a ciclovia mágica

encontrei-os ontem à noite, conversei. ele tinha mandado tirar os tapumes e me falou: aproveita, vai ser o primeiro, nunca mais vai ter tapume, pra todo o sempre! e então eu fui….

minha velha marin e seus cantilevers.... na bela ciclovia, já sem, os tapumes, toda sinalizada, pronta....

minha velha marin e seus cantilevers…. na bela ciclovia, já sem, os tapumes, toda sinalizada, pronta….

sexta-feira, 26 de junho. saí bem tarde do trabalho, e mesmo exausto, resolvi subir até a avenida paulista. encontrei um amigo, encontrei outro, que trabalha na implantação dessa ciclovia. conversamos sobre a ciclovia, sobre motoristas, sobre detalhes, sobre uma turma que surfa a onda pagando de “cicloativista” mas a gente sabe que só sabem sair na foto. 

conversamos ali sobre detalhes técnicos da obra e sobre os inúmeros bastidores do mundo jurídico envolvendo a implantação dessa obra e de toda a rede cicloviária de são paulo, ora em implantação.

um dia perceberão, mas pr ora ainda não,que defesa da bicicleta não se faz em gabinete de vereador pilantra que só quer surfar onda, surfar o bike hype.  e de bike hype entendemos nós três, que conversávamos.

mas também somos dos poucos que sabemos de toda a movimentação, feita há anos, para a formação de consensos em torno da bicicleta onde realmente se tomam as decisões. pois não é saindo na globo ou em jornais e revistas que se faz algo pela bike (e falo de cátedra, saí na globo trocentas vezes, e em outros canais também, em jornais, revistas), mas em outros locais. nas academias, sempre tão desprestigiadas, e nos locais onde realmente são elaboradas as leis que importam, essas sim sempre com muito dedo da academia.

pouca gente entende o quanto houve de trabalho de diversas pessoas para que aquele inciso II do artigo 6º da lei 12.587/2012, que revoluciona os transportes, fizesse constar também a prioridade dos não motorizados sobre os motorizados. e menos gente ainda entende como é importante essa lei. não é papel morto, mas determina como os municípios devem agir do final de 2012 pra frente.

o fato é que as lutas de transporte das grandes cidades envolvem muita gente, e está muito acima do blablablá de “consultores” que oferecem seus serviços de execução aqui e ali.  os centros de decisão são de outro nível, outra esfera, outros valores, e muito distantes dos valores econômicos.

secretários municipais, prefeitos, são cumpridores de leis.  vereadores, atrapalhadores, no mais das vezes. disputas ocorrem mesmo é no congresso nacional, aquele balaio de gatos, de onde de vez em quando saem cosias boas, como essa lei da mobilidade urbana. leis que vinculam a ação do poder público.

é que hoje as pessoas esquecem que na última eleição municipal, os dois candidatos que foram ao 2·º turno prometeram 400 kms de rede cicloviária. sim, os dois, inclusive o candidato daquele partido do pássaro bicudo cujos membros proeminentes hoje só atacam as ciclovias e por extensão os cicloativistas. aliás, hoje é esse o partido mais odiado por quem pedala.

o fato é que a ciclovia da avenida paulista está pronta. e tem um zilhão de significados essa obra. talvez o menos explícito e o mais importante é o seu caráter republicano. numa verdadeira república, não há súditos, mas cidadãos. e cidadãos são pessoas dotadas de direitos pois são cidadãos, e não por ter esse ou aquele poder de compra.

no trânsito quase todos tem seus territórios. o pedestre tem a calçada, os motorizados, o asfalto. e o sem teto, sem terra, do trânsito, é o ciclista.

hora, das duas uma. ou esse é cidadão, e assim deve ter também seu espaço, ou é homo sacer, desprovido dos direitos civis até o limite da vida: a morte por atropelamento, impune, indelével, infinita.

a ciclovia da avenida paulista significa que até esse homo sacer do trânsito tem seu espaço territorializado e marcado com um ponto de exclamação: o tom vermelho.

sim, ali, agora, o ciclista não é mais desrespeitado enquanto cidadão. agora, o ciclista, na paulista, é gente.

conversávamos sobre isso, e sobre os bastidores do mundo jurídico, onde progressivamente se construiu e se constrói, há anos, um consenso em torno da bicicleta, e rindo um pouco dos pseudo-especialistas que acham que não dá pra chegar à paulista pedalando e etc…

e então, ele, que gerencia essa obra, me comunica: “olha, mandei tirar todos os tapumes tão tirando agora, vai, pedala aí na ciclovia sem tapume!” – e logo atrás vinha o carro que ia lavar a ciclovia.

e assim eu fui pedalando, o primeiro a pedalar na ciclovia da paulista toda completa como deve ser, sem tapume nenhum,com todas as pinturas e sinalizações. eu ia só até a brigadeiro luis antônio mas não resisti e fui até o começo, lá no encontro da avenida paulista com a av bernardino de campos, onde a ciclovia ainda está em obras.

que delícia pedalar nessa ciclovia da paulista! que momento mágico! ir de uma ponta à outra, com tranquilidade, sem a tensão do trânsito, sem ter que desviar de obstáculos, de nada! simplesmente ir, curtindo o cimento vermelho, e as rampinhas nas passagens de nível nas faixas de pedestres, situadas no nível da rua para facilitar a vida dos cadeirantes.

rampinhas suaves e até lúdicas! eu estava com minha velha mtb de 20 anos atrás, mas com suspa de 50mm ainda operante, e pneuzões 2,1 pol.  diverti-me naquelas rampinhas.

acabe por fazer um caminho bem maior pra voltar pra casa. pois desci a vergueiro, pedalei pelo centro… e usei muitas ciclovias e ciclofaixas, que há um ano não existiam….

são paulo em processo de mudança. espero que o paulistano também mude. que a mágica das faixas vermelhas, o feitiço da luta encoberta dos reais ativistas, a ação do partido da bike, realmente possam transformar essa cidade. que a relação do paulistano com o espaço externo mude. e para melhor. que venha o futuro, que venha pedalando!

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sempre há um zilhão de bicicletas na paulista. mas o “especialista” diz que a avenida paulista não é atrativa para bicicletas.  milhares de ciclistas usam a bicicleta diariamente em são paulo para trajetos de 10 a 20 km, mas o especialista diz que a bicicleta só é atrativa até 4 ou 5 km.  o especialista não sabe nada, nadinha de nada, de bicicleta. duvida? leia os absurdos aqui. vergonha alheia da ANTP.

 

 

 

 

 

 

 

2 Respostas para “a ciclovia mágica

  1. Conclusão : esse engenheiro especialista é um gordo sedentário que faz pareceres sobre encomenda. Como alguém pode chamar isso de documento técnico?

  2. Momentos mágicos
    Lembrei quando fui fechar um hospício, resgatar o último interno, também no final de um dia estafante de trabalho.
    Fazem 20 anos, sinto como se tivesse sido ontem!!!
    Momentos mágicos: Quando os sonhos se realizam.

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