Avelleda nos transportes em SP: boa notícia. Será?

João Dória Jr nomeia Sergio Avelleda como Secretário na Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, o que parece uma boa notícia, pois Avelleda usa a bicicleta frequentemente. Mas será mesmo uma boa notícia?

Avelleda com Renata Falzoni, em foto publicada no seu perfil no Facebook.

Avelleda com Renata Falzoni, em foto publicada no seu perfil no Facebook.

Nas passagens de Sérgio Avelleda no Metro-SP e CPTM, permitiu-se o acesso de bicicleta em trens e metrôs, e também construiu-se a ciclovia do Rio Pinheiros.

Avelleda também circula diariamente em sua bicicleta. Usa-a coo transporte frequentemente.

O perfil no Facebook de Sergio Avelleda está na comunidade da Bicicletada-SP.  Já fez cicloturismo.

Tudo isso parece bom aos ciclistas, certo? Inclusive a mudança do nome da secretaria para “Transportes e Mobilidade”.

Yep! Mas olhemos com cuidado. Lembre sempre de dois ditados: “uma andorinha só não faz o verão” e “se tem que tirar a cascavel do buraco, use o braço de outra pessoa.”.

Note: no Metro e na CPTM, a bicicleta entra em horários restritos e as escadas rolantes só podem ser usadas para subir, não para descer. Claro, alguns fiscais são condescendentes  – ou simplesmente os cortes de pessoal deixam sem fiscais em quantidade suficiente pra encher o saco de um ciclista na rolante descendente – mas a regra existe.

A ciclovia do Rio Pinheiros tem horário de funcionamento (????), o que impede que uma parte considerável de ciclistas de baixa renda a utilizem para transporte. E atualmente, algumas obras do metrô impedem o seu uso em certos trechos, e as alternativas no outro lado do rio são profundamente inseguras.

Raciocinemos. Dória elegeu-se prometendo elevar velocidades. Vai mexer pontualmente em diversos locais. (E claro, criar uma bagunça, pois se mesmo sabendo que os limites atuais são de 50 km/h os motoristas “se confundem”, imaginem com limites variando na mesma avenida…) Vai fazer isso, mesmo sob protestos de seguradoras, de todo o setor médico, de associações de pedestres e de ciclistas.

Da mesma forma, Dória prometeu retirar ciclovias “não usadas”, “ruins”. Ora, pergunto: não é bom usar alguém que frequente o meio dos ciclistas para fazer isso?

Deve-se sim colocar em dúvida a atuação da gestão Dória. O histórico do partido ao qual ele pertence é dessas pseudo soluções, daquilo  ora funciona, ora não. A promessa de “privatizar” ciclovias (vai cobrar pedágio?) passa provavelmente pelas famigeradas PPPs, onde público e privado se confundem.

Um exemplo dessas PPPs é a linha marela do Metro de São Paulo, cuja construção é das mais lentas. Ah, claro, os problemas são técnicos… Problemas técnicos, questões técnicas são sempre excelentes desculpas para não fazer. Ou para fazer duma forma que só uma parcela da população consiga usar.

Em todo caso, é de se esperar. Se realmente Avelleda estiver comprometido com a cicloinclusão, a rede de ciclovias deve ser ampliada e não reduzida, e construídos mais 400km de ciclovias e ciclofaixas, pelo menos. Pois se a gestão Haddad conseguiu fazer isso em pouco mais de 2 anos, a gestão Dória tem capacidade de fazer muito mais em 4 anos, pois hoje dentro da CET já se disseminou o conhecimento antes restrito a alguns técnicos do departamento de ciclovias.

E também, pedalando, Avelleda pode reverter um erro da gestão Haddad na feitura das ciclovias: não dar a devida prioridade à bicicleta sobre o carro, de forma que em avenidas como a Av Engenheiro Caetano Álvares, as faixas não seguem linearmente, mas fazem inúmeras curvinhas perigosas acima de 5 km/h. Eu trafego diariamente por lá e sou obrigado a passar reto nesses desvios para não cair da minha bicicleta.  E como eu, inúmeros ciclistas.

É esperar pra ver. Ciclistas são chatos apenas e tão somente pois estão defendendo seu direito à vida, a circular sem serem atropelados. E, portanto, é o resultado que vale. Não as intenções. Pois de boas intenções o inferno está cheio.

E lembre, uma andorinha só não faz verão. Dória não se comprometeu a ampliar a rede de ciclovias. Dória, como Trump, tocou o programa “O Aprendiz”, e essa turma adora carro.

Trump não acredita em aquecimento global e quer cancelar tratados sobre o clima por conta dos negócios… Dória sempre pregou o aumento das velocidades… Dois “não-políticos”….  Sem uma vontade política maior, superior, Avelleda não terá ferramentas para fazer nada. E pode se tornar apenas o braço de outra pessoa que quer tirar a cascavel do buraco.

É esperar pra ver.

 

 

 

 

 

 

 

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