta pra Paris-Roubaix.

No início, asfalto liso não existia. E toda corrida de estrada era portanto em estrada de terra batida. E as bicicletas eram pra isso. Só que depois o asfalto se disseminou. Mas…. Algumas corridas mantiveram seus trajetos ou características desde o final do século XIX. São as clássicas monumentais. E uma delas parece a corrida maluca, com tantas pedras, lama e etc, é a Paris-Roubaix. Lembrando que há poucos anos teve uma edição do Tour de France que usou trechos assim.

Mas qual ciclista pro não pensa em vencer a Paris-Roubaix? E qual empresa não quer apresentar a bicicleta com nova tecnologia que também vença a Paris-Roubaix?

Johann Museeuw em 1994. Pena a corrente ter quebrado faltando apenas 24 km pra chegada em Roubaix. Ah, a bicicleta é full suspension….

O interessante foi a inventividade nos anos 1990 que fez surgir bicicletas estranhas, diferentes, resistentes, ou mesmo simplesmente mais confortáveis permitindo o ciclista socar a lenha apesar das más condições da estrada.

Um detalhe precisa ser lembrado: corridas de estrada usam bicicletas com guidão drop, como regra. Guidão drop não tem ponta pra machucar como tem um guidão bull-horn, no caso de tombos que envolvam muita gente. É por esse motivo que a regra obriga o uso de guidões drop.

Paris-Roubaix 2014. Terpstra pilotou uma Specialized S-Works Roubaix SL4 , com pneu tubular de 30mm atrás – como mostra a foto, e 28mm na frente. E essa combinação ganhou a prova.

Pois nos anos mais recentes etapas com trechos em paralelepípedos  e eventualmente terra, especialmente em dias de chuva, têm adicionado bastante lama a bicicletas em grandes voltas, como o Tour de France.

Paralelepípedos, lama, tombos. é a etapa 5 do TDF de 2014.

Mas, de fato, lama é na Paris-Roubaix. Desde sempre. E nessa corrida, relativamente plana – onde portanto uma bicicleta pode ser um pouco mais pesada sem que isso sacrifique desempenho – vemos novas tecnologias sendo testadas. De pneus mais largos a freios a disco, passando por geometrias de quadros que privilegiem conforto – as chamadas bicicletas de endurance, boas pra quem faz Audaxes, com geometria mais confortável e frente ligeiramente mais alta, por exemplo, muitas vezes são vistas sendo usadas por profissionais nessa prova.

Não raro modelos que vemos sendo usados na Paris-Roubaix aparecem no ano seguinte sendo vendidos  justamente como modelos de endurance, gran-fondo e etc. Ou em alguns casos, como modelos de ciclocross. Pois há quem use essas bicicletas, mesmo que mais lentas nos trechos de asfalto, pelo conforto nos trechos de paralelepípedos e lama.

Mas sempre lembrando que todas as bicicletas que participam dessas corridas estão dentro das estritas regras da UCI. Por isso você nunca verá uma bicicleta com geometria diferente do tradicional quadro diamante percorrendo essas corridas. Uma Softride como da foto abaixo hoje é ilegal em eventos da UCI.

Softride Powerwing. Aerodinâmica fenomenal, conforto idem, mas ilegal nas provas da UCI.

Corridas com essas adversidades são excelentes laboratórios para novas tecnologias. Mas poderiam ser mais livres, no entanto as regras da UCI são bem restritivas. O que explica a lenta evolução atual das bicicletas. Pena.

No entanto, lembre que se você não participa dessas corridas, é livre pra usar o equipamento que quiser. Como fez o coleguinha Tux, percorrendo diversos audaxes com uma dobrável de aro 20. Ou o Nino Coutinho fazendo o Paris-Brest-Paris numa reclinada. No mundo dos amadores, a liberdade reina. E aí que está a graça!

 

3 Respostas para “Paris-Roubaix! Maternidade das “gravel bikes”?

  1. não conhecia estes modelos full! bacana o texto

  2. Luiz Fernando Fernandes

    Vale lembrar da Caloi/Eddy Merckx usada por Andrei Tchmil em 1994, equipada com umas suspensão Rock Shox.
    Repare que a bicicleta Specialized Roubaix só é usada clássica francesa.
    Esse ano o Peter Sagan usou um modelo com freio ferradura, cambio Dura-Ace RX mecânico e uma versão com trava do Futureshock. Na Strade Bianchi esse ano a equipe Bora usou a Allez.

    • Luiz Fernando Fernandes

      Errata, Era a Tarmac e não a Allez que foi usada na Strate Bianche pela Bpra. O Terprstra foi terceiro na Paris-Roubaix a bordo de uma Tarmac.

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