reclinadas!

“isso é coisa de velho!”,  “elas são ilegais!”, “reclinada não sobe!” “heresia!” “se fosse bom, por que não usam no tour de france?”

bicicletas reclinadas tão aí desde a década de 30 do século 20, ou até um pouco antes, no final do século XIX.

challand horizontale - 1896

challand horizontale – 1896

já antes da I guerra o francês charles mochet construía carros leves, e depois um carrinho a pedal para seu filho, uma vez que achava bicicletas inseguras.  anos depois, pegou seu “vélocar” e  dividiu em dois:

vélocar standard. poderia ter assistência elétrica.

vélocar standard. poderia ter assistência elétrica.

1933 foi o ano em que um ciclista francês, francis fauré, considerando de segunda linha, consegue virtualmente vencer todas as provas de velódromo das quais participou, inclusive estabelecendo o recorde da hora em 45 km.

fauré em sua primeira corrida, em 1933

fauré em sua primeira corrida, em 1933

 

mas, em 1º de abril de 1934, após uma votação de 58 votos contra e 46 a favor da homologação do recorde, a UCI torna as bicicletas reclinadas ilegais em suas corridas. (1938, com uma outra reclinada, francis fauré faria 50,5 km, recorde não sancionado, mas que seria passado apenas em 1984 por francesco moser, fazendo 51,1 km em uma hora em velódromo).

banidas pela UCI, reclinadas ficaram legadas a um segundo plano, mas o fato de uma marca ter se mantido por 46 anos nos permite apenas imaginar o avanço ao qual as bicicletas teriam chegado hoje, se a UCI não tivesse banido as reclinadas.

(a UCI também baniu nos anos 60 as rodas pequenas das moulton, e décadas depois, até o recorde do graeme obree foi invalidado pelo tipo de bicicleta que usava -pena que esse ímpeto em varrer novas tecnologias para impedir “vantagens desleais” não seja tão grande quando se fala de doping, não é?)

o recorde da hora atual pela IHPVA, International Human Powered Vehicle Association, está em 90,6 km, obtido por sam wittingham em uma bicicleta reclinada com carenagem (modelo varna tempest).

o fato é que mesmo sem apoio financeiro de grandes fabricantes, as reclinadas batem recordes. e a explicação é simples: aerodinâmica.

na aerodinâmica, dobrar a velocidade é quadruplicar a resistência do ar. qualquer um que já pegou uma descindona rápida numa bicicleta comum sabe que se abaixamos o tronco a bicicleta vai mais rápido.

bicicletas de contra relógio trabalham nos limites das regras para se ter a melhor postura aerodinâmica do ciclista, assim como a bicicleta é pensada nos detalhes para ter o menor arrasto aerodinâmico possível.

e reclinadas, se bem projetadas, oferecem pequena área frontal,mesmo sem carenagem.

comparação entre uma estradeira e uma recliaada simples, no que tange à área frontal. note, no caso da reclnada, que mesmo estando alto, o cilista está quase na horizontal

comparação entre uma estradeira e uma reclinada simples, no que tange à área frontal. note, no caso da reclinada, que mesmo estando alto, o cilista está quase na horizontal, oferecendo menor resistência ao ar que o ciclista completamente abaixado ao lado.

se ao comparar uma bicicleta reclinada simples à uma estradeira a diferença já aprece bastante, há mais diferença ainda quando comparamos com uma reclinada bem baixa, uma low racer:

comparação entre posilçoes, bcicileta estradeira comum e reclinada low racer

comparação entre posiçoes, bcicicleta estradeira comum e reclinada low racer

 

pois low racers são ainda mais baixas que outras relinadas,  que podem, as mais altas, ter o ciclsita num aposição mais horizontal ou mais verticalizada, dependendo da posição da caixa do movimento central da pedivela em relação à altura do banco. uma reclinada mais alta pode ter a caixa do movimento central acima, abaixo ou na mesma altura que o banco, implicando numa posição mais ou menos aerodinâmica das pernas do ciclista.

em vermelho, uma high racer, em verde, uma low racer. ambas tem a caixa do movimento central acima da altura do banco.

em vermelho, uma high racer, em verde, uma low racer. ambas tem a caixa do movimento central acima da altura do banco.

um segundo fator a ser verificado na posição do ciclista é o ângulo do banco, implicando numa posição mais ereta ou mais deitada. quanto mais deitado para trás está o ciclista, mais aerodinâmico ele está (alguns deitam bastante o banco, até o limite do enxergar).

um outro fator que ajuda na velocidade das reclinadas é referente ao ciclista em si. refere-se à respiração. respirar bem é essencial para se poder pedalar, e nas bicicletas comuns, as posições mais aerodinâmicas nos fazem nos dobrar para frente e encolher os ombros, oque diminui a capacidade respiratória. isso não acontece com as reclinadas: estamos sempre de peito aberto ao respirar quando pedalamos nelas.

reclinadas perdem apenas nas subidas. e não é, ao contrário do mito,pelo fato de não se poder pedalar em pé nelas. isso é mito pois nas reclinadas se pode apoiar as costas no banco e forçar ainda mais do que se consegue pedalando em pé.

reclinadas sofrem mais nas subidas em razão do peso maior, e algumas pela falta de rigidez lateral, oque se explica pelo comprimento dos seus quadros. mas algumas quase se equivalem a bicicletas comuns em subidas.

por outro lado, alguns cicloturistas ao redor do mundo preferem fazer viagens em triciclos reclinados. são extremamente baixos, portanto aerodinâmicos, e permitem  velocidades bem baixas em subidas, velocidades essas que não permitem mais o equilíbrio em duas rodas. isso é uma vantagem para quem está carregando muito peso, um reboque, por exemplo.

quanto às geometrias, escreverei mais para frente outro post.

mas basta citar que muita gente optou pelas reclinadas não pelo seu desempenho, mas pelo seu conforto.  enquanto na bicicleta comum os pontos de suporte do peso são os pés, mãos e púbis, nas reclinadas o tronco está todo apoiado.

nas reclinadas, as mãos mal recebem o peso dos braços, e não do corpo. o mesmo com os pés. assim, é como pedalar sentado numa poltrona.

de outro lado, as suspensões eventualmente existentes não interferem na pedalada, como nas bicicletas comuns, onde as suspensões podem causar efeito bobbing: a bicicleta sobe e e desce a cada pedalada.

em outro ângulo, algumas reclinadas são muito confortáveis também em razão do comprimento: é com sentar no meio do ônibus, e não lá nos últimos bancos, onde o ônibus pula mais a cada buraco.

na prática, as possibilidades de geometria em reclinadas são quase infinitas. assim como as formas de se montar: comra roda dianteira abaixo dos joelhos, abaixo dos pés, à frente dos pés. com tração traseira ou dianteira. com quadros e garfos ou com quadros articulados.  com duas, três ou quatro rodas.

o fato é que são bicicletas diferentes das comuns. e o pedalar é simplesmente diferente. e mais confortável, e eventualmente mais rápido, e com certeza bem divertido.

agora, se é coisa de velho, de doido ou de sei lá o quê, não sei. sei que os alemães gostam muito de reclinadas. mas não só eles. uns doidinhos adoram triciclos, e esse vídeo aí embaixo me deixou com água na boca. hehehehe – quem sabe um dia um triciclo pra dar uma volta pelo brasil inteiro? quem sabe?

(ah e se não usam no tour de france,  porque não podem. pois na Race Across America elas participam. e vão bem. mas você é competidor profissional?  eu sou só um amador curioso e com problemas no ombro. então, talvez essa seja meu caminho. elas sobem mal… é verdade, mas às vezes é melhor subir lento que não subir.)

logo monto uma outra pra mim, já que minha antiga reclinada full suspension trambolhuda está desmontada. eu preciso de algo que me alivie os ombros. quando tiver acesso a uma, e depois de usar diariamente nos meus trajetos, posto análises aqui. afinal, com meus trajetos diários com tanta variede de situações, vai ser divertido analisam uma reclinada em todos os perrengues duma cidade grande.

 

 

 

2 Respostas para “reclinadas!

  1. Cara, eu comprei uma do Solyom tempos atrás, pra ver como é. Tá lá na Bicicletaria Cultural, tá a venda, tem que fazer uns bons ajustes nela, bem simples a bike na real. É divertido sim, mas para cidade achei bem perigoso, por ficar na altura dos motoristas dos carros perde-se visibilidade. A minha é high racer, mas não é tão alta.

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