faixas largas, faixas estreitas

ciclovias e ciclofaixas largas, bem largas, é o sonho de consumo de todo ciclista. mas às vezes é mais seguro que sejam estreitas.

quatro caminhões na ciclofaixa. o ciclista teve que seguir  pela contramão, correndo risco de uma colisão frontal, sempre mortal. foto de ricardo yasuda.

quatro caminhões na ciclofaixa. o ciclista teve que seguir pela contramão, correndo risco de uma colisão frontal, sempre mortal. foto de ricardo yasuda.

jon orcutt, americano que participou da instalação da rede cicloviária de nova york, numa palestra em são paulo ano passado citou o que ocorreu naquela cidade, acerca da largura das faixas. se estreitas, ciclistas reclamavam, claro. difícil ultrapassar outros ciclistas mais lentos ou bicicletas com grandes cargas. mas, se largas, veículos automotores invadiam.

é, motorista que devia ir pro inferno tem em qualquer lugar do planeta. não é diferente no brasil, não é diferente em são paulo.

o fato é que faixas mais estreitas não oferecem vantagens para motoristas. mais estreitas que faixas pra carros e outros veículos, não vantagem para os motorizados ao invadirem-na.

pois invadem, quando são largas, até quando são segregadas por guias e meio-fio.

em diversos locais do mundo a entrada de ciclovias chegam a ter alguns obstáculos que dificultam um pouco a passagem de bicicletas, mas servem para impedir a passagem de motocicletas. pois mesmo motociclistas às vezes ameaçam a integridade de ciclistas invadindo as áreas reservadas.

o fato que estrutura cicloviária só é necessária pois não há respeito. elas devem sim estar nas grandes avenidas, pois nas ruas calmas não são necessárias.

é sim tirar espaço do carro para a bicicleta, na medida em que o carro não sabe conviver. pessoas correm em seus carros, e toda velocidade acima de 30 km/h já gera riscos cada vez maiores na convivência com bicicletas. mas vai falar pro pançudo de pernas finas motorista que ele não pode acelerar sem ameaçar outros? que lugar de correr – e até 120 km/h, dependendo do limite do trecho – é a estrada?

pois é. nem sempre podemos ter o ideal. infelizmente muitas vezes podemos ter apenas o possível. claro, quem tá acostumado com finos doces, reclama do pão seco, mas quem tá com fome não ignora esse mesmo pão seco. o ideal é estar bem nutrido, mas quem negará pão ao faminto afirmando não ser saudável comer tanto carboidrato?  c,laro, andrea matarazzo maria antonieta e sua turma.

às vezes eu lembro dum ditado muito repetido no mossad: “se não tava acendendo a fogueira, tava carregando a lenha“. a afirmação remete aos autos de fé medievais onde a “santa” inquisição queimava vivos alguns dos meus antepassados judeus, cristãos novos…. torquemadas nunca faltam, é incrível! e hoje, motorizados.

às vezes tenho essa sensação em relação a motoristas. muitos parecem mesmo não estar nem aí para com a segurança de outros humanos que estejam em bicicleta. é por existirem essas pessoas que uma estrutura cicloviária seja feita.

claro, perfeita não é. está longe de ser, e seria até estranho se perfeita fosse numa sociedade tão cheia de problemas com é a sociedade brasileira.

mas é fato que mesmo uma estrutura imperfeita produz algum efeito. as faixas e ciclovias aqui da zona norte de são paulo são de uma buraqueira só, já até caí num desses buracos, usando um pneu mais fino, de 1,25 pol. mas quando posso uso uma bike que tá com imensos pneus de cravo de 2.1pol de largura. é mais lenta, faço mais força pra pedalar, mas sinto menos as imperfeições do asfalto de são paulo, ruim em qualquer lugar, e não apenas nas faixas pintadas de vermelho.

na minha diamond back urbaninha, mtb antiga adaptada, os próximos pneus depois desses kenda kwest de 1,25 pol, serão kenda flame de 2,1 pol. paciência, até o cimento da ciclovia da av. cruzeiro do sul  é uma lástima, o que dirá o asfalto perto da minha casa.  pneuzão é o jeito.

mas sempre que posso volto pra casa usando um trecho da ainda em construção ciclovia da cruzeiro do sul. o cimentado tá uma bosta ruim, mas me permite uma coisa que normalmente não consigo: atravessar uma ponte sobre a marginal, pedalando devagar.

é… mas estamos longe de chegar à perfeição. às vezes passo na rua cônego manuel vaz e vejo as obras da congás ou de sei lá quem detonando um asfalto que estava bom. farão um remendo porco mais pra frente, em vez de recapear a rua inteira. e como tempo, a passagem de veículos pesados, a chuva, vão transformar o remendo horroroso numa sucessão de buracos. é, morar da ponte pra cá é fazer mountain-biking todo dia. minhas bikes de pneu fininhos só juntando pó…

tem que mudar tudo nessa cidade, e não só construir ciclovias. tem que mudar tudo.  numa cidade onde caminhão trafega em ciclovia e o ciclista tem que ir na contramão, tem que mudar tudo.  a começar pelas marias antonietas de coração duro e bolsos cheios. (depois , à vista da guilhotina, nego reclama…). tem muito o que se fazer ainda. no país inteiro.

 

 

Uma resposta para “faixas largas, faixas estreitas

  1. Bem interessante e válidos seus argumentos, mas ainda gostaria de ciclovias mais largas e infelizmente com tachoes cada vez maiores. Esses dias na ciclovia da rua cândido espinheira um carro circulando na ciclovia, dando uma de bostileiro esperto, cortando todos que estavam no transito apos a chuva.

    Parei apitei e o sujeito começou gesticular de dentro do carro pra eu sair, enfrentei o risco e falei daqui nao saio, apontei a camera e cruzei os braços, estava disposto a ficar ali horas, farto de levar desaforo pra casa.

    Os demais motoristas começaram me apoiar, xingavam, diziam,por isso,esse pais e uma merda, sim e,por isso, amanha esse bosta vira um politico e ai ja viu.

    O porteiro do estacionamento inconformado com a situaçao, peguei o celular pra ligar pra policia, o sujeito me chama, queria “conversar”, mas conversar o que?

    Apenas balancei a cabeça, nao tenho nada pra conversar com gente assim, bom, depois que peguei o telefone ele resolveu sair, e ainda passou por mim me xingando e la vai mas um brasileirao achando que a,culpa dessa,merda toda e so do governo. nesse caso sim a ciclovia estreita impediria o cara andar ali, mas vms ficar no desconforto porque essa cambada nao e penalizada?

    Cade os,gcm que a,prefeitura prometeu, nunca vi um sequer. O jeito e colocar aquelas tartarugas de rotatoria, altas pra impedir de vez as invasões, ontem na mesma ciclovia tive que ir na contramão tb, um pai ensinando sei filho a como ser um bom bostileiro na frente da escola #nuncaserao

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