bridge over troubled water

a melhor noticia do ano eu recebi hoje. a prefeitura de são paulo finalmente construirá ciclovias sobre as pontes sobre as avenidas marginais e os rios tietê e pinheiros.

imagem surgida no facebook hoje.

imagem surgida no facebook hoje.

pra quem mora no além-rios, fora do centro expandido, pedalar para dentro do centro expandido, circundado por rios, avenidas largas que os margeiam e pontes que por cima dessas avenidas e rios passam, é um desafio e tanto. só quem diariamente faz isso, seja na ponte do limão, na ponte joão dias, ou na ponte do jaguaré, ou qualquer outra, sabe do que falo.

ali, na atual situação, só passam os bons sprinters, os que tem alta tolerância ao caos, os que assumem muitos riscos. pois a bicicleta ali chega a 3o km/h no máximo, raramente passando disso, em razão de buracos, e das freadas e acelerações rápidas que temos que fazer, entre uma alça e outra. motorista entram e saem em alta velocidade, e muitas vezes também sem sinalizar.

assista a reportagem da rede globo abaixo, pra entender:

é, a situação chamou a atenção até da rede globo….

entre pessoas das periferias, muitas não apenas têm medo de passar por esses locais. há até quem pense que seja proibido e vá ter sua bicicleta apreendida.

há anos brigamos por essa mudança, diante dum poder público no mais das vezes orientado por uma ideologia carrólatra. mas… mas de tanto brigar, conseguimos, nós os ciclistas de são paulo, sensibilizar essa gestão acerca da urgência na solução destes problemas. pois cada dia sem intervenção é um dia a mais correndo riscos.  um dia a mais nos quais nos perguntamos se vale à pena correr esse risco.

eu deixei de ir a muitas festas de amigos por isso.  não temo dizer. pois não há um único dia em que eu atravesse sem o menor risco. nos horários de menor movimento é ainda pior, pela velocidade que os carros desenvolvem- tem muita gente com síndrome de ayrton senna….

claro, se os motoristas de são paulo fossem todos respeitadores da preferência da bicicleta nas ruas,  isso não seria preciso. mas se houvesse bom senso, desnecessários seriam os semáforos e os radares. pois ainda tem gente babaca que acha lindo ultrapassar os limites legais de velocidade, nas ruas e também nas estradas.

mas basta um idiota para que uma morte ocorra. e contra os idiotas, necessárias sãos as medidas que serão tomadas: fechamento de alças, redução de velocidade, obstáculos como lombofaixas e etc.

não seria necessário se os motoristas respeitassem uma única sinalização no chão, seja faixa de que cor for ou mesmo um símbolo. mas quem respeita?

então, justamente por isso, se fazem necessárias outras medidas: estreitamento das alças, lombadas… pois não basta botar a placa de limite de velocidade, ou mesmo o radar. obstáculos físicos e medidas físicas para redução de velocidade dos carros.

hoje, desde 2012, a lei de mobilidade urbana determina prioridade dos transportes coletivos sobre os individuais e dos não-motorizados sobre os motorizados. assim, os prefeitos que começaram seus mandatos em 2013 estão obrigados a tomar essas medidas, ao contrário dos prefeitos anteriores.

no caso de são paulo, onde trens e metrô são estaduais, transporte coletivo sob responsabilidade da prefeitura são os ônibus. assim, normal e natural a construção de faixas exclusivas e corredores, em detrimento de faixas pra carros e motos. e faixas para bicicletas, onde também podem circular patins, patinetes, cadeirantes e etc, também passam a ser prioridade sobre carros e motos.

agora, sempre tem gente de mau-humor tentando achar pelo em ovo. neguim reclama que as faixas são vermelhas (há uma resolução do contran que determina isso), e que lá não sei onde são de outra cor (mas aqui é braisl e vale a resolução do contran). neguim reclama que tem buraco (como se o asfalto do entorno fosse melhor). neguim reclama que tem tachão, que não tem tachão, que não tem mureta, que tem mureta, que tem rampa, que não tem rampa, que tem degrau, que não tem degrau…. em resumo, tudo aquilo que pode ser aperfeiçoado no tempo neguim reclama agora.

mas como disse um cadeirante conhecido meu, “é só eu reclamar que não tem rampa de acesso que as pessoas passam a discutir a cor do piso”.  esse coleguinha de rodas raiadas (me deu umas dicas sobre uns modelos da schwalbe, que tem linha pra cadeira de rodas) é craque nisso, sabe que sempre se acha um pelo em ovo pra impedir que uma política de acessibilidade se instale.  (está usando muito as faixas vermelhas da região central, diga-se de passagem).

o plano apresentado pela prefeitura está nesse link aqui. como se pode ver, cada ponte terá uma solução diferente. algumas terão ciclovias bidirecionais num lado, outras no canteiro central, e outras uma ciclovia de cada lado. pois cada ponte tem suas próprias características. o mesmo vale pra viadutos.

são as soluções que eu gostaria? não, nem de longe. pro mim, todas as alças de acesso nas laterais seriam fechadas. e os carros que fizessem trajetos de 5 km pra passar em cima das pontes.  por mim o limite de velocidade na cidade inteira seria de 30 km/h e teria um radar em cada esquina, e todo o asfalto de são paulo seria liso como o da avenida paulista. mas isso nunca acontecerá, ou não a tempo de eu ver isso, não nessa vida.

pois são paulo é um monstro de 17 mil km de vias, com padrões de pavimentação diversos. prefeito de são paulo é administrador de caos, pois o paulistano é o PIB por excelência. ele reclama de pedestre que não atravessa na faixa ou ciclista que fora o semáforo, mas acelera a 120 km/h, polui e estaciona a lata em vaga de idoso ou portador de deficiência, sonega impostos e etc.

gilberto kassab

gilberto kassab

e administrar esse monstro chamado são paulo é administrar o caos. os prefeitos anteriores simplesmente iam empurrando com a barriga (já viram a barriga do gilberto kassab?) tanto que no final de 2010, quando discursou na câmara municipal, renata falzoni sentou a lenha na administração municipal e suas leis engavetadas.  veja e ouça aqui e aqui.

essa é, de longe, a primeira administração de são paulo que se volta à bicicleta a sério. nem tudo o que faz é perfeito, mas eu conheço a inércia dos servidores concursados que estão há décadas atrás de escrivaninhas, ou a dificuldade que é administrar um leviatã como a prefeitura de são paulo. por sorte há uma equipe na CET tocando a coisa da melhor forma possível, pois não se pense que não haja forças contrárias em tudo quanto é lugar: associações de bairro que são contra a ciclovias, gente enchendo o saco de sub-prefeito  por causa de vagas de estacionamento “perdidas” e etc. pra jogar contra, aparace até fogo amigo…

mas nada sai sem vontade política e sem uma pressão do público. pra exemplificar, conto uma história ocorrida há uns anos, quando um funcionário duma prefeitura do interior confessava que ele não conseguia levar projetos adiante pois faltavam passeatas pressionando justamente pela tomada daquelas  medidas.

é fato, nem as obras das pontes sairão senão houver pressão a favor. pois a qualquer momento pode algum promotor doido querer suspender a obra por qualquer coisinha. e daí, sabemos, a obra não sai nunca. mas quem entra com ação contra a vontade de um monte de cidadãos, que só querem que se cumpram leis há muito tempo descumpridas?

pra se entender o que é falta de vontade política e de pressão, basta lembrar que a descida da serra de são paulo a santos ainda não tem solução legal, pois o governo do estado, responsável por isso, não se mexe.  o caminho da rota márcia prado, até a segunda balsa da península do bororé é de responsabilidade da prefeitura. depois, na imigrantes e o acesso à estrada de manutenção é de responsabilidade do governo do estado.

cada vez que o instituto cicloBR organizava uma descida, o que fazia o governo do estado? resolvia a questão? não… entrava com um esquema especial pra escoltar ciclistas até a entrada da estrada de manutenção. de preferência esperando chegar uns 5 mil ciclistas por vez, fechar a imigrantes e então escoltar os ciclistas.

agora, regularizar de vez a descida, nosso governador alckmin não mexe uma única palha. tente você no próximo sábado tentar descer a serra. tente exercer o seu direito constitucional de ir e vir garantido no artigo 5 da constituição federal. tente. tente ir pela imigrantes ou pela via anchieta, que também são vias que você deve ter direito a acessar em sua bicicleta. experimente. depois me conte como foi o tratamento dado pelas autoridades.

o fato é que a prefeitura de são paulo sinaliza que vai finalmente facilitar um pouco a nossa travessia das pontes sobre as marginais. claro, não é nenhuma ciclovia holandesa. nem tem como, afinal como fazer uma ciclovia holandesa sem ter as moradias holandesas e as cadeias holandesas primeiro?

mas só o fato de reduzir bastante a velocidade dos veículos que venham pelas alças ou, melhor ainda, eu poder atravessar pelo centro, sem me preocupar com carros tentando me atropelar de tudo quanto é lado, já me faz sonhar com um outro tipo de bicicleta. no dia em que eu perceber que estou seguro nos meus trajetos e não precisar sprintar que nem um doido ou costurar no meio de um monte de carros e ônibus, ou ter que descer da bicicleta pra passá-la por cima de capôs de carros parados congestionando o trânsito e poluindo o ar, eu vou montar uma bike reclinada pra mim. na verdade eu sou doidinho pra ter um triciclo reclinado. quem sabe um dia? já até bolei uma relação de 21 marchas montada num cubo de 3 marchas internas pra ter um total de 63 marchas… hehehehe

aguardemos. e pressionemos. senão nada muda nessa cidade.

p.s. o nome do post é tirado dessa música aqui.

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