por uma cultura da bicicleta

as cidades viraram um inferno debaixo da cultura carrólatra. chegou a hora de substituí-la.

encontro das pedalinas. talita noguchi ensinando a trocar a câmara.

encontro das pedalinas. talita noguchi ensinando a trocar a câmara.

o número de ciclistas urbanos tem aumentado exponencialmente nos últimos anos, as contagens de ciclistas em vias paulistanas feitas ano a ano comprovam isso, o ibope diz o mesmo. em diversas partes o brasil surgem pequenas empresas de acessórios: bolsas, alforjes… não são o acessórios do competidor ou esportista, mas do usuário urbano, diário. começam a pipocar as vendas das bicicletas urbanas.

mas e o resto? é a capacidade de trocar uma câmara furada sozinho?remendar um furo na câmara? lavar a bike, dar aquela regulada nos freios depois que as sapatas gastaram pela metade?

pois pedalar por aí não é apenas subir numa bike e sair pedalando, nem ter roupinhas e bolsinhas lindas pra pedalar com estilo. isso é só uma parte. a outra parte é desalienar-se do veículo. bicicleta não é carro, veículo de condutor alienado, que nem tem ideia do que seja um motor em linha ou boxer, não sabe a taxa de compressão usada no motor do seu carro, e nem imagina que não dá pra fazer determinadas curvas com um jipão pois carro alto capota mais fácil.

bicicleta propicia o contato íntimo com o veículo. saber que pneus mais finos deixam a bike mais rápida mas mais dura, que pneus mais grossos dão mais conforto mas são mais lentos. saber calibrar os pneus da própria bicicleta levando em conta a indicação na lateral do pneu (pois quelas letrinhas e números não são enfeite). saber posicionar o selim na altura correta e nem na “altura do ossinho da bacia” nem pra colocar os pezinhos no chão.

oficina mão na roda. fazendo se aprende.

oficina mão na roda. fazendo se aprende.

grupos de pedal noturno tem a sua função de introduzir o pedalar na vida das pessoas. gente que não usa a bike como transporte e tem medo de andar sópelas ruas, vê nesses grupos uma oportunidade. mas alguns pecam pelo excesso de suporte, tendo mais que apoio, mas verdadeiras babás e impedindo o aprendizado acerca do veículo por parte do cilista novato.

pois o brasil ainda não desenvolveu aquela cultura familiar da bicicleta, onde todo pai ensina a cada filho ou filha o básico sobre bicicletas, e não penas seu uso, mas também manutenção.

por isso iniciativas como a de determinados grupos, como as pedalinas, um coletivo feminino onde mulher es ensinam a mulheres coo fazer as coisas, sem precisar dum marmanjo do lado, ou as oficinas comunitárias já existentes em algumas capitais, hoje assumem uma importância brutal no desenvolvimento duma cultura da bicicleta,

pois é assim que se descobre como usar melhor a bicicleta; a escolher peças mais duráveis e não pelo apelo da publicidade; a comprar as bicicletas adequadas, pois cada ciclista deve ter ter pelo menos duas bicicletas, uma de transporte e outra de lazer/viagem/esporte (e claro, até mais de duas);  é assim que se corrigem erros; é assim que se aprende a pedalar melhor.

alem disso, os bike-anjos, com seu trabalho dedicado e amoroso ao ensinar novatos como se portar na rua, ou pessoas que nunca se equilibraram a pedalar por aí, também têm uma importância fenomenal. pois assim se quebra a barreira do desconhecimento. pois é fato que em geral o brasileiro até sabe andar de bicicleta, mas não sabe pedalar.

quanta pessoas você já ensinou a andar de bicicleta?

quanta pessoas você já ensinou a andar de bicicleta?

e sabendo apenas andar de bicicleta e não a pedalar, vai valorizar uma roda bem enraiada, vai valorizar o trabalho primoroso de um bom frame-builder ou entender o que é um quadro sob medida? claro que não.

a cultura da bicicleta precisa ser desenvolvida até para criar a massa de consumidores que entendem o que estão consumindo. pois só quem ficou horas tentando alinhar uma roda valoriza o trabalho de um bom montador de rodas, pois enraiar é uma arte. só quem experimentou diversas bicicletas entendo o que é uma bicicleta que no pedalar seja como uma luva, confortável e adequada às medidas do corpo.

só quem passou perrengue no trânsito entende o que seja um urbanismo adequado, só quem tomou uma fina assassina entende o quanto nossos motoristas precisam aprender ainda sobre respeito à vida alheia, só quem penou numa subida compreende o que é esforço.

a bicicleta tem muito a ensinar ao brasileiro. mas é preciso aprender a aprender. e para isso, ainda há muito a fazer. podemos começar pelo básico: achar bons e baratos pára-lamas e bagageiros. pois bicicletas já temos, mas falta todo resto.

comece então aprendendo, e ensinando a fazer. pois é preciso sim saber o que é rosca inglesa, o que é pedivela integrada, o que é aço 4130, ou alumínio 7005, ou titânio 3/2,5, o que é corrente cruzada, o que é caixa de direção de rosca ou aheadset, e tanta coisa mais. pois se a foto abaixo não faz sentido para você, ainda há muito o que aprender.

tipos de movimento central

 

 

 

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