por um real DIA MUNDIAL SEM CARROS

as reações da sociedade brasileira aos esforços para eliminar o maior dos malefícios das cidades, o carro, mostram que há muito o que se lutar por cidades mais humanas no Brasil.

Carlos Vítor, os lambe-lambes e atrás do poste, o CEU Paz, ao norte da Vila Brasilândia.

Carlos Vítor, os lambe-lambes e atrás do poste, o CEU Paz, ao norte da Vila Brasilândia.

domingo, 20 de setembro de 2015. pode parecer a algum desavisado que são paulou, curitiba ou rio de janeiro são cidades que investem pesado no transporte não-motorizado. ledo engano. há ainda muita coisa para se fazer, muita luta adiante.

no rio de janeiro, a grande preocupação do jornal “o globo” é com a vista do mar dos ocupantes de carro que serão parcialmente ocultadas por uma ciclovia na avenida niemeyer. para o jornal, obviamente, isso é um grande problema, maior do que a eventual morte de um ciclista por falta de ciclovia.

em curitiba os ciclistas não esquecem as promessas do prefeito fruet de construir d 300 km de novas ciclovias. está longe da meta, pois não se deve computar nessa meta a transformação das calçadas compartilhadas em ciclovias. só devem contar os quilômetros novos. e aí, falta muito para os 300 km…

um dos lambes que pregamos.

um dos lambes que pregamos.

em são paulo,  FSP vê uma trapalhada num trajeto da zona sul e atribui a algum privilégio a algum membro da tattolândia. ou seja, a ciclofaixa teria esse ou aquele trajeto para de alguma forma beneficiar esse ou aquele membro da família do secretário de transportes.  FSP ouviu o pio do bicho, mas atirou pro lado errado.

ah, sim, os ciclistas preferiam que fosse reta tal ciclofaixa pela rua alexandre dumas. não apenas o ricardo “tchê” correia, mas qualquer ciclista. mas gerente de GET sempre gosta de outros trajetos…  vide rua abílio soares, preferida pelos ciclistas para subir do ibirapuera para o paraíso. vai sair por ali? pela abílio inteira? não. e os ciclistas continuarão seguindo reto. se algum ciclista for atropelado no trecho sem ciclovias, que o gerente da GET seja responsabilizado pelo desvio.

o que os gestores públicos de trânsito do brasil inteiro ainda não aprenderam sobre ciclistas é o básico: bicicletas seguem o caminho natural. ciclistas são como água, é o relevo que dita o caminho, não a sinalização. adianta proibir a água de descer o morro?

a sinalização resolve tudo....

a sinalização resolve tudo….

pois não há como evitar que ciclistas, orientados por uma força da natureza que é o princípio da economia da energia, façam um caminho mais longo e penoso se há outro mais curto e suave.

no mundo inteiro há gestores de trânsito moldados pelo mundo motorizado que adoram voltinhas insanas.. mas o humano movido por força física simplesmente faz o caminho mais curto.  ou o mais simples.

tão mais simples desviar...

tão mais simples desviar…

 

o que acontece, que os gestores públicos estão tentando ignorar no mundo inteiro, é o incremento de ciclistas nas cidades. e por motivos muito simples: carros custam, o transporte público é cheio, as ruas estão congestionadas. e as pessoas precisam então de válvulas de escape: vão andando e pedalando, quando não usam também skates, patinetes…

o fenômeno é mundial e as novas tendências urbanísticas, que incluem o adensamento, o menor espaço disponível, impele as pessoas ao andar e ao pedalar. por isso a demanda crescente, em qualquer grande cidade do mundo, por ciclovias, calçadas mais largas e etc.

busão dos sonhos: com hora certa, percursos rápidos...

busão dos sonhos: com hora certa, percursos rápidos…

e claro, no mundo inteiro, o pedalar deixa de ser um evento especial para se cotidianizar. por isso não há que se perder tempo com capacetes, roupas especiais e etc. pedalar apenas como extensão do andar: basta subir na bicicleta e ir. não é assim quando se aluga uma dessas bicicletas compartilhadas de sistemas bancados por instituições financeiras?

pois assim o é nas grandes cidades do mundo, não devendo ser diferente em são paulo. andar de bicicleta não é o mesmo que andar de motocicleta.  e por isso em alguns locais ciclovias são necessárias.

mas leia esse post do roberson miguel… surpreenda-se com o vídeo de um sub-prefeito da gestão haddad posicionando-se contra ciclovias. a se lembrar ue até hoje não se fez a extensão da ciclovia da inajar de souza até a ponte….muito menos a travessia da ponte está feita. é. e até agora a zona leste continua sem ligações com a região central… até agora as pontes do setor noroeste e da zona oeste estão sem estruturas para bicicletas…

embora amanhã a ciclocidade vá lançar os dados de sua pesquisa, sabe-se muito bem que o número de ciclistas em são paulo cresce aos olhos. só na inajar, no trecho sem ciclovia, a contagem apontou mais de 1300 ciclistas num período de 12 horas! mesmo fora do horário de pico, a média era de 70 ciclistas por hora, ou seja, mais de um por minuto.

pra bom entendedor, aumentam os eleitores, os cidadãos, que usam bicicleta e exigirão respeito à sua escolha. é fato, a civilização do carro está no fim, mas ainda há gente que não perceba isso.  esses ficarão para trás.

um dia aquela excrecência que é a praça campo de bagatelle deixará de ser um deserto cercado por carros em alta velocidade, e as bikes andarão ali com tranquilidade. um dia.

um dia ciclsitas terão sua ciclovia na abílio soares inteira, apesar dum supermercado ou escola ou o escambau. e também na alexandre dumas. um dia, a inajar de souza inteira, no início até o final, terá sua ciclovia, atravessando a ponte, e trazendo o carlos vítor lá do jardim paraná até o centro com segurança… mas quando?

até quando penduraremos ghost bikes? foram duas num período de um mês aqui em são paulo.  ah carros! ah motorizados! até quando nos matarão?

é por isso que ainda é preciso um dia mundial sem carro.  para que se entenda que o conflito não é entre pessoas em bicicletas e a pé, mas entre humanos e máquinas.

é.  um DMSC perfeito em SP ocorreria nesse dia 22 com total proibição de circulação de carros particulares por 24 horas, numa semana com rodízio de 24 hs, pela cidade inteira, e não só no centro expandido. mas não. teremos ações diversas, mas não isso.

não será dessa vez que acordarei com a cidade vazia de carros e cheia de pessoas. aliás, para isso, adoraria uma greve longa dos motoristas de caminhões petroleiros, esses que abastecem de combustíveis os postos de gasolina. as pessoas aprenderiam a se locomover sem carros em dias assim. (saudades da crise do petróleo….)

mas tento eu e outros fazermos nossa parte. não uso carro meu há muitos anos, e assim meus colegas. mas basta? não. hoje saí junto com o colega carlos vítor colando cartazes incentivando as pessoas a não usar carro no dia 22. foi nosso rolê pela zona norte.

a diversão foi rodar pela brasilândia, pelo fundão, ali perto das obras do rodoanel e onde o povo se amontoou em  ocupações pra cima dos morros.

comentávamos sobre as cavernas de cimento, puxadinhos de lajes sobrepostas, sem ventilação às vezes, construções não raro sem reboco…

a necessidade força. uma laje aqui, outra ali. espaço sobre espaço, espaço construído quando a cidade não nos dá espaço de chão. ( “é uma barriga naquela laje ali?” perguntou carlos vítor. “sim”, confirmei eu, ao ver uma laje levemente curvada pelo peso dos andares acima…). e claro, a quem mora lá no fundão, que para fazer um trajeto de 3 ou 4 quilômetros tem que pegar dois ônibus, e não sabe que pode fazer o trajeto em bicicleta, como negar o sonho por um carro?

à nossa frente, numa viela atulhada, o rapagão de boné e óculos escuros de lentes coloridas fala com uma moça na porta de uma casa, com a intimidade de quem se conhece… intimamente… seu estilo rapper em seu land-rover… “bandeirinha da inglaterra, viu odir?” comentou carlos vítor. mas como negar o sonho de ter um land rover lá no vista alegre, aos pés do C.E.U. PAZ, do lado de cá, ou do lado de lá, no jd paraná?

desejos de uns, sonhos realizados de outros. de land-rover mas periférico. aliás, como todos nós, brasileiros.

é. como vira-latas que saem de pet-shops com banho tomado e gravatinhas no pescoço, achando que viraram cães de raça, somos todos nós brasileiros.  periferia do mundo, consumidora de um modelo de cidade que não se aproveita a nós.  mercado consumidor da indústria que encolhe no primeiro mundo e só expande no terceiro mundo mercado emergente.

bah! queria ver uma brompton ali na brasilândia. esqueça! buracos, lama, e etc. é tudo diferente da ponte pra cá. ah, sei lá, na dúvida se vou ouvir meus cantos africanos (Omo ode Ode Ìroko! agurê lindo!) ou alguma coisa do pink floyd ou camargo guarnieri. vou sair pela música. cansei de tudo.

no princípio era só luz e som. nó ouvimos antes de enxergar. e era tudo música. e luz, e movimento.  mas o homem encheu as cidades com carros, com as trevas das fumaças, e a música deu lugar ao barulho dos carros. e assim o céu e o inferno se tornaram aqui, a mesma coisa…

é. mas como a esperança é a última que morre, quem sabe os lambes colados inspirem alguém? quem sabe as pessoas aos poucos se toquem que uma vida fora de carros é melhor? e que precisamos de ar mais puro?

quem sabe? quem sabe?

(enquanto isso, junto os caraminguás pruma reclinada que possa usar no dia a dia.  pois a buraqueira tá osso e a bursite crônica acusa o golpe. nas fotos do dia 22 ainda aparecerei de bicicleta com quadro diamante.  paciência.  e anti-inflamatórios…)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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