O GÊNERO DOS CARROS E AS OVELHAS DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA

olhe a imagem abaixo e pense 2 minutos. mas pense. pensar de verdade pode doer.

errando no gênero dos carros, fazendo o discurso da indústria.

Antes de tudo, já dizia o lendário Expedito Marazzi, editor da Quatro Rodas: no feminino, pra carros, só Ferrari. Nem Maseratti. Muito menos os carros alemães. E a regrinha básica continua em vigor. Duvida? Tó, post do Alexandre Koller sobre isso aqui.

Segundo, pra que serve ter um carro ou ter um relógio? Antes servia pra se locomover, ou ver horas. Hoje, isso só serve pra mostrar pra outros deslumbrados como se gasta dinheiro.

Não custa lembrar a história do lendário ícone de consumo da classe média: Rolex. Rolex fabricava instrumentos. Numa época analógica, se marcava o tempo por instrumentos mecânicos. Relógio ou se dava corda, ou ele pegava corda sozinho (automáticos!), e Rolex fazia relógio que cumpria essa missão debaixo de água ou tomando paulada no campo. Por isso Ian Fleming colocou um no pulso de seu 007. Relógio bruto. Mas havia Rolex e diversas outras fábricas. Panerai, por exemplo. Blacpain. E etc.

A tecnologia do quartz chegou, e mais adiante ainda, mergulhadores passaram a usar computadores de mergulho. Militares passaram a usar o G-Shock da Casio….

Eddy Merckx em propaganda da Rodania, que ainda patrocina o Tour de Flanders

 

As fábricas quebraram, Rolex não: transformou seu relógio em bibelô. Afinal, Bulldogs salvaram–se pois deixaram de ser verdadeiros cães de luta contra touros no brutal Bull-Baiting. Proibido o Bull-Baiting em 1835, os cãezinhos quase se extinguiram e salvaram-se quando alguém começou a criá-los como cães de companhia. E Rolex salvou-se criando instrumentos mecânicos e analógicos num mundo digital, transformando seus instrumentos em objeto de luxo apenas.

Carros tomam o mesmo caminho. Uber e táxis mostram que não se precisa ter a posse de um carro. Sistemas de transporte público também. Mais ainda, se antes íamos aqui ou ali resolver coisas, hoje fazemos pela internet e não nos deslocamos. Todavia a indústria automobilística reage.

De um lado, algumas montadoras acompanham a evolução tecnológica, lançam carros elétricos, e carros cada vez mais autônomos. Carro que estaciona sozinho já tem por aí…. e todos com GPS, entradas USB e mais traquitanas tecnológicas.

De outro, faz a indústria um esforço danado pra vender, principalmente criando desejo. A mesma tática da Rolex. Cria o desejo de muitos para que poucos comprem. No caso da Rolex, não tão poucos: ela fabrica e vende um milhão de relógios ao ano. Não é raridade.E se fosse, seu vizinho não arregalaria os olhos quando você mostrasse o seu pendurado no pulso, mesmo mostrando a hora errada.

Aí volte pra fotinho lá de cima: o menino tá só mostrando como gasta dinheiro. Carro não é investimento, dá despesa e perde o valor. Deprecia-se. Mas dá lucro à indústria, e o menino está louco pra entrega o seu dinheirinho a essa indústria.

Assim funcionam as coisas: a indústria lucra a partir do seu fetiche. E fetiche é apenas fetiche. É aquela coisa: uns realmente transam, outros colecionam calcinhas. Uns realmente têm acensão social (e dormem em colchões melhores, e conseguem frequentar museus e entender um pouco de arte, por exemplo) outros apenas amontoam bens, pintam tudo de dourado e, sei lá, compram uma caneca do Romero Britto, que sabe vender bem pra essa turma, tipo o Trump ou o Dória.

Afinal, o que importa mesmo é sucesso né?
Pois o Van Gogh deveria ser um  looser! Não vendeu nada em vida… (pra quem não percebeu, estou sendo irônico, e é fato que em vida Van Gogh pouco “sucesso” fez enquanto vivo).

Mas enquanto estamos falando de arte, poucos danos se cometem. Todavia, o fetiche por motores V8 polui nosso ar. E o fetiche por carros congestiona as cidades.

Enquanto isso, o menino de 22 anos segue achando que comprar um carro é sucesso. Melhor seria se investisse em educação né? Afinal, diploma só desvaloriza quando a escola fecha, mas em alguns caso, nem isso. Se seu diplominha era da Bauhaus, ele vale bastante….

Em tempo, BMW não é “bé-éme-dáblio”, mas “Bê-êm-vê”.  Se quer um carro alemão, ao menos aprenda a pronunciar seu nome. E pra aprender a falar Hyundai, Samsung e Deawoo, melhor ver o videozinho da moça coreana aí embaixo:

Pois pega muito mal ir até a lojinha do Louvre e perguntar:

“Qualé le preçô de le camisetê!”.

Bom, pelo menos foi até lá. Tem gente que prefere fechar museu no Brasil. Alegando pedofilia, né? Mas isso é coisa de igreja mesmo.

============

Em tempo, os links não texto não são aleatórios nem são publicidade, mas notas de rodapé. Não tema clicar neles.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios

5 Respostas para “O GÊNERO DOS CARROS E AS OVELHAS DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA

  1. Uma vez minha mãe me contou perplexa que minha prima gastou US$ 4.000,00 em uma bolsa nos EUA, achou absurdo e perguntou o que eu achava…

    Quem sou eu para julgar como os outros gastam seu dinheiro, se eu mesmo tenho 4 bicicletas e nenhuma delas custa menos de R$ 20 mil?

    O problema não é o jovem que gasta o $ DELE com carro ou o outro que gasta com relógio. O problema é a SUA incapacidade de aceitar que as pessoas pensem diferente de vc. Você gosta de reclinadas, acha importante ficar tocando homens nus em museus, gosta de fazer coisas via internet… Seja feliz e pare de criticar quem tem gostos diferentes dos seus, aprenda a ter empatia e a ser mais tolerante. Tenho certeza que isso lhe transformará em um ser humano melhor

    • se ele gastasse em bolsas ou artes, sem problema. mas carros poluem o ar seu e meu. então não é questão de gosto, mas de agressão ao ambiente.

      • Energia elétrica também polui… A indústria agropecuária foi a maior responsável pelo aumento dos gases do efeito estufa, Males da civilização, ainda assim a expectativa de vida segue aumentando.

        Insisto que o caminho é a tolerância, o compartilhamento. Não podemos dar razão a essa vontade fascista de impor nossa vontade sobre a dos outros.

  2. Guilherme Santos,Londres é fascista?Carros com motor à combustão estão sendo banidos da Europa. Pois matam. Fascista é quem achaque pode poluir o ar dos outros. Carros elétricos poluem bem menos, pessoas estão deixando de comer carne de vaca e etc. Fascista é quem quer impor dirigir carro como se fosse direito e não uma permissão precária. Vc defende veículo que mata de diversas formas. Quantas pessoas são mortas por bicicletas? Sugestão pra aprender o que é fascismo: Hannah Arendt, As origens do totalitarismo.

    • Vc não entendeu o que eu escrevi…

      Eu não defendo veículo que mata de diversas mortes, eu tolero. Eu não quero impor ou proibir.
      Admiro pessoas que deixam de comer carne mas não recrimino pessoas que comem, essa é diferença!

      Não faço apologia ao carro, faço apologia a tolerância.

      Para sua leitura recomendo: Humildade a Verdadeira Grandeza de C.J. Mahaney

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s