O ATENTADO DA RUA AUGUSTA E A CARROLATRIA

25 de junho de 2017. Rua Augusta, fechada para o trânsito. Milhares de skatistas descendo, quando um carro sobe em alta velocidade em zigue-zague atopelando-os. Um atentado contra os não-motorizados.

Ecosport, EJE-4700. Um skatista se agarrando ao capô, outro sendo atropelado. Testemunhas dizem que ele ziegue-zaveava em direção aos skatistas.

Domingo, 26 de junho de 2017. Avenida Paulista e ruas laterais fechadas para um evento, o Skate Day.

Milhares de skatistas desciam a Rua Augusta, fechada para o trânsito de veículos automotores. Veja na reportagem abaixo o vídeo com o agente de trânsito acompanhando o evento quando o motorista passa atropelando todos. Qual o porquê dessa ação, desse crime?

Não é pânico. Uma pessoa em pânico, num carro, foge. Não persegue em zigue-zague. Sai por uma rua lateral, não avança em frente.

Essa é uma reação de raiva. De ódio. Um motorista irado como o facínora Ricardo Neis que, em 2011 atropelou a massa crítica de Porto Alegre e foi condenado por 11 tentativas de homicídio.

Ódio, raiva, ira e uma arma na mão. Sentimos raiva, ódio e ira quando somos frustrados naquilo que achamos justo, que cremos ser justo. Não com aquilo que são fatos.

É aí que se deve pensar nas crenças, que não são necessariamente religiosas, mas morais, éticas. É ai que se deve entender a carrolatria.

O carrólatra sofre de uma visão deturpada de mundo. Ele é fanático nas suas crenças. Fanáticos sobrepõem suas crenças ao bom senso. Sobrepõem ao direito a vida de outrem. Vide os fanáticos do DAESH, querendo impor aos outros muçulmanos aquilo que entendem ser a sua visão do Islã. Em nome disso, cometem aquelas execuções bárbaras, pois quem não comunga sua visão de mundo, ou a atrapalha, não merece a vida.

A carrolatria consiste em crer que ter u carro e dirigir seja o supremo direito, a suprema liberdade, de origem divina, e nada deva a isso se opor.

Um exemplo de visão carrólatra de mundo é confundir a permissão pra dirigir com direito de ir e vir. Ora, direito de ir e vir é algo que se tem a  partir do nascimento, se exerce plenamente na vida adulta, não depende de permissão, não é revogado, sendo no máximo restrito em razão de pena de detenção ou reclusão.

Dirigir é algo que se faz sob permissão, preenchendo pré-requisitos: ser habilitado, por exemplo. E é uma permissão precária que se perde pelos mais diversos motivos: deficiência visual, idade avançada, ou mesmo até por dirigir mal. Perder a habilitação para dirigir não tolhe o direito de ir e vir.

O carrólatra não vê assim. Não assume seus atos, pois se acha no direito de usar seu carro como quer. Vide as falas de Ricardo Neis, o monstrorista de Porto Alegre, que atropelou a massa crítica e alegou que estava com medo de que agredissem seu filho. que estava no carro. Versão obviamente desmentida pelas cenas filmadas, pelos testemunhos.

No caso do atropelador da Rua Augusta, as cenas mostram o zigue-zague em direção aos skatistas. quando se abre o centro da via, ele vai para o lado, onde se concentravam os skatistas. Com um rapaz encarapitado no capô, em vez de parar, ele quer derrubá-lo. As cenas mostram, independentemente do que venha a declarar. Assim como falas de testemunhas. Veja otrecho que selecionei da reportagem da Rede Globo, no vídeo abaixo, o depoimento do atendente de lanchonete que presenciou os fatos.

Reação de medo? Não. a Reação de medo seria sair por uma das diversas ruas laterais. Seguiu adiante, determinado.

O que leva a esse ato típico de um fanático? A carrolatria, a filha dileta da cultura do automóvel.

Cultura posi é uma entrega. No latim, traditio. As gerações anteriores entregam às posteriores.

Note que estamos imersos nessa cultura, nesse mercado. Os jornais matinais da TV tem comerciais em seus intervalos em sua maioria, de carros. Sites de notícias colocam novidades da indústria automobilística com se fossem notícias importantes. Corridas são transmitidas o tempo todo, corredores tratados como celebridades, canais a na TV a cabo diversos dedicados aos veículos motorizados. Diversos reality shows de recuperação, reforma, compra, venda leilões de carros.

Quantos filmes não romantizam o dirigir loucamente pelas ruas? Perseguições, fugas e etc. E os filmes raramente o motorista perde a carteira, é preso por isso.

A indústria vende a imagem da liberdade de circulação mediante o uso do carro. Não e de hoje. General Motors patrocinou o seriado “Route 66” nos anos 60, no qual  um par de amigos num Corvette tinham suas aventuras percorrendo a estrada nesse conversível.

Esse tipo de prática permaneceu. Montadoras patrocinaram muitos filmes, séries, e até episódios de novelas, animações e etc.

E se vende a imagem irreal.

Ora, assim é que se deturpa a visão de mundo da pessoa a ponto dela agradecer aos céus a compra de um veículo, como se fosse presente da divindade, e se a faz sonhar com carros com motores fortes e gastões.

A racionalidade nos faria sonhar com carros elétricos para uso apenas quando necessário, com limitadores de velocidade pra não tomar multas, coeficientes de aerodinâmica otimizados para diminuir o arrasto e etc. Mas as pessoas sonham com Ferraris, Prosches, Camaros, Corvettes…

Essa imagem de uma Ferrari queimando lhe causa desconforto?

Não apenas isso, a posse de um carro é vista como símbolo de status. E assim sonham com carrões.

Estando assim imerso nessa cultura, comumente se age a partir da carrolatria. Fopi o que fez o motorista José Iriovaldo Ferreira, o atropelador da Rua Augusta, que se apresentou na polícia nessa tarde de segunda.

Como Ricardo Neis, o monstrorista condenado de Porto Alegre, o monstrorista da Rua Augusta alegou medo, estar com parentes dentro do carro e etc. Ricardo Neis estava ao lado do filho ao atropelar ciclistas em Porto Alegre. José Iriovaldo, levando a mãe, ao atropelar skatistas.

O momento de usar o carro como arma… Claro, a justificativa da legítima defesa putativa.

Mas as imagens desmentem. O zigue-zague desmente. A fuga desmente. Se fosse medo, pararia logo que visse força policial e solicitaria ajuda. Não, ele fugiu. E só se apresentou agora.

Mirou, atropelou e fugiu. Um atentado de um carrólatra fanático que já tem multas por excesso de velocidade. Se não houve mortos, é por sorte. Pois poderiam ser muitos, muitos muitos, inclusive crianças que participavam do evento.

É. Uma sociedade doente que pratica uma idolatria perversa. José Iriovaldo é apenas mais um desses fanáticos, e não faltarão outros a terem “pena” desse monstrorista. Tão fanáticos quanto. Afinal, fanáticos são solidários entre si.

Que não se esqueça desse nome. E que suas penas sejam pesadas. Pois nada justifica esse ato. Nada.

Teste de carrolatria: se essa imagem de um Porsche  lhe dá pena, procure ajuda psicológica.

Para a segurança de todos, urge combater a carrolatria. Só assim o número de mortos e feridos no trânsito baixará. Até lá esse fanatismo nos expõe a riscos. Devemos combater esse fanatismo, a começar por nós mesmos.

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Em tempo. Não esqueça que o #Jestor de Sâo Paulo é carrólatra. Elevou limites de velocidade e teve a habilitação suspensa por excesso de multas. E como todo fanático, nega os fatos em favor de sua crença infundada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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7 Respostas para “O ATENTADO DA RUA AUGUSTA E A CARROLATRIA

  1. Postou antes da hora…

    Já apareceu um vídeo onde o motorista trafegava junto com outros carros em uma parte da rua que estava aberta e foi atacado gratuitamente por skatistas. Ele parou atrás de outro carro e foi cercado por outros skatistas que o atacavam quando decidiu fugir dali com a mãe.

    Já foi confirmado que a rua ainda não estava fechada e os skatistas iniciaram seu “passeio” 45 minutos antes do acordado com a prefeitura e do total fechamento da rua.

    Na sua opinião o motorista devia ficar e ser linchado junto com a mãe apesar de não ter feito nada de errado? E a culpa é do prefeito?

    • 1. já há testemunhas de que antes do vídeo em questão ele havia atropelado um skatista
      2. quem atropela e foge é culpado.
      3. a reação da massa é comum, seria estranho se não houvesse.

      • já pensou…. tu acha q os skatistas iam quebrar o carro sem mais nem menos… porq n quebrou os outros que haviam passado antes! pense, reflita!

      • “1. já há testemunhas de que antes do vídeo em questão ele havia atropelado um skatista”

        Também há testemunhas que eu sou o melhor amante do mundo há testemunhas de que o triplex era do Lula e há testemunhas que o triplex nunca poderia ser do Lula…

        Não comento suposições, tb tem testemunha que ele foi agredido primeiro.
        Você como advogado deviria se ater aos fatos e ao que pode ser comprovado.

        “2. quem atropela e foge é culpado.”

        Suposições a parte.
        Atropelou quando fugiu para salvar a própria vida e a de sua mãe, quem vandaliza carro dos outros e promove linchamento é culpado.

        “3.a reação da massa é comum, seria estranho se não houvesse.”

        Bom argumento para defender linchamento e vandalismo. É o que faltava, jurista defendendo barbárie.

        Agora todo mundo vem com SUPOSIÇÕES do tipo “passaram outros carros antes dele e não aconteceu nada..”, “Alguma coisa ele deve ter feito…”. Também passaram vários skatistas por ele e não o agrediram.

        Quer saber de quem é a culpa? O que desencadeou?
        Simples, quem não deveria estar lá? Pelo menos naquele horário? Os próprios skatistas estabeleceram um horário e não cumpriram.

        Alguém vai responder por vandalismo? Ou pagar o prejuízo do cidadão?

    • Parece que foi você que comentou antes da hora…

  2. Sempre tem um pau no cu desses pra defender o motorista, quero ver se tem essa mesma opinião quando é lá na europa, filho da puta.

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