VIAJANDO COM A BICICLETA

Levar a bicicleta na viagem! Delícia! Seja por que vamos fazer uma cicloviagem em outro lugar, seja por que queremos levar nosso veículo para circular naquela cidade. Mas vamos aos perrengues.

Alguém não lembrou que havia bicicletas em cima do carro.

Minha primeira bicicleta era uma Berlinettinha dobrável. Aro 18 ou14, não sei. Ganhei do Papai Noel num natal, e logo viajamos, e convenci meus pais a levar a bicicleta. Ela foi: dobrado o quadro, dobrados os guidões (sim, essa bicicleta temo guidão em duas partes).. Paramos no meio da estrada não sei o porquê, eu queria andar de bicicleta, ela tava desmontada, não consegui andar. Lembro bem, dada a minha frustração. Mas chegando à casa dos meus avós, tava lá minha bicicleta! Meu pai montou. (posso chamar isso de minha primeira cicloviagem?)

Depois de grande resolvi levar bicicletas em viagens. Se vão em carros de amigos, sempre há modos de levar. Se vão em ônibus, outros modos. E se vão em aviões, pior ainda. Vamos ver como fazemos?

I. Carros, vans, picapes.

Você pode levar bicicletas nesses veículos de várias formas, dentro e fora do veículo

Uma forma é levar num bagageiro especial, que normalmente chamamos pelo nome em inglês: rack. Seja em cima do carro, em calhas, seja atrás. Há legislação que trata do assunto. Você tem que evitar que a bicicleta tampe a iluminação e a placa. Se tampar, é necessário usar a Régua de sinalização com uma segunda placa, com lacre. Mais fácil colocar um rack de teto, né? Se seu carro, permite, use. Mas cuidado com a altura, e escolha uma forma de manter a bicicleta presa, bem presa, mega presa, ultra presa, o mais presa possível. Pois já ouvi muitos relatos de gente que teve a bicicleta voando na estrada. E lembre de não correr muito, pois aumentando a velocidade, com aquela “vela” no teto, a resistência do ar pode fazer seu amado bólido ciclístico voar longe.

E claro, atente à altura. Nada pior do que entrar numa garagem baixa com aquela sua linda Pinarello Dogma presa em cima…. Claft, crack pum! E daí aquela dor no coração, aquele luto de décadas…

Se for levar dentro do veículo, acomode adequadamente. Eu já consegui levar uma MTB aro 26, quadro tamanho 17 polegadas, num porta-malas de Celta, sem rebaixar o banco traseiro Tirei rodas, bagageiro, soltei canote, virei guidão,e coube tudo no porta-malas, junto com os alforjes. Foi a última vez que meu pai me ajudou a montar uma bicicleta, depois a viagem.

Tenho amigos que têm vans ou veículo maiores, e levam bicicletas inteiras atrás, com os bancos traseiros abaixados, rebatidos. Outros precisam tirar a roda dianteira apenas. Com um pouco de jeito dá pra levar uma bicicleta em praticamente qualquer veículo, desde que ele não esteja com a lotação máxima de pessoas dentro. E com a vantagem de não correr o risco da bicicleta sair voando… Mas amarre pra tudo não ficar dançando. E cuidado com o câmbio traseiro, com discos….

II. Ônibus de linha.

Tem empresa que ferra a vida do ciclista. Não deixa embarcar bicicleta, cria empecilhos,quer cobrar taxa extra, enche o saco.

Tem empresa esperta que facilita sua vida. Dou exemplos: Viação Cometa e Viação Catarinense. Não sei quem é da família do controlador dessas empresas, que pedala e soltou uma regra que funciona bem: nos carros convencionais, que Têm 3 bagageiros, você mesmo coloca sua bicicleta no terceiro bagageiro.  Eu quando viajo por essas empresas, nem tiro os alforjes. A bicicleta vai inteira, deitada sobre o lado esquerdo. às vezes nem prendo.

Se forem mais de uma bicicleta nesse bagageiro, melhor colocá-las em pé, e presas com esses extensores elásticos com ganchos nas pontas que os motociclistas usam muito.

Em ônibus de 2 andares é quase impossível levar uma bicicleta: os bagageiros são minúsculos. Uma vez, um motorista da Cometa me ajudou a acomodar a bicicleta, que tava num mala-bike, num espaço de acesso ao motor do ônibus, atrás.

Por falar em mala-bike , cuidado. Uma vez, viajando pela Itapemirim, embarcada a bike em mala-bike direitinho, na hora do desembarque eu demoro a sair do ônibus pois tava lá no fundo do ônibus, e quando saio vejo um troglodita puxando o mala-bike com tudo e jogando uma mala em cima.Nunca mais fui pela Itapemirim: perderam de 4 a 10 passagens por ano, por uns 10 anos já. e não recomento essa empresa pra ninguém.

O melhor mala-bike é o rígido. Mas oque você faz com ele depois? Acaba sendo uma opção basicamente pra competidores.

Sei de gente que viaja com bicicletas dobráveis, mas desmonta a bicicleta, não apenas a dobra, e a coloca em malas rígidas. Nesse link aqui, um dono de uma Brompton acabou construindo um mala-bike rígido que vira trailer a partir duma mala rígida….

Mala-bike flexível é mais fácil de carregar depois, quando não estiver em uso. Mas protege menos a bicicleta.

III. Aviões.

Levar bicicleta em avião é um saco. Seria tão simples se pudéssemos simplesmente entregar a bicicleta com os pneus levemente murchos…E depois receber de volta? Já foi assim. Há uns anos, fui pela TAM pro RJ e na ida e na volta entreguei a bicicleta, ela foi trazida de volta sendo empurrada por um funcionário e só tive o trabalho de inflar os pneus  pra sair pedalando do Aeroporto.

Dois amigos vindo da Bahia passaram por outra situação: o colega que veio com uma bicicleta comum não teve problemas, mas a colega que tinha entregue uma dobrável viu sua bicicleta semidobrada, aberta, caindo numa esteira: alguém resolveu dobrar a bicicleta e não o fez direito.

Já levei em mala-bike rígido e mesmo assim a bike chegou um pouco zoada, e uma das rodas do mala-bike quebrada.

Mais recentemente, com as regras de bagagem, as coisas se complicaram um pouco. É bom, na hora de comprar a passagem, já comprar o pacote de bagagem mais amplo.

Se a intenção é fazer cicloturismo em outro lugar, pense em como embalar a bicicleta com embalagem descartável ou então como carregar a embalagem depois. Nesse caso, mala-bike rígido não dá pra usar – a não ser que você tenha tanta grana que compre um, descarte depois de chegar lá, e compre outro pra voltar…

Se for usar mala-bike flexível, não esqueça de acondicionar devidamente a bicicleta dentro dele e protegê-la do modo adequado, e se prepare para que os funcionários da companhia aérea trate mal sua bagagem. Eles jogam mesmo de um lado pra outro.  Eventualmente até estouram o zíper pra ver o que tem dentro, como fizeram com a colega que chegou hoje do Chile a São Paulo, pela Latam:

Duas bicicletas em seus mala-bikes. O da direita  aberto, com parte do plástico bolha pra fora, zíper estourado. Por sorte a bicicleta da Taís Venancio tava inteira. Mas primeiro informaram bagagem extraviada, depois foram achados jogados os mala-bikes com as bicicletas dentro atrás duma esteira mecânica. Péssimo serviço da Latam.

Nos vídeos abaixo, três formas de levar bicicletas no avião. Note a trabalheira. A forma mais compacta está no terceiro vídeo.

No primeiro vídeo, de 2014, JP Amaral explica como levar uma bicicleta simples desmontando muito pouco suas peças.

Claro, regras de embarque mudaram, pode ser que você tenha dificuldade de embarcar a bicicleta assim.

A segunda forma, usando o mala-bike flexível, mas meio trambolhento da Curtlo (eu tenho um, dobrado é um trambolho), é explicada nos detalhes pela Renata Falzoni:

A terceira forma, deixa um pacote bem compacto. mas se prepare pra tirar guidão, virar pedal, tirar roda, soltar gancheira…. Mas por outro lado, oque você precisa é um plástico grande, fita adesiva e muito barbante. Veja o vídeo até o fim, É do casal Antonio Olinto e Rafaela Asprino e mostram como deixar protegido o câmbio traseiro, as coroas da pedivela…

Como o Olinto bem ressalta, não dá pra se iludir: tratam as bicicletas como boneco de Judas em tarde de Sábado de Aleluia. Mas dá trabalho.

Dá raiva como tratam nossas bicicletas. Eu sou meio ciumentão das minhas, já abri mão de viajar pra longe só por pensar nisso. Um colega viajou pra Argentina e advinha? Desembalada a bicicleta, a gancheira estava quebrada… Deu um trabalhão pra consertar, a viagem não correu bem e a empresa não ressarciu direito.

E pra piorar, não raro querem abrir os pacotes ou mala-bikes pra fiscalizar a carga. Soube de caso de bicicleta embalada com  plástico bolha, embora transparente, cortaram pra ver o que tinha dentro.

Tudo seria mais fácil se as empresas recebessem as bicicletas inteiras, abertas. Mas querem jogar as bagagens de um lado pra outro, e daí já viu, né?

Por isso às vezes vale antes da viagem ir até uma bicicletaria e ver se consegue uma daquelas caixas de papelão onde são transportadas bicicletas. Pode ser uma boa forma de embalar. Chegado ao seu destino, você descarta a caixa.

Mas se prepare pra ter trabalho. Viajar de avião levando bicicleta sempre dá um trabalhinho.

Por isso talvez haja tanta gente dando a volta ao mundo em bicicleta: sai pedalando da porta de casa, né? hehe

Boa sorte na próxima viagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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