de prender no poste

a bicicleta de uso cotidiano é aquela que não tememos usar. aquela que prendemos num poste para fazer compras na loja ao lado, ou para comer numa lanchonete.  uma boa trava e a tranquilidade em pedalar de volta pra casa, é o que se quer.

presa no poste. espero que a roda traseira tenha blocagem anti-furto...  mas um selim confortável e remendado com silver-tape quem furtará?

presa no poste. espero que a roda traseira tenha blocagem anti-furto… mas um selim confortável e remendado com silver-tape quem furtará?

qualquer um que tenha um pouco de noção dos riscos de uma cidade grande, sabe que ser discreto é sempre uma forma de proteção. parar uma bicicleta cara  presa com um cabo de aço é pedir pra alguém rapidamente cortar esse cabo e levar a bicicleta. pois isso acontece com frequência em qualquer grande cidade do mundo. 

dois elementos vão determinar o furto, ou pior ainda, o roubo.

o primeiro elemento é a facilidade de execução do crime. e claro, isso vai ser determinado tanto pela forma como a bicicleta “se oferece”, quanto pelos recursos que o ladrão vai utilizar.  usar uma arma é correr um risco maior que usar um tesourão. só usará uma arma onde puder sair tranquilamente. usará um tesourão quando a trava for um cabinho de aço.

o segundo elemento é o preço da bicicleta, que representa a vantagem na execução do crime.  note-se que parar uma kombi à sua frente e descer meia dúzia de bandidos armados pra levar a sua bicicleta só ocorrerá quando você estiver com aquela sua superbike de 45 mil reais. ninguém fará isso pra levar embora uma barra forte.

abrir uma u-lock boa exige boas ferramentas e tempo. não que não se possa abrir uma boa u-lock, mas é difícil. então, para um furto rápido, o quadro preso por uma u-lock estará seguro. e o resto?

pois é. canote de selim, rodas, precisam estar presos de forma a dificultar o furto. não use blocagens tradicionais, mas sistemas anti-furto. a zéfal tem um sisteminha de blocagens que exige que se vire a bicicleta de cabeça pra baixo pra abrir. e se a bicicleta tá bem presa por uma u-lock, não há como virá-la de cabeça pra baixo.

lembre que suspensões e freios a disco não são necessários em cidade, e chamam ladrão pra dedéu. abra mão dessas tecnologias. bons v-brakes, ou cantis de qualidade (qualquer um da shimano, por exemplo) dão conta do recado pro uso urbano, com folga. é só usar sapatas de boa qualidade.

e o quadro? meu caro, minha cara, agora é a hora d eusar um quadro barato. ou um antigão de cromo (“de ferro!” como dizem nas perifas) ou então um desses quadros de alumínio de baixa gama mas confiáveis. sie lá, escolha entre gior br – ralyy usa tem sido usado por muita gente e tem boa variação de tamanhos -, mosso – modelos com furação pra bagageiro também são acháveis – e/ou até um quadro  giant mais barato. caloi a gente sabe que racha. mônaco eu já vi alguns rachados perto da caixa de movimento central. um amigo usa um alfameq que, como ele diz, é perfeito pra cidade, só não pode ficar pulando degraus. quadros gt qq coisa (gtk, gtw, gta, gts, gty, gtb, gtc, gtd e o escambau) estão disponíveis por aí, há quem use, há quem xingue.

escolha o quadro, abaixo dos 500 reais, que tenha pinos pra v-brake e encaixe pra bagageiros, e ouça seu mecânico.  ele sabe o que racha e o que não.

e o garfo? aço! ou um garfo de cromo, ou um garfo do bom e velho e pesado aço carbono. vai pesar em torno de 1 kg seu garfo.  mas, e daí? garfos de alumínio são duros. garfos de aço, qualquer liga que seja, absorvem bem os impactos.  e duram mais e normalmente possuem furação para se colocar para-lamas.

lembre, você vai prender essa bicicleta num poste, no meio da rua. lembre sempre disso. você não vai descer escadas, muito menos fazer downhill com essa bicicleta. mas precisa de algo que não desmonte debaixo de você. pergunte sempre ao seu mecânico. ouça a opinião dele.

freios? cantis ou -bvrakes. shimano de baixa gama, de preferência.

câmbios? altus ou acera. no máximo. 8v, de preferência, pra gastar pouco em correte e cassete.

e a pedivela? use de ponta quadrada. seu quadro terá rosca inglesa, use um movimento central shimano básico un 26 e uma pedivela shimano daquelas de coroas de aço e braços de alumínio. por quê com coroas de aço, se são mais pesadas? pois duram! duram muito, estou falando de anos de uso antes que se desgastem, e às vezes custam essas pedivelas menos que uma simples coroa de alumínio para reposição numa pedivela mais cara.

dá pra achar grupos shimano altus com v-brakes a menos de 500 reais. completos, inclusive com cubos, cabos e conduítes, de 21 ou 24 marchas. é só procurar. e grupos completos vêm com cubos. assim, você só tem o trabalho de escolher os aros, e claro, os raios de inox. seu mecânico montará as rodas.

se vai usar aro 26, 27,5 ou 29, a escolha é sua. mas lembrando que aros 27,5 para v-brakes são muito difíceis de achar, e pneus urbanos então… basicamente só os pirelli pra barra-forte. pra cidade, eu prefiro 26: farta oferta de pneus e aros, e claro, rodas menores são mais resistentes. e tem buraco pra dedéu em são paulo.

e os pedais? esqueça pedais de encaixe. essa sua bicicleta é para andar na cidade. meta penais plataforma, e ainda por cima com refletivos.  essa bicicleta você usará com os calçados do dia a dia: sapatos, tênis, sandálias. lembre, você descerá dela e entrará no supermercado. subirá escadas. andará de um lado pra outro.  pra quê fazer isso com sapatilhas?

bicicleta de prender no poste é barata. lembre disso. não tenha medo de reutilizar peças mais antigas que estão paradas na sua garagem. não tenha medo de remontar aquele quadro lega, mas que pesa 2 kg. você vai prender no poste, lembre. lembre sempre disso.

e se usar um selim de couro, não esqueça daquela medida clássica de proteção do selim quando a bicicleta está parada, principalmente em caso de chuva: sacos plásticos!🙂

bagageiro e para-lamas completam o conjunto, junto com as luzes.

monte a bicicleta, não gaste muito, use-a até o osso, seja feliz com ela, e não tenha medo de prender num poste na frente daquela pizzaria onde você parou pra comer com sua pessoa amada. vá ser feliz, e não há felicidade sem tranquilidade. uma bicicleta barata, uma boa trava, e a cidade é toda sua!

 

 

 

 

 

 

6 Respostas para “de prender no poste

  1. Vou aproveitar o espaço para postar a denuncia que segue, de certo modo ela tem relação com esta postagem sobre o uso diário da bicicleta.
    http://moninho.blogspot.com.br/2015/03/bike-rio-alerta-aos-usuarios.html

  2. Ótimo texto… O duro é viver e fazer as coisas em função da malandragem.

    • A malandragem não existe só aqui, na Holanda, por exemplo, o furto de bikes é absurdo.
      Roda fácil de soltar? some!
      Trava ruim? Tchau bike!
      Travou só o quadro? Bye bye rodas…

      Dizem que muitas vezes, por lá, as travas chegam a custar e metade do preço das bicicletas.

  3. Preciso comprar uma montain-bike nova, já completa com quadro totalmente em cromo molibdênio, se alguem puder indicar um site… Obrigado

  4. Minha bicicleta – que também é para uso diário e de prender no poste – custou R$ 80,00, aí quando li a parte do quadro “abaixo dos 500 reais” levei um sustão. kkk

    • citei preços de mercado para bicicletas novas, helen fernanda. mas tem muita bike boa sendo vendida a menos que isso, mas é coisa de se garimpar. eu mesmo consegui algumas joias bem abaixo disso, e às vezes até por doação.

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