anticiclista: indiferente ou intolerante?

a implantação de uma rede cicloviária efetiva em são paulo, por um prefeito de um partido ora acusado, na esfera federal, de envolvimento em atos de corrupção, gerou uma reação anticiclista, antibicicleta, anti qualquer coisa a pedal. mas vamos tentar entender as agressões.

a camiseta da discórdia

a camiseta da discórdia

eu pedalava com a camiseta vermelha da foto acima. o logo representa bem minhas ideias acerca da indústria do petróleo. era o finalzinho duma tarde de domingo e eu voltava dum churrasco na casa de amigos.

a rua era a alfredo pujol, na zona norte de são paulo, via de duas mãos, com uma faixa exclusiva de ônibus de cada lado. subidinha suve antes de chegar no quartel onde esta o CPOR.  um carro vem na mão contrária na rua vazia e vem para a contramão,  com se viesse para me atropelar de frente. mas o motorista desvia antes, mas não sem gritar: “volta pra cuba!”

cores como vermelho, amarelo, verde-limão, laranja e outras tantas mais são cores habitualmente usadas por ciclistas, como forma de ficarem mais visíveis no trânsito.  muitos uniformes de ciclismo, e mesmo capacetes, possuem cores vermelhas.

camisa de ciclismo, feminina, damatta, vermelha só nas costas, para aumentar visibilidade nas estradas.

camisa de ciclismo, feminina, damatta, vermelha só nas costas, para aumentar visibilidade nas estradas.

da mesma forma, por resolução de legislação federal de 2007, estabelece o uso do vermelho para caminhos de bicicletas, consoante uso internacional.

Fietsstrook na holanda.

Fietsstrook na holanda.

ora, tanto vermelho rodeando as bicicletas, transforma seu usuário, automaticamente , em apoiador da revolução cubana?

o que temos sentido em São Paulo é um incremento da intolerância aos ciclistas. ela difere da simples indiferença.

o indiferente ignora. assim pode até matar. como no vídeo abaixo, onde o motorista de ônibus, numa condução indiferente ao ciclista, em manaus, atropela-o. note que o motorista simplesmente ignora o ciclista.

motoristas que tiram finas, aceleram e então fazem a conversão à direita cortando a trajetória do ciclista, deixam de passar a 1,5 metro de distância do ciclista (consoante o artigo 201 do CTB), são simplesmente indiferentes. insso inclui até o “assassino cordial”, o motorista que dá buzinadinha e daí tira a fina, ou corta sua trajetória…

gestores de entidades privadas que deixam de instalar bicicletários e paraciclos, ou então instalam paraciclos do tipo grelha (o famoso entorta-rodas)  e do tipo açougue (inutilizável por quem está com bicicletas pesadas, não tem forças ou meso tenha bursite), também são os indiferentes, pois nem se tocam que nessas estruturas não se consegue prender adequadamente a bicicleta.

pior estacionamento de bicicletas de todos os tempos.

pior estacionamento de bicicletas de todos os tempos.

gestores públicos que ignoram os ditames da lei de mobilidade urbana, ou instalam estruturas cicloviárias de qualquer jeito, também são os indiferentes. estão apenas se livrar duma pressão, mas não há reconhecimento das efetivas necessidades dos ciclistas.  na verdade são indiferentes aos ciclistas.

essa é uma faceta do pensamento anticiclista. é a faceta passiva.  é um anticiclsita passivo que toma essas decisões.  ele apenas resiste ao ciclista, às bicicletas, da forma que dá: fazendo corpo-mole o tempo todo. um exemplo de prefeito de são paulo agindo assim foi gilberto kassab. ciclistas morrendo atropelados e ele criou apenas faixas dominicais… ou  a muito mal executada ciclovia da avenida brás leme: obra mal feita, e mal projetada.

como ministro, gilberto kassab recentemente lançou uma cartilha para ciclistas, de qualidade sofrível. leia a nota oficial da UCB sobre essa cartilha nesse link aqui.

é o gestor público indiferente por excelência, esse gilberto kassab!

e o intolerante? tolerância consiste em reconhecer e aceitar o outro como ele é. intolerância é o oposto: não aceitar. odiar. tentar eliminar.

um exemplo de prefeito que odeia ciclistas é rob ford, o ex-prefeito de toronto, mais famoso por ser usuário de crack. rob ford desativou as ciclofaixas de toronto.

ciclista protesta na desativação da jarvis bike lane, toronto

ciclista protesta na desativação da jarvis bike lane, toronto

assista rob ford falando besteiras, especialmente a frase: “roads are built for buses, cars and trucks, not for people on bikes“. sim, e ele ignorou também os motociclistas…  ou seja, não sabe para quê servem ruas e estradas.

os anticiclistas não raro são violentos. vai da violência verbal à agressão.

mas existem os antipetistas que, não raro, em são paulo, se tornam anticiclistas.

embora fernando haddad seja o terceiro prefeito do PT a dirigir a cidade, e o primeiro prefeito da cidade de são apulo de todos os tempos a levar a bicicleta a sério como alternativa de transprote, é ao PT que os desavisados “colam” a bicicleta.

a se lembrar que nas duas gestões anteriores do PT em são paulo, de luíza erundina (1989-1992) e de marta suplicy (2001-2004), nada se fez de efetivo pelas bicicletas em são paulo. aliás, na gestão de marta suplicy, o uso da bicicleta ficou ainda mais dificultado: as alças das marginais foram reformadas para permitir maior velocidade nas curvas, por parte dos veículos automotores, que assim chegavam e saíam das pontes com maior velocidade, dificultando sobremaneira a travessa das alças por ciclistas, pedestres e cadeirantes.

a se notar que tanto luíza erundina quanto marta suplicy já deixaram o PT.  luíza erundina filiou-se ao PSB em 1998, e marta suplicy ao PMDB em 2015, no mês passado.

ser prefeito de são paulo filiado ao PT parece ser uma situação com alguma praga, alguma maldição.  se luíza erundina e marta suplicy saíram do PT por se sentirem – justa ou injustamente, não importa – isoladas ou desfavorecidas pelo partido, fernando haddad também parece isolado dentro do partido.

nesse sentido, tanto essa ação movida pela prefeitura de são paulo contra a união (para revisar valores da dívida de são paulo com a união),  quanto essa cobrança do repasse de valores do PAC, parecem comprovar esse isolamento.

isso quer dizer que se espera uma mudança de partido do prefeito de são paulo? não creio, embora não se possa dizer que uma política pró bicicleta seja algo contemplado pelo PT enquanto partido.

a e lembrar que o berço do PT é o ABC paulista, marcado pela indústria automobilística há décadas. lula se forjou político no sindicato dos metalúrgicos, sindicato dos funcionários das diversas empresas ligadas a indústria  automobilística como um todo.

a se notar que durante o governo lula, ou mesmo dilma, nada de isenção de IPI para bicicletas. para carros sim, para bicicletas não.

e claro, a inundação de carros nas cidades decorrente dessas políticas de promoção da compra dessas latas fumacentas, isso sim é o resultado da política petista.

por isso, pelo menos nesse aspecto, haddad contraria a linha partidária. e talvez por isso também haja resistência dos subprefeitos – cuja escolha sempre decorre dos esclhas políticas, das alianças e etc – na implantação da estrutura cicloviária. houve manifestação clara de subprefeito contr a aciclofaixa da aenida engenheiro caetano álvares, e claro, a ciclovia da inajar de souza tá lá… sem extensão, sem manutenção e sem atravessar a ponte.

mas a população vê isso? não. o que veem é um prefeito do PT instalando ciclovias e ciclofaixas vermelhas, e automaticamente já pensam em lava-jato e o escambau.

e daí o antipetismo vira anticlismo, anticiclistismo, pois se atacam as bicicletas e os ciclistas.

em resumo, se há uns poucos anticiclistas por excelência, há muitos que assim agem, agressivamente com ciclistas, em razão de uma espécie de fascismo alimentado pelo antipetismo.

sim, há uma espécie de fascismo à brasileira, que tem tomado força nos últimos anos, alimentado por uma reação às políticas e também aos desvarios,  do PT. manifestava-se já no início por frases  agressivas contra políticas como o programa bolsa-família ( comumente citado como esmola), mas antes disso já se manifestam em falas racistas constantes.

isso pode explicar o corrido no relato abaixo:

Pessoal, escrevo aqui para alertar todo mundo que costuma pedalar na Paulista ou em qualquer outra avenida tarde da noite como eu tenho o costume. Hoje, um motoqueiro, sem nenhum motivo, simplesmente me chutou para fora da bicicleta propositalmente.

Na ciclovia do cruzamento da Paulista com a Bela Cintra no sentido R. da Consolação estava eu, um pouco depois da meia noite de 5a para 6a feira (dia 09/10), aguardando o sinal abrir quando um motoqueiro do outro lado da avenida veio até o meu encontro (achava que ele iria fazer o retorno) e esticou a perna para me dar uma bela duma solada. Caí para trás e ele foi embora sabendo que seria impossível alcançá-lo e que não havia polícia por perto. Muitos motoristas vieram ao meu socorro, mas felizmente a pancada não me causou nenhum dano fora o susto.

Não fiquei irritado ao ponto de parar de pedalar.. Salvo continuar pedalando e ocupando o espaço público não há muito que possamos fazer em casos como esse. Ainda assim alerto a todos a ficarem espertos não apenas à motoqueiros e motoristas desatentos, mas como também os mais mal-intencionados como o de hoje que simplesmente me deferiu um chute de graça. Tem que ter uma bela vida de merda para ficar distribuindo covardemente chutes por aí…

Um abraço a todos.

o relato foi postado por lucas hiroshi na comunidade bicicletada sp do facebook.

o que é isso senão uma forma de intolerância, claramente fascista?

bom, eu não sei como esse rapaz estava vestido quando isso aconteceu. só sei que eu tenho evitado sair com roupas vermelhas em minha bicicleta.

vai saber se algum idiota não me dá um tiro por isso?

pois, uma coisa é certa. para os idiotas, o que acontece em brasília deve ser descontado nos ciclistas de são paulo.  sim, para os idiotas é isso, pois quem fica xingando qualquer um que esteja de vermelho, ou mandando ciclistas pra cuba, só pode ser isso: idiota.

3 Respostas para “anticiclista: indiferente ou intolerante?

  1. Fascismo e intolerância para todos! Ciclistas e petistas🚲

  2. Fascismo e intolerância para todos! Ciclistas e petistas

  3. Não é fácil mudar mentalidades e voltar a educar as pessoas ao útil e básico… capaz de ultrapassar muitas barreiras dos tempos actuais. Ou seja… a ignorância é evidente para aqueles que nunca experimentaram andar de bicicleta nas grandes cidades… e os politicos estão incluidos. Se experimentarem numa cidade como SP, não será fácil e também não vão gostar de buzinadelas e pessoal a chagar por irmos numa ciclovia…ou acontecer serem atropelados pelo onibus…aí devem parar para pensar a forma mais adequada de tornar as estradas ciclaveis e amigas do ambiente.

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