SHIMERGO NEWS!

Novidades no “mix ‘n match!” ŕa cicloturistas e graveleiros, pra misturar peças e se virar com o que se tem!

agora dá pra usar com câmbios
Shimano

Assim. Nas últimas décadas as bicicletas de estrada se tornaram cada vez mais bicicletas de competição ultra especializada.  E na outra ponta, as MTBs se tornaram verdadeiros jipinhos a pedal, ultra-especializadas.

Nessa brincadeira da evolução das bicicletas, perdeu-se a versatilidade. Salvo algumas tourings, ou vc usava pneus finos e quadros e garfos rígidos, ou pneuzões e suspensões pra todo lado. Só olhar a geometria duma Trek 850 da metade dos anos 1980, com sua caixa de movimento central baixa, seu garfo rígido, e olhar uma atual 29er pra XC, ou pior, olhar uma bicicleta de Downhill, pra ver a diferença.

Mas mesmo as tourings foram ficando bicicletas mais especializadas: pneus 26 pra aguentar peso e ter peça de reposição em qual.quer lugar do mundo, o guidão borboleta substituiu o velho guidão drop e quem viaja com uma bicicleta carregada quer mais é usar pedivela 42-32-22 e no mínimo 11-34 atrás com rodinhas 26.

De outro lado, desde os anos 70 cresceu anoção de “grupos” de peças. Se antes câmbio traseiro era Campagnolo ou mesmo Suntour, dianteiro era de qualquer marca, freiso eram Weimann, alavancas de quadro eram Huret, ou Sachs… Hoje vigora a regra do grupo fechado: tudo Dura-Ace, tudo Tiagra, tudo Super-Record….

E as empresas foram fazendo com que nada combinasse com nada, a não ser das peças de sua marca, ou mesmo do grupo. Claro, de um lado tecnologias avançando, mas de outro também um tanto de obsolescência programada e reserva de mercado.

E quem queria algo que não fosse nem uma coisa nem outra?  Apelava pruma ciclocross. Mas peraí, ciclocross também é esporte e suas bicicletas se especializaram. Tem até grupos de peças específicos, como pedivela com coroas de 46 e 36 dentes (note, não é o compacto de estrada, 50-34). E se antigas bicicletas de ciclocross pareciam apenas bicicletas de estrada com pneus mais largos e freios cantilever de cabo suspensório, hoje são bicicletas com geometria própria, com caixas de movimento central altas como nos quadros de MTB – característica boa para o esporte, mas que diminui a dirigibilidade típica e o conforto de bicicletas de estrada e de tourings.

Lá pela metade da década de 2000 a Specialized lança a Tricross, que não é uma gravel, mas não é uma touring, não é uma ciclocross e gravel bikes como as atuais não existiam ainda.

E claro, com grupo de ciclocross e suas limitações.

Mas lembremos que há sempre os que subvertem as regras. Cicloturistas são um grupo formado por “subversivos”, pela mania de adaptar bicicletas para as viagens, e procurar relações de marchas, peças e etc, que lhes sirvam bem.

Quem prefere guidão drop pra cicloturismo logo percebeu que, naquela época, era melhor usar os Ergopowers da Campagnolo que os STIs da Shimano. E por dois motivos e eventualmente um terceiro motivo.

O primeiro motivo é que os Ergos não tinham – e não tem até hoje – os cabos de câmbio pra fora como os STIS em sua totalidade possuíam. Lembremos que A linha Dura-Ace da Shimano tinha essa característica até o grupo 7800. Esses cabos impedem ou dificultam bastante usar uma bolsa de guidão. Segundo motivo é que os STIs tinham trocas indexadas para o câmbio dianteiro, e os Ergos não, e a Shimano tem até hoje taxas de puxada de cabo diferentes para os câmbios dianteiros de estrada e de MTB. E cicloturistas queriam usar guidão drop e pedivelas com relações curtinhas: coroas 42-32-22…. Boas pra subir os Himalaias carregando 30 kg de peso fora a bicicleta…. Os Ergopowers, não sendo indexados no trocador  esquerdo, funcionavam bem com qualquer câmbio dianteiro.

O terceiro motivo é a forma de acionamento das marchas. Nos STIs, as alavancas de freio fazem dois movimentos distintos:  um pra frear, outro, pro lado, pra trocar de marchas. Esse detalhe faz com que, às vezes, mais do que frear, troquemos de marcha involuntariamente. Menos comum rodando no asfalto, mas mais comum pulando numa estrada de chão batido.

Isso já tinha sido percebido pelos cicloturistas, que gostavam do sistema da Campagnolo, com uma alavanca ou botão pra cada coisa.

Mas daí o problema pulava pra parte de trás. Campagnolo sem grupos de MTB (teve grupos de MTB por um período curto de tempo). E cassetes do padrão Shimano disponíveis em qualquer esquina. Quem não queria um câmbio traseiro trocando 11-34, da Shimano, mas funcionando comum Ergo?

Aí começam os testes pra fazer casar relações. Colo abaixo uma tabelinha que já foi publicada nesse link aqui mas não sei o porquê depois suprimida.

as 3 formas de prender um cabo num câmbio traseiro Shimano de MTB até 9v e de estrada até 10v.

Ou Seja, arranjaram um jeito de fazer essa mistura.

Num outro lado, o povo do MTB deu um jeito de misturar peças da Sram e da Shimano. Ora, Câmbios Shimano usavam taxa 2:1 e Sram 1:1. Então Shimano criou a série Dyna-Sys, trocou a puxada do cabo e então o pessoalzinho do MTB resolveu misturar. Descobrem primeiro que trocador Dyna Sys funcionava com câmbio Sram . Tá aí o videozinho de 2011 dum ciclista brasileiro usando trocador Dyna-Sys de 10 velocidades acionando um câmbio Sram x0 de 9v, com cassete de 10v.

 

E a ordem dos fatores alter ao produto? Pelo jeito não. Tá aí um câmbio Dyna Sys (10v Shimano) sendo usado com cassete de 9v e trocador Sram….

https://www.pinkbike.com/video/295848/

E por quê misturar? Ora, será que todo mundo quer usar 10v, 11v ou 12v, se uma corrente de 8v custa entre uns 30 e 50 reais e correntes de 9v são mais baratas e duram mais que as de 11v? Será que todo mundo quer pagar caro e comprar peças de reposição via internet apenas?

Não, as pessoas querem opções. E cicloturistas e atualmente os graveleiros querem mais opções para marchas. Já que gravel bike não é nem MTB nem speed, relações que não são nem dum tipo de bicicleta nem de outro são bem vindas.

E então a Shimano lança a linha de 11v na estrada. E a linha Tiagra 4700. E muda a taxa de puxada de câmbio. Ora, bateu com os trocadores Campagnolo! Sim, usando trocadores Campagnolo de 9v (do novo estilo) pra cima, você pode usar câmbios (desde que sejam de 11v ou Tiagra 4700), correntes e cassetes Shimano, que são muito mais fáceis de achar e em maior variedade de configurações que os equivalentes Campagnolo, além de mas baratos.

Afinal, quando você tomar aquele tombaço na estradinha de terra, o que doerá menos no coração: trocar um câmbio Tiagra ou um câmbio Chorus?

Pois é. o negócio é misturar, de acordo com suas preferências e suas disponibilidades. Subvertendo a indústria a nosso favor. Misturemos e façamos funcionar.

Pedalemos, pois.

 

 

 

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