marchas: quantas e quais?

bicicleta com 21, 24, 27, 16, 11, 30, 20 marchas? qual é melhor?

cassete

primeiro, vamos entender oque seja marcha numa bicicleta? simples: você dá uma pedalada completa, e esse giro completo  faz a coroa da pedivela dar um giro completo, tracionando a corrente. a corrente te elos que se encaixam nos dentes da coroa e nos dentes do pinhão, aquela roda dentada única ou agrupadas num cassete, no eixo da roda, normalmente a traseira. e aí a roda da bicicleta  dá um número de voltas, de acordo com a marcha.

por exemplo, a coroa tem 44 dentes e o pinhão tem 11 dentes: uma volta no pedal, 4 voltas da roda.  se a roda tem perímetro de 2 metros, com 4 voltas, ela percorrerá 8 metros. ou seja, o ciclista deu uma pedalada, a bicicleta andou 8 metros. ou seja, se ele dá 60 pedaladas por minuto,andou 480 metros. em uma hora, terá pedalado por 28.800 metros. portanto, terá feito 28,8 km em uma hora. 28,8/km/h.

mas aí a questão dos outros fatores: o vento contra, o relevo… a força das pernas… o peso, o atrito do pneu…  nem sempre a gente consegue usar a relação de 44 dentes na coroa e 11 dentes no pinhão, pra manter as 60 pedaladas por minuto. ou seja, a marcha fica muito pesada para pedalar, e você não consegue pedalar mais…

às vezes, é o contrário: você está naquela descida maravilhosa! e acelerando. e quer pedalar mais… e então 60 pedaladas nessa marca, 44 x 11, você pedala… e sente a marcha tão leve que parece que acorrente caiu… pois você já está a 40km/h!  então, seria melhor uma marcha mais pesada ou pedalar mais rápido.

ora, não seria melhor ter sua bicicleta mais marchas? sim, e por isso elas tem muitas marchas.

mas note, marchas podem ser de vários tipos. muitas vezes sua bicicleta tem muitas marchas, mas elas tem pouca diferença entre uma e outra. e a diferença entre a marcha mais leve e a mais pesada é muito pequena. ou então é o contrário: o espaço entre uma marcha e outra é muito grande.

cada bicicleta tem seu uso, assim como cada relação da bicicleta. da mesma forma, cada ciclista pedala dum jeito.  por exemplo, se você vai participar de uma prova de contra relógio num trecho plano, pode ser que você queira marchas comum pequeno espaço entre elas. logo estará na sua cadência – por exemplo, 60 pedaladas pro minuto – e cada marcha permitirá afinar-se com leves variações: leve alteração de inclinação de terreno, ou então vento contra ou a favor…

contra-relogistas costumam usar cassetes com marchas bem coladinhas, por exemplo, com a seguinte combinação de pinhões, num cassete de 11 marchas: 11,12,13,14,15,16,17,18,19,21,23.  assim, com marchas coladinhas, no trecho plano, o contra relogista mantém sua cadência apesar das pequenas variações de resistência do ar, de inclinação e etc.

e o mountain-biker? as MTBs é que disseminaram as pedivelas de 3 coroas, para ter muitas combinações.  pois no MTB, normalmente há muita variação de inclinação de terrenos. já no downhill, só tem dois tipos de terreno: pra baixo e muito pra baixo…. e aí precisamos de tantas marchas assim?

na evolução das peças de bicicletas, as MTBs primeiras tinham catracas – ainda não eram cassetes – de 5 velocidades, mas já pedivelas triplas. assim tinham 15 combinações – quinze marchas.  aos poucos surgiram cassetes com mais pinhões (6,depois 7, depois 8…) e com variações entre os pinhões maiores (primeiro maior pinhão de 28 dentes, depois 30, depois 32, e então 34…).

ma num segundo momento, outros limites foram quebrados: usando correntes mais finas, se chegou a cassetes com 9, 10 e 11 velocidades – e até 12.

e aí, dependendo da combinação, não se precisa mais da pedivela com 3 coroas. duas bastam. ou até uma só….

por exemplo. usando um sistema com uma coroa de 40 dentes e um cassete shimano de 11 velocidades com pinhões de 11 a 36 dentes, nós temos praticamente a mesma amplitude que um sistema de duas coroas (40 e 30 dentes) e um cassete de 7 velocidades e com pinhões de 11 a 24 dentes, se pensarmos na mesma bicicleta com a mesma roda, mudando só os sistemas.

então, qual melhor opção? na verdade, nenhuma. não existe “A” melhor. existe apenas a relação de marchas adequada. adequada ao seu pedalar, à sua bicicleta, aos seus trajetos, ao seu uso e ao seu bolso.

se sua bicicleta é para ir e voltar ao trabalho, eventualmente uma relação mais barata seja melhor.  correntes para 8 e 7 velocidades duram mais. e peças para 8 e 7 velocidades são mais baratas. da mesma forma, coroas e pinhões maiores duram mais.  sem falar que, seu trajeto diário não tem  grandes subidas, você não precisará de muita amplitude de marchas. mas se tem trajetos com inclinações diversas com eu tenho no meu trajeto de ida e volta ao trabalho, pode ser que queira bastante amplitude de marchas…

mas se vai fazer cicloturismo no brasil, prepare-se para ter uma relação com grande amplitude (pedivelas triplas! cassetes amplos!) e ao mesmo tempo usando peças mais comuns. pois pode-ser que lá no meio da viagem você não ache uma corrente para 10 ou 11 velocidades, e só para 7/8 velocidades….

a relação que você usar para sua bicicleta de cicloturismo pode ser diferente daquela sua mountain-bike da marca XPTO cheia de tecnologia. essa sua outra bicicleta você usará em passeios de um dia, em trajetos mais curtos, e se tiver um problema, o “resgate” é fácil.  o mesmo para sua bicicleta de estrada… então, se tem dinheiro, divirta-se com cassetes de 10 ou 11 velocidades, pedivelas únicos ou duplos leves  e de alta tecnologia…

mas uma coisa é certa. a marcha de cruzeiro, no plano, costuma ser uma marcha que faça a bicicleta andar entre 6 e 7 metros por pedalada. costuma ser, embora não necessariamente seja.

o importante é você experimentar. até achar a relação perfeita para sua bicicleta, seu uso, suas forças, seus trajetos. o fato é que bicicletas não são como carros. você pode trocar suas marchas, configurações. às vezes, a simples troca do cassete já muda muita coisa. vá testando e se divertindo. você só tem a ganhar!

e quantas marchas? quantas você precisar. simples assim.

 

4 Respostas para “marchas: quantas e quais?

  1. Grato pelas dicas, Odir!

    Sou “cabaço” em termos de bike tenho só uma MTB adaptada com pneus slick 1,75′, 21v (pedivela 3 coroas e pinhão 7), mas pretendo alçar voos mais altos! rs

    Para o meu dia a dia, realmente, uma relação com 7v já seria suficiente para o uso urbano. Não costumo variar as coroas, apenas os pinhões.

    Abraço!

  2. minha bike tem pedivela 3 coroas cassete 7 v só que quando estou na descida sinto que falta pedal a aceleração poderia ser maior mas fico pedalando no nada o que devo trocar só o cassete ou o pedivela tbm e por qual?

  3. oi !qual o melhor cambio? abraçadeira de 31.8 para coroa de 52-42-30 9v 11-34 dianteiro e traseiro,puxando para cima ou duplo.

    • olhe, para esse tamanho de coroas, vc precisa usar câmbio dianteiro de estradeiras, que não são compatíveis com trocadores de MTB, nem possuem puxada de cabo por cima, apenas por baixo. para compatibilizar, precisará não apenas duma forma de mudar o cabeamento, como um trocador esquerdo não indexado. seria melhor simplesmente usar uma pedivela 48,38,28, para mtb, fácil de achar. ela já permite marchas bem longas. na relação 48×11, pressupondo que sua mtb seja de aro 26 e esteja com pneus de asfalto de 1,5 pol, vc terá o deslocamento por pedalada, de 8,7 m, o que a meras 60 pedaladas por minuto, a velocidade de 31,2 km/h, e a 80 pedaladas por minuto, 42 km/h, o que é uma boa velocidade para bicicletas urbanas.

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