como ter uma bicicleta decente sem pagar dívidas até as próximas 15 reencarnações

é. nem sempre se tem o dinheiro ali, à vista, pra se comprar uma bicicleta que se sonhe ter. mas sempre há como montar uma sem recorrer a financiamentos, e sem pagar 6 bicicletas para se ter uma só.

quadro giant atx ltd 2013. clique na imagem.

quadro giant atx ltd 2013, modelo vendido dessa forma para cada um montar do jeito que quiser. clique na imagem.

a pior forma de se comprar algo é financiar a compra. duvida? dá uma lida nesse artigo aqui, do prof. ladislaw dowbor, mostrando como o sistema financeiro drena seus recursos e o de todo mundo.  e você prefere que seu salário vire juros a serem pagos prum banco ou freios a disco hidráulicos na sua bike? pense nisso!

então vamos entender o básico da montagem de bicicletas, não da parte técnica, mas como você pode adquirir as peças paulatinamente até levar tudo o que tem numa bicicletaria de confiança e dias depois sair com sua bicicletinha linda pedalando por aí.

primeiro perca o preconceito em montar uma bicicleta assim. pois as bicicletas de competidores, de profissionais, de amadores avançados, são montadas assim. por um lado, pois os que conhecem bem o mundo das bicicletas tem suas preferências em relação à peças, e bicicletas prontas nem sempre vêm com a combinação que desejam, segundo pois nem sempre as pessoas têm 30 mil reais em dinheiro em casa pra comprar uma bicicleta top.

fabricantes sérios de bicicletas possuem sempre a possibilidade de compra apenas do conjunto garfo e quadro.  você achará essa combinação de empresas do calibre duma colnago a uma surly, quando ainda por cima não possuem 3 ou 4 possibilidades de compra da bicicleta, com grupos sram, shimano ou campagnolo, ou até usando peças de outros fabricantes. a giant por exemplo, muitas vezes vende mais quadros de um determinado modelo do que a respectiva bicicleta completa.

então, comece escolhendo o quadro, seja um quadro colnago master ou um mosso panther. escolha um quadro que você possa comprar, e que esteja disponível no seu tamanho.

nessa hora, é bom verificar a geometria do quadro. às vezes, por incrível que pareça, a diferença entre um tamanho e outro é ínfima. a trek, em 1995, tinha a série 900 nos tamanhos 18 e 19,5 comum mísero centímetro de comprimento a mais do tubo superior efetivo, no modelo maior. assim, com 1 cm apenas de diferença, tanto faixa ter um ou outro tamanho, pois o tamanho do tubo da caixa de direção também era o mesmo!

comprado o quadro, passa-se a escolher a frente: garfo ou suspensão,dependendo, sempre, do quadro.

se o quadro é feito para se instalar uma suspensão de 100mm de curso, compre uma suspensão de… 100mm de curso! ou um garfo rígido corrigido para essa medida (a surly, por exemplo, faz). pois se você coloca uma suspensão mais longa, o quadro inteiro girará para trás. mudará o ângulo do tubo vertical do quadro, mudará o ângulo do garfo, alterando a dirigibilidade., e deixará a caixa do movimento central mais alta, tornando a bicicleta mais difícil de equilibrar.

por outro lado, se colocar um garfo mais curto do que deveria ser para aquele quadro, a frente abaixará. o ângulo da caixa de direção ficará mais alto e a direção mais nervosa. a caixa do movimento central mais baixa, aumentando a possibilidade de bater o pedal no chão durante uma curva.  e claro, com uma frente mais baixa e seu corpo inclinado pra frente, sobrecarregará mais os músculos do pescoço.

tendo o conjunto quadro + suspensão, você escolherá o sistema de freios. sim, pois se o quadro e a suspensão tem pinos pra v-brakes e cantis, essa será usa escolha, se só tem suporte pras pinças de freio a disco, será esse o freio, ou então ferraduras, no caso de garfos e quadros preparados pra isso. são se importe, no caso de algumas bicicletas, de usar um freio na frente, na suspensão (por exemplo, discos) e outro sistema atrás, no quadro (por exemplo, v-brakes) se essas possam ser sua única opção (por exemplo, se colocou uma antiga suspensão cannondale lefty num quadro mais antigo de titânio, sem suporte para as pinças de freio a disco).

pensar nos freios é também pensar nas alavancas de freio, as manetes. escolha manetes não integradas a trocadores, no caso de manetes pra guidões retos.

no caso dos trocadores integrados pra guidões drop, não há muita escolha nesse quesito. mas também, sem terem chegado em massa os discos hidráulicos nas estradeiras, praticamente qualquer trocador integrado funciona com qualquer freio ferradura. apenas lembrando que os freios campagnolo não possuem trava, sendo o destravamento feito na manete de freio.

feito isso, passe à relação. se usa guidão drop, suas mentes integradas, sejam STIs, ergos ou power taps, determinarão que câmbio traseiro usará. se forem trocadores separados você pode ter uma relação de marca diferente daquela da marca dos freios.

assim, poderá ter, por exemplo, ter uma bicicleta com relação sram e freios shimano, ou relação shimano e freios magura, ou até relação shimano com freios tektro… as escolhas são quase infinitas, desde que haja compatibilidade entre manetes de freio e os próprios freios – por exemplo se os manetes são para cabo, não há como usar pinças hidráulicas (claro, a não ser que se use aqueles conversores da magura…).

escolhidos freios, pensemos nas rodas. pois se usaremos freios de aro (v-brakes, cantis, ferraduras) os aros das rodas precisam estar preparados pra receber esses freios. se serão freios a disco, os cubos deverão permitir a instalação dos discos.

você pode comprar odas completas ou mandar montar suas rodas. na última opção, escolha cubos do seu agrado.  sejam eles novatec, por exemplo. ou quando. ou mavic, ou white industries. ou shimano, ou son, ou o que quiser, até um cubo dínamo na roda dianteira.

detalhe, nada impede que você use cubos para discos e monte uma roda com aros para v-brake. um colega, o cauê, fez isso.

essa é uma opção para quem está montando uma MTB e já tem manetes para v-brake e v-brakes, e pretende num futuro, por exemplo no final do ano quando chega ro 13º salário, colocar freios a disco na bicicleta.

ao optar por montar uma roda, você pode escolher os cubos, aros e raios de sua preferência. eventualmente você queira raios mais fortes, ou raios mais leves. a escolha será sua. pode, por exemplo, montar com aros coloridos…. a coisa vai de acordo com seu gosto. até se gostar de aros de madeira numa estradeira, e pneus tubulares…

as combinações também são infinitas no que tange às rodas, sempre respeitando o tamanho das rodas que seja compatível com o quadro e garfo que se vá montar.

ora, tendo quadro, garfo, freios, rodas, trocadores, cassete, pedivela, câmbios, vai faltar pouca coisa:

pedais, canote, mesa, guidão. cabeamento. conduítes. selim, movimento central, caixa de direção…. além de pneus, câmaras, fita anti-furo….

boa parte dessas coisas você pode comprar lá na bicicletaria sua de confiança. ou até usar aquele kit bling-bling de peças coloridas a aest ou token ou kcnc, ou sei lá de qual fabricante, que encontrou no mercado livre.

dessa forma, você pode escolher as peças a dedo e ainda por cima ter uma bicicleta mais leve do que a média, sabendo escolher os produtos certos.

comprando tudo com calma e paciência, você pode também achar peças usadas de ótima qualidade, como as que aparecem periodicamente em comunidades, fóruns e até sites de venda on oline, como mercado livre, olx e outros.

vá comprando com calma, sem pressa, vá acumulando as peças, até chegar o dia de levar a grande caixa de papelão pra sua bicicletaria de confiança.

aliás, não fique encabulado de chagar a uma boa bicicletaria com esse monte de peças. pois esse é um dos serviços mais comuns. bicicletas, ao contrário de carros e outros veículos, são customizáveis e modulares.

você não pod ecomprar um toyota corolla e resolver colocar as portas dum mercedes-benz. mas pode ter uma bicicleta e trocar um monte de peças.

aliás, eu e um monte de gnete já tivemos alguma bicicleta cujas peças fomos trocando com o tempo de modo que uns anos depois era uma bicicleta completamente diferente…. de uma bicicleta minha, fui trocando tuo com o decorrer do tempo, até o quadro. sobrou a mesa… hehehehe – aliás, essa bike está precisando de rodas. já tenho um cubo, os pneus…. falta o resto!

tendo espaço pra guardar peças, vá comprando paulatinamente as partes da bicicleta. vá com calma. aproveite liquidações, aproveite promoções.  e assim você um dia terá aquela bicicleta que, se tivesse que comprar à vista, você teria que endividar-se.

na prática, é assim que muita gente tem bicicletas maravilhosas. e, por isso, por haver muito trabalho na garimpagem dessas peças, que acabamos por ter relações emocionais com aquela bicicleta… e por isso também acabamos por ter duas, três, quatro, cinco bicicletas… sem contar aquelas que estão em processo de ajuntamento de peças. e por isso em algumas rodinhas pessoas passam horas discutindo sapatas de freio, lubrificação de cabos, compatibilidade de câmbios e etc. pois é assim que aquele movimento central bb30 ganha rolamentos de cerâmica, ou aqueles cantis shimano de 20 ou 25 anos atrás têm sapatas kool stop e freiam melhor que muito freio a disco por aí….

aliás, o que entusiasma um aficcionado de bicicletas não é ter uma bike inteirinha shimano dura ace 9000, mas fazer um câmbio dura-ace funcionar com um trocador super-record, que, por sua vez, são manetes funcionando com  freios paul components…

e claro, uma bicicleta montadinha assim, será única, algo que só você saberá a dor e delícia de pedalá-la.

 

 

 

 

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4 Respostas para “como ter uma bicicleta decente sem pagar dívidas até as próximas 15 reencarnações

  1. Amigo, o nome correto do professor é Ladislau Dowbor.

  2. adorei o texto , estou montando uma mtb e uma speed dessa maneira , a variedade de peças e marcas tentando chegar em uma bicicleta com minhas exigencias

  3. Eu tenho duas bikes assim, e me pego pensando que se algum dia resolver fazer uma viagem internacional e levar uma delas, estou no sal, porque não tenho uma nota fiscal da bike, mas um saco com um monte de notas fiscais de quadro, rodas, câmbio, etc.
    Vou acabar comprando uma, pois estou planejando fazer umas cicloviagens pela França…

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