o longo caminho dos freios a disco até o pelotão pro

a UCI ainda não autorizou freios a disco no pelotão pro, e talvez eles apareçam apenas em 2016 como teste, na paris-roubaix. talvez, pois ainda há muito o que se discutir e fazer em relação a freios a disco.

trek domane 6.9 disc - lindona né?

trek domane 6.9 disc – lindona né?

no pelotão pro, nenhum equipamento diferente aparece do nada. existem mais questões do que simplesmente a vontade dos fabricantes em permitir seu uso. 

hoje, quanto à roda das bicicletas, é tudo relativamente padronizado no pelotão pro, por um motivo bem simples: intercambialidade. rodas não precisam ser comuns apenas dentro de uma mesma equipe, mas em relação à outras, afinal, quem nunca viu o carro de apoio neutro da mavic durante a prova?

a questão é a seguinte: hoje há um padrão para as rodas: blocagem em todas aas rodas, e altura da pista onde as sapatas de freio pegam também padronizada. com  as rodas com disco, ainda se discute se discos de 140mm ou 160mm. também se discute se eixos com quick-release, blocagens rápidas, ou eixos sólidos. sim, eixos sólidos nos cubos esquipados com disco.

ora, mesmo com os modernos eixos sólidos, rodas com blocagens permitem, no caso de pneus furados, que o ciclista do pelotão pro volte à prova em meros 15 segundos.  lembrando que até o próprio ato de destravar os freios é mais rápido usando-se freio ferradura: sram e shimano usam um sistema de travamento e destravamento na própria ferradura, o que permite não ter que se abaixar pra destravar a roda, e no caso da campagnolo, está o mecanismo nas manetes.

no caso dos freios a disco, a operação de se destravar o freio, retirar a roda e instalar outra toma mais tempo, pelo menos ainda.

afora isso, há o receio fundado do superaquecimento. pois em vários testes isso já aconteceu. há que se lembrar que hoje, shimano está com um sistema disponível no mercado, sram andou fazendo recall, campagnolo ainda não tem um sistema consolidado. pois ainda não se chegou às soluções necessárias pra dar segurança à frenagem nas condições de estrada, onde bikes podem passar de 80 por hora em descidas de 20 ou 30 km de distância e um zilhão de curvas perigosas, e os sistemas tem que funcionar de 40 C a pelo menos 0 C – há houve provas, clássicas, terminando com neve caindo e temperaturas sub-zero.

as condições de exigência de funcionamento adequado em variações térmicas já fez gente que havia apostado nos câmbios eletrônicos da shimano xingar muito quando os câmbios pararam de funcionar por frio. isso quer dizer que não se deve usar shimano di? não, mas explica por que há alguns no pelote pro que não usam câmbios eletrônicos.

aliás, é bom saber que há poucos apoiadores francos dos freios a disco no pelotão pro. há os ue claramente não querem nem saber desses freios no pelote pro. fabian cancellara não quer nem saber. e há os que imaginam discos como lâminas, no caso dos tombos no meio do pelotão.

há que se lembrar que o guidão drop não é padrão à toa no meio do pelote. nada de pontas, é o que querem os ciclistas que andam não raro a 50 quilômetros por hora me pelotões compactos com centímetros de distância entre um e outro ciclista.

esse argumento nunca é lembrado por amadores, mas sempre lembrado por profissionais, que são aqueles que podem sim até morrer num tombo, o que dirá ter lesões sérias.

se tiver estômago para ver uma sucessão de tombos, veja o vídeo abaixo e observe quantas vezes bicicletas voam em direção a ciclistas. imagine uma roda quebrada com um disco exposto voando em direção a um ciclista. imagine isso, pois é o que imaginam ciclistas profissionais.

se, no pelotão pro, há mais dúvidas do que respostas, por outro lado, parte da indústria pressiona UCI pela permissão de uso dessa tecnologia.

já anunciaram permissão pra 2015, mas postergaram para 2016, provavelmente na paris-roubaix, onde, pela ausência de longas descidas, a possibilidade de superaquecimento é mínima.

a trek já tem versões com freios a disco do modelo domane. specialized ainda não. idem cannondale. colnago diz que em breve terá a lendária c60 com a opção pra discos. mas diz isso faz tempo…. e até agora nada.

é fato que hoje, há uma relação engraçada entre amadores e profissionais em relação a essas bicicletas do pelotão pro. amadores smpre costumam sonhar com as bikes dos pros, não raro economizando moedinhas pra realizar seus sonhos de consumo. mas hoje são os amadores que pressionam mais a indústria para adoção dos freios a disco nas bicicletas de estrada que os profissionais.

está em aberto. veremos talvez novidades em algumas corridas em 2016, 2017… antes é difícil, pelos fatos que expus acima.

mas eu gostaria sim de uma bike com freios a disco hidráulicos, e que não superaquecessem. quase perdi a mão direita num acidente numa serra, há quinze anos, e tenho sequelas. pra mim, uma manete que modulasse bem a frenagem e me desse conforto, seria algo fantástico.  não gosto dos freios campagnolo de pivot único na traseira por isso: preciso sim do máximo de frenagem mesmo pra roda traseira, pois minha mão é que falha, dificilmente consigo travar a roda traseira, usando STIs. aliás, não posso escolher equipamento em razão de mero gosto, mas do que funciona com minha mão direita ou não (abandonei um 600k em 2010 pois minha mão inchou depois que passei 60 km rodando com um pneu dianteiro calombado dando solavancos a cada volta).

mas sou um bom representante do mercado dos amadores: apaixonado por bikes mas sem grana pra gastar num equipamento top. se eu usaria uma bike com freio a disco nos meus audaxes? com certeza, se tivesse dinheiro pra torrar nisso. mas não tenho, e me viro muito bem com o que tenho, que funciona a contento.  mas minha prioridade agora é um braço esquerdo 172,5 pra pedivela integrada shimano, que o da minha natchez de quase duas décadas de uso espanou. a pedivela tem poucos anos de uso, mas o quadro é veteraníssimo…

eu usaria sim uma trek domane com discos. mas como eu disse num programa de TV, “se me derem….” – hehehehehe

 

 

 

 

2 Respostas para “o longo caminho dos freios a disco até o pelotão pro

  1. Specialized, já tem Roubaix e Tarmac com freios a disco, Cannnondale tem a Synapse, a Colnago já tem a C59 e promete a VR1 (variante mais aero da C60), A Pinarello tem a Dogma, a Orbea a Avanti, a De Rosa a Idol, a Scott tem a Solace, a Giant a Defy…
    Praticamente todos os grandes fabricantes (e alguns pequenos) já possuem bikes a venda com freios hidraulicos!

    Sobre compatibilidade, rodas traseiras são muito pouco compatíveis, grupos Campagnolo não são compatíveis com Sram e Shimano.

    Existem rodas com pista de freio de carbono e outras com pista de freio de alumínio (as sapatas não são compatíveis), alguns ciclistas usam pneu 25mm e outros 23mm, câmbios com o “cage” mais curto não aceitam cassettes com pinhões muito grandes…

    Sobre segurança, os volantes e pinhões são como os discos, só que com dentes…
    Você já viu um quadro de carbono (usado por 100%) do pelotão quando quebrado, como ficam as pontas? As rodas tri spoke foram proibidas por conta disso…

    A UCI ainda não aprovou, alegando que falta rodagem (mais testes) para a sistema e se preocupa com algumas bikes freando muito mais do que outras podendo causar acidentes. Resumindo: Só está esperando a Campagnolo lançar os freios dela para liberar geral.

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