true temper deixará o mercado de tubos de aço para quadros de bicicleta.

o grande fabricante americano de tubos de aço para bicicletas deixará de produzir essa linha. anúncio feito em 09 de maio.

marcas que usam tubos true temper durante a north america nad-made bicycle show - NAHBS - de 2014

marcas que usam tubos true temper durante a north america nad-made bicycle show – NAHBS – de 2014

o ano era 1988, e para aquele giro d’italia, andrew hampsten queria um quadro que lhe permitisse  disputar a vitória. encomendou a john slawta, da land sahrk bicycles, um quadro que fosse leve e resistente.

naquele ano, andrew hampsten tornou-se o 71º vencedor do giro d’italia, o único americano a vencer a prova que se realiza desde 1909.

o quadro de sua bicicleta fora feito com tubos true temper em aço.

a minha deliciosa khs aeroturbo, a bicicleta com a qual eu tive a coragem de largar numa 9 de julho – em 2015 – sendo o mais pançudo dos competidores, sempre impressiona os neófitos pela sexy curva no tubo vertical do quadro que permite a roda traseira acomodar-se entre os exíguos 37 cms de comprimento dos tubos inferiores da traseira. a khs usou tubos true temper nessas bicicletas.

minha khs aeroturbo preta

true temper era a marca dos tubos de diversas das boas mountain bikes dos anos 90, todas americanas.

e também a marca dos tubos de aço de quadros fabricados por diversos fabricantes artesanais da atualidade.

mas a empresa resolveu dedicar-se mais ao mercado dos tacos de golfe, que também fabrica, com uma qualidade excepcional.

a saída da true temper do mercado sinaliza uma diminuição do mercado das bicicletas de aço de alta qualidade. é fato, as novas gerações desconhecem o conforto e a durabilidade dos quadros de aço.

o aço teve nas últimas décadas variações na produção. hoje, a china responde por cerca de 50% da produção de aço do mundo.

e no mercado de bicicletas, a alta do aço há duas décadas causou a migração progressiva para o alumínio, que também permitiu a produção robotizada. nesse sentido a coreana giant mostra o caminho para o resto da indústria.

prensa robotizada da coreana giant, fabricando um quadro de fibra de carbono.

prensa robotizada da coreana giant, fabricando um quadro de fibra de carbono.

bicicletas de carga são e ainda serão por muito tempo fabricadas em aço. pois o alumínio não tem a mesma capacidade de resistir a grandes cargas. assim como muitos modelos populares de baixo custo.

do mesmo modo e pelo mesmo motivo, bicicletas de cicloturismo continuarão a ser desejadas se feitas em aço: carregam bastante peso.

a bicicleta de andrew hampsten, na conformação que ele usou numa prova pra bicicleta para bicicletas mais antigas, l'eroica.

a bicicleta de andrew hampsten, na conformação que ele usou numa prova pra bicicleta para bicicletas mais antigas, l’eroica. note as alavancas de qudro e o conduite de freio embutido no tubo superior.

 

nas bicicletas para uso urbano, o aço de baixa gama aparece em bicicletas como as da linus. e aço cormo-molibdênio, de fabricação asiática, é usado nas surly.

surly mostra o melhor uso para o aço: a possibilidade de acrescentar suportes pra tudo quanto é tipo de acessório.  nesse fator os quadros de alumínio falham um pouco e os de fibra de carbono não se prestam a esse uso.

o conforto dos quadros de aço – “moles”, como dizem alguns – é perceptível nas grandes pedaladas. como também na buraqueira das grandes cidades.

é fato que o aço não deixará de ser usado para quadros de bicicleta, e sobretudo para garfos. quem já substituiu uma suspensão por um garfo de alumínio já percebeu o desconforto desse material. e daí ou migra-se para o uso de um garfo de fibra de carbono ou de aço – não importando a liga.

mas hoje um bom garfo de aço artesanal feito no brasil pode custar mais do que paguei na minha última MTB inteira. o preço do trabalho artesanal às vezes se manifesta assim.

é uma pena, pois quadros de aço possuem reciclagem infinta, além de uma grande durabilidade. quadros de alumínio também se reciclam, embora durem menos. mas quadros de fibra de carbono, depois de algum tempo, começam a dar estalos e por fim… quebra. e como são compostos plásticos, não se reciclam.

hoje as bicicletas parecem seguir o mesmo caminho dos carros. não há maior distância entre um carro de f1 e um carro de rua. e as bikes de fibra de carbono das grandes voltas estão cada vez mais distantes das bicicletas de uso diário nosso.

1995 – portanto há 21 anos – foi o último ano em que uma bicicleta com quadro de aço venceu o tour de france. era a pinarello banesto, custom, de miguel induráin. induráin terminou sua carreira também mais ou menos na mesma época. o último ídolo do ciclismo a rodar na ponta usando aço.

pinarello usada por miguel induráin em 1993

pinarello usada por miguel induráin em 1993

bom, com a saída da true temper do mercado, os fabricantes artesanais que usavam essa marca de tubos voltar-se-ão a outros fabricantes. reynolds, por exemplo – cuja filial asiática produz os tubos “520” usados nos quadros da surly – e também os asiáticos, tange, por exemplo. ou europeus: dedacciai.

o mundo do cromo ficará um pouco órfão com a saída da true temper do mercado. mas não ficará largado no mundo. outros fabricantes persistirão e durante muito tempo ainda teremos bicicletas feitas com quadros de aço, seja o pesado aço carbono, o confiável aço cromo-molibdênio ou as ligas luxuosas – como o 18mcdv6, com vanádio e manganês.

pedalemos pois.

 

 

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