a novidade

novidades encantam alguns, assustam outros. e esses outros, por insegurança, até matam novidades. e não podendo matar ciclistas, uma dessas novidades, tentam matar outras novidades: ciclovias e ciclofaixas.  ao vermelho da tinta preferem o vermelho do sangue.

minha amiga julie, na avenida paulista. uma cena triste que camila mansour magalhães da silveira quer que se repita, por todo o sempre.

minha amiga julie, na avenida paulista. uma cena triste que camila mansour magalhães da silveira quer que se repita, por todo o sempre.

renata falzoni diz que perdeu o sono por algumas noites. eu idem. na verdade, ciclistas de são paulo estão chocados. qual a sensação de tomar um soco do braço que devia lhe proteger?

essa é a sensação de qualquer ciclista sensato de são paulo. claro, há os insensatos, os trolls, os que adoram picuinhas e aproveitam um momento de grande importância pra discutir um buraco na esquina da sua casa. enquanto uns discutem a fome, outros discutem  a falta de tempero na comida.

é da natureza humana. mas é fato que a promotora de justiça camila mansour magalhães da silveira odeia ciclistas. é fato. e usa dos poderes do ministério público para tentar a todo custo simplesmente fazer desaparecer qualquer resquício de estruturas cicloviárias na cidade.

há de se comparar a peça escrita pela promotora, disponível aqui, no site do ministério público, com a decisão liminar dada pelo juiz da 5ª vara de fazenda. se olharmos a peça, na página 51, item “e”, a promotora pede o restabelecimento da circulação anterior à implantação das ciclovias e ciclofaixas…

pede também, no caso da venida paulista, não apenas a paralisação das obras, mas o total desfazimento…. alegando que a situação atual das obras oferece perigo aos pedestres. ou seja, que se fizesse uma obra que não trouxesse transtornos, ou não se fizesse (e isso é possível nesse planeta?).

eu não vou me estender nas incongruências e inconsistências da peça. são muitas, deixaram um outro colega professor de direito um tanto estarrecido, e não apenas eu.

mas basta dizer que a linha geral é: ciclovias oferecem perigo aos ciclistas, inclusive. então é melhor não tê-las.

e, na avenida paulista, já havendo oferta de ônibus e metrô, por qual motivo deveria ter uma ciclovia? (duvida? página 11, último parágrafo). sim, pedale até lá perto, guarde a bicicleta no bolso de trás da calça, pegue um ônibus, atravesse a paulista, e então tire a bicicleta do bolso e continue….

é, as ciclovias estão cheias de falhas, ciclofaixas idem. mas, então, não deveria a ação do ministério público ser no sentido de saná-las, não de desfazê-las?

ora, então se uma calçada tem buracos, não é melhor desfazer a calçada? deixar o pedestre andando no asfalto? disputando espaço com os carros? essa é alinha defendida na ação proposta pelo ministério público.

é triste alguém que representa uma importante instituição nesse país agir dessa forma, efetuar essas falas. é a fala da casa-grande: não há pão? que comam brioches.

pois o ciclista paulistano precisa URGENTEMENTE dessas estruturas. sim, odiamos os buracos, mas numa faixa vermelha essa é a nossa única preocupação. pois os buracos já estavam lá antes das faixas vermelhas serem pintadas.

como sempre lembra um amigo meu: sem a faixa vermelha são duas preocupações: o buraco e o atropelamento. na faixa vermelha, podemos até capotar em paz.

é, eu também gostaria de uma grande novidade: uma estrutura cicloviária perfeita no brasil. não vi em nenhum lugar por onde tenha pedalado. sim, nossas ciclovias e ciclofaixas são uma josta. mas fora delas, nas estradas e ruas, onde eu tenho pedalado desde todo o sempre, não é nem um pouco diferente.

tanto que, ultimamente, minhas bicicletas de pneus finos tenham ficado mais encostadas do que em uso. e ontem, durante as quase 10 horas que fiquei ao lado da renata falzoni, eu pedalava uma bicicleta com pneus de 2,125 polegadas de largura. sim, pneuzões de cravos…

mas mostrei pra renata que alívio é sair do asfalto da avenida cruzeiro do sul e subir pra ciclovia no canteiro central. e como a parte ora incompleta e num cimento horrível, que atravessa a ponte, mesmo incompleta, nos dá segurança para atravessar uma das temidas pontes sobre as marginais.

essa estrutura cicloviária de são paulo não me livrou da buraqueira. mas nas faixas vermelhas, como lembrou o paulo, o cládio e outros, a gente pedalar sem tanta tensão, mais devagar. e é bom não ter que sprintar não motivado pelo exercício, mas pela sobrevivência.

o fato é que tem mais gente pedalando. quer uma prova? que tal ler esse requerimento de juízes ao presidente do tribunal de justiça, requerendo a instalação de bicicletários? 

é, bicicleta é novidade pra muita gente. e até o confronto entre o sonho, que são ciclovias lisas e perfeitas, e a realidade, que é a estrutura possível, também nos causa estranhamento.

mas até a imprensa internacional já percebeu que há gato nessa tuba. leia aqui, jornal el país.

e leia aqui a nota assinada por diversas entidades, inclusive rede nossa são paulo, acerca do assunto.

o fato é que entre picuinhas entre velhos e novos, entre PSDB e PT, quem perde são os ciclistas. sim, pois a promotora faz comoro com alguns políticos do PSDB, que esqueceram que no segundo turno da eleição passada, tanto haddad quanto serra prometeram 400km de ciclovias.

mas ok. dia 27 tem bicicletada. eu espero que seja grande essa bicicletada, em são paulo, e em outras cidades do mundo, que pessoas de outros locais nos apoie nessa luta de fundo ideológico, que é a construção duma cidade em escala humana, com espaço para ciclistas pedalarem em paz, com buracos ou não, mas em paz.

(e vamos combinar, “velha guarda” da bicicletada são odir e pablo ortellado, que discutiam bicicletada em 2001, numa lista chada “ciclistas radicais”, muito antes da lista “bicicletada-sp”).

picuinhas à parte, que a oposição se dane.  agora é hora de botar a bike na rua e mostrar número. é apoiar a construção de ciclovias para que elas não deixem de ser construídas, pois senão não sobra nada, nem pra consertar.

e vamos pedalar que desse mundo caquético de gente atropeladora eu estou bem cansado. eu e todo mundo.

(é, dra. camila, uma novidade desconhecida por vossa senhoria: sim, morreram ciclistas na paulista. dois deles estão até no meu facebook, eram amigos. tána hora de sair da bolha, tá?)

 

 

 

 

 

 

 

Uma resposta para “a novidade

  1. Acho a justiça brasileira um lixo, pois julga baseado em opiniões, sejam elas partidárias, futebolísticas o qualquer que seja. Não é baseada em provas ou fatos, apenas na opinião própria de quem está julgando. E aí afloram preconceitos e pré-julgamentos de todo tipo.

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