ELEIÇÕES CICLOBR – CARTA PROGRAMA DA CHAPA NOVA ERA

INSTITUTO CICLOBR DE FOMENTO À MOBILIDADE SUSTENTÁVEL

CARTA PROGRAMA – CHAPA NOVA ERA

O cicloativismo paulistano se apresenta num ponto de evolução interessante. Assim como aconteceu em diversos outros locais do mundo, a bicicleta começa a infiltrar-se nas sociedades como uma política contra-hegemônica, como uma resistência, uma rebeldia, até que se impõe, e os ciclistas dobram o poder público. Esse é o momento de inflexão, e cada sociedade então usa das suas próprias estruturas sociais para incluir “esse troço de bicicleta”, essa “epidemia urbana”. Nos EUA, a resposta foi uma forte institucionalização onde as instituições são simultaneamente ONGs e empresas, uma vez que esse é o perfil que o próprio direito americano proporciona. Todavia, nesse aspecto, Brasil e Europa se assemelham, no ambiente legal, e empresas não se confundem com ONGs. Na França, entre 1965 e 2010, notou-se a transição dos grupos utópicos de ciclistas, pequenos e muito arrojados, até que se tenha a bicicleta como política pública e então requerendo um conhecimento técnico muito mais profundo, pois há uma diferença entre gritar por mais ciclovias e projetá-las e implantá-las.

São Paulo encontra-se nesse ponto intermédio. Se, de um lado, no setor privado, no mundo empresarial, a bicicleta aponta como negócio em crescimento, com bicicletarias abrindo por todo canto, por outro o setor público possui, de um lado, um grupo técnico pequeno e altamente qualificado, e de outro lado uma massa de servidores que sequer começaram a pensar o trânsito a partir dos olhos do ciclista. E, no terceiro setor, organizações diversas atuam de formas igualmente diversas e, dada a carência geral no campo da cultura da bicicleta, essas ações todas se complementam e não concorrem, pois não há espaço ainda tão ocupado que deva ser disputado.

Mas o horizonte que se apresenta é o horizonte da efetiva profissionalização, mas de forma lenta. Tanto que, desde 2012 o movimento cicloativista de São Paulo subiu um degrau na escalada das lutas urbanas. O discurso geral mais técnico gerou a imposição de uma carta-compromisso aos candidatos que está na base da atual implantação de rede cicloviária que, sabemos, ainda não se consolidou perante o senso comum da população como um todo, pois ainda há os que pensam que a bicicleta possa ser varrida do trânsito. Essa profissionalização que ora se exige ainda não é a profissionalização das carreiras. Mas perceptivelmente perde espaço aquele militante meramente motivador, mas sem conhecimentos mais técnicos, seja no campo do direito, da engenharia, da administração ou mesmo da comunicação, uma vez que as demandas do diálogo com o setor público elevam o grau de discussão, de forma progressiva. É nesse momento em que a formação técnica do ativista é exigida.

Ora, é para esse novo horizonte que se descortina que apresentamos a Chapa Nova Era. Pois sim, estamos numa nova era nas relações entre o mundo da bicicleta e o mundo em geral. Se de um lado, é preciso fortalecer as raízes e nunca esquecer os valores desde sempre defendidos, de outro, não se pode repetir erros do passado, e uma renovação é necessária, sem que se volte à práticas antigas que poderiam ser adequadas àquele antigo momento,mas hoje se mostram totalmente inadequadas. Cicloativismo não é mais apenas uma sucessão de pequenos eventos, não se trata mais de negociar uma viagem aqui ou ali, um desafio aqui ou ali. Isso já é feito por muitos grupos e São Paulo. Hoje o cicloativismo é um capítulo complexo das lutas urbanas pelo direito à cidade, e precisa agir coordenadamente com outros grupos militantes do transporte não motorizado, e mesmo com grupos relacionados à reforma urbana.

Pois, afinal, a bicicleta não é só a bicicleta, a bicicleta é um mundo novo, uma nova forma de se viver nas cidades.

Para a a efetivação dos objetivos sociais do CicloBR no biênio que ora se inicia, propomos sete itens, sete passos a serem dados, que não se encerram em si mesmo, mas abrem inúmeras possibilidades depois que forem dados esses passos:

1. Retomada das negociações para realização da Rota Márcia Prado.

A Rota Márcia Prado tem sua criação contemporânea ao Instituto CicloBr, e suas histórias se confundem. É necessário retomar as descidas oficiais da RMP até que se consolide a RMP como caminho que se possa percorrer sem qualquer autorização prévia, igualando os direitos de locomoção do ciclista aos direitos do motorista, que transita livremente sem prévia autorização pelo Sistema Anchieta-Imigrantes, pois é o transitar livremente sem prévia autorização que caracteriza o sacrossanto direito de ir e vir. A RMP representa a luta pelo constitucional direito de ir e vir do cidadão sobre a bicicleta, e não é apenas um caminho para se percorrer em direção ao mar, pois não há como se conceber que o cidadão brasileiro possa acordar de manhã e resolver rodar o Brasil inteiro em sua bicicleta sem autorização prévia e não possa ir de São Paulo a Santos sem essa mesma autorização prévia.

2. Mudança na forma de relacionamento com os MECÂNICOS SOS.

O mecânico SOS não é empregado ou colaborador, é companheiro de trincheira na luta pela promoção do uso da bicicleta como transporte, lazer e esporte. É ser humano, e deve ser tratado com toda a dignidade que um voluntário de uma nobre causa merece. Nesse sentido, deve-se investir na formação do SOS, não apenas de forma técnica, mas também visando seu progresso enquanto pessoa. E claro, ficar à sua disposição no que tange às dúvidas inerentes à sua ação. O mecânico do SOS é a infantaria da batalha pela implantação da bicicleta como modal de transporte válido nas cidades. Pois, deve-se lembrar: o novato, a pessoa que acabou de montar em sua bicicleta e não se sente segura para nela pedalar além de faixas protegidas por cones, também não tem intimidade com seu veículo. Muitas vezes não sabe esse cidadão como reagir a um furo de câmara, por exemplo. O mecânico do SOS é o que desmitifica a barreira do desconhecimento do novato, e, dentro dos seus limites, permite que a simples falha mecânica não seja obstáculo para que o contato do novato com a bicicleta seja pleno no dia ensolarado.

3. Criação de um núcleo/gt/grupo de discussões de gênero.

Não se pode negar que as condições existenciárias para a adoção da bicicleta como modal de transporte nas cidades para homens e mulheres são diferentes. O CicloBr deve incentivar o pedal feminino pela chave da autonomia, criando um espaço de discussão para trocas entre as ativistas e outras mulheres que estejam adentrando o mundo das bicicletas, mas não deve o CicloBR tutelar esse processo, sob pena de lhe tolher a autonomia. Assim, contamos com a parceria com outras entidades e coletivos feministas, e fazer o que puder no auxílio a essa discussão, mas na medida do solicitado, e sempre que possível criando o espaço necessário para as discussões, e dando suporte na medida de suas capacidades e na medida do requerido.

4. Propugnar por criação de núcleos no ABC e na Baixada Santista, do Ciclobr, para ações locais.

O Instituto CicloBR, em seu estatuo, se propõe a ter ação nacional. Mas não como agir nacionalmente sem estender o campo de ação às cidades mais próximas? Por outro lado, em algumas dessas cidades, grupos locais precisam da guarida institucional que o CicloBr pode fornecer. Assim, se trata de ampliar o campo geográfico de atuação do CicloBR, sempre no sentido do fomento do uso da bicicleta nas mais diversas formas. Essa meta deve ser perseguida de forma a incluir os ativistas locais, que muitas vezes ainda não puderam institucionalizar-se.

5. reuniões mensais abertas.

Uma gestão democrática precisa investir na transparência e no diálogo. Com reuniões abertas o campo de contribuições alarga-se e enriquece a ação do Instituto CicloBR, por outro lado, o fluir das informações permite maior rapidez na implantação de atividades e políticas de promoção do uso da bicicleta. Afinal, a luz do sol é o melhor alvejante, e informações de domínio público não são objeto de confusões.

De outro lado, reuniões mensais abertas possuem um efeito didático acerca dos trâmites e ações nas relações com o setor público e com o setor privado, evitando expectativas infundadas que gerarão futuramente decepções sem motivo.

6. Fortalecimento da política de associados.

É preciso modificar a forma de relacionamento da diretoria com o corpo de associados. Os associados são a associação, o corpo do Instituto CicloBR e seu grande motor. Assim, se faz necessário que tenham canal privilegiado de comunicação com a direção, e participação efetiva nas atividades desenvolvidas pelo Instituto CicloBR, e sejam incentivados a participar das reuniões abertas.

7. Planejamento para as eleições de 2016 em SP.

Em 2012, a associações cicloativistas de São Paulo então existentes, Instituto CicloBr e Associação Ciclocidade, coordenadamente efetivaram uma política exitosa durante a disputa eleitoral pela governança municipal. Muito do que hoje se implanta em São Paulo decorre da pressão política eficiente dos cicloativistas unidos em 2012. 2016 apresenta o desafio representado por uma cidade onde parcela considerável de seus cidadãos apresentam o “bikelash”, a reação negativa contra as políticas de promoção do uso da bicicleta adotadas na gestão que se iniciou em 2013. Urge, portanto, que se comece a elaboração de carta-compromisso com a mobilidade não-motorizada, bem como com as pressões sobre os candidatos, para que se comprometam não apenas com a manutenção das conquistas, mas com a ampliação das políticas de promoção de uso da bicicleta, seja aumentando a rede cicloviária, como também promovendo a efetiva intermodalidade.

Para efetivação desses passo, apresentamos os membros da Diretoria propostos pela Chapa Nova Era:

PRESIDENTE: ODIR ZÜGE JUNIOR.

Doutor em direito (USP), advogado desde 1993 e professor universitário duas vezes laureado pela OAB-SP. Ciclista desde sempre conhecido como ferrenho defensor da bicicleta como modal de transporte. Membro do jurídico doCicloBR desde 2011, envolvido ativamente na realização da RMP em 2012. Bike-anjo. Palestrante sobre cicloativismo.

VICE-PRESIDENTE: EMILIANO AUGUSTO LEUTZ MARTINS

Engenheiro Eletricista, com habilitação em Eletrônica de Telecomunicações formado pelo Mackenzie em 2006

MBA em Estratégia Empresarial pela Unip em 2009

Trabalha com o Consultor de TI e Analista de Infraestrutura de TI

Pedala desde os 3 anos de idade. Pedala nas uas desde os 15 anos. Faz a manutenção das próprias bicicletas desde os 14 anos

Voluntário como mecânico de bibicleta no Pedala Zezinho desde 2012 e na rua de Lazer do Gol de Letra desde 2014

Bike anjo desde 2015.

DIRETOR FINANCEIRO: PAULO FERNANDO GONÇALVES TEIXEIRA

Faculdade Casper Líbero – Jornalismo – Concluído em 1979.

Bancário aposentado

Diretor Financeiro da Sociedade dos Amigos da Biblioteca Louis Braille .

Participante da Bicicletada e diretor do CicloBR em várias gestões

Participação nas atividades do CicloBR (modelo no Calendário Como Nus Sentimos, Rota Marcia Predo, Desafio Intermodal, Fundação Gol de Letra, Festival CicloBR)

Participa do Conselho Fiscal da Ciclocidade na atual gestão

DIRETOR ADMINISTRATIVO: GILBERTO HIROSHI KYONO

Formado em Administração de Empresas (FGV)

Experiência em área administrativa e financeira, facilidade para criar e implantar procedimentos, conhecimento nas áreas tributária, fiscal e trabalhista, conhecimento de Administração Pública.

Ciclista há vários anos

Não perca o bonde da história, venha pra a NOVA ERA!

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