amerika, ist wundebar!

a visão colonizada, guiando a as ações de uma promotora….

o inferno são os outros, né?

o inferno são os outros, né?

se você, ciclista, ouvir a coletiva de imprensa realizada pela promotora de justiça que quer parar toda a implantação de um sistema cicloviário aqui em são paulo, sua reação será de estarrecimento. ouça aqui.

ela fala de obrigatoriedade do uso do capacete – ou seja, não leu o Código de Transito Brasileiro, que não obriga ouso do capacete – e de campanhas para que os ciclistas coloquem campainhas e luzes em suas bicicletas. sim, meu caro triatleta, não esqueça que colocar uma campainha no seu guidão aero. aliás, poderemos colocar campainhas aerodinâmicas nas bicicletas de contra-relógio, não é? ou com campainhas,  o pelotão do jóquei teria uma melhor comunicação interna?

a igual forma ignora a promotora os dados públicos sobre fluxo de bicicletas em são paulo. desde as pesquisas desenvolvidas pela rede nossa são paulo, realizadas pelo ibope, até os dados das contagens de ciclistas feitas pelas associações ciclocidade e ciclobr.

pois sociedade civil, para ela, não inclui ciclistas. aliás, sua noção de trânsito está preocupada com o impacto de faixas estreitas que não tiraram pistas de rolamento, no trânsito. ah, sim cadê as consultas públicas a cada rua? talvez deveria ser iguais às consultas públicas que são feitas cada vez que a CET coloca uma sinalização viária qualquer. uma assembleia pra discutir uma placa proibindo estacionar. outra assembleia pra discutir uma instalação de faixa de pedestres.  motoristas, quando descem do  carro, são pedestres. votariam duas vezes nessa assembleia?

o viés adotado pela promotora é carrocentrista. ignora dispositivos do CTB, por exemplo, que determinam a preferência do ciclista no trânsito nas conversões. ignora que faixas, mesmo estreitas, servem para salvar vidas. mas isso não importa, importa o deus-carro.

esse carrocentrismo é uma visão importada dos e.u.a. duvida? leia aqui sobre como as ruas deixaram de ser local det rânsito de pessoas para se tornarem lugar para trânsito de… carros! 

esse é o mundo planejado na falida detroit. é o mundo que criou cidades inabitáveis, e que hoje estão em desmonte progressivo, com a retomada da escala humana no uso das cidades.

mas embora isso esteja contemplado na legislação brasileira, a promotora ignora essa lógica. pode conhecer este ou aquele dispositivo de lei. mas ignora que ciclistas aumentam em número exponencialmente em várias cidades do mundo, teno a indústria de bicicletas registrados recordes sucessivos de produção. sim, pois o mercado consumidor se amplia.

na mesma quinta-feira onde ocorreu a reveladora coletiva de imprensa que, nas palavras do jornal do luis nassif, foi um “atropelamento”, eu acompanhei renata falzoni numa reportagem.

ora, oque tinha de gente falando que pasosu a usar a bicicleta recentemente, e mais ainda depois que se instalou a parca estrutura viária da zona norte, não tava no gibi. até motoristas entrevistados elogiando ciclovias e querendo ampliação de malha cicloviária, pois sabem bem que o trânsito só melhorará com a diminuição de carros nas ruas.

mas a prepotente visão carrocêntrica preponderou  na visão de mundo da promotora. para ela, bicicleta não é trânsito, mas impacta trânsito. ou seja, é um fator externo ao trânsito.

mas quem transita são… pessoas!

e claro, na visão dela, ancorada numa leitura rasteira da legislação existente, a cidade não pode ser toda ciclável, pois deve haver intermodalidade. ou seja, se quiser o ciclista não poderá fazer todo o trajeto em bicicleta. na paulista, que guarde a bicicleta no bolso, dobradinha, e pegue um ônibus ou metrô….

essa visão carrocêntrica ainda vigora em alguns meios no brasil. ainda há “técnicos” de trânsito que só pensam em melhorar a circulação dos carros apenas. não percebem que todos os veículos devem circular, e os carros, que ocupam mais de 80% das ruas, do espaço das ruas, é que são o problema.

uma cidade melhora se os carros congestionam, mas ônibus, metrôs, trens e bicicletas não. nas cidades avançadas o ônibus tem que ter seu espaço, e o carro que fique parado. mas lembra da chiadeira por conta de faixas de ônibus instaladas pela cidade?

pois a velha mentalidade carrocêntrica ainda domina alguns círculos. domina, ainda. pois como disse roberto garibe, secretário municipal de infra estrutura urbana e obras, a bicicleta é novidade no setor público, ainda dominado pela visão carrocêntrica americana de décadas atrás. “amerika, ist wundebar!”, como canta uma banda alemã da qual gosto, e de onde tirei o título desse post.

é uma mentalidade colonizada? ô se é. mas antes de tudo uma mentalidade em declínio, no mundo todo.

mas há que se notar que mentalidades não se escolhem. como querer que a promotora rompa com a cultura na qual está imersa? para isso é necessário disposição, e, pelo jeito ali não há….

mas uma coisa é fato: mentalidades atrasadas são atropeladas pelo tempo. e, como está lá blog do nassif… um atropelamento já se deu na coletiva de imprensa. outros virão nas peças contestatórias… é só uma questão de tempo.

e não esqueça. dia 27, bicicletadas em todos os lugares onde há! e você, ciclista de fora, apoie a causa dos ciclistas de são paulo, por favor. mande sua fotinho com um cartaz dizendo que apoia ciclovias em são paulo, poste no seu facebook em público, com a hashtag ” #ciclistasporsaopaulo “. pois essa luta é de todos nós.

 

 

Uma resposta para “amerika, ist wundebar!

  1. Engraçado que esse pessoal nunca quer ouvir a comunidade para construção de viadutos.

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