além das pontes

a zona norte de são paulo está além das pontes. é caracterizada por um relevo bem… acentuado. mas também por grandes avenidas em fundos de vales, que penetram até os limites da cidade. a zona norte de são paulo é populosa. não tanto quando a zona leste, mas é populosa. a zona norte é rica em contradições e história, conforme pode-se ler aqui.

os voluntários pedro, robersone bruno, na beira da ciclovia da inajar de souza. foto Antonio Miotto.

os voluntários pedro, robersone bruno, na beira da ciclovia da inajar de souza. foto Antonio Miotto.

e um detalhe: a zona norte pedala, e não é pouco. a zona norte pedala muito.

hoje os bravos voluntários do cicloZN, coletivo de ciclistas da zona norte agregados à associação CICLOCIDADE, passaram o dia fazendo uma contagem de ciclistas que passam pela qualquer coisa ciclovia da avenida inajar de souza, que não cobre a avenida inteira, nem ultrapassa a ponte para o centro expandido.

e mesmo assim, foram contados em 14 horas 1410 ciclistas. ou seja, pelo menos 100 ciclistas por hora, portanto bem mais que um ciclista por minuto.

e a contagem encerrou-se às 20 hs. sendo que ainda há uma grande parcela de trabalhadores que voltam de seus empregos após esse horário. não seria estranho estimar algo acima de 2000 ciclistas se a contagem durasse 24 hs.

em outra avenida, distante da inar de souza, mas também na zona norte, a avenida luiz dummont villares, um colega nosso, ao lado de um técnico da CET, contou 200 ciclista s passando num período de uma hora e meia.

iss serve apenas para dar dois exemplos. se pensarmos na avenida maria amália lopes azevedo, que liga-se à avenida parada pinto, temos um corredor natural que evita grandes morros e liga o terminal da vila nova cachoeirinha a guarulhos, passando por perto da estação tucuruvi do metrô.

não vê a demanda quem não quer. e quem não quer ver? como sempre, a burocracia dos órgãos públicos.  pois, por mais que haja vontade pública dos eleitos e comissionados, envolvidos em qualquer projeto, a burocracia é anterior à uma gestão qualquer e sobrevive a ela. e prefere não enxergar uma demanda qualquer a ter o trabalho de resolvê-la, com raras e notáveis exceções, tanto que as conhecemos todas (e não as nomeio aqui para não expô-las. mas todos sabemos do seu árduo trabalho).

por isso, naquela praça em frente à estação tucuruvi do metrô, faltam paraciclos, e na própria estação tucuruvi do metrô, não há bicicletários – nunca houve aliás, pois nunca o metrô quis de fato atender a essa demanda específica.

nessa hora os administradores públicos ficam vendidos nas situações. em são paulo e em qualquer lugar do brasil. sempre vai ter um técnico querendo mostrar seu pequeno poder por conta do encargo de assinar ou não uma certa autorização. sim, pois os quadros concursados fazem suas pequenas políticas. pedem demissão de projetos com os quais não concordam, e apontam N motivos pseudo-técnicos para não fazer o que deve ser feito, por exemplo.

pois sim, a técnica não é neutra, e o agir político é sim escolha a ser feita. a grande questão é: o gestor consegue ir além da inércia de sua burocracia? em resumo: as ciclovias irão além das pontes, as ciclovias atravessarão as pontes?

demanda há. e como há. vontade política há, e sabemos que há. quadros técnicos capazes também há, que inclusive pedalam e, portanto, conhecem sim das necessidades diárias dos ciclistas pois também o são. mas de outro lado há aquela burocracia tecnocrata que só consegue apontar defeitos, impossibilidades e etc.

e é graças a esses últimos que as coisas não saem, e assim, pessoas como eu e outros tantos, sofremos riscos incontáveis todos os dias por termos escolhido uma forma de nos transportarmos que não polui, não congestiona e nem sobrecarrega as estruturas públicas (pois bicicleta não gasta asfalto!).

então fica a pergunta: até quando correremos riscos até de morrer pois há pessoas empatando a construção das obras que nos darão segurança no ir e vir?

demanda há, repito. mas todas essas vidas não merecem ser protegidas?

 

 

 

 

Uma resposta para “além das pontes

  1. É uma boa demanda já, tendo em conta a fraca infraestrutura. Já vi se justificar a construção ou duplicação de ruas, avenidas, estradas, etc. com volumes de tráfego automóvel muito menores que esse. Basicamente porq se previa “crescimento do tráfego”.

    Considerando que uma via (3-3,5m largura) de uma avenida “normal” (com muitos cruzamentos, semáforos,etc.) não consegue debitar mais de 600-800 veic/hora pois já fica congestionanda, uma ciclovia com menor largura e muito mais barata é totalmente justificável, pois tem muito maior capacidade, sem contar as externalidades positivas, etc. Qual a largura dessa ciclovia? Se tiver 1,5m de largura +- acredito que consegue debitar umas 2.000 bicicletas/hora (fazendo contas por alto).

    Abraço

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