Curitiba: onde estão os 300 km de ciclovias de Gustavo Fruet?

curitiba é uma cidade pela qual tenho apreço: onde moram meus pais. visito-a desde a infância. em 2010 eu achava melhor pedalar em curitiba do que em são paulo, e hoje, cada vez que venho, menos seguro sinto-me ao pedalar por curitiba. e sempre lembro que gustavo fruet, seu prefeito,prometeu em campanha 300 km de ciclovias e foi tomar posse pedalando. mas onde estão pelos menos 100 km de ciclovias novos?

adesivos e tornozeleiras refletivas distribuidos pela prefeitura de curitiba. bons mimos, mas onde estão as novas ciclovias?

adesivos e tornozeleiras refletivas distribuídos pela prefeitura de curitiba. bons mimos, mas onde estão as novas ciclovias?

Não sejamos injustos:  áreas calmas foram instaladas em Curitiba, áreas com limite máximo de 40 km/h para os motorizados. Também antigas ciclovias e calçadas compartilhadas forma requalificadas, reformadas.

Mas onde estão os 300 km novos, 300 km de ciclovias prometidos em campanha?

Requalificar estrutura já existente é trabalho de manutenção. É obrigação do poder público, não pode ser visto como obra nova. Afinal, pode-se confundir o recapeamento e nova sinalização numa rua com abertura de rua nova?

Essa questão não seria importante se não houvessem mortes de ciclistas em Curitiba. Mas em abril, apenas em abril, em 30 dias, morreram 6 ciclistas atropelados na cidade de Curitiba. Se ampliar-se para a região metropolitana, são 8 mortos! Duvida? Leia aqui!

Nào sei direito o que aconteceu desde então. Não moro em Curitiba. Mas em São Paulo, um número menor de mais espaçado de mortes de ciclistas fez com que os cicloativistas dobrassem a prefeitura da maior metrópole das Américas.

Recapitulando: em janeiro de 2009, Márcia Regina de Andrade Prado é assassinada atropelada por um motorista de ônibus na Avenida Paulista.

Em 2010, duas associações são fundadas em Sào Paulo: Instituto CicloBR e Associação Ciclocidade. O bike-anjo começa a se organizar, mas informalmente.

Em janeiro de 2012 é promulgada a :Lei 12.587/2012, Lei da Mobilidade Urbana.

Em 2 de março minha querida amiga Juliana Ingrid Dias é assassinada atropelada por um motorista de ônibus, na mesma Avenida Paulista, 200 metros adiante do ponto onde Márcia Prado foi assassinada atropelada.

Durante a campanha à prefeitura, os 5 principais candidatos no primeiro turno assinaram uma Carta Compromisso elabora de forma coletiva pelso cilistas e apresentada pelas duas associações.

No segundo turno, tanto Fernando Haddad quanto José Serra prometeram 400 km de ciclovias.

Haddad tomou posse em janeiro de 2013. Em 10 de março de 2013, David Santos tem o braço arrancado decepado enquanto trafegava pela Avenida Paulista: Alex Siwek, o atropelador, joga o braço num rio.

No mesmo dia, ciclistas com cópia da Carta-compromisso assinada em campanha por Haddad rumam à sua casa. No domingo seguinte, nova manifestação na Avenida Paulista.

Em duas semanas o Prefeito Haddad agenda reunião com os ciclistas. V6em as jornadas de junho, em 2013. Em 2014 começa o asfalto a ser pintado de vermelho.

A Câmara temática da Bicicleta, órgão auxiliar do Conselho municipal de Transportes Terrestres – conselho com existência obrigatória por lei – começa a funcionar simultaneamente ao próprio CMTT.

Elabora-se o Plano de mobilidade Urbana com ampla participação de cilistas, inclusive desenhando os trajetos das futuras ciclovias.

Em 19 de março de 2015, um juiz estadual de Primeira Instância suspende a construção da rede de ciclovias.

Em 27 de mar;co de 2015, dia de bicicletada:  mais de 7 mil ciclistas na Avenida Paulista. Tribunal de Justiça, durante a realização da bicicletada, anuncia a cassação da liminar, posteriormente confirmada pelo pleno.

A rede ainda incompleta, faltando 100 km, começa a campanha por ciclovias nas periferias. E estão sendo feitas.

Nào sei. mas em São Paulo, que tem 11 milhões de habitantes, se morressem 6 ciclistas num mês… Talvez teríamos, pacificamente como sempre, incendiado a o prédio da Prefeitura com o prefeito trancado dentro….

Em Curitiba, que tem 1,75 milhão de habitantes, 6 mortes é um número proporcionalmente mais expressivo….

Não tenho notícia de um grande protesto. tenho notícia sim das ghost bikes instaladas.

Mas algumas notícias são assustadoras. Como essa. E então retirar uma Ghost Bike do caminho de passagem de uma autoridade estrangeira?

E claro, onde estão pelo menos metade dos 300 km de novas ciclovias prometidos em campanha? Nenhum ciclista de Curitiba sabe me informar onde estão pelo menos 100 km de ciclovias novas.

Pois estamos em janeiro de 2016. A partir de 2 de julho de 2016, por força da Lei Eleitoral, o Prefeito Gustavo Fruet não pode inaugurar nenhuma obra nova.

Em 6 (seis!) meses o Prefeito Fruet construirão pelo menos uns 250 km de novas ciclovias?

Em 30 de junho de 2016 entregará cumprida a meta de construção de 300 km novos de ciclovias na cidade de Curitiba?

Sei que amigos daqui de Curitiba, que foram chamados a participar da gestão Fruet, vão falar comigo. mas é uma questão de dados objetivos: ciclistas estão morrendo e se relata, muitos ciclistas relatam, que poucos quilômetros novos foram feitos. A essa altura, no mínimo 200 km de novas ciclovias deveriam estar prontos. Estão?

Temo que em julho de 2016 comece o linchamento público de Gustavo Fruet pelos ciclistas de Curitiba, em razão da promessa não cumprida.  Temo mais ainda, se morrer assassinado atropelado algum dos meus amigos cicloativistas de Curitiba, pela ausência de uma ciclovia. Pois, por mim mesmo, eu sei: o luto promove uma forma de dor raivosa que não conhece limites. e ciclovias são apenas uma estrutura para proteger a vida dos ciclistas, nada mais do que isso. E morte por inação poder público tem sido, nos últimos 30 séculos, o motor de revoluções. Afinal, é da natureza humana….

Bom, não sou curitibano. Não conheço direito a gestão dessa cidade e eventualmente haja um domínio técnico na construção de ciclovias em Curitiba que desconheço, que permita em um mês surgirem os 300 km novos de ciclovias.

Mas uma coisa é fato: não importa a expertise, não importa o conhecimento técnico, não importa a capacidade de construção, a competência do Secretário de Transporte, se o Prefeito não tenha vontade política efetiva no sentido da construção da rede cicloviária.

Então Prefeito Fruet, onde estão os 300 km de novas ciclovias? Como vai a obra? Afinal, quem sai no selfie do Prefeito pode perguntar, né?

Prefeito Fruet, o selfie é seu, mas a pergunta é minha: e os 300 km?

Prefeito Fruet, o selfie é seu, mas a pergunta é minha: e os 300 km?

 

 

 

 

 

 

 

3 Respostas para “Curitiba: onde estão os 300 km de ciclovias de Gustavo Fruet?

  1. Caro amigo, requalificação de 100% da rede existente era outra promessa… também não cumprida😦

  2. Republicou isso em Bicicleta na Ruae comentado:
    São Paulo está cumprindo a promessa de 400km de ciclovias em 4 anos.
    Curitiba parece distante dos seus 300km prometidos.
    Em Florianópolis, os 40km prometidos nos primeiros 18 meses não saíram. E os 100km em 4 anos estão a virar piada eleitoral.

    Confira o texto sobre Curitiba escrito pelo agora doutor Odir.

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