de quantas marchas você realmente precisa?

no mundo dos usuários de bicicleta, há muito fetiche por tecnologia. isso faz muita gente gastar dinheiro com itens desnecessários.

mas em bicicletas, deve-se saber que a tecnologia nova não torna a antiga simplesmente superada e abandonada. supera-a, mas soma-se.

pedivela shimano dura-ace 7400.

pedivela shimano dura-ace 7400.

mas na falta de pernas temos a impressão de que se houver uma quantidade maior de marchas conseguirmos andar mais rápido. isso nem sempre é verdade.

primeiro, temos que entender que diabos é uma marcha de bicicleta. é simplesmente a relação que permite você, numa pedalada, deslocar-se por uma certa distância.

então, por exemplo, numa estradeira, speed, que esteja com pneu de 23mm atrás (roda 700c), a relação 52×11 (coroa com 52 dentes, pinhão de 11 dentes), numa única pedalada completa, essa bicicleta deslocar-se-á por 9,9 metros. o que significa isso?

se o ciclista pedalar a 60 pedaladas por minuto – que é uma cadência baixa, é comum que se pedale acima de 80 pedaladas por minuto), ele andará, em uma hora, 35.640 metros. ou seja, andará a 35,64 km/h.

mas quanta força ele estará fazendo para andar a essa velocidade?

essa é a questão. quanta força nós estamos fazendo ao pedalar, para atingir uma determinada velocidade?

pois há a resistência do vento, maior ou menor, há as subidas, as descidas, a qualidade do piso, a largura dos pneus, o nosso cansaço….

a grande questão é que não precisamos do 10, 20 ou 30 marchas, precisamos é de marchas adequadas. e marchas só se apresentarão adequadas ou não, quando soubermos girar. ou seja, pedalar não a 40 pedaladas por minuto. mas a 80 ou mais: 90 pedaladas por minuto. 100 pedaladas por minuto….

pois veja só. imagine que você esteja na sua moutain-bike  de aro 26, com um pneu 1,9 polegadas atrás. sua relação mais longa seja 44×12. a 40 pedaladas por minuto, você andará a 17,3 km/h. a 60 pedaladas por minuto,estará andando a 26 km/h, a 80 pedaladas por minuto, estará andando a 34,5 km/h.

e nas subidas?

nas subidas acrescenta-se o fator inclinação, e algumas coisas mudam. às vezes, você só consegue subir a uma velocidade baixa: 4 km/h.  se quer ir mais rápido, pedale mais rápido numa marcha mais pesada. se não consegue, volte… e resigne-se.

cada um tem suas características em subidas, que são a soma de propensão genética mais o condicionamento físico. e, de novo, você precisa das marchas adequadas.

tenho uma bicicleta que está com 27 marchas. pedivela 42-32-22 e cassete 11-34 atrás (aro 26). a marcha 22×34 é extremamente leve. mas como essa bicicleta eu uso para viajar, ela carrega peso…. quando subia a serra de campos do jordão, com alforjes pesando mais de 10 kg, essa marcha foi-me muito útil.  claro que eu estava lento como uma tartaruga. mas subi. e eu não sou lá um grande escalador não…

se eu morasse numa cidade absolutamente plana como é santos, na baixada santista, usaria uma bicicleta de marcha única, ou no máximo uma bicicleta com uma única coroa, e um cassete de contra-relógio, daqueles que aumentam um dente apenas por pinhão: 11-12-13-14-15-16….

mas não. moro numa cidade cheia de relevo e gosto de viajar. em bicicleta. então uso umas relações que às vezes tem “buracos” entre um pinhão e outro, ou seja, uma diferença grande entre o número de dentes entre um pinhão e outro.  hás vezes os “buracos” causam uma rápida perda de velocidade. isso é um problema em competições, mas em cicloturismo, trânsito, viagens, não.

e o interessante é ver que o mercado tem suprido as necessidades de muita gente, ao pedalar, sem que se perceba. dou um exemplo.

o mais barato grupo de estrada da shimano, com STIs, é o tourney a070. tem 7 marchas atrás. com um cassete 12-28. a pedivela fornecida, é 50-34.  é um grupo que pode tranquilamente dar um “up” nessas caloi 10 que são vendidas por aí, ou  equipar um quadrinho que esteja parado. e com essa relação, o ciclista poderá inclusive fazer muitos brevets.

também é um grupo par amontar uma estradeira para se usar na cidade, como bicicleta de transporte. pois pense bem: você prefere prender num poste uma bicicleta mais barata e menos chamativa ou uma bem cara?

se quiser montar uma bicicleta de cicloturismo com guidão drop, esse grupo também é útil. apenas troque o câmbio traseiro por outro da linha shimano, por exemplo, um altus, e use um cassete com outra relação. um cassete “megarange”, 11-34.

já vi uma antiga mountain-bike, daquelas de cromo dos anos 90, montada com drops, câmbio e cassete de mountain-bike, e o dono apenas mudou o câmbio dianteiro, o guidão, e a pedivela. era um quadro que tinha fiação vindo pelo tubo inferior, então ficou fácil instalar um câmbio dianteiro de estrada.  pena que não fotografei.

e dá pra fazer audaxes com 14 marchas apenas? dá, tanto que já fiz. mas se quiser marchas ainda mais leves, a o próprio grupo tourney de estrada da shimano tem opção para pedivela tripla: 50-39-30.

ora, essa pedivela, com um cassete 11-34, de 7 marchas mesmo, dará ao ciclista uma gama de marchas bem ampla, para viajar ou fazer longas distâncias.

na prática,a relação de marchas que precisamos precisa ter a amplitude que seja adequada aos trajetos, ao peso que carrega e ao seu condicionamento. mas lembre, enquanto não estiver pedalando a pelo menos 60 pedaladas por minuto, não mexa nas relações da sua bicicleta. aprenda a usar as marchas e ganhe condicionamento. só após ser capaz de fazer sua mountain bike com as marchas que vieram de fábrica, andar a mais de 30 km no plano, e não por 5 segundos, mas por alguns quilômetros, comece a pensar nessa mudança.

 

 

 

 

 

 

 

 

2 Respostas para “de quantas marchas você realmente precisa?

  1. Odir, para usos de transporte urbano, 60 pedaladas por minuto é perfeitamente adequado – e mais do que isso é um problema. 60 por minuto é a quantidade de passos que um pedestre dá ao caminhar com firmeza mas sem pressa.

  2. Odir, tem mais uma questão que você não enfatizou, a resistência do vento.

    Há pesquisas mostrando que a 28 km/h o ciclista numa speed gasta 80% da sua força para vencer a parece de vento.

    Tenho limitado minha velocidade pedalando até 28 km/h, até por que aqui em Natal pedala-se contra um “turbina” de 30 ou 40 km/h de vento.

    Fazendo as contas, usando a relação mais pesada da minha MTB, dá exatamente 60 pedaladas por minuto. Realmente não sei se vale a pena fazer mais do que isso, a não ser que haja algum ganho em pedaladas de 80 ou mais por minuto.

    Abraços!

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