semana da mobilidade em são paulo. o que vi e ouvi

a semana da mobilidade em são paulo foi rica em eventos, não participei de todos, e não dava mesmo. falo aqui apenas do que vi, e ouvi.

primeiro o sábado, dia 20. na zona norte de são paulo, oficina comunitária itinerante no terminal cachoeirinha, vaga viva na avenida parada pinto, e depois debate no centro cultural da juventude – ccj. troca de experiências fundamentais! e claro, com a presença de coleguinhas da zona sul, a troca de experiências de quem está além pontes, quem está fora do centro expandido e portanto, independentemente de classe social, nas periferias.

faixa na ponte da freguesia do ó, colocada por ativistas, na manhã do 22 de setembro.

faixa na ponte da freguesia do ó, colocada por ativistas, na manhã do 22 de setembro. foto de roberson miguel.

na segunda, 22 de setembro, o prefeito fernando haddad resolveu ir de sua casa à sede da prefeitura, e depois voltar, pedalando. na ida, um evento. conversei um pouco com ele, claro. e claro, como de se esperar, a questão das pontes, sendo que ele anunciou que haveria intervenção. cobramos logo em seguida do secretário de transportes, jilmar tatto, que tem pedalado muito pela cidade.  muito mesmo. nessa pedalada, havia um chato do programa CQC, querendo acompanhar o prefeito no início ao fim, e um monte de ativistas querendo cobrar uma série de medidas. 

é incrível como a imprensa séria e há malas que só atrapalham.

na terça, uma reunião chamada pela secretaria de transportes com diversos ciclistas mais ativos no movimento. fomos e, para nossa surpresa, era uma reunião inter-secretarial, com a presença dos secretários de meio ambiente, educação, saúde, e o secretário adjunto de esportes. e claro, o secretário de transportes.

descobrimos que a política de bicicletas vai além da questão das faixas vermelhas, e sim, vai haver intervenção em pontes. mas vai se incluir a bicicleta no universo da educação do município. descobrimos que a secretaria do verde pressiona, em razão da emissão de carbono do trânsito paulistano. pressionamos e arrancamos uma promessa de um velódromo da secretaria de esportes, obviamente sem data, pois descobriram a partir da nossa fala do impacto que há no esporte bicicleta numa cidade onde há velódromo em condições de uso.

descobrimos também que, pelos motivos mais que óbvios, a secretaria de saúde se interessa pela disseminação do uso de bicicletas no lugar de carros. seja pela diminuição da poluição, seja pela diminuição do número de sedentários.

mas claro, pressionamos pelas pontes sobre as marginais. aliás, na própria terça-feira saiu a reportagem do link abaixo, e note a “fechada” que tomei dum táxi. e claro, a fechada em plena filmagem da rede globo tinha que ser no ciclo-chato das pontes…. hehehehehehe

e mais,  o secretário afirmou que somos sim muito articulados e estamos “vencendo”. a causa da bicicleta apartidária, embora algumas ações não sejam. é mérito sim dessa gestão tirar do papel o que muitos técnicos do passado competentemente projetaram. sim, há um corpo técnico importante na prefeitura, muito competente, corpo técnico esse concursado, estável, mas que nunca teve o espaço por parte de quem toma decisões, que está tendo agora. e isso é importante sim ressaltar, pois é inédito na história de são paulo.

tenho lá meus palpites sobre por que isto está ocorrendo assim, e não diferem da análise de guilherme wisnik, num artigo na folha de são paulo, intitulado “a virada civilizatória de haddad

e claro, também não há que se confundir gestão com o movimento. a gestão, seja o corpo técnico concursado, seja o corpo político eleito e comissionado, são a gestão, são a execução dessa política pública de transporte, e o movimento é a sociedade cobrando essa implantação. ao contrário do que em gestões anteriores de qualquer partido, ressalte-se, hoje há um diálogo propositivo entre a gestão e o movimento. ninguém quer fazer gol um no outro. estamos jogando frescobol: a bola é rebatida pra ser bem recebida.

claro que há dissensos pontuais. eu, como morador da zona norte de são paulo, acho a questão das pontes a mais importante do mundo. é o grande gargalo atual da implantação dessa política no que se refere à zona norte. mas já pro pessoal da zona sul, a questão do tráfego na avenida m-boi mirim já toma uma centralidade que torna suas pautas diversas. mas sim, como bem lembrou naílson, do s.o.s. zona sul (ou s.o.s. m´boi mirim, não lembro) que fez a segunda fala, “o mundo é diferente da ponte pra cá.”

claro, tanto o secretário jilmar tatto quanto nós queremos que se desmonte a dicotomia “centro X periferia”. mas ela ainda é um dado da realidade. e no que tange às bicicletas, é quando os gargalos que são muros invisíveis forem resolvidos é que essa dicotomia perderá sentido.

está para ser anunciado um cronograma de intervenção na ponte da casa verde par ase fazer uma travessia segura. e a construção – sabe-se lá pra quando – de duas outras travessias. espero que também saia logo alguma intervenção na ponte da cruzeiro do sul,  continuando a estrutura que há do outro lado: uma ciclovia que, aliás, periodicamente uso.

mas é fato que enquanto pontes como a ponte do limão, das bandeiras e da cruzeiro do sul não forem resolvidas, meus trajetos continuarão perigosos como ainda o são. eu suporto esse risco, mas outros não.

hoje houve uma reunião do conselho municipal de transportes, e os coleguinhas arrancaram uma promessa da liberação em duas semanas, de um processo que permitirá a qualquer estrutura da prefeitura instalar paraciclos. aí vai ser uma questão apenas de nós, que pedalamos e pertencemos ao “partido da bike” oficiarmos aos diversos órgãos do nosso interesse: bibliotecas, postos de saúde, o que for, exigindo a instalação desses paraciclos, que constam na lei municipal 14.266.

claro, no que puder, sempre quem é do “partido da bike” colabora com gestores públicos, sejam eles quem forem, na defesa da bicicleta e seu uso no transporte e esporte, além do lazer. pois não há como pensar que o gestor sabe tudo, pois não sabe, e além do mais o gestor toma conta de muito mais coisa além de bicicletas.

mas é fato que há nessa gestão de fernando haddad um enfoque bem acentuado, do ponto de vista das prioridades, no cumprimento da lei 12.587, que estabelece políticas públicas de transporte e claramente determina que as prioridades sejam transporte coletivo e transporte não motorizado. ao encher a cidade de faixas para ônibus e para bicicletas, o prefeito está seguindo a lei.

mas o prefeito foi além. na segunda, dia 22, anuncia que estará mobilizando demais prefeitos da frente nacional de prefeitos, para pressionar o poder público federal e os estaduais para desonerarem de tributos as bicicletas. já conseguiu apoio do prefeito fortunati (PDT) de porto alegre e deverá, o que se espera, também ter apoio de gustavo fruet (PDT), prefeito de curitiba, entre tantos mais. de fato que governadores e presidente eleitos desonerem a bicicleta para deixá-la mais barata.

claro, há muito o que se fazer ainda. afinal, dos 400 km de vias prometidas para as bicicletas, nem 100 km ainda foram instalados. e sim, carrólatras de diversos tipos estão enciumados. embora eles ocupem grande parte da via, parecem não querer conviver com nenhum outro modal que não o carro. e claro, ignoram alei de mobilidade que os coloca em último lugar nas prioridades.

paciência. o fato é que a bicicleta está vencendo. e até a revista veja já admite que essa é uma realidade sem volta. totalmente sem volta. os carrólatras que se acostumem com ciclovias e ciclofaixas, e um monte de bicicletas na rua.  só falta agora dá uma retocada aqui e ali no CTB, pra facilitar ainda mais a adoção da bicicleta como transporte nas grandes cidades.

o futuro é nosso. o carro é passado. essa é uma insofismável realidade, aceitem ou não. e assim como hoje vemos filmes do longínquo tempo das diligências a cavalo, no futuro verão filmes do ultrapassado tempo dos carros.

estamos vencendo, e o futuro é nosso.e a um futuro melhor e a uma sociedade mais evoluída, só se vai de bicicleta.

– em tempo. amanhã, às 9 hs, inauguração da ciclovia da avenida sapopemba, na zona leste. com a presença do prefeito. quem for da ZL que vá lá e aproveite pra perguntar acerca da extensão da ciclovia do metrô que segue a radial, até o centro….

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9 Respostas para “semana da mobilidade em são paulo. o que vi e ouvi

  1. Tenho uma dúvida técnica:
    As pontes sobre as marginais (o upelo menos a maioria delas) não seriam vias de tráfego rápido onde pelo CBT os cilcistas seriam proibidos de trafegar?

    • Eduardo, não é o caso. Para a via ser considerada de trânsito rápido e ser impedida para ciclistas ela ela tem alguns requisitos que a ponte não tem, veja a definição do CBT:
      VIA DE TRÂNSITO RÁPIDO – aquela caracterizada por acessos especiais com trânsito livre, sem interseções em nível, sem acessibilidade direta aos lotes lindeiros e sem travessia de pedestres em nível.
      Segunda essa definição somente partes do corredor norte/sul e as faixas expressas das marginais em SP são de trânsito rápido.

  2. Sim, o ciclista que se diz “super experiente” nem deveria estar ali.

    • É isso aí, o ciclista super experiente atravessa o rio de barco.

      • Atravessa andando pela calçada com a bicicleta a seu lado, como pede a lei.

        Por que todo mundo pede que ciclistas vão pedalar em parques e tratam vcs como um bando de garotos mimados metidos a revolucionários?
        Porque qdo a lei lhes agrada vcs a defendem (tipo 1,5m de distancia lateral) mas quando não lhes convém vcs a desobedecem (como pedalar em locais proibidos).

      • Jorge, eu gostaria que você fizesse um exercício no qual você avaliasse o seu grau de empatia com quem atravessa a ponte de bicicleta. Eu estou assumindo que você não tem muita, pois se referiu a ciclistas como “vocês” e usou generalizações como “todo mundo”. Só quem não está próximo à situação pode crer que a resposta para as reclamações dessas pessoas é um simples “cumpra a lei”, até porque, meu amigo, a calçada dessas pontes não permite uma travessia segura, pois as alças permitem altas velocidades, não possuem faixas ou semáforos.

        Eu já descumpri a lei e pintei uma faixa de pedestres na ponte das bandeiras junto a um grupo de arruaceiros. Mal terminamos e uma senhorinha a usou para atravessar. Onde você estava naquele dia? Na câmara de vereadores pedindo para seu vereador tomar uma atitude sobre as pontes?

        Fora do mundo do certo e do errado, o preto e do branco existe um monte de cinza. Sugiro você folear o livro “Desobediência civil” de Thoreau como referência sobre o cinza.

  3. Desculpe, não fui claro, quando escrevi “vocês” me referia a cicloativistas.

    Fica claro meu ponto quando vc (oclaudiobr), pede o “cinza”e “desobediência” quando pedala onde é proibido, quando pinta ciclovias travessias e bicicletinhas onde não deve. Mas reclama quando passam muito rápido ou muito perto de vc com o carro, ou quando estacionam ou pintam vagas de estacionamento nas ciclovias.

    Por isso que todo mundo (os cidadãos de S.Paulo com exceção dos ciclo ativistas) percebem “vocês” como garotos mimados metidos a revolucionários.

    • bom, acho que vc não entende nada de direito de trânsito. vamos aos pontos: 1. 1,5 de distância. é lei, assim como reduzir a velocidade ao ultrapassar um ciclista e não cortar sua trajetória. 2. sobre bicicleta na calçada, inclusive em cima da ponte: é contra a lei. a lei determina que bike na calçada apenas com autorização expressa do poder público, e não há essa autorização em nenhuma das pontes sobre as marginais. 3. sobre a preferência da bicicleta nas alças das pontes sobre as marginais, decorre tanto da preferência geral da bicicleta estabelecida na lei, quanto da preferência, nas intersecções diagonais, do veículo que venha trafegando pela esquerda. 4. sobre retirar vagas de estacionamentos para colocar ciclovias e e faixas de ônibus ou qq outra: é lei. desde 2012 por lei na mobilidade a preferência é sempre, nas políticas públicas urbanas, do transporte motorizado coletivo e do transporte não motorizado. 5. sobre restringir o máximo possível a passagem de veículos motorizados individuais nas ruas, é lei tb, em razão do mesmo diploma legal. 6. comportam-se como garotinhos mimados os donos de carros que querem descumprir legislação e acham que têm direito a parar a lata velha na rua e ter preferência sobre aqueles que a lei confere preferência no trânsito, só pq gastaram uma grana pra comprar um troço que polui. simples assim. sobre o comportamento mimado do motorista brasileiro em geral, favor consultar literatura específica, como a obra do sociólogo roberto da matta, “fé em deus epé na tábua”, dentre outras.

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