bicicleta urbana rápida, leve e barata!

uma receitinha básica a pedido do amigo PH, para uma bicicleta rápida e barata pra uso urbano, que ele não tema prender num poste no meio da rua, mas que permita atravessar as pontes sobre as marginais de SP que ainda não possuem ciclovias, com segurança, andando bem rápido.

exemplo de estradeira adaptada, uma atala. foto capturada de um fórum gringo. clique na foto.

exemplo de estradeira adaptada, uma atala. foto capturada de um fórum gringo. clique na foto.

é assim. você já percebeu: sua MTB deixa a desejar na cidade, e sua speed é rápida, mas às vezes não to ágil, e você está com pena de gastar sua relação dura-ace de 11v para ir ao trabalho, usando sua sapatilha de carbono todo dia…

ao mesmo tempo, você já tem auto-estima ciclística o suficiente pra usar uma bicicleta co peças simples sem ter que ficar se justificando para os outros, pois na verdade está inseguro… não, você não é mais a pessoa insegura que aprendeu a pedalar na cidade há poucos. você é macaco velho do pedal, e sabe que nada mais gostoso do que andar bem rápido usando uma bike com cassete de apenas 7v… pois o que faz a diferença é a perna, não tanto a bicicleta.

e, ao mesmo tempo, tem umas peças de bicicleta paradas em casa… então vamos à receita.

primeiro, você precisa de um quadro e um garo de estradeira. sim, você montará essa bicicleta a partir de uma estradeira. se for quele seu quadro de alumínio simples e um número maior que seu fit de estrada recomenda, melhor ainda!

sim, use um quadro simples de alumínio. alguns desses quadros tem uma traseira ligeiramente mais longa, com 42 ou 43 cm, o que é bom para usar na buraqueira das cidades.  pegue dos mais baratos do mercado livre.  e se quiser, ainda passe spray fosco preto em cima.

o garfo não precisa ser de fibra de carbono. se sua cidade não for muito esburacada, use um de alumínio, mas se tiver buracos como são paulo, que seja um garfo de aço, seja aço cromo-molibdênio, sejam os baratos garfos de aço carbono que estão no mercado livre.  são duráveis e confortáveis.

as rodas…. esqueça os modelos mais técnicos. nada de rodinha de carbono não….  monte a partir de cubos de estrada, ou pelo menos que o cubo traseiro seja de estrada. o dianteiro pode ser de MTB. mas cubos que não sejam pra discos. aqui valem os shimano mais básicos, os quado de esferas. o que importa é que sejam cubos duráveis, não necessariamente leves. e com 32 furos, podendo também ser a hora de você tirar a poeira daqueles cubos de estrada de 36 furos aposentados há muito tempo.

os aros têm que ser de perfil baixo. chamam menos atenção, facilita também na hora de prender a roda traseira junto com os tubos do quadro, com a u-lock, naquele poste que citei acima. aros vzan flyer, por exemplo.  e nada de raios trefilados. basta que sejam de inox. serão rodas resistentes à buraqueira. e duráveis.

pneus siples de estrada também. vale CST, pirelli e outros. guarde os continental gatorskin ou schwalbe ultremo para sua estradeira. vai ficar gastando esses pneus no asfalto ruim das ciclofaixas de SP? pra quê?

pronto, você tem as rodas e o quadro.

os freios, claro, serão freios ferradura. vale tektron, alhonga… tenho uma bike com freios alhonga, e nossa! como essas ferradurinhas freiam!  só comprei e uso por indicação de um dos melhores mecânicos de SP. custaram uma merreca.

ferradura alhonga de pivots duplos.

ferradura alhonga de pivots duplos.

ao comprar essa s ferraduras baratas, não importa a marca, preste atenção para que sejam de pivots duplos, e não de pivots simples como vêm na caloi 10 de alumínio. esses freios de pivot simples não freiam bem não….

para acionar esses freios, você precisa de manetes compatíveis com cantilevers. pois sim, essa bicicleta terá guidão reto ou rise.  nada de drops. guidões retos dão agilidade no trânsito. e claro, uma postura mais ereta. afinal, você não precisa duma postura muito agressiva no trânsito. não está competindo, não está na estrada, está no trânsito.  o guidão deve ter bar-ends, tanto para subidas, quando para proteger as mãos… e claro, de vez em quando levar um retrovisor desavisado…

nas minhas duas bikes montadas assim, uso manetes dia compe db-9, compatíveis com cantilevers e v-brakes. a shimano tem alguns modelos que permitem uso com cantilevers. senão, pergunte ao seu mecânico, ele saberá indicar. tem da logan, por exemplo.  não use, sob hipótese alguma, manetes de v-brake com ferraduras.

os trocadores… aqui o segredo. câmbios dianteiros de estrada tem taxa de puxada de cabo diferente dos câmbios dianteiros para MTB. e você usará nessa bicicleta câmbio dianteiro de estrada… o segredo é usar trocadores que não sejam indexados na esquerda.  essa é a hora de olhar praqueles trocadores de 21 marchas… hehe. sim, a shimano tem, em estilo thumbshifters, alavancas, que são indexados apenas na direita. e são baratinhos…

na esquerda funcionarão perfeitamente se se usar pedivela dupla. afinal, numa ponta está na coroa menor, no outro extremo, na coroa maior. simples.

a pedivela pode ser dupla ou tripla.  mas que seja de estrada. se compacta ou tradicional (52-39, p. ex.), a escolha é sua. pegue das mais simples de alumínio, de ponta quadrada e coroas de aço, que durarão mais. sugino, por exemplo.

já o câmbio traseiro, e o cassete, serão de MTB. simples, nada demais. você usará 7 ou 8 marchas atrás. um câmbio shimano altus tá pra lá e bom. já o cassete, que seja um 11-34. 7v 11-34? sim, acabei de achar no mercado livre, chinoca: 11, 13, 15, 18, 21, 24, e 34 dentes. em aço, vai durar….

essa relação, 52-39 na frente, 11-34 atrás… vai ter marcha mais curta de 2,4 metros, o que tá bom pra muita subida.  e mais longa, de 9,9 metros por pedalada… ou seja, a bicicleta voa se você estiver nessa marcha pedalando rápido.

claro, é uma relação com uns buracos no meio… mas, e daí? é para rodar na cidade, não pra fazer um brevet, muito menos pra correr a 9 de julho.

note que, como guidão mais alto que numa speed, você também precisa de um selim ligeiramente mais largo que da sua speed.  é a hora  daquele selim de MTB, macio, que viu na bicicletaria, baratinho.

o guidão também exige mesa pra MTB, pra guidão reto. e mesa mais alta, bem positiva, pois quadros de speed tem frente bem mais baixa que quadros de MTB, projetados atualmente para suspensões de 100mm de curso.  procure deixar o guidão em altura próxima à do selim.

e nada de pedais de encaixe, clipless. esqueça as sapatilhas nessa bicicleta. use pedais comuns.

suporte de caramanhola é opcional. luzes não, elas são necessárias…

o que você terá é um foguetinho urbano. mais rápida que as MTBs ou mesmo algumas urbanas prontas de fábrica, como a cannondale badboy (e custando bem menos que a metade de uma c’dale badboy), e mais confortáveis que uma estradeira.

heresia? só pra quem  é coxinha. quem pedala todo dia gosta dessas misturas, e tanto é que é justamente essa forma de montar bicicletas que deu origem a alguns modelos de fábrica que já vem com configuração semelhante, como a c’dale badboy que citei acima. mas esses modelos de híbridas, de fábrica, vêm com mais espaço para pneus mais largos – e mais pesados – e também com quadros e garfos mais pesados que os de bicicletas de estrada.

monte sua bicicleta com pneu de 23 ou 25mm, um selim confortável, e uma postura mais ereta, que essa será uma bicicleta bem mais confortável que sua estradeira. e muito mais rápida que sua MTB, mesmo que equipada com pneus finos.

é a bicicleta barata, de prender no poste, usando peças baratas ou usadas, sobras de outras bicicletas, mas gotosa de pse pedalar e rápida o suficiente pra deixar seus amiguinhos com bikes mais caras comendo poeira. e quando eles reclamarem do preço duma corrente de 10v, lembre que você está usando aquelas correntes baratas de 30 reais, um cassete que custou menos de 60 reais, pedivela de ponta quadrada, trocadores simples… e se divertindo pra dedéu ao ir e voltar para o trabalho, para o estudo, para as compras… e pesando menos que 10 kg.

nada mal para uma bicicleta urbana, né?

 

 

 

23 Respostas para “bicicleta urbana rápida, leve e barata!

  1. Isso, liberte-se e viva a liberdade !!!!!!!!!!!

  2. Fantástico vou vender minha Bad Boy huahau, mas que vou montar uma dessas com o quadro 700 que ta parado eu vou!!!.

  3. No meu dia-a-dia tenho visto uma variação de sua receita: Caloi 10 (das antigas, claro) sem câmbio dianteiro ou traseiro (mas com roda livre, não são fixas). Obviamente perdem versatilidade de escolha de marchas para subidas, mas ganham em peso, preço e facilidade de manutenção. Se o trajeto do dia-a-dia não contiver subidas muito íngremes, acho uma boa opção também.

    Porém, tanto no seu caso, como nas que relatei, noto a ausência de bagageiro. Prefiro pedalar diariamente sem mochila nas costas. Como você resolve essa questão?

  4. Bagageiro é fundamental.

  5. Uso uma khs aeroturbo pra ida e volta do trampo sti, guidão compacto, 8v.. não tenho do que reclamar. Quando perguntam, digo que martelei o seattube de uma caloi10 rsrsrs parabéns pela receita!

  6. Boa receita. É pena que pouca gente segue isso.

  7. Peguei uma bike speed velha e apenas botei uma pedivela tripla de mtb, corrente e cassete de 6v, tudo da shimano e baratinho. A bike voa nas retas e posso subir as morrebas de Florianópolis confortavelmente, dando um pau na galera das mtb de 5mil e trancando ela pela cidade sem medo.

  8. fiz um projeto q teve essa ideia, uma speed hibridizada para o dia a dia urbano. pegay uma Caloi Sprint 2011 16v, meti um rise com manetes e rapidfired Claris numa mesa de 30 graus positivos cassete HG-53 11-32 e pneus 700×28 pra melhorar o conforto, o restante (quadro, garfo, pedivela e câmbios) eu mantive da original – não ficou das mais bonitas de se ver mas virou um foguete na reta e muito leve nas subidas mauaenses com seus 10,7kg e R$1100 de gasto 👍🏻

  9. Uma magrela básica estilosa e rápida!
    Eu uso uma híbrida na cidade uma Soul Copenhague pq tem subidas bem fortes nos meus percursos, mas uma magrelinha nessa configuração ficatia bem interessante

  10. Só uma dica, ontem estavam vendo aquela SS/Fixa meia boquinha do night riders por 299 mais frete… só procurar pq tem um cupom q vc joga para chegar nesse preço….

    E Odir, fita de aro boa e fita antifuro são itens fundamentais em qq bike urbana… eu caso isso com pneus bons (durano plus) que derreto no asfalto ruim, mesmo sendo caros não tive 1 furo por perfuração em 2 anos e sei lá quantos mil kms!

  11. Estou planejando uma desse jeito mesmo e o Post foi exatamente o que eu precisava! Mas não entendo muito de compatibilidade se peças, estou na dúvida: já vi gente colocando aro 700 em quadro 26, mas daí obrigatoriamente tem q ser freio a disco?
    Ou essa receita com ferradura eh só pra aro 26?
    Desculpem a minha ignorância!

  12. Desculpem a ignorância!
    Estou planejando uma pra cidade e o Post caiu do céu, mas não entendo muito de compatibilidade das peças
    A minha dúvida é se eu posso pegar um quadro 26, botar um aro 700 com pneu 23c (vi um cara que fez isso) e ainda usar um freio ferradura. Acho q na dele ele usava disco.
    Ou a receita do Post com ferradura só serve para aro 26?
    Valeu!

    • olá, vc precisa ver se no seu quadro tem furação para colocar um freio ferradura.

      e aí, calor, medir na roda. pois os quadros de aro 26 possuem medidas diferentes da posição da ponte que liga os stays traseiros, onde vc vai prender o freio.

      • Obrigado pela resposta ogum777, já estou com algumas peças aqui e os ferraduras ainda não chegaram, mas está me parecendo que vai ficar bom! O quadro é um mosso de mtb e tem a furação (talvez seja mais pra paralamas)
        Depois eu posto aqui o resultado!
        Abs

  13. Oi, gostei do sua receita, mas e a respeito dos para-lamas, não acha importante? Sofro bastante com a água da tia que lava a calçada e também a da chuva.

  14. Obrigado pelo post. Estou planejando comprar/montar uma bike pra deslocamento urbano, e esse post aqui me ajudou a esclarecer algumas questões sobre que tipo de bike montar. Só uma dúvida (que sei que é relativa à resistência do ciclista, mas vai ser bom ter um relato pra ter uma noção), aproximadamente quantos km’s diários dá pra se fazer com uma bike dessas? Quando eu tinha uns 19/20 anos, eu andava aproximadamente 20km’s diários em Brasília (que apesar de ser bem plana, tem algumas subidas pouco íngremes porém muito longas) com uma caloi simpleszinha de 21marchas, daquelas estilo mountain bike só que sem suspensão nem nenhum refinamento de performance. Anos depois, eu andava por volta de 10km’s diários em SP com um skate (um skate de downhill, com rodas maiores e mais estabilidade do que um skatinho comum). Esses percursos eu fazia com uma certa tranquilidade, sem ficar esgotado por isso. E agora com 31 anos, morando no RJ, to pensando na possibilidade de voltar ao mundo das magrelas. Quero me mudar para um lugar aqui, onde eu ficaria há aproximadamente 25km’s do meu trabalho, caminho praticamente todo plano, com apenas uma descida de 1,25km saindo de casa. Gostaria de saber se vc acha que 50km’s diários são uma média possível de se fazer sem estar completamente esgotado. Já andei mais de 35km’s com o skate em um dia, mas por lazer e/ou curiosidade de ver o quanto eu aguentava, mas não é uma coisa que daria pra se fazer todo dia. Já com uma bike, uma distância dessas já me parece mais possível de ser percorrida no dia a dia. Desculpa pelo textão, mas agradeço muito se puder dar sua opinião sobre isso. Valeuuu!!

    • No começo ficará esgotado, mas com o condicionamento completará o percurso tranquilamente. Nos primeiros meses, faça isso duas ou três vezes por semana. Depois diariamente. É tudo questão de treino.

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