26!

vinte e seis polegadas. aro 26. roda de MTB. o tamanho de roda que revolucionou o uso das bicicletas ao redor do mundo.

Breeze #!, a primeira MTB de todos os tempos!

eram os anos 70 do século XX.

imagine só. um bando de ciclistas doidos – coisa pra lá de comum, né? – resolve fazer aquilo que muita gente gosta de fazer em bicicleta: se divertir longe de casa. e claro, o que resolveram fazer? foram pro mato, pros morros. foram se divertir fazendo um troço que todo mundo que gosta de bicicleta adora fazer: pegar uma descidona!

e aí, quem já pegou buraco, toco, pedra e o escambau já aprendeu como é importante que as rodas sejam resistentes. e o que havia de resistente naquela época, disponível a esse bando de doidos?

eram muitos bando de doidos. e usavam o que lhes estava disponível: as velhas bicicletas encontradas em vendas de garagem.

Schwinn WASP, 1960.

pois na Califórnia, onde havia muitas praias – e terrenos planos – abundavam as antigas cruisers da Schwuinn. as Heavyweights, modelos diversos, como Phantom, WASP e etc. como escreveu Sheldon Brown, as mais resistentes bicicletas já feitas. e claro, sem para-lamas e sem bagageiros, com marchas adicionadas, permitia o pessoal da Califórnia ir mais longe na morraria.

Joe Breeze deitando o cabelo numa descida das Repack Racer. sim, na época se pedalava de jeans, a única proteção contra os tombos.

essas bicicletas usavam um tamanho de roda específico da Schwinn, e esses aros antigos em aço eram eontrados muito baratos em vendas de garagem. pneus balão…. Schwinn S2 era o nome da medida, exclusiva da Schwinn, usando sede do pneu com 559mm e pneus de diâmetro 2,125.

pois já nos 70 haviam as disputas de descida de montanha. as Schwinn modificadas eram usadas com freios de motocicleta, com peças diversas de bicicletas de estrada, era uma salada só.

até que no outono de 1977 – no hemisfério norte, ou seja, primavera aqui no Brasil – um daqueles doidos da Califórnia termina seu primeiro protótipo: Breeze #1, a primeira MTB feita por Joe Breeze, aliás, a primeira MTB.

Parts list. Supplied by designer and builder, Joe Breeze. Related number: 2012.0066.01. Unregistered item. Reference material.

as peças eram uma salada. relação Suntour, freios Dia -Compe de tandem (cantilevers!), manetes Magura de freios de motocicleta, selim Brooks 72 de mola, e por aí vai.

e claro, o tamanho de roda que se tornou o padrão do mercado até a popularização dos freios a disco, o aro 26 S2 obscuro das Schwinn, que era a única coisa que aguentava a porradaria sem empenar muito e permitir que os freios de aro, cantilever ou depois, os V-brakes, continuassem funcionando adequadamente.

a partir de 1978 começam a surgir as MTBs como conhecemos.  Joe Breeze faz 9 bicicletas. em 1979, Lawwill Knight produz em série o modelo Pro Cruiser, Gary Fisher, Tom Richey, Charilie Kelly começam a produzir bicicletas – fábirca depois vendida à Trek, que em 1983 lançou sua primeira MTB, a 850.

anos 80 são os anos em que as MTBs conquistaram o mundo, não apenas pelo seu apelo esportivo, mas pois se adequavam muito mais à realidade de diversos países. afinal, onde não há estradas ruins, calçamento ruim e etc?  e quem não quer liberdade para viajar por qualquer terreno?

e o aro 26, com sua medida de encaixe de 559 mm não apenas gerou uma roda resistente o suficiente, mas não sendo tão grande quando outros tamanhos comuns à época, como o 26 1 e 1/2 das bicicletas urbanas e menor ainda que os 27 polegadas das antigas estradeiras, permitiu fazer bicicletas adequadas a pessoas abaixo de 1,75 m de altura, ou seja, a grande parte da população mundial de todos os gêneros.

o 26 se tornou o padrão da indústria até que o advento da popularização dos freios a disco permitiu o uso de rodas maiores, que fatalmente empenam mais que as rodas 26.

mas, se a indústria dora novas modinhas pra continuar vendendo, rodas maiores não permitem bicicletas para todos. depois que a modinha dos aro 20 se expandiu e todos aqueles abaixo de 1,75m de altura perceberam que não se trava de “mudar a filosofia de fit” (como disse certa vez um vendedor a mim, que tenho 1,70 m de altura, tentando me empurrar uma gigantesca aro 29) e não há como acostumar a usar uma MTB tão inclinado pra frente quanto um triatleta em sua bicicleta de competição, a indústria voltou atrás sem dar o braço a torcer: ressuscitou um tamanho bem antigo, 26 1 e 1/2 (o tamanho de aro das Barra Fortes e Barra Circulares que abundam no Brasil), renomeando como 650B (como difundiu a Specialized) ou como 27,5, como hoje se difunde, mas sem nunca deixar de ser uma variação do velho 26.

muitos downhillers e free-riders preferem 26 justamente pela resistência. e todos os não muito altos preferem esse tamanho. da mesma forma, milhões de bicicletas ao redor do mundo usam esse tamanho de roda, o que implica em se fazer peças de reposição por muitos anos ainda.

então tem lá sua bikezinha 26? não deixe de usá-la. pra uso urbano são ótimas e, se a sua usa freios a disco e quer usar na cidade, use com rodas 25,5 e pneus mais finos, que cabe. só não dá pra ir pro barro com essas rodas, daí volte para as aro 26.  ah, e se quiser andar rápido, rodas com aros 700c – o tal 29 – e pneus de 23mm têm o mesmo diâmetro de rodas 26 com pneus de 2 polegadas. pode usar, se quiser, pra rodar na cidade!

mas, se vai rodar no MTB old school, netão seu tamanho de roda é 26 e seus freios cantilevers ou v-brakes, no máximo. nada além disso. e muita gente assim gosta.

e se vai viajar aí pelo Brasil afora, esqueça tamanhos mais novos de roda. vá de 26, que é a única coisa que se acha em qualquer lugar, de pneus e câmeras a aros e raios.

ah sim, rodas maiores rodam melhor, superam melhor os obstáculos e etc.  estou ouvindo elogios a aros 29 e 27,5 há tempos, mas sempre ignoro quando vem de qualquer pessoa acima de 1,75 de altura. eles que fiquem com suas bikes, e eu com as minhas bikes menores, mas que eu consigo usar, ainda.

use sua 26, sem medo de ser feliz. e você nunca entenderá o que passava pela cabeça daqueles doidos de outros tempos, Gary Fisher, Joe Breeze, Tom Richey e cia. ltda.,  usando rodas grandes. klunkers usam 26. isso é fato, história, e não dá pra mudar.

pedalemos pois.

 

 

 

 

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Uma resposta para “26!

  1. As 26″ morreram e esqueceram de enterrar… sorte sua!

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