ciclofaixas estreitas

a expansão das via cicláveis de são paulo está sendo feito no padrão ciclofaixa. pintada de vermelho, delimitada por tachões.

em alguns cantos, ciclovias de fato: separadas do viário, não raro em nível bem diferente da rua, até pra carro não subir. pois sabe como é, tem espertinho pra tudo.

ciclofaixa na avenida engenheiro caetano álvares.  foto e pés de rodolfo martins cândido.

ciclofaixa na avenida engenheiro caetano álvares. foto e pés de rodolfo martins cândido.

mas falemos das faixas vermelhas no asfalto.

algumas são bidirecionais, outras unidirecionais, uma de cada lado do canteiro central de uma grande avenida, como por exemplo na avenida liberdade, ou na avenida engenheiro caetano álvares.

essas são mais estreitinhas e, quer saber? eu gosto.

gosto delas estreitas pois assim não dá pra estacionar um carro nelas, nem um caminhão tem vantagem em invadi-la pra fazer uma ultrapassagem.

carro na ciclofaixa da rua arthur de azevedo, em são paulo. e a ciclista, onde está?  foto de roberta godinho

carro na ciclofaixa da rua arthur de azevedo, em são paulo. e a ciclista, onde está? foto de roberta godinho

sério, isso acontece. afinal o motorista brasileiro não se caracteriza exatamente pelo respeito aos mais frágeis. note que ele não respeita faixa de pedestres, por exemplo.

diz a piada que o homem invisível veio visitar são paulo e morreu atropelado atravessando na faixa, mesmo tendo atravessado com o sinal verde pra pedestres e vermelho pra carros…

o interessante é que não faltam nem editoriais de jornais apontando dedos para os ciclistas. mas motoristas….

e, não é só aqui. em nova york não foi diferente no começo. mas em são paulo parece haver um comportamento generalizado de não aceitação da construção de estrutura cicloviária. em todas as classes sociais vemos pessoas que simplesmente odeiam os ciclistas. nos taxam de gente desqualificada, imprestável e etc.  então, não há como esperar o mínimo, que seria o respeito à nossa existência.

a motorista parou "só dois minutinhos" pra pegar um sorvete. ou seja, a vida da ciclista vale menos que um sorvete. foto de roberta godinho, em 19.12.2014

a motorista parou “só dois minutinhos” pra pegar um sorvete. ou seja, a vida da ciclista vale menos que um sorvete. foto de roberta godinho, em 19.12.2014

claro, se respeito houvesse, nem ciclovias e ciclofaixas seriam necessárias. mas parece que a existência delas afronta as pessoas de tal jeito que de vez em quando alguém coloca sua “necessidade” de estacionar acima da vida dos ciclistas. sim, pois ciclovias e ciclofaixas existem pra proteger vidas.  afinal, se ciclovia houvesse na avenida apaulista há anos, conforme projetada já há mais de 20 anos, márcia prado e julie dias estariam vivas.

ontem, sexta-feira, 19 de dezembro, debaixo de chuva e em torno de 23 hs, eu passava pelas obras da ciclovia em construção na avenida cruzeiro do sul. parei pra cumprimentar os operários,q ue trabalhavam naquele horário, molhados pela chuva. parei aolado, protegido pelos cones e tapumes que colocaram pra desviar o trânsito. e enquanto eu conversava com eles, mais de um carro passou com motoristas xingando-nos.

yep, isso é brasil.  como somos esse país onde pessoas da classe média se comportam mais ou menos como os vândalos que invadiram o império romano, toda proteção aos ciclistas nas ruas é bem vinda. mesmo que seja estreita, para não atrair a cobiça dos monstroristas ávidos por pistas ainda não atulhadas por seus semelhantes.  pois sim, pra quem está no seu possante, aquela faixa vermelha livre é uma tentação pra sair acelerando e fazendo strike em ciclistas. é melhor que não tenha grande vantagem em invadi-la. portanto, que seja estreita, e funcione.

é, um país que começou com os europeus saqueando os índios e depois escravizando africanos, ainda demorará a ser um local de respeito aos seres humanos pelo simples fato de serem humanos. até lá, ciclofaixas, ciclovias, semáforos, radares e etc serão necessários. é o preço que se paga pela barbárie generalizada.

 

2 Respostas para “ciclofaixas estreitas

  1. aqui em Niterói também está rolando uma expansão das ciclofaixas… já temos incríveis 15 km que são usados em especial para estacionamento de carro, trafego de motos e afins…

    Por aqui o top 5 de problemas no dia a dia pedalando são:

    1: novos ciclistas na contra mão
    2: novos ciclistas furando o sinal vermelho indiscriminadamente
    3: ciclistas na calçada
    4: carros parados ou trafegando nas ciclofaixas
    5: Fina de onibus ou carros.

    é bem triste…

  2. Sou ciclista de Niterói também e vejo a mesma coisa…tanto motoristas quanto ciclistas desconhecem os direitos e deveres…não sabem sequer que bicicleta é veículo…nunca leram o CTB e, com isso, a ignorância somada a falta de educação e respeito fazem com que o trânsito seja uma bela merda – infelizmente. Na minha opinião, é socializando informações e educando a população que as coisas podem mudar (mesmo que devagar).

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