guerra ao terror, aos vândalos, ao que for

contra que exército a frança luta contra? contra que exército as PMs brasileiras lutam contra? o que se pretende controlar, afinal?

é assim. ontem, 9 de janeiro de 2015, foi feita em são paulo a primeira manifestação contra o aumento das passagens de ônibus e metrô. lembre bem, não aumentou apena so ônibus, de R$ 3,00 pra R$ 3,50, o metrô também.

como era de se esperar no brasil desde 2013, com técnicas aperfeiçoadas na copa de 2014, a lógica de solapamento das garantias constitucionais de livre manifestação constantes no artigo 5º da Constituição Federal do Brasil foi habilmente aplicada pela PM paulista.

o aumento do ônibus foi feito ao arrepio do constante no regulamento do CMTT: compete sim ao CMTT opinar sobre o aumento, e como disse o felipe fernandes, isso não foi feito. duvida? leia aqui.

claro, a manifestação seguia, uns manés tacaram algumas pedras em algumas vidraças, mas a PM paulista já estava organizada previamente para “envelopar” a manifestação, e distribuir gás lacrimogênio a rodo.  um relato bom está aqui, feito por elia blum para o jornal espanhol el país. veja  o SPresso mostrando em vídeo como simplesmente a manifestação inteira foi atacada. e  aqui, n’oestado de são paulo, o führer governador geraldo alckmin dá nota 10 à ação da PM.

no RJ, um oficial da PM que chegou a ser criticado pela veja (!!!!) pela apologia às  sturmabteilung  de erich fromm é exonerado e renomeado no mesmo dia, conforme se lê aqui.

o que está acontecendo? não percebe?

hoje não há guerra entre países mais. países agressivos são contidos na base das medidas econômicas, conforme está se fazendo com a rússia de wladimir putin. contra quem se guerreia?

desde o fim da guerra fria, na virada dos 80 par aos 90, aconteceu a RMA: revolution in military affairs. mudou muita coisa. duvida? vjea filmes de guerra: os que tratam até a guerra do vietnã mostram grandes companhias, destacamentos e etc. das guerras posteriores, vemos comandos especiais, vemos atiradores de elite, vemos espiões, vemos guerra eletrônica. e cada vez menos o inimigo é um exército, cada vez mais o inimigo são os “insurgentes”. insurgente o nome que se dá ao cidadão de um país que se insurge contra uma ocupação estrangeira.

insurgente é apenas o mais radical dos cidadãos que esperneiam. os menos radicais fazem passeatas. no máximo tacam pedra numa vidraça de banco. mas, insurgentes ou manifestantes, hoje todos são reprimidos, não importa que bandeira tenham. ou nem todos. essa manifestação onde um neonazi, na avenida paulista, agrediu uma jornalista não foi desbaratada pela PM. afinal, pelo jeito, agredir jornalista pode, só não pode reclamar contra aumento ou falta de alguma coisa. e claro, a PM não serve pra proteger o cidadão: hoje, um grupo de 60 (!!!) ciclistas foi roubado! duvida? leia aqui. 

em resumo, a parte mais pobre da sociedade não pode reclamar de nada. se reclamar, cacete! não há lei que a proteja de quem deveria fazer cumprir a lei.

é interessante que antonio negri tenha previsto de alguma forma esses acontecimentos. em livros publicados no final do século XX, “império” e “multidão”, ele e michael hardt enxergam as metrópoles como grandes unidades produtivas, e os poderes imperiais contrários aos poderes das multidões globais. e claro, os problemas das multidões são apenas… contratempos a serem sufocados, não resolvidos. não a toa o índice de solução de crimes no brasil é baixo.

e esse índice de solução de crimes baixo incita a criminalidade: o bandido sabe que se sair vivo do confronto com o PM ele não vai ser pego depois. ele rouba celular, bicicleta, carro. nada é achado depois, nadinha. por isso bandidos caçam policiais: matam e não são encontrados depois. o índice de solução de homicídios é ínfimo….

o que acontece em são paulo cada vez mais é algo que se repete ao redor do globo. a frança vive seus dias de terror, promovido por meia dúzia de cidadãos franceses que atacaram um periódico de humor, e depois um mercadinho judaico. enquanto franceses se mobilizam pela liberdade de expressão (inclusive de retratar uma ministra negra como macaca…), nas periferias da frança uma imensa população permanece marginalizada. veja abaixo a parte 5 do filme “paris, je t’aime”, dirigida por walter salles e daniela thomas.

a frança falhou na integração dos mais pobres, e tem um histórico colonial  negativo. não esqueçam os cursos de tortura que oficiais franceses ministraram a oficiais brasileiros no início dos 1960.

já o brasil falhou fragorosamente na inclusão social dos descendentes dos que foram explorados até a última gota de sangue. dos descendentes dos escravos africanos e indígenas, essa multidão mestiça que é grande parte do brasil. esse nosso tom de pele às vezes tido como branco, mas que escurece bastante ao sol.

e o resultado disso? um salve-se quem puder. se não há escola pública de boa qualidade, cada pai e mãe tenta pelo menos garantir seu pimpolho, e paga uma cara escola privada.  se não há transporte público de qualidade e gratuito, cada um compra seu carrinho. e o trânsito vira um caos, e vai explicar pro caboclo analfabeto funcional mas que conseguiu parcelar seu carrinho que ele não tem direito a estacionar o pseudo-possante na faixa vermelha ou na vaga para portadores de deficiência?

no cada um por si não há direitos básicos, que são comuns a todos. no cada um por si todos competem, e vence o mais forte, atropelando os demais. no cada um por si ninguém pode lutar por direitos coletivos: toda passeata tem que ser reprimida. e qualquer um que reclame é “comuna mortadela”, “petralha” (mesmo que protestando contra uma medida de um prefeito do PT!), ou sei lá mais o quê.

e a bicicleta? a bicicleta sofre. legislação há, mas lembra da [última vez que alguém foi multado na sua frente pois desrespeitou o artigo 201 do CTB, que diz que o carro tem que passar a 1,5 metro de você? deixou de tomar finas? e se ciclofaixas ou ciclovias são instaladas, já percebeu a reação contra?

é, seu direito humano básico de ir e vir ( sim, ir e vir de bicicleta é direito humano, viu arremedo de alborghetti? ) é ferido por todos, pelos motoristas, pelas omissões dos poderes públicos em diversas instâncias, pela ladroagem. e você não pode reclamar, no máximo ficar esperneando no seu facebook.

e num mundo onde as pessoas não vêem saídas aqui, nesse mundo,procuram em outras. não à toa no planeta inteiro as linhas radicais pseudo-religiosas avançam.  em tempos de crise, pessoas recorrem a platão, não a aristóteles.

e o problema disso é grave: em nome de uma pseudo verdade de origem divina, são capazes dos atos mais abjetos. como os cristãos que colonizaram as américas matando os “pagãos”. e hoje alguns ensandecidos em nome do corão (que é menos radical que a bíblia! duvida? leia o capítulo 13 do deuteronômio, que manda apedrejar seu irmão que mudar de religião) cometem suas atrocidades. seja atacando cartunistas, seja massacrando pessoas, como fez o boko haram na nigéria ontem, matando umas 2000 pessoas.

enquanto isso, o ciclista paulistano vai,  sofrendo suas violências diárias, os escárnios alheios, as agressões. mas ele vai. pois o trânsito está todo parado, nessa cidade sempre em pé de guerra,  onde bandidos tocam o terror e e quando o cidadão reivindica algo, a PM toca o terror.  nessa guerra ao terror, aos vândalos, ao que for.

(p.s. o metrô de são paulo é anêmico, perto do tamanho da cidade, e limitado, pois não roda 24 hs. já pensou se tivesse a rede o dobro do tamanho e rodasse 24 hs? quanto não economizaríamos em combustíveis, quanto as ruas não ficariam mais livres, quanta poluição não seria emitida? mas temos uma taxa de construção das mais lentas do mundo: 1,3 km ano. ficou mais lenta com a construção a cargo de consórcios, como a linha amarela. vai mal po governo do estado de são paulo nessa questão. pior do que isso, só a gestão da água e da segurança pública…)

 

 

 

Uma resposta para “guerra ao terror, aos vândalos, ao que for

  1. Cara, seus textos estão cada vez mais preconceituosos! Vc utilizando-se de falsa humildade acaba sempre como O CICLISTA, o ser superior que vê o que os outros não enxergam, que sabe o que ninguém sabe, todo o resto é massa, é gado.
    Já pensou em fazer uma auto crítica? Os nazistas (que você cita em 9 de cada 10 de seus posts) também eram uma minoria na Alemanha (como os cilcistas hj em São Paulo). Mas menos a favor da bicicleta vc critica todos os outros cidadãos, inclusive quem usa bicicleta elétrica!
    Se dividirmos entre nazis e não-nazis eu acho que as suas idéias lhe colocam no lado errado da divisão.
    Aliás, eu como professor de História e judeu, acho que essas suas analogias são uma banalização de um fenômeno que quase dizimou todo um povo.
    Mas… A internet está aí e cada um escreve o que quiser…

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