Até onde teria chegado a tecnologia das bicicletas de rua, se a UCI não atrapalhasse tanto?

é inegável que a tecnologia das pistas chega às ruas. não só a tecnologia,mas a estética também. e nesse aspecto, a UCI tem agido como um freio de mão puxado, barrando grandes inovações. vejamos algumas.

"Old Faithful", bicicleta que Graeme Obree usou em seu recorde da hora, leiloada em 214 noe-bay, atingindo10 mil libras.

“Old Faithful”, bicicleta que Graeme Obree usou em seu recorde da hora, leiloada em 214 noe-bay, atingindo10 mil libras.

Você talvez já tenha lido ou ouvido falar de Graeme Obree, o “escocês voador”, cuja história de recordes, anulados pela Union Cycliste Internationale, que considerou sua inovadora bicicleta, “Old Faithful” ilegal. Veja o filme, “O Escocês Voador”.  Assista e tenha uma vaga ideia do que a UCI tem feito pra impedir grandes inovações.

Mas também assista o filminho abaixo.

è a etapa final da prova de perseguição individual, na Olimpíada de Barcelona, em 1992, 4000 metros.

Chirs Boardman, inglês usa uma bicicleta produzida pela Lotus (sim, a equipe de carros de Fórmula 1), com desenho de Mike Burrows. Note que a bicicleta tem as rodas presas apenas pelo lado direito.

Mas o ciclsita alemão, Jens Lehmann, usa uma bicicleta de marca FES (Institut für Forschung und Entwicklung von Sportgeräten – da antiga Alemanha Oriental e ainda em atividade). Preste atenção nas duas rodas de tamanhos diferentes, a roda dianteira menor para permitir uma posição mais inclinada à frente – portanto mais aerodinâmica.

Pois estas bicicletas – ambas! – estão banidas das competições.

cardiff-record

Agora olhe a foto ao lado de 1962, quando John Woodburn bateu o recorde da distância Cardiff-Londres: 162 milhas (260,710 km), pedalando a uma média de 24 milhas (38,62 km) por hora.

A bicicleta é uma Moulton, de rodas pequenas – mais aerodinâmicas – projetada pelo Dr Alex Moulton.

Suas bicicletas ganharam diversos recordes, mas foram banidas, pela UCI, ainda no início dos anos 1960.

Mas a ação anti-inovação tecnológica da UCI começou bem antes. Em 1934 a UCI baniu um desenho de bicicleta revolucionário à época. Francis Fauré, um ciclista francês, estava quebrando recordes e ganhando provas com uma bicicleta inovadora projetada por Charles Mochet e seu filho George Mochet.

Francis Fauré na largada de uma prova, vencida por ele, em 1933.

Francis Fauré na largada de uma prova, vencida por ele, em 1933.

Em 1933, com essa bicicleta, Francis Fauré derrubou um recorde de mais de 20 anos, estabelecido por Oscar Egg em agosto de 1914, em 44,247km. Francis Fauré rodou 45,055 km em uma hora.

Era 1933 o último ano em que reclinadas e bicicletas de montar concorreram lado a lado. Anulados os recordes em 1934, mudada a regra, nunca saberemos que caminhos teriam tomado as bicicletas ao redor do mundo.

O fato é que as pessoas se espelham nas bicicletas usadas nas competições. Só depois de um certo tempo de uso parecem fazer suas escolhas individuais, mas mesmo assim muita gente ainda se espelha nos ciclistas profissionais que devem usar bicicletas restritas às regras da UCI, em tese existentes para manter a competição justa entre ciclistas, mas na prática simplesmente quebrando a espinha de todo inovador que não seja da grande indústria.

Um outro exemplo é a regra aplicável aos triátlons. Os triátlons sancionados pela UCI não permitem as bema bikes, as bicicletas com quadro sem o tubo vertical. Tornaram-se ilegais…. Uma pena, pois com certeza o mundo das bicicletas de montar também teria tomado um caminho diferente.

Sofride: extremamente aerodinâmica, legal só em alguns triathlons.

Sofride: extremamente aerodinâmica, legal só em alguns triathlons.

Pois o beam, essa peça de carbono onde se prende o selim, flexiona, funcionando também como uma suspensão.

Note a MTB abaixo:

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O garfo é uma suspensão e o beam absorve impactos, numa solução bem mais leve e elegante que as utilizadas atualmente pelas MTBs com suspensão traseira.

O fato é que as pessoas se espelham nas competições. Um exemplo é a cor das bermudas de ciclismo. A experiência nos manda usar a cor clássica: preto. Por um motivo simples: graxa! Mas como algumas equipes profissionais (que possuem roupeiros, fornecedores de uniforme e etc) passaram a usar outras cores e então estão as pessoas comprando seus uniformes coloridos – e discutindo depois como limpar as manchas de graxa…

Da mesma forma, entre os fixeiros, não falta gente querendo usar no dia a dia posições usadas apenas em competições curtas. Temos que lembrar que algumas bicicletas, como a do Graeme Obree lá no começo deste post, exigem posturas muito desconfortáveis. Mas a inovação de Obree naquela bicicleta vai além da postura: quadro que abandona a forma diamante, garfo apenas com perna direita, rolamentos de uma máquina de lavar, mais estreitos e melhores que os dos movimentos centrais atuais, permitindo uma distância lateral pequena para os pés….

Todas as inovações acima tornadas ilegais e portanto, sem produção em grande escala,barateando seu preço. Exemplo são os garfos de uma só perna. Até hoje tem quem imagine que seja invenção da Cannondale. Não é, e é perfeitamente factível a construção com a fixação do cubo dianteiro em balanço. À Cannondale cabe o mérito de popularizar um pouco essa possibilidade, não apenas em MTBs com suspensão Lefty, mas também em bicicletas urbanas comgarfo rígido lefty, como os modelos Bad Boy e Hooligan.

Mas olhe que conforto se tem na bicicleta abaixo:

Stuar Dennison, numa Ratracer projetada por Mike Burrows

Stuar Dennison, numa Ratracer projetada por Mike Burrows

Note as soluções: roda dianteira presa apenas pelo lado esquerdo, roda traseira presa apenas pelo lado direito. Bicicleta projetada por Mike Burrows, o mesmo projetista da Lotus 108, a bicicleta que Chris Boardman usou para vencer a perseguição individual – 400 m – na Olimpíada de 1992 em Barcelona, que consta do vídeo no começo do texto.

Essas soluções não são impossíveis. Basta a indústria querer fazer. E claro, em bicicletas com rodas presas apenas por um lado, dá pra trocar a câmara ou o pneu sem ter que tirar a roda. Simples assim.

E se você não é competidor federado, saia do caixote. Lembre que o desempenho do profissional muitas vezes é condicionado não pelo equipamento, mas pelo doping. Então, não tema o diferente. de repente é a solução para o seu problema. Para mim, com meus problemas de mão e ombro direitos, as reclinadas são a solução. Ah claro, reclinadas não sobem, não dá pra pedalar em pé, são pesadas, é coisa de velho, e blá-blá-blá… Ninguém é obrigado a pedalar uma reclinada, ou uma beam bike, ou uma prone bike…  Cada um no seu pedal, cada um com suas dores, e pra quem usa bicicletas de montar, com selim, cada um com suas assaduras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Uma resposta para “Até onde teria chegado a tecnologia das bicicletas de rua, se a UCI não atrapalhasse tanto?

  1. Belo post, Odir!

    Infelizmente “a mercê” de regras, nós meros pedalantes não visualizaremos criações “fora da curva”, só na atual originalidade de modelos com modificações apenas nos materiais.

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