bicicultura 2016

quem foi tem uma vaga ideia do que foi o bicicultura 2016 em são paulo de tanta coisa que aconteceu. quem não foi só pode imaginar. 

a foto oficial onde estão quem chegou ao final. mas deveria ter mais umas 8 mil pessoas nessa foto, feit apelo josé renato bergo.

a foto oficial onde estão quem chegou ao final. mas deveria ter mais umas 8 mil pessoas nessa foto, feit apelo josé renato bergo.

e eu subi a augusta puxando um bonde pra bicicletada. quando chegamos ali na paulista, perto da praça do ciclsita, o casal de blumenau fez a cara de espanto. guilherme não falou nada, mas  a mariana arregalou os olhos e eu esperei ela soltar: “puta que pariu! quanto ciclista!“, mas não foi isso que ela falou. apenas comentou, entusiasmada, que nunca tinha visto tanto ciclistas juntos.

era a bicicletada internacional, do dia 27 de maio, inchada pela presença dos participantes do bicicultura de 2016. tava grandona…. como gosto, fechando a avenida paulista inteira!

como descrever? a angústia do cadu carvalho, lá na assembleia ao final, quando discutíamos a realização do bicicultura de 2018 no rio de janeiro junto com o velocity, e com a participação dos ativistas mais novos além dos mais velhos, é na verdade a sede de todos nós: participar de tudo, ao mesmo tempo!

como começou esse troço? em 2008 aconteceu um bicicultura em brasília, e em 2010, em sorocaba. menores. mas em 2012, 2013 e 2014 aconteceram no brasil os fóruns mundiais da bicicleta, que hoje ocorrem fora do país.

sentimos necessidade de recurar aquele espírito do FMB de curitiba, em 2014.

e a UCB encarregou o movimento aqui de SP a realizar um novo bicicultura.

tivemos poucos meses pra organizar tudo. mas organizamos.  afinal, isso tudo não começou agora.

quando começa? sei lá. o miranda já escrevia documentos técnicos sobre bicicleta nos anos 70. nos anos 80 renata falzoni está fundando os night bikers, e junto como arturo alcorta, convencendo a  então indústria nacional a produzir MTBs.

nos anos 90 o mundo da bicicleta era a bikeonelist do yahoo. estávamos todos lá, e de lá conheço alguns dinossauros como eu.  e caramba, o tempo passa!

senti falta do rodrigo e da eliana do clube de cicloturismo, clube que vi nascer, eu que vi também nascerem os audaxes, a bicicletada e o escambau. tudo num tempo em que o zé lobo  não tinha cabelos brancos e a marina harkot ainda pedalava com rodinhas na bicicleta.

é isso que devemos perceber: gerações e gerações na luta pela bike. que coisa linda aquele diálogo do andré leme (48 anos) com o doguete (25 anos) – campões do BMX de gerações diversas, discutindo o esporte.

é isso. o bicicultura englobou tudo. pois lembremos: as atividades foram inscritas. são os participantes do fórum que montaram as atividades. com exceção de uma ou outra palestra magna, o resto é tudo inscrição.

e que coisa linda a multiplicidade de atividades! as engraxadas, o coletivo feminino de mecânica de bike apareceu. ah, como eu queria que as meninas do chave 15, que não foi, estivesse lá, pra troca de figurinhas com as engraxadas.

vamos entender. o cicloativismo do brasil está na fase de fazer tudo. sim, falta tudo no mundo da bicicleta no brasil. tá faltando ciclovia, velódromo, paraciclos nos comércios, respeito dos motoristas nas ruas, avenidas, estradas! tá faltando segurança nas estradas pra quem viaja, pra quem treina, pra quem passeia.

não dá pra se envolver um pouco com a bicicleta e não ser um pouco ativista de alguma coisa. simplesmente não dá. assim, de importador de peças – o cabeça tava por lá –  a ciclista militante feminista, de anarcociclista da periferia da ZN a projetista de ciclovia, todo mundo se envolve na luta.

e é uma união afetiva? não, é a irmandade dos irmãos de trincheira. afinal, quem não entende  que em qualquer lugar do brasil mulher que pedala é assediada e homem é fechado pelos veículos, de forma agressiva?

ainda ontem, quinta feira 2/06, na rua martins fontes um veículo fechou de forma meio assassina a mim e outro ciclista que ali estava, que deu um grito. o motorista parou o carro e desceu: era um homem já de cabelos brancos mas muito alto. o outro ciclista que estava ao meu lado – que não conheço, jogou a bicicleta no chão e puxou um facão sabe-se lá de onde. e só assim o grandalhão recuou pro seu carro.

cenas assim acontecem na holanda? o ciclista que estava ao meu lado, que não conheço, explicou que é porteiro dum prédio no centro de SP e sempre carrega o facão pois está cansado de ser agredido ou  humilhado por motoristas. essa é uma das realidades que ciclistas ainda têm que enfrentar.

ora, portanto, é de se esperar que no mundo da bicicleta do brasil as falas sejam coincidentes, que não haja hierarquia entre saberes, que um frame builder artesanal seja apresentado a um organizador de provas tradicionais (a 9 de julho!) por um cicloativista….  claro, pois no big bang, os elementos ainda estavam todos misturados.

ao andar da carruagem, demorarão alguns anos ainda para o mundo da bicicleta do brasil ser tão extenso a ponto de existirem planetinhas incomunicáveis. não, não dá, estamos todos irmanados nessa luta. a trincheira ainda é a mesma para todos.

por isso aquela festa fantástica no sábado à noite – da qual saí tão breaco….

aliás, ainda bem que de bike não tem lei seca. só sei que o amigo a quem pedi pouso não conseguiu sequer entender meu recado, e a ciclofaixa da avenida engenheiro caetano álvares, naquela noite, perdeu todas aquelas voltinhas ridículas nos cruzamentos, mas ganhou uma ladeira no final.  lembro de estar pedalando em linha reta e a bicicleta começar a pular, em obstáculos… eram tachões repentinamente surgidos na trajetória dos pneus da bike…. hahaha

mas sim, o bicicultura de 2016 foi quase todo o mundinho da bicicleta do brasil. do amazonas ao acre, passando pelo rio grande do sul, mato grosso e até mesmo chile e EUA, teve gente de tudo quanto é lugar. 18 estados, 3 países. gente pra dedéu. quase 10 mil pessoas participando de tudo. só de voluntários e profissionais trabalhando, foram mais de 150 pessoas – e  eu orgulhosamente uma delas.

600 atletas, 600 pessoas na bicicleta, 5000 circulando no evento, 300 na festa, mais 150 na organização, mais de 150 atividades….

e que pauleira foi organizar esse troço? mas saiu. saiu com financiamento de crowdfunding, com apoio dum banco, com cessão de espaço pela prefeitura de SP e com o suor de muita, mas muita gente.

afinal, como disse o jilmar tatto na abertura, bicicleta é tão legal que até banco gosta.

é. não dá pra resumir. espero apenas que se consiga ter uma ideia do clima. e garanto que quem foi tá já ansioso pelo bicicultura de 2017, em recife – te prepara enio, que vou visitar o janga! – e em 2018 o bicicultura vai invadir o velocity, no rio de janeiro!

né?

né?

(mas uma coisa eu sei. uma alta funcionária da prefeitura segredou-me, que não acreditou que em tão pouco tempo conseguíssemos organizar um troço tão grande. é que ela até então não sabia do que é capaz essa grande paixão,. esse grande amor que temos pela bicicleta).

é. como o prefeito fernando haddad entregou: ciclistas sabem dialogar com o poder público. e se SP saiu um pouco na dianteira, é só por que soubemos bater e assoprar.

acabou. mas só por enquanto.  só por enquanto.  pois se os preguiçosos não conseguem pedalar de casa ao trabalho, nós damos a volta ao mundo de bicicleta.

e como disse a melina rombach adaptando um lema zapatista: a bicicleta é um mundo onde cabem outros mundos.

pois como diz hakuin ekaku no poema do dharma:

O nirvana é aqui, perante os teus olhos,

este próprio lugar é a Terra do Lótus,

este próprio corpo o Buda.

na bike, a utopia não é lá, é aqui. e só não sabe disso quem não pedala e não entende por qual motivo o cachorro coloca a cabeça pra fora do carro.


fotinhos, nas galerias do vá de bike, que eu não tive tempo de fotografar.

aqui, e aqui .


em tempo: EU QUERO UMA BIKE SONORA, IGUAL À DO POVO DE NIKITI!

3 Respostas para “bicicultura 2016

  1. Está escrita errado. ” coisa “.

  2. Coisa Linda de ver, rever e respirar B I C I C U L T U R A❤

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