a ciclovia perfeita

jogadas no debate interpartidário, as bicicletas e seus caminhos sofrem ataques e têm defesas bem-humoradas. mas erros na implantação e manutenção são um fenômeno mundial, e só revelam o descuido como ciclista.

postes refletivos de proteção instalados na A226 Gravesend Road, Hingham, Inglaterra. clique na imagem - foto de gary outram.

postes refletivos “de proteção” instalados na A226 Gravesend Road, Hingham, Inglaterra. clique na imagem – foto de gary outram.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

o fato é que ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas e o escambau são apenas adaptações de caminhos existentes, para que ciclistas tenham alguma proteção.  essas estruturas não deveriam existir, não deveria ser necessária sua existência.

mas existem pela mesma lógica de que o metrô de SP em determinados  horários e estações reserva o primeiro vagão das composições para as mulheres: há assédio no metrô, e dada a incapacidade de proteger as mulheres e mudar o comportamento imbecil de vários homens, segrega-se.

estrutura cicloviária só é necessária, e onde é necessária, em razão da incapacidade dos motoristas em conviver com modais não motorizados na mesma via.

assim, em são paulo, estão sendo feitas em diversos locais, ciclovias e ciclofaixas nos centros das avenidas, pois nas laterias os motoristas, inobstante leis e fiscalizações,não diminuem a velocidade nas conversões, não mantém o 1,5m de distância, não prestam atenção ao entrar e sair de lotes lindeiros e etc.

qualquer ciclista diário, “commuter“, como se diz em línguas anglo-saxônicas, sabe muito bem que se uma avenida tem no seu centro uma faixa zebrada amarela, ali é o lugar mais seguro pra pedalar: não tem esquinas!

mas são sempre adaptações. sempre adaptações, e não pistas realmente projetadas para que o ciclista circule em condições ideais.

e toda adaptação tem uma sucessão de erros, de gambiarras, de projetos falhos. justamente pois quem projetou e implantou não teve a liberdade de trabalhar no espaço vazio, mas trabalhou dento dos limites impostos pela via para carros existente.

na avenida engenheiro caetano álvares, em são paulo, a ciclofaixa junto ao canteiro central em cada cruzamento faz uma volta, para não deixar o ciclista cruzar o trajeto do sacrossanto carro.  assim, há uma série de curvinhas e cotovelos, e vários ciclistas os ignoram, correndo riscos, ou fazem as curvas, também correndo risco de cair. afinal, um cotovelo de 90 graus por 70 cm de largura não é lá muito agradável de se percorrer em velocidade de se ir ao trabalho, entre 20 e 30 km/h. mas são as adaptações feitas para não fechar retornos e acessos para carros…

na ciclovia recém feita, da avenida cruzeiro do sul, é frustrante fazer a descida da ponte chacoalhando mais do que brinco de passista de samba. o cimento é irregular e uma tampa não foi nivelada.

mas esses são os exemplos brasileiros.  é mais estarrecedor que no mundo inteiro, caminhos para ciclsitas tem que ser fechados com aquelas estruturas por onde passam pedestres e algumas bicicletas, mas carros não passam. pois e estas estruturas não existirem, os motoristas entram!

no vídeo abaixo, um alemão, martin, demonstra como passar com sua flevo por uma série de obstáculos. embora sua intenção seja mostrar como usar essa singular reclinada de quadro articulado em situações comuns ao se pedalar, mesmo na alemanha: barreiras, guias s serem subidas ou descidas, e etc.  (não se engane, esse domínio de uma flevo é simplesmente admirável, essa bicicleta não é fácil de usar) .

o fato é que as cidades todas ao redor do mundo, com algumas exceções, foram remodeladas nas últimas décadas levando em conta apenas as necessidades dos carros. inclusive outros veículos motorizados têm problemas ao por elas trafegarem. caminhões e ônibus não conseguem fazer determinadas curvas, motocicletas são colocadas em situações de perigo e etc.

e tudo é projetado sim, levando-se em conta a ótica do motorista de carro.

enquanto isso, na califórnia, o funcionário tapado que estacionou esse troço...

enquanto isso, na califórnia, o funcionário tapado que estacionou esse troço…

ora, mas o pior do que tudo isso é ainda a partidarização das implantações de estruturas cicloviárias. a partidarização leva à críticas e elogios que perdem o pé da realidade.

em são paulo, por exemplo, a mídia cerra fileiras nas críticas, mas num sentido de desqualificar o projeto em implantação, não no sentido de corrigir suas falhas.  é clara a percepção do ciclista paulista que a mídia age contra a bicicleta como um todo apenas e tão somente pois o prefeito que implanta a estrutura por força da lei 12.587/2012 é do PT.  é de se perguntar se quem estivesse fazendo isso, cumprindo a lei, fosse de outro partido, se as críticas da mídia seriam feitas da mesma forma.

essa semana alguns ciclistas começaram a divulgar memes engraçados acerca das críticas constantes e agressividades de motoristas contra ciclistas – veja os memes aqui. .usando fotos de erros em ciclovias e ciclofaixas estrangeiras, ironizam o fato de qualquer discussão sobre bicicleta com não ciclistas terminem em acusações se serem os ciclistas petistas ou simples defensores do prefeito.os memes chegaram a serem citados pela rede record de TV, mas logo houve uma ordem “de cima” para tirar do ar a menção aos memes.

afinal, nada que o prefeito faça pode ser elogiado na record, ou ao menos citado como correto.  assim, qualquer estrutura que proteja ciclistas da morte por atropelamento é criticada, invalidada. ou seja, é preferível que ciclistas morram do que reconhecer algum mérito, mínimo que seja.

não sei descrever o que é isso. no país de gales.

não sei descrever o que é isso. no país de gales.

e assim nós continuamos a pedalar, pois é bom e gostoso, mas sempre pedalamos debaixo da agressividade dos motoristas e dos jornalistas. e claro, no mundo inteiro usufruindo das estruturas ciclísticas mal-feitas, mal-projetadas, mal-instaladas. pois adianta o prefeito de londres ir ao trabalho de bicicleta, se o pedreiro que faz o cimento na rampinha tá pouco se lixando pro ciclista que vai passar ali?

é. perca um tempinho e divirta-se com essa galeria de “facilidades do mês“, do pessoal de warrington,na inglaterra. a cada mês uma idiotice construída nos caminhos de bicicleta da inglaterra é homenageada com sua foto nessa galeria. uma delas está aí embaixo. pois sim, é preciso ser bem-humorado para pedalar, em qualquer lugar do mundo. e si, a impressão é qu eo resto do mundo inteiro é feito de gente tapada.

ciclofaixa em york, inglaterra

ciclofaixa em york, inglaterra, seu uso exige a capacidade de atravessar paredes e muros.

(em tempo. por concepção eu sou contra estruturas cicloviárias. deveríamos poder circular em segurança em qualquer local. mas tenho que reconhecer: não dá pra confiar em motoristas. humanos entram dentro de veículos motorizados e então mostram o pior de si. e matam. só por isso uma série de medidas são necessárias. pois não existiriam semáforos se bom-senso fosse algo. disseminado. não é.  não mesmo.)

 

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