sete mil obrigados!

éramos 7 mil! duvida? veja o vídeo do otávio remédio! (e leia o post ao som do vídeo) 

sim, éramos 7 mil, apenas em são paulo.  afora o apoio de outros locais do mundo. e o que motivou tudo isso?

primeiro, a luta pela proteção à vida dos ciclistas nas grandes cidades é mundial. sim, somos legião de pessoas ao redor do mundo que se recusam a carregar o peso do sangue dos mortos nas guerras do petróleo e dos atropelamentos nas nossas costas. nos recusamos a poluir o mundo, nos recusamos a sermos estressados no trânsito.

a massa crítica é um fenômeno global.

e mais, toda mudança causa reações nas mentes conservadoras, retrógradas. um ícone do pensamento conservador raivoso odeia ciclistas, ciclofaixas e etc. duvida? leia aqui.

e em são paulo, depois que os dois candidatos a prefeito no segundo turno da última eleição para a prefeitura prometeram 400 km de ciclovias e ciclofaixas, o prefeito  eleito teve que instalá-las.

mas houve a reação conservadora, primeiro de uma escola tradicionalíssima e utra conservadora, depois de uma promotora.

num primeiro momento a instalação da rede cicloviária – que sim, merece reparo em muitos trechos – foi suspensa.

mas peraí! com o argumento de que a rede tem que ser perfeita, pretende a promotora desfazer tudo o que foi feito. ou seja, se uma faixa sobre uma ponte da marginal está ruim, que se desfaça para num futuro incerto ser refeita? e até lá morremos atropelados atravessando as marginais?

houve uma perplexidade generalizada com as medidas tomadas pela promotora.

ciclista rechonchudo dando entrevista, em foto de ivson miranda.

ciclista rechonchudo dando entrevista sobre a perplexidade geral diante  da postura da promotora, em foto de ivson miranda. clique na foto.

mas…. sempre tem um porém. com um recurso da prefeitura incluindo trechos das peças dos advogados das associações dos cicloativistas, o presidente do tribunal de justiça suspendeu a liminar. a decisão, que é precária, pois isso não é a sentença do processo, pode ser lida aqui.

mas ontem, 27 de março, era dia de bicicletada. ontem, massas críticas em diversos locais do mundo, e muitas delas mandando suas vibrações positivas, mandando seu apoio aos ciclistas de são paulo.

e em são paulo, sete mil, por baixo. pois dá pra ver pelo vídeo do otávio que não eram apenas 350, como dizem alguns meios de comunicação. otávio parou de filmar por falta de memória na máquina. ainda passou muito ciclista depois.

ora, a decisão do desembargador josé renato nalini saiu lá do TJ, foi comunicada por e-mail ao juiz de primeira instância às 20:08. até sabermos disso, mais um tempinho, e a massa crítica já pedalando e gritando: VAI TER CICLOVIA SIM!

e o que era protesto vira comemoração.

mas como isso tudo ocorre?

a se pensar: há quanto tempo está se formando um pensamento hegemônico, que busca uma hegemonia, nessa cidade de são paulo, em torno da validade da bicicleta como meio de transporte e dos riscos que os motoristas oferecem aos ciclistas? há décadas.

há muito trabalho sendo feito por uma rede gigantesca de pessoas já há muito tempo, até termos um presidente de Tribunal de Justiça do estado com o maior pib estadual da nação que pensa assim. sim, você abriu o link e pode estar lendo que o presidente do TJ diz: “ter carro é brega!”

essa semana foi correria. casal lowenthal aguentando a angústia dos ciclistas todos  enquanto ralavam no processo.

pois quem é do direito sabe, quem não é nem percebe: processo judicial é xadrez. cada palavrinha, cada vírgula dum texto é pensada e repensada dentro duma lógica muito mais complexa do que a lógica de redação da imprensa, por exemplo. se, para o leigo, furto e roubo são a mesma coisa, para quem é do direito são condutas muito diversas que permitem uma gradação gigantesca entre uma e outra conduta….

há um trabalho em são paulo ocorrendo há anos de legitimação da bicicleta no mundo das leis. falo de fazer promotores pedalarem. falo de instalar paraciclos em frente aos tribunais. falo de ações judiciais onde se pleiteiam as reparações de danos por atropelamentos ou  por tombos em razão de buracos nas vias. de apenamento de atropeladores.

mas ontem a massa crítica mostrou sua força. mostrou que é uma massa crítica, de fato, crítica de uma sociedade que mantém valores velhos, e impondo novos valores, mais humanos, na promoção da felicidade, não da dor.

a massa crítica não é apenas um amontoado de ciclistas numa sexta-feira. é a união de todos aqueles que de uma forma ou outra atuam em favor da bicicleta numa cidade.  somos todos a massa crítica. estamos além de partidos, de picuinhas.

mas essa semana muita gente perdeu o sono. muita gente virou noite fazendo cartaz. muita gente marcando diversos eventos no facebook. muita gente redigindo textos. muitos doidos da área jurídica revirando a lei das ações civis públicas, artigo por artigo. como diz a tatiana toddynha, todo mundo sensível e estressado, à flor da pele, perplexo e por fim aliviado, pelo menos por ora.

e então?

então, todos nós nos sentimos agradecidos pelo apoio de todo mundo. uns pelos outros, claro!

pois havia ontem apoio de gente do mundo inteiro. até da albânia!

o apoio albanês! clique na imagem.

o apoio romeno! clique na imagem.

eu nem sei dizer quantas cidades do brasil e do resto do mundo apoiaram. o coletivo bike zona sul tá postando as fotos aqui. é gente de tudo quanto é lugar: colônia, san francisco, londres, almeria, rădăuţi, blumenau, vitória, recife, fortaleza, natal, porto alegre, belo horizonte, rio de janeiro, e não para de chegar fotos de gente de tudo quanto é lugar!

porra! e pensar que naquele sábado 29 de junho de 2002 mal éramos 12 pessoas…

é. sei lá, não consigo mais escrever tanta coisa. só lembro que ontem, voltando pra minha moradia, que fica quase 20 km distante da praça do ciclista, depois que me separei do casal lowentahl, eu segui só, no asfalto imperfeito, pensando como os buracos e mato pintados de vermelho, não me traziam conforto mas traziam segurança, e pensando que ontem pelo menos 7 mil pessoas das mais diversas origens, ocuparam a avenida símbolo da cidade a partir do ponto onde marcávamos nossos pedais há 15 anos, e que hoje é uma praça do ciclista. nossa praça, nossa cidade.

pois, vila morena, o povo é quem mais ordena, dentro de ti ó cidade!

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em tempo, a bicicleta em são paulo não é mero hype, das periferias ao centro do império, ela veio pra ficar! e agora não serão só 400km queremos 4.000!

 

 

8 Respostas para “sete mil obrigados!

  1. parabens a todoas
    emocionante

  2. Odir, quais são os possíveis desdobramentos legais para a decisão do desembargador José Renato Nalini? A “promotoria particular” pode recorrer e interromper as obras, tudo de novo?

    • Olá Mig! O processo segue. Cabe à Prefeitura seguir na defesa, demonstrando que a promotora não tem razão nas suas alegações. Se houver agilidade, a Prefeitura termina a rede antes do julgamento e torna a situação fato consumado.

  3. A ideia então é agilidade na construção das ciclovias e morosidade no andar deste processo, certo? Existe chance de a promotoria entrar com outro recurso (ou novo processo) para paralisação das obras?

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