SPEEDS COM GUIDÃO RETO, A DELICIOSA HERESIA!

NO MERCADO EXTERIOR, ESSA BICICLETAS JÁ TEM SEGMENTO PRÓPRIO. AQUI NO BRASIL, POR IGNORÂNCIA, SÃO VISTAS COMO HERESIA.

um belo dia lá pelos anos 70 ou 80, alguém resolveu tirar o guidão drop, típico das estradeiras por motivos de legislação da UCI, e colocar um guidão reto, para ter mais manobrabilidade no trânsito da cidade.

Cannondale Bad Boy 2 2017, uma legítima descendente das primeiras estradeiras com guidão reto.

como tinham surgido as MTBs e seus trocadores no guidão, basicamente alavancas de quadro adaptadas, e esses trocadores não era indexados, ficou fácil adaptar naquelas estradeiras.

e quem fez a modificação notou: uma postura ligeiramente mais ereta da postura que se tinha quando a bicicleta estava montada com o guidão drop, e uma ótima manobrabilidade no trânsito pesado.

sim, pois chegou-se a tetar usar guidão drop em MTBs, mas isso foi logo abandonado pois a prática do MTB exige uma manobrabilidade que o guidão drop não permite. por isso, embora tenham sido usadas algumas MTBs com guidão drop no passado, o guidão reto ou levemente curvo (flat ou rise) foi logo abandonado, mesmo que que tenha sido usado por lendas do MTB, como John Tomac.

John Tomac na pré-história do MTB

 

a questão é que tanto no MTB, mas também no trânsito urbano, o guidão reto nos permite maior agilidade para desviar dos obstáculos, seja um tronco caído ou um carro que repentinamente pára.

claro, o guidão reto é mais largo do que o guidão drop, mas mesmo assim eu sempre me senti mais seguro usando esses guidões do que guidões drop no trânsito, nos corredores entre carros parados.

mas não só eu, mas um monte de gente ao redor do mundo. e as misturas iam acontecendo.

hoje já há bicicletas que venham com essas configurações. não são híbridas, pois não são bicicletas com rodas 700c e pneus mais largos e postura mais relaxada. são basicamente bicicletas com a agressiva geometria de estrada, relações mistas e guidões reto ou rise.

aliás, não é preciso muito dinheiro para vc montar uma bicicleta dessas mais leve e mais rápida que uma Cannondale Bad Boy.

o que é preciso, em sendo brasileiro, é conhecer um pouquinho de bicicleta e se desfazer de preconceitos. pois é por puro pŕeconceito que alguns quadros de estradeiras ficam parados num lugar qualquer e não são montados dessa forma para você se divertir no trânsito.

Scott Speedster, de fábrica com guidão reto e freios ferradura.

se o preconceito é grande, sua autoestima ciclística é baixa, compre pronto. existe modelos diversos. Specialized Sirrus, Fuji Absolute e etc, além dos modelos da Cannondale, Trek e outros fabricantes. sabendo que grandes fabricantes já as montam, ora chamando de “flat-bar road bikes” ou “fitness bikes”, e já há verbete na wikipédia em inglês tratando disso.

agora, se o que você quer é uma bicicleta urbana leve, que lhe permita agilidade no trânsito, pouco peso no ombro pra carregar nas escadas do metrô ou do prédio onde mora ou trabalha, e lhe permita passar voando ao lado daquele grupo de passeio noturno com caríssimas bicicletas e ciclistas lentos, o segredo é montar você mesmo.

o que você precisa é de um quadro de bicicleta de estrada, de speed. pode ser seu quadro antigo, pode ser o quadro de tamanho maior que você usava.  sendo um tamanho maior apenas, dá pra aproveitar.

tento o quadro, você precisa do garfo. não caia na besteira de usar um garfo de 29er. as 29ers, as MTBs de aro 29 ou usam suspensões ou garfos rígidos muito altos, para caber pneus largos. seu quadro de speed foi projetado para usar um garfo para pneus de menor diâmetro, no máximo 28mm. então use um garfo de estrada.

as rodas serão as clássicas rodas de aro 700c. e se seu quadro não é top e recente – nem é recomendável que faça isso com seu novo quadro de fibra de carbono e freios a disco – o freio que vc usará é o velho e competente freio ferradura para estradeiras. compre os modelos de pivot duplo, mesmo que sejam básicos.

as manetes de freio devem ser manetes projetadas para funcionar com freio cantilever. não é difícil de achar, só procurar nas bicicletarias certas, e custam barato, pois equipam MTBs baratas também.

na relação de marchas, cometa outra “heresia”. misture peças de MTB e de estrada. use cassete e câmbio traseiro de MTB e pedivela e câmbio dianteiro de estrada. pois seu quadro talvez não aceite uma pedivela de MTB, em razão da media da caixa do movimento central. se pensar bem, você quer andar rápido né? então é a hora de usar uma pedivela com coroa maior de 52 dentes, e não de 40 dentes.

esqueça essa modinha de 1×11 para montar sua bicicleta levinha pra rodar na cidade. use pedivela dupla ou tripla. oque tiver à mão. uma boa é uma pedivela compacta: 50-34. duas coroas apenas. fácil de regular o câmbio.

atrás, um cassete 11-34 é uma boa escolha. de 8 ou 9 velocidades. e câmbio traseiro correspondente, de MTB.

você terá um trabalhinho a mais para conseguir um trocador de guidão reto – não STI – que funcione com seu câmbio dianteiro de estrada. claro, fabricantes como Shimano já tem esses trocadores, na linha Tiagra. aliás, trocadores para pedivelas de estrada duplas, triplas e também manetes de freio que combinem com seus freios ferradura. se não achar essas peças mais caras, use no lado esquerdo um baratinho trocador shimano da linha de 7 velocidades que não seja de gatilho. são alavancas não indexadas, funcionam com pedivelas de 2 ou 3 coroas.

do lado direito, use o trocador que quiser, que combine com seu câmbio traseiro. ou se quiser, faça aquelas alquimias de misturar peças – eu adoro.  tem uma turma misturando trocadores Sram com câmbios traseiros Shimano SYS. não sei qual funciona com qual, mas tão brincado de fazer essas misturas.

a boa montagem usa cassetes de 8 ou 9 velocidades apenas, pois as correntes são mais baratas e cassetes também. pois você vai adorar essa bicicleta e rodar bastante com ela. afinal, ela rodará quase tão rápido quanto uam speed, e com uma agilidade muito maior que uma speed. como na cidade não mantemos velocidades próximas a 50 km por hora durante muito tempo, e paramos e arrancamos com frequência, temos que desviar de obstáculos não raro em movimento (pedestres que atravessam fora da faixa, motociclistas, carros que mudam de faixa e etc.), esse tipo de bicicleta nos permite boas velocidades, e grande agilidade, oque pode significar também muito maior segurança.

quado ao guidão…. aí é bom escolher um guidão reto ou levemente recurvo pra cima. a escolha é sua, de acordo com o seu fit.

mas esses guidões devem ser presos ao garfo por mesas/avanços com medida específica para esses guidões, que têm diâmetro de pega maior que o de guidões drop. então use mesas para MTB.

se o quadro e garfo que vc está usando para essa montagem são antigos,, e ainda usam sistema de rosca, headset, use um adaptador, como o da foto abaixo.

adaptador de espiga com diâmetro de 22,2 mm, para garfos de medida standard.

esses adaptadores existem para garfos standard ou over. e se não dão a altura que vc quer par ao guidão, use um guidão rise com curva para cima. não tema o visual.

o importante é você sentir-se confortável em cima da bicicleta. e montando bem, escolhedo direitinho as peças, sua bicicleta não será uma Cannondale Bad Boy. mas será ais leve e mais rápida que ela. e mais barata.

não é uma delícia pra andar na cidade, uma bicicleta assim?

 

 

 

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3 Respostas para “SPEEDS COM GUIDÃO RETO, A DELICIOSA HERESIA!

  1. Eleonésio Diomar Leitzke

    Bacana as colocações.

  2. Odir,

    Muito bom o post. Mistificações e preconceito prejudicam muito os ciclistas que não possuem muito conhecimento ou são iniciantes.

    As redes sociais não ajudam muito, estão eivadas de comentários / ajudas tendenciosas

  3. Post muito legal!

    Mas eu nem sei escolher o quadro… Qual vc recomendaria? Sempre pedalei uma montain, quadro genérico, barato, aro 26 troquei os pneus pra lisos e menores pra melhorar, mas quero ir mais rápido. Tava pensando numa strada adaptada…

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