o aço não desaparece

o mercado impõe suas necessidades. sempre,. e no caso das bicicletas, os quadros de aço cromo-molibdênio nunca deixam de serem desejados.

kona honky-tonk - gostou? clique na foto e saiba mais sobre ela.

kona honky-tonk – gostou? clique na foto e saiba mais sobre ela.

eu, marina e alex saíamos ontem duma reunião Conselho Municipal de Transportes, onde conseguimos fazer passar uma proposta de recomposição do conselho respeitando a paridade de gênero.

na saída, eu com uma MTB antiga, pra variar. e os dois de fixas. claro, fixas com quadros em aço.

muita gente mais nova descobriu as vantagens dos quadros em aço montando fixas com velhos quadros em aço com gancheiras horizontais. muita gente já me perguntou como se consegue um quadro novo com o conforto das velhas caloi 10, peugeot 10, mornak 10. (e daí o tiozinho aqui começa a preleção sobre geometrias, materiais de quadros, tamanho de rodas e blabalbá).

mas toda uma geração abaixo dos 40 anos está brincando de montar bicicletas com quadros antigos e descobrido algumas coisas. por exemplo: cantilevers de qualidade com boas sapatas freiam bem, v-brakes melhor ainda. também descobrem que freios a disco hidráulicos são fantásticos, mas requerem uma manutenção maior, mais frequente e não raro mais cara que os freios a disco mecânicos. que por sua vez freiam  de forma semelhantes a bons v-brakes… e chamam mais ladrão que v-brakes.

o fato é que nos últimos anos a “bicicleta boa” é bicicleta de competição, e bem especializada. e quando o caboclo coloca pra rodar todo dia nas cidades, descobre que ela chama a atenção, e ninguém tem lá muita coragem de deixa presa num poste por uma tranca…

aí a “bicicleta velha” toma seu lugar. mas velha e confortável. e mais, os freios ferradura – que hoje estão querendo espancar do pelotão pró – mesmo velhinhos, mas com boas sapatas, freiam bem aqueles aros de paredes mais larguinhas e em alumínio, não em carbono…

ou então o caboclo que teve que comprar um bagageiro que custa quase o preço de uma bicicleta usada, para colocar naquela sua MTB moderna com freios a disco, descobre que o coleguinha com uma MTB em cromo – uma velha trek antelope, por que não? – achou um bagageiro de 20 reais, em tubos de aço fininhos. e que não racha após um certo tempo de uso.

enquanto as descobertas são do zé e da pati, isso não tem lá muita importância.  mas isso está acontecendo em cadeia…

a prova é o sucesso da surly. que na contramão do mercado, só faz seus quadros para bicicletas bem especializadas (fat bikes, por exemplo) em aço cromo molibdênio, com tubulação da subsidiária asiática da reynols. reynolds 520, o velho e bom aço 4130.

aliás, reynols 520 é a tubulação do quadro da kona honky-tonk da foto acima. note que esse modelo é novo.

e a que se prestam essas bicicletas? não para competir. se você quer ler sobre bicicletas de competição, esse post não trata disso. mas como o próprio site fala: uma all-rounder. a bicicleta pra ir a todo lugar: supermercado, balada, um audax, uma viagenzinha, ir pra escola, pro trabalho e etc.

aquela que a gente simplesmente gosta de usar. essa é a bicicleta de uso diário, all-rounder, pra tudo, que deve ser de aço – ou titânio, se você tem coragem de usar uma bicicleta de titânio na rua – pois ela é confortável. simples assim.

se você babou na kona lá em cima, e não tem grana para uma, lembre que sempre há uma MTB de cromo dando sopa por aí. preocupe-se com o quadro, com o quadro ser do seu tamanho. o resto é ajuste, troca duma peça simples aqui ou ali, e você tem uma confortabilíssima bicicleta para rodar por aí. aliás, como muita gente faz, e eu vou fazer logo – mais uma vez – com uma velha mongoose hill topper.

não tenha medo do velho aro 26. com o pneu certo, a bicicleta fica rápida e confortável. ache a medida mais adequada para você. entre 1 e 2 polegadas, há pelo menos umas 4 larguras diferentes: quanto mais largo o pneu, mais confortável, mas ais lento. a questão é achar o equilíbrio. eu, depois de usar 1,25 por muito tempo, tenho adorado os pneus de 1,9 polegada. sei lá esqueleto de velho, ou buracos demais.

nova ou velhinha o aço manda. only steel is real. 

8 Respostas para “o aço não desaparece

  1. Muito bonita, o problema é ter uma bike dessa em uma cidade como Salvador, aqui ela enferrujaria rapidamente.

  2. Minha boa Giant Sedona ATX, imbatível e vários aspectos!

    Em dias de chuva ela reina absoluta! Os paralamas que impedem que a água suja do asfalto me alcance, os V-Brakes que ignoram completamente as manchas coloridas causadas pelo “cocô de carro” sobre as poças de água, se fossem os freios a disco, poderia dizer “bye bye pastilhas!” o bagageiro onde coloco o alforje…

    Sobre a Kona, acharia ela perfeita se tivesse um garfo com uma leve curva para a frente, o que daria menor possibilidade de ‘overlap’ e talvez um pouco mais de conforto.

  3. Olá Odir,
    Descobri o seu blog recentemente e estou adorando. Eu tenho uma Bianchi Ocelot bem velha com quadro de cromo e gostaria muito de fazer umas alterações nela. Você tem umas dicas de onde posso ir ou algum site com essas informações. Muito obrigado.

  4. mas os quadros de alumínio, por ser mais leves não seriam mais confortáveis?

  5. Salve ogum777,

    Descobri seu blog em pesquisas recentes sobre cicloturismo.

    Poderia me auxiliar?

    Estou pensando em tornar a minha Trek 830 em uma legítima estradeira.
    Sabe se é possível colocar guidão drop e um câmbio não indexado no down tube ? Aceito sugestões de marcas!

    Parabéns pelo site!!!

    • olá. sua trek 830 provavelmente tem o cabeamento pelo tubo superior. para colocar alavancas no downtube teria que usar um adaptador. um guidãodorp com STIs ‘eutilizável, mas precisa ver que câmbido dianteiro vai usar, pois STIs não funcionam com câmbios dianteiros de MTB.

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